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O Bando da Rainha Caolha

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Achiles
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Achiles
Pirata
O Bando da Rainha Caolha Qui Abr 28, 2022 11:05 am
Relembrando a primeira mensagem :

O Bando da Rainha Caolha

Aqui ocorrerá a aventura do(a) Pirata ''Sir'' Douglas Whitefang. A qual não possui narrador definido.

Wolfgang
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Wolfgang
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Re: O Bando da Rainha Caolha Sex Jul 22, 2022 10:07 am
Brina Britta - 15

Ao que parecia, estava tudo bem e a pequena apenas sofria com o efeito colateral da tal bebida rum. - Ruim? Não, era bom! Mas é… acho que tomei Ruim demais, então é assim que uma ressaca funciona, agora sei como é o diagnóstico disso. Nas noites de Lua Cheia… QUEIJO? - antes mesmo de explicar o problema com as fases lunares, a menção de voltar ao navio para comer a dispersava completamente. - Kishishishi, sim! Vamos! Compramos umas 15 rodelas, deve dar pra 2 dias, é melhor aproveitar logo!

Ouvia atentamente a explicação da rainha a respeito da cidade. Novamente, sequestros e príncipes eram mencionados, e se recordava vagamente de seus amigos conversasrem sobre algum plano que iria consolidar o Reino de Spadia e trazer outras garantias. Brina jamais se oporia a qualquer ordem da Rainha, menos ainda a questionaria, pois confiava nela e em seus amigos, fazia parte do pacto de ser a princesa-bruxa-curandeira de um reinado.

- Hm… se a intenção é esconder um príncipe, acho que nas montanhas seria um bom lugar, só não podemos perder ele, afinal a montanha é um lugar muito grande, imagina se a gente deixa ele em algum canto e a gente acaba se perdendo, e no final das contas os sequestrados viram nós! Kishishishi, já pensou? Aí seria a montanha nos sequestrando, e quem iria nos resgatar? - ainda estava um pouco tonta da ressaca, o que interferia em seu juízo já comprometido.

Estava com fome novamente, e ouvia algumas palavras a respeito de bolo, chá e outras comidas. Olhava na direção de onde todas essas coisas saborosas eram mencionadas, e se deparava com uma mulher de armadura entrando em uma casa. Sentia-se tentada a se oferecer para entrar, mas sabia que no navio havia queijo, e não havia nenhuma garantia de que o bolo seria de queijo, o chá de queijo ou outras comidas de queijo, então Zarolha parecia um destino mais atraente.

Uma vez na embabrcação, devoraria rapidamente o pedaço oferecido por Nina, divertindo-se com aquele momento e se deliciando com a comida. Como mal se lembrava de ter saído do navio, correria pelos aposentos para se certificar de que todos estavam bem, mas ao que tudo indicava a noite anterior não era de Lua Cheia e isso não havia virado um problema.

- Ei, ei, ei Agnis! Você consegue prever o futuro? - perguntaria repentinamente ao celestial, sem sequer elaborar. Seu Arquimago era um celestial com Haki da Observação poderosíssimo, por isso queria saber se seu novo companheiro era dotado do mesmo poder. Ouviria tudo que o rapaz tinha a dizer, enquanto continuaria devorando seu queijo.

Relações:


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Oni
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Oni
Pirata
Re: O Bando da Rainha Caolha Sex Jul 22, 2022 6:14 pm
''SIR'' DOUGLAS WHITEFANG - 17





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- Mais forte do que eu por carregar uma pedra? Se fosse eu, teria carregado uma montanha inteira! - Enquanto limpava meu corpo no mar, lembraria da minha mentira para Onimaru, e a forma como eu logo depois virei o rosto para o lado para engolir em seco, disfarçando meu pavor. Ainda bem que eu tinha Nina para me defender.

Aquele maldito tremor era o tipo de coisa que me fazia me sentir assustado com a falta de cuidado que eu estava tendo com aquele plano. Coisas aleatórias assim poderiam acontecer a qualquer momento e acabar com a estrutura precária de ideia para o sequestro.

Ao menos eu já estava me sentindo valendo mais do que uma moeda de 50 berries, já que agora eu possuía 30 mil, o que me possibilitava ficar mais facilmente na cidade sem ter de voltar para o navio. Falando nisso, eu provavelmente seria espancado por Nina por ter tido essa ideia de não voltar por conta própria, apesar do que foi combinado. Eu teria de lidar com isso depois, aparecendo por lá em um horário improvável ou procurando-a pela cidade para me explicar.

Enquanto eu lavava Kozaro para fora de mim e começava a me preparar para fazer com que Monalisa surgisse, senti uma estranha sensação abrupta de fraqueza. Meus olhos se reviraram como bolinhas de gude e meu corpo quis se deitar imediatamente. Mas, assim que eu me levantei, a sensação passou. Algumas caretas pensativas depois, seguidas por um dar de ombro, voltei a me lavar, sentindo meu corpo ficar fraco mais uma vez me agachando. Comecei a encarar o céu com as duas mãos na cintura. Me abaixei mais uma vez, o que fez com que minhas pernas bamboleassem, o que me obrigou a trocar as pernas várias vezes até voltar à beira.

Aquilo era muito estranho. Todas as vezes em que eu pisava no mar eu sentia uma vontade de me deitar ainda mais forte do que a que eu sentia a todo instante. De uma forma que nunca me ocorreu anteriormente. Era quase como se...

Meus olhos se arregalavam, com a maquiagem branca de Kozaro os circundando de forma falhada.

Foi nesse instante que eu descobri que era um usuário de Akuma no Mi.

Caminhei mais um pouco para o fundo do mar, sentindo a água sugar minhas forças e meu corpo pesar mais uma vez. Minha cabeça pendia para o lado, quase dormindo no meu ombro, e eu sequer possuía energia para manter minha língua dentro da boca. Meus olhos se arregalavam novamente. Saía correndo do mar, completamente apavorado com a possibilidade de minhas energias se esgotarem completamente.

Mas como?

Com a mão no queixo, reflexivo, tentava me lembrar se eu já havia me sentido daquele jeito antes. Bem, sim. Quando eu caí no mar e fui salvo por Onimaru. Antes disso, todas as vezes em que eu caí na água eu pude nadar. E, além disso, a última vez que eu tinha nadado normalmente tinha sido no dia anterior, no rio de Torino. Ou eu era mais azarado do que pensava e estava alérgico a água do mar, ou entre esses dois momentos eu tinha comido uma akuma no mi.

Frutas... Frutas... Sim. Eu havia roubado um cacho de uvas de Roberto. E Onimaru tinha me dado uma carambola. Poderia ter sido qualquer uma das duas. Mas qual seria o meu poder? Bem, parando pra pensar, depois de ter comido eu consegui sair daquela jaula de um jeito muito estranho. Eu deveria ter suspeitado. Seria a minha fruta a Fruta da Fuga? A Fruta do Cupim? Maldição, espero que seja a fruta do clone, ou do vodoo, ou qualquer outra coisa que me permita ser um completo vagabundo.

Com minha memória fotográfica, tentaria lembrar da sensação que tive no momento em que quebrei a jaula. Respiraria fundo, me concentrando ao máximo. Tentaria fazer o meu poder sair da ponta dos meus dedos. Era bom que fosse algo realmente bom, pois eu havia perdido para sempre minha possibilidade de fugir a nado. O que era algo muito sério para um pirata.

Pensei nas aulas de natação obrigatórias do palácio e de todas as vezes que eu fugi delas. E como todo aquele tempo teria sido perdido. Que bom que eu faltei. É por isso que eu sou um vagabundo. Tentaria usar esse sentimento de alívio para projetar o meu poder.

Ficaria por um bom tempo tentando as mais variadas estratégias para fazer o meu poder funcionar. Fazendo força, poses, relaxando, lembrando do momento, buscando sentimentos...

A depender do que fosse o meu poder, minha vida poderia estar feita ou arruinada. Se eu virasse um animal feio como a Brina seria terrível. Mas se eu ficasse forte como Nina ou até mesmo invisível eu talvez até mesmo perdesse a minha humildade para sempre.

E nesse momento, imerso nas dúvidas de como seria meu futuro, minha ideia para sequestrar o príncipe surgiria.

Todas as informas coletadas por Agni se encaixavam na minha cabeça. De repente, as imagens passavam a ter cor e poesia. Sim.

Por tudo o que ouvi do príncipe, eu tenho certeza de que ele é como qualquer outro príncipe sem graça. Talvez até mesmo uma versão masculina de Felícia: mal caráter e em busca de poder. E, da mesma forma que eu estava me sentindo tentado pela possibilidade de nunca mais trabalhar, eu também poderia oferecer algo assim para ele, mas só que ainda mais conveniente: Poderia ser a capacidade de dar bênçãos ou maldições. E não uma bênção com uma maldição associada, como eu estava recebendo. Eu poderia até mesmo usar a akuma no mi para fingir isso.

A poesia viria do fato de que após o sequestro, eu provavelmente deixaria todos os mercenários em um dilema. Talvez até mesmo com dificuldades contra a Rainha, quem sabe usando aqueles animais que ela ama e não deixa ninguém machucar. Sem querer me adiantar no que estou pensando para não estragar a surpresa: salvar uma princesa indefesa entre dragões é muito mais motivador do que resgatar um desgraçado egoísta. E assistir um guerreiro honrado ofender a Rainha nesse processo, torna tudo ainda mais divertido pra mim.

Em resumo, o plano é o seguinte: Uma vez um homem sábio disse que se você quiser ficar rico sem ter que trabalhar em uma corrida pelo ouro, é melhor vender pás para os mineiros.

E é isso o que eu faria. Eu venderia pás para o príncipe. Inventaria o ouro para os Mercenários. E venderia pás para eles também. Todos os desgraçados daquela ilha estariam na minha corrida, completamente confusos.

Após descobrir qual era exatamente o meu poder, tentaria praticar em controlá-lo. Caso não conseguisse, voltaria para o mar de qualquer forma, terminando de limpar cada centímetro do meu corpo e me transformando em Monalisa.

A mulher ruiva andaria de queixo empinado, rumo à cidade Real.

Andejaria pelo lugar como se fosse uma nobre, sem tentar chamar atenção, mas sem me imporar caso buscasse. Observaria o máximo de coisas que houvesse para observar.

Eu já sabia o defeito do príncipe, já tinha ideia de como manipulá-lo. Também já entendia aquela ilha o suficiente. Agora, só faltava entender o local em que aplicaria o golpe, com o máximo de detalhes possível, usando minha visão noturna e minha memória fotográfica para entendê-lo. Como era vital para o plano, eu interpretaria de forma a evitar ao máximo que parecesse que eu estava colhendo informações, fazendo expressões de admiração, como alguém que está conhecendo o lugar, mas não tão admirada, por ser um tanto quanto nobre. Se alguém descobrisse que nós estávamos atrás do príncipe tudo poderia ser arruinado.

Caso nada que valesse minha atenção ocorresse, procuraria um lugar para comer e dormir por 30 mil berries ou menos. Se isso não fosse possível, voltaria para as pedras em que eu havia me tornado Kozaro pela primeira vez, buscando dormir entre elas como um rato. Não poderia voltar para o navio naquela noite. Mas no dia seguinte eu iria arranjar um jeito de encontrar Nina, ainda vestido como Monalisa, mas após limpar meu corpo e me reajeitar. Chegando lá, nós teríamos a nossa conversa final antes da aplicação do golpe.



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Wheeler Sheyde
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Re: O Bando da Rainha Caolha Seg Jul 25, 2022 12:11 pm
AGNI FLAMESBURG! — 13


Então é isso! O príncipe é um tremendo de um babaca. O mestre estava certo de novo.  O herdeiro desvirtuado é sempre uma trama clássica, o estereótipo perfeito do rapaz crescendo com tudo e não vendo valor em nada. Ambicioso, brutamente e o que mais? Concubinas? Um bastardo, talvez?

Essa era a informação que alimentava a criatividade de alguém como eu. Rodopiaria a pena entre os dedos enquanto pensava para onde isso poderia me levar. “Acha que dinheiro vale mais do que tudo” é algo pesado para dizer do príncipe, embora essa seja a máxima dos nobres. Se já nasceu com tudo, para que esse sujeito quer mais dinheiro?

Logo teríamos a resposta, tinha certeza. Meu pensamento foi interrompido pelo tremor repentino, quando fui o grande herói salvador de uma velhota.
...

A personificação do tritão não me agradava. O homem sardinha não era lá tão habilidoso quanto o mestre e, eu, muito menos que ambos, não sabia até quando conseguiria levar a sério.

Procuraria algo para comer assim que chegasse no navio. Sendo questionado pela capitã, prontamente a responderia:

— Rainha Nina, descobri pouco sobre o reino, mas acredito que possa ser útil, ham ham... — tossiria pondo o punho em frente aos lábios, conversar com a rainha para dar informações era mais do que um súdito como eu esperava em sua primeira tarefa — o rei e a rainha são queridos pelo povo, mas o príncipe não. Ele trata mau quem é da plebe e é muito ambicioso. — parei por um instante para que ele absorvesse. Cutucaria algo que tivesse para comer. — Há aventureiros que são mercenários úteis em várias atividades. A rainha gosta dos animais e eles dificilmente são feridos nessas missões e... Ah! Douglas disse que não vai voltar por enquanto.

Quando a ratinha me perguntasse sobre prever o futuro, coçaria o queixo e olharia para bem, bem, bem distante. — Que indagação curiosa, minha cara amiga queijuda. Eu, Agni, acredito que sim. Aqueles que conhecem a história são capazes de prever as nuances do comportamento de um grupo ou uma sociedade se baseando nos costumes, ambiente e outros fatores como a postura dos seus líderes e o grau de instrução dos membros e da população.

A pergunta dela tinha me deixado curioso. Será que o reino em que estávamos já havia sido governado por um déspota? Se a resposta fosse sim, então talvez relembrar o povo disso pudesse suscitar o medo no coração deles e fazer com que se posicionassem publicamente contra o príncipe.  Isso não bastaria, é claro. Precisaríamos de apoio militar e de um outro candidato à coroa. Herdeiros da realeza não se criam do dia para a noite, afinal.

Isso era algo que decidi verificar. Anotei no meu caderninho.

Há outra pessoa na linha de sucessão?

Qual a opinião pública sobre ele?

Ele tem aspiração de subir ao trono?

Há uma base sólida para o apoiar?


Deixaria espaço suficiente para tomar nota das respostas. Não que eu fosse tomar uma atitude premeditada, sem o apoio da minha rainha e do mestre, mas para um historiador como eu, ter essas informações era divertido, afinal eu poderia tentar prever o que aconteceria naquela ilha nos próximos anos.

Voltando-me à rainha, diria:

— Em termos de números, diria que os aventureiros parecem muito maiores do que a força militar do reino. A lealdade deles está atrelada ao dinheiro e, aparentemente, ao respeito que a população nutre pelos reis. Não sei ao certo qual o grau de independência deles ou o que aconteceria se os aventureiros se revoltassem contra o reino. Eles são fáceis de identificar porque andam com correntes com plaquetas de metais indicando suas classes, mas não vestem roupas específicas.

Objetivos:
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Noskire
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Re: O Bando da Rainha Caolha Seg Jul 25, 2022 9:52 pm

Douglas tinha uma das mais estranhas experiências de sua vida e pouco depois chegava à conclusão de que havia comido uma das raríssimas e temidas Akuma no Mi. Percebendo isso e se concentrando, logo aquilo se tornava parte de si, como se sempre tivesse feito, algo tão natural quanto respirar. Não demorou até o meio ruivo, meio moreno, fazer dezenas de espinhos surgirem no seu corpo, finos, mas com um pouco mais do que um palmo de comprimento.

O Bando da Rainha Caolha - Página 6 Roll

Enquanto Douglas levava em consideração todas as implicações daquilo para sua vida e para seu plano, Nina e Brina passavam a vários metros atrás dele, na estrada que ligava as duas cidades. As duas conversavam sobre usar a mina na montanha como esconderijo e salivavam na expectativa do queijo que havia em Zarolha.

Enquanto isso, Agni preparava um lanche e começava a saciar sua fome. Onimaru comia meio pão e se encaminhava para um dos quartos. — Eu estou com dor de cabeça, vou dormir um pouco. Mas se precisar pode me chamar. — E se afastava, lamentando a bebedeira da noite anterior e com uma pitada de inveja do seu sábio rival, sem um traço de incômodo após uma noite sem álcool.

Alguns minutos depois era a Rainha e a bruxa que chegavam ao navio. Nina guardava as armas e as duas se armavam com uma boa quantia de queijo, alimentando-se e conversando entre si e com o loiro, que relatava o dia do trio para a Rainha.

Enquanto o bando conversava e comia, uma comoção começou no porto. O local era barulhento por natureza, com centenas de pessoas embarcando, desembarcando, procurando por pessoas ou vendendo seus produtos. Além dos bêbados, claro, cantando, xingando e fazendo balbúrdia desnecessária. Mas aquela algazarra constante, que tornava-se uma espécie de música de fundo com o tempo e era ignorada, começou a se tornar mais e mais centralizada e alta, como se não fosse mais centenas de pessoas espalhadas pelo porto, mas sim um grande grupo reunido em um único local.

A primeira a notar foi a Rainha, atenta como era, enquanto Agni contava uma longa história para a pequena mink. Primeiro uma voz exaltada, acima das demais, depois outras logo em seguida, parecia uma briga. O segundo a notar foi Agni, assim que terminou sua história, e Brina notou pouco depois, ainda levemente distraída devido ao álcool no sangue. Caso quisessem, poderiam observar tudo de longe ao se debruçar sobre a murada do navio.

Spoiler:

Enquanto isso, Doug—, ou melhor, Monalisa chegava ao castelo. A tarde já chegava ao fim e o pirata via poucos civis por ali. Como haviam lhe dito na cidade do porto, as visitas ao castelo ocorriam pela manhã e agora restava apenas o grande pátio da entrada livre para os curiosos. Mas não se engane, não era um pátio com chão e muros de pedra apenas! O pátio era preenchido por um belíssimo jardim, com uma fonte em seu centro. As flores mais variadas e belas pareciam ter sido selecionadas à dedo e Douglas viu dois casais por ali. A beleza do lugar parecia ser um ótimo ponto de encontro para os enamorados, que conversavam e riam baixinho.

Indo até a fonte, via três caminhos. A sua direita havia uma construção não tão imponente e, já tendo feito parte da realeza, sabia que ali era provavelmente o alojamento dos criados. Havia dois guardas na entrada. Estes eram diferentes dos aventureiros, sem plaquetas e com armaduras com o brasão da coroa.

Olhando para a sua esquerda provavelmente teria uma grande surpresa, pois veria a base da Guilda dos Aventureiros! O lugar era adornado por diversas bandeiras, cada qual com um brasão distinto, e era bem espaçoso, com suas grossas portas e janelas de madeira bem abertas. Douglas conseguia discernir o que deveria ser a recepção do lugar e viu um homem com um escudo bem familiar. Grayden estava de costas para a entrada, e para o ruivo por conseguinte, e gargalhava de alguma piada que a mulher ao seu lado lhe contava.

Por fim, havia o grande e imponente castelo à sua frente, com seus vitrais e suas altas torres. No seu nível, havia a entrada e lá ao fundo era possível ver duas grandes portas, provavelmente grandes o suficiente para um gigante passar. É ali que deveria ficar a sala do trono. Olhando para cima, viu a Rainha, pois havia uma coroa profusamente adornada em sua cabeça, lhe observando de uma sacada. Dizer que a Rainha era bela era pleonasmo! A monarca ria e dava um aceno tão delicado que era quase imperceptível.

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Contudo, vozes começavam a se elevar na entrada do castelo e o sorriso da Rainha sumia quando ela olhava na direção da balbúrdia e via o que a causava, sumindo da vista do ruivo ao retornar apressada para o interior do castelo. Olhando para trás, veria o que só poderia ser o príncipe marchando em sua direção. O homem olhava para a nobre desconhecida em sua frente, mas seu olhar não durava mais do que um segundo, demonstrando uma breve expressão de nojo ao passar ao lado da mulher. Atrás dele vinha sete guardas de capas douradas carregando um velho desacordado e ferido, com sangue escorrendo de algum ponto do seu rosto.

A confusão parecia atrair a atenção de todos. A Rainha aparecia no andar térreo, recepcionando o seu filho e seguindo-o para dentro do castelo, assim como os guardas e o suposto prisioneiro. Os civis no jardim observavam tudo em silêncio e Douglas notou raiva e medo em seus rostos. Os criados pareciam incertos do que fazer, paralisados no caminho entre seus aposentos e o castelo. Até mesmo os aventureiros pareciam alarmados, com Grayden e a mulher ao seu lado, além de três outros, andando apressados rumo à fonte.

Douglas, caso quisesse agir, precisava ser rápido. Era óbvio que não conseguiria entrar no castelo, pois havia quatro guardas na entrada, mas Grayden e sua trupe estavam cada vez mais próximos e não demorariam a ver o ruivo ao lado da fonte. Ou melhor, a ruiva.

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Shiro
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Shiro
Novato
Re: O Bando da Rainha Caolha Ter Jul 26, 2022 12:49 am
NINA SPADES - 17




A Princesa-Bruxa pareceu gostar da ideia da Nina, porém apontou algumas ressalvas. - WAHAHAHA! Verdade, a montanha é enorme. É bem minha cara se perder num lugar desses… Mas acho que o idiota do Douglas ia arrumar um jeito da gente sair, se tem uma coisa que ele é bom é de se safar de problemas… - Sorriu, enquanto completava sua viagem de volta ao navio.

As duas garotas chegaram até a Zarolha e começaram a comer queijo. De boca cheia, Nina questionou o paradeiro de Douglas para o celestial. No fundo da cena, Onimaru, ainda baqueado pela cachaça, foi tirar uma soneca.

O menino-anjo respondia as perguntas da Nina e ela escutava enquanto mastigava. - Entendi. - Engoliu com dificuldade um naco da comida. - Então quer dizer que o principe não é muito querido. Ha, imagina só se a gente sequestra ele e o resto do reino nem se importa, que fiasco seria! WAHAHAHA! Pera ai, isso realmente pode acontecer… - A rainha interrompeu o riso e ficou séria, com os olhos cerrados, olhando o vazio, pensando profundamente. Era uma hipótese insana mas que tinha chances de ser real. - É, se isso acontecer estamos ferrados. WAHAHAHA! - Decidiu, entretanto, relevar a possibilidade de tal acontecimento. Não era algo que ela poderia controlar e então deixaria para resolver na hora caso isso ocorresse.

Enquanto Agni conversava com Brina, a Rainha pode ouvir um burburinho vindo fora da embarcação. Ficou de pé em um pulo e correu até a amurada, onde ficou escorada. Seu olho buscou a fonte dos barulhos e pairou sobre o porto. Uma multidão se reunia na frente de um estabelecimento de onde saiu um homem finamente trajado. Ver ele fez Nina lembrar-se de como os nobres de sua ilha natal se vestiam. - Ih, aquele ali é um figurão. - Ao redor dele, sete homens bem armados caminhavam, provavelmente seus guardas. - Ei, Agni, conhece aqueles caras ali? Aquele ali… - Apontaria para o homem que ela ainda não sabia ser o príncipe. - …Aquele ali parece ser um cara muito importante. Mas não to vendo nenhuma plaquinha no peito dele, será que ele é o Rei? - Voltaria a olhar para o homem nobre novamente, apertando os olhos para ver se conseguia enxergar melhor. - Não, ele não está usando uma coroa. Um rei que não usa coroa não existe! - Franziria as sobrancelhas, apontando com o indicador para coroa em sua cabeça.

Quando escutasse o resto das informações coletadas por Agnis, a Rainha viraria na direção dele, pousando as costas na amurada. - Ahhh, eu vi esses caras com as plaquetas na cidade das montanhas. Então eles são mercenários? Se eles ficarem do lado do reino na hora do sequestro nós vamos fazer vários inimigos. Mas ai as coisas vão ficar interessantes! WAHAHAHA! Ei, Brina, você acha que nós aguentamos lutar contra todos eles? - Esperaria a resposta da pequena. - É, com essas novas armas eu acho dificil pararem a gente. Ah, é mesmo, as armas! Cambada, me sigam. - Diria para Agnis e Brina, caminhando até o lugar que havia descarregado suas filhas.

Caso Onimaru estivesse dormindo lá, chutaria sua barriga. - Acorda! Tenho um presente pra você! - E então abriria o saco das armas, revelando-as. Entregaria a manopla para Onimaru, o bastão para Brina, a katana para Agni e deixaria o sabre de Douglas largado no chão. - Eu mesma que fiz! Sim, são perfeitas e talvez vocês não mereçam tudo isso… - Olharia especificamente para Agnis e Onimaru. - Mas vocês são do meu reino, e quem é do meu reino não vai ficar andando por ai usando arminha xexelenta não. Vocês viram aquele maluco no porto agora pouco? Os homens que andavam em volta dele estavam todos bem armados! Então se vocês lutarem, tratem de usar bem as armas que eu dei pra vocês, amassem nossos inimigos e mostrem para eles a força da forja Spades! - Ergueria o punho direito ao lado do rosto, com o olho pegando fogo de empolgação.

Por último, era a vez de pegar a sua arma. Colocaria então sua clava velha debaixo do sovaco esquerdo e pegaria o kanabô com a mão direita. Então caminharia para o convés e pegaria a clava com a mão esquerda. - Não preciso mais de você! - E arremessaria ela no mar. Já o Kanabo ela guardaria dentro do seu casaco na alça destinada para segurar armas que lá tinha.

- Droga, agora que eu lembrei, você falou que o Douglas não vai voltar agora? - Caminharia até Agnis com os dentes rangendo de raiva. - Aquele idiota, o que ele tem na cabeça? Quando vamos começar essa droga de plano, ano que vem?! Merda! Eu queria testar meu kanabô novo. - Caminharia até a proa com os pés batendo forte no chão.

No meio do caminho, sua mente matutaria algumas coisas. Quando estivesse na proa, prostrar-se-ia sobre ela como se fosse uma carranca. - Nós vamos seguir o plano sem ele. Quer dizer, parte do plano. - Viraria para sua tripulação. - Eu tava pensando aqui comigo mesma, nós vamos precisar de alguma coisa pra levar o príncipe até a cidade das montanhas e também precisamos de alguma coisa pra arrastar as coisas que vamos roubar. Talvez seria ótimo a gente roubar um cavalo e uma carroça! Não, roubar não… O Douglas falou que eu não posso chamar a atenção, merda, como é ruim ser pirata assim! É, quer dizer, comprar, isso, comprar um cavalo e uma carroça. Onimaru e Brina, vocês seriam ótimos com isso! Vocês conseguem falar com animais, certo? - Perguntaria isso de forma inocente, sem perceber que talvez essa inferência poderia soar um tanto quanto que preconceituosa. - Eu pensei que vocês poderiam ir lá comprar o cavalo enquanto eu fico com o Agni protegendo o navio, esperando o idiota do Douglas dar as caras. Tudo bem? Espero vocês aqui, agora vão! - Apesar do tom de pergunta, aquilo era mais uma ordem, então não se interessaria muito em ouvir qualquer objeção à ideia.

Ficaria então sentada em algum canto do navio tirando um cochilo. Sentiria, finalmente, o peso do cansaço desabar em seu corpo. Caso Douglas voltasse e a Rainha percebesse, ela correria até ele com o dedo cutucando seu peito. - Onde você estava, idiota? Eu tive duas ideias brilhantes e você não estava aqui pra escutá-las! A primeira é que eu achei um lugar ótimo pra largar o príncipe depois do sequestro. Lá na cidade das montanhas eu tenho certeza que vamos achar um buraco pra largar ele lá. A segunda ideia eu já fiz. Eu mandei a Brina e o Onimaru comprarem um cavalo e uma carroça. É isso. - Não explicaria essa última decisão, acreditando ser óbvio o motivo, apesar de não ser. - Ah, e lá dentro tem um sabre que eu fiz pra você. Ta lá jogado no chão, joga essa espada velha fora, não quero Principe fuleiro no meu reino! - Afastar-se-ia dele, mal humorada, indo até a amurada.

Ficaria um tempo observando o mar até voltar a conversar com ele novamente. - Ô idiota, você viu aquela bagunça lá no porto? Tinha um cara muita boa pinta lá, cheio de capanga forte. Tava pensando em testar meu kanabô neles antes de sair da ilha... - Olharia para ele com um sorrisinho maldoso no rosto, sem deixar claro se o que tinha acabado de falar era só uma provocação ou se ela realmente tinha aquela intenção.


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Última edição por Shiro em Ter Jul 26, 2022 9:44 am, editado 1 vez(es)

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Re: O Bando da Rainha Caolha Ter Jul 26, 2022 9:40 am
AGNI FLAMESBURG! — 14


Era engraçado como a Zarolha me passava uma sensação de lar. Desde que me lembro, vivi em um navio com outros escravos, mas lá, obviamente, não me sentia em casa. Estar em terra firme também era estranho, sentia falta do balanço do mar e, além disso, não havia um lugar seguro.

Era diferente no nosso navio. Peguei-me quase rindo sozinho até que a voz de Onimaru me trouxe à realidade. Acenaria de leve para o menino-atum que se retirava para descansar depois do porre, feliz comigo mesmo por não ter cedido aos impulsos de me entupir de bebida. Grandes heróis aventureiros não bebem. Não os heróis mirins, pelo o menos.

Beber ou não beber? Eis a questão. Tive a divagação interrompida pelo alarde na cidade. Balbúrdia é como um grande ímã para minha curiosidade metálica e, antes que pudesse pensar, correria para a murada de Zarolha com o manto esvoaçando ao redor dos meus tornozelos finos, prostrando-me sobre o parapeito com tanta prática e garbo na arte da observação da vida alheia que faria a mais fofoqueira das vizinhas chorar de inveja.

A Rainha Nina também parecia boa na arte da observação da vida alheia, afinal ela observava comigo aquela horda de transeuntes furiosos com alguma coisa. A figura que atraía tanta raiva logo se manifestava, empolado feito um pavão de South Blue. Quando me perguntou se conhecia o nobre diante de nós, puxei as informações na minha cabeça.

1° Da ilha, eu sei da existência de três nobres: o rei, a rainha e o príncipe. Os dois primeiros são  amados e o terceiro é odiado.
2° O povo está sendo hostil com o cara.
3° Tem guardas (provavelmente cavaleiros) com as mesmas roupas que vi antes, só que com capas e espadas pomposas.
4° Ele não usa coroa.


Olhei para a rainha, fitando seu único olho curioso e, sem pestanejar, responderia:

—Ele só pode ser o príncipe, Rainha. — Dali, observei dois malditos guarda-costas carregando um velho senhorzinho machucado. Quase gritei junto com a população, porém tive de me conter. Antes que pudesse perceber, tinha as mãos apertando fortemente a amurada. Se eu ao menos fosse mais forte. Se o mestre estivesse aqui...

Sete cavaleiros faziam a contenção do príncipe. Provavelmente eram bons guerreiros. O príncipe também deveria saber um truque ou outro. Será que conseguiríamos combatê-los?

Pensei em pular a amurada e ir conversar com o povo assim que o príncipe e seus cães partiram, porém isso atrairia atenção demais. Era melhor esperar a multidão se dispersar primeiro. Quando o fizessem, dar-me-ia o luxo de bater um papo casual para saber dos últimos acontecimentos. Por enquanto eu tinha mais o que fazer.

Seguindo a rainha, sorriria com um prazer sádico se presenciasse a monarca chutando a barriga do meu rival. Como se não fosse bom o bastante, ela me dava um presente. Um presente. Quando na vida tive um? Provavelmente nunca. Não que eu me lembrasse, é claro. Sorri, sem saber como agradecer. Era uma bela katana e algo me dizia que me daria melhor com ela do que com o florete. Amarraria a bainha na cintura, deixando a antiga espada no quarto. Andaria com a minha arma oculta sob o manto e, enquanto me acostumava com o peso da nova ferramenta, treinava acessar o cabo da espada discretamente.

— Os civis daqui não carregam armas, então é bom que não as exibamos por aí... — informaria casualmente enquanto avaliava quanto da minha parecia amostra. Uma katana, como a de um grande guerreiro samurai, tendo que ser escondida! Isso sim é um desperdício.

Após alguns instantes, vendo se a multidão já tinha se dispersado, tomaria em mãos o meu bloquinho e a pena de anotações. Era hora de descobrir o que os cidadãos tinham para me dizer. Casualmente perguntaria para um e para outro o que tinha acontecido. Depois iria querer saber quem era o homem. Qual o seu desafeto com o príncipe. Com que frequência isso acontecia. Quando encontrasse alguém que tivesse colhões para dizer o quanto não gostava do herdeiro da monarquia, assim como o homem de outrora, perguntar-lhe-ia:

— É uma pena que o príncipe seja um fanfarrão. Não há outro herdeiro para o trono?

Baseado nos meus conhecimentos históricos provindos de livros devorados, contos escutados e vozes da minha cabeça, sabia que, quando se trata de um segundo na linha de sucessão, há alguns tipos: o que planeja ruidosamente tomar o trono, o que planeja cuidadosamente tomar o trono e o último: o que não planeja, mas com certeza tomaria o trono se a oportunidade certa surgisse.

— E o rei e a rainha? Eles não fazem nada sobre as atitudes do príncipe?

Isso era outra coisa que eu queria saber. Se os reis são tão benevolentes, por que não tem pulso firme para puxar a coleira do seu filho mesquinho e maldoso? Será que era pura bajulação paterna e materna ou ele tinha algo contra eles? Uma coisa é certa: o povo sofreria nas mãos daquele homem quando ele assumisse o trono. Viver a queda desse príncipe malvado seria uma boa história para se contar no futuro.

Depois de obter informações, voltaria com todas elas e contaria à Rainha Nina e aos outros que estivessem lá. Como ex-escravo, assistir alguém destratando as pessoas me corroía de ódio. A única cena desse tipo que eu permitia meus olhos de presenciarem era a Rainha macetando o Mestre na porrada ou chutando a barriga do nosso peixola.

— Rainha, você me promete que no seu reino até os plebeus serão bem tratados? Também quero que prometa que todas as crianças poderão comer até se empanturrar. — Lembrava-me das manhãs em que eu e meus amigos acordávamos com água fria sendo jogada em nossos corpos quase nus estirados no chão frio de madeira lascada. Se a Rainha conseguisse construir um reino sem fome ou guerras, então seria o maior reino de todos os tempos e a história de como ele se formou faria encher de emoção até os corações mais gelados.





Objetivos:

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Re: O Bando da Rainha Caolha Qua Jul 27, 2022 8:57 pm
''SIR'' DOUGLAS WHITEFANG - 18





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Um pesadelo se desdobrava conforme filetes saltavam do meu corpo. - DROGA. É uma fruta Zoan! É uma fruta zoan! Eu tô ficando peludo e horrível igual a Brina! - Meus dentes batiam de pavor e eu fechava meus olhos, assustado com a possibilidade de ter um péssimo poder. Abria um deles aos poucos, encarando meu reflexo na água. Eu não parecia com bicho nenhum. - O quê? A fruta do pelo? - Ao menos com uma fruta Zoan eu poderia ficar forte sem ter que me exercitar. Mas, se fosse uma fruta ridícula como a do pelo, eu apenas ficaria estranho e gastaria ainda mais com gillete. - AI! AU! - Sentia ao encostar uma mão ''peluda'' na outra. - Esses pelos são... Afiados... - Refletia. Ainda não sabia o que pensar sobre aquele poder. Mas, se eu não podia mais nadar para fugas, independentemente de qual poder eu tivesse, eu deveria fazê-lo valer e criar ao menos mil formas de fugir com aquela porcaria.

Bem, não que eu queira me gabar, mas pelo menos uma forma de aplicar o golpe usando minhas novas capacidades eu já tinha. Mas não vou revelar tão cedo. Grande parte da arte do golpe é a surpresa.

Chegando ao castelo, era muito tarde para observá-lo para além do pátio. E, no mais, era apenas um castelo de nobres ricos como qualquer outro castelo de nobres ricos, com uma Rainha muito bela como a maioria das rainhas. Todavia, aquilo não era de todo ruim, pois já dava para ter uma noção melhor do que fazer ali no dia seguinte. Todas aquelas idas e vindas e transformações em outras pessoas já estavam me enchendo o saco. O único motivo para eu estar conseguindo fazer tudo aquilo apesar da minha preguiça era o fato de que aplicar golpes é a minha coisa favorita no mundo. Mas até isso já estava me cansando. E eu provavelmente acabaria dormindo fora do navio, para evitar qualquer dúvida a nosso respeito. Então era melhor mesmo não poder observar mais a fundo e voltar o quanto antes. Além disso, conseguia ouvir o maldito heroizinho, Grayden, gargalhando na base da Guilda que ficava ali, o que era mais um motivo para dar no pé.

Mas, como eu sou um maldito azarado, mais uma coisa imprevisível ocorria.

Um senhor completamente machucado entrava, acompanhando de sete guardas e de alguém que minha intuição nobre apontava que certamente só poderia ser o príncipe. Ele morria de nojo de mim, o que significava que qualquer tentativa de seduzi-lo como Monalisa para aplicar o sequestro não funcionaria. O que era um alívio, pois eu já ia querer descartar aquilo de qualquer maneira.

Ele era um nojento tão desprezível que meu coração até mesmo acelerou. Sim. No dia seguinte eu veria sua expressão desesperada, clamando por socorro, me temendo por estar sob o meu controle como se eu não fosse um idiota de coração mole que apenas iria dar um pequeno susto nele, mas um assassino terrível. A minha maior dúvida era se eu preferiria deixá-lo sem chão ou deixar Grayden, o heroizinho, sem chão. Estar naquela posição cinzenta, entre o bem e o mal extremo, era realmente curioso.

Pela expressão de todos, eu tinha certeza de qual deveria ser o meu disfarce para lidar com o príncipe: De velhinho! Pode parecer contraditório, mas será que o príncipe seria capaz de espancar velhinhos dois dias seguidos? Apesar da reprimenda que parecia existir em torno dele? Parando para pensar, é um pouco insensível me aproveitar da dor do velhinho que realmente foi espancado. Mas eu iria fazer seu sacrifício valer a pena! Independentemente do motivo dele.

Enquanto eu pensava nisso, Grayden corria em minha direção, prestes a me ver. Meu primeiro instinto era buscar refúgio do seu olhar e me movimentar rapidamente para longe do Mercenário. Mas daí vinha a lembrança de Horacio Inocente na minha cabeça.

Horácio Inocente é uma lenda dentre os ladrões, do tipo em que eu me espelho. Ao invés de treinar as mãos para roubar de maneira leve, ou a noção de estruturas para fugir das melhores formas, ou a imponência da voz para intimidar durante os assaltos, o meu herói treinou o ''bom dia''. De acordo com os boatos, que são a fonte mais eficiente e confiável do submundo, o diabo treinou diante do espelho por quase dois anos, apenas buscando a forma mais simpática e carismática de cumprimentar. Chegou a um ''bom dia'' tão bem dado que ele simplesmente apenas assaltava de manhã. A sua estratégia era simples: Ele chegava pela porta da frente do cofre, falava um ''bom dia'' extremamente caloroso, e então entrava. Ninguém nunca desconfiava de um homem tão simpático, afinal, um assaltante nunca seria educado dessa maneira.

E então ele arrombava o cofre e saía, apenas repetindo o bom dia. Sem deixar suspeitas.

A sabedoria na história de Horácio Inocente estava no fato de que, muitas vezes, tentar esconder-se apenas gerava o efeito reverso. Da mesma forma que, aparecer da forma que você escolhesse, poderia, na verdade, te ajudar a se esconder.

- DESGRAÇADO! - Faria a voz de Monalisa, nada simpático, me esbarrando de costas em Grayden e o xingando, como se fosse culpa dele, na mais absoluta atuação. Ele estaria com tanta pressa e imerso nos problemas que provavelmente pediria desculpas. Se o roubo desse certo, seria maravilhoso repetir esse mesmo tom de voz para vê-lo perceber o quão perto eu estava. Após essa ocultação, que envolvia aparecer, assim como Horácio, estaria liberado. Já que Grayden estava ocupado no castelo, eu poderia voltar para o navio no porto sem me preocupar em ser observado.

Mesmo assim, tomaria precaução na volta, para observar bem se estava sendo observada.

Assim que chegasse lá, passaria todas as informações que obtive para Nina. Sobre o acontecimento bizarro no palácio, principalmente, já que sobre o resto Agnis já teria contado melhor do que eu. Guardaria segredo quanto à Akuma no Mi, ao menos por enquanto. O ofício de um Arquimago envolvia esconder algumas coisas.

- Ideia genial? - Diria caso encontrasse Nina. - A minha é melhor ainda, com todo respeito, Vossa Mjestade. - Sorriria para minha companheira. - Eu não vou te contar como, mas vou manipular o príncipe e sequestrá-lo para a Cidade da Montanha, como você tá dizendo. Eu já entendi exatamente qual é o tipo do desgraçado. Depois disso, vou me aproveitar da confusão para criar uma outra, ainda maior, só não sei ao certo qual, e então iremos ter o Castelo livre para o roubo. - Sorriria para ela de orelha a orelha.

- Ah, minha aparência. Eu estou disfarçado para observar o castelo. Maldição, devo estar igual à Felicia, hã? - Riria com ela.


- Ei, para a minha ideia seria bom pedir para o Onimaru comprar material de pintura. Além disso, nós ainda não temos bandeira. Ei, cadê o Onimaru? Ele vai precisar comprar tinta para pintar a bandeira do navio.


Após algum tempo, tendo anoitecido, iria me descansar daquele maldito dia. Se tudo desse certo, amanhã seria o dia da estreia da maior peça de teatro que nunca existiu.


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Re: O Bando da Rainha Caolha Qui Jul 28, 2022 9:17 am

Brina Britta - 16

A pequena se juntava aos demais subindo na murada no navio para observar a comoção que acontecia logo em frente. Seus companheiros concluíram que se tratava do príncipe, justamente o alvo principal da operação prestes a ser posta em prática. - Uau, você realmente tem o Mantra aguçado! INCRÍVEL!!! Como você consegue? Você também consegue sentir a aura das pessoas a distância? Ah, é claro que sim! Senão você não teria sentido a aura do príncipe! - dizia entusiasmada ao celestial, após ele revelar que de fato possuía o dom de prever o futuro e identificar o nobre. - Se conseguimos derrotar todos eles? Hm… - Brina logo se distraía com a pergunta da rainha, e mentalmente contava um por um. - Eu acredito que… SIM! Claro que conseguimos! O nosso reino é muito mais poderoso!  Kishishishi! O QUE?!?

Nina armava a tripulação com equipamentos forjados por ela. Agora que estava melhor e recuperada do transe da ressaca, lembrava-se que a acompanhou até a forja da cidade e não havia outro propósito senão esse. - UM CAJADO NOVO?!? Para mim?!? KYAHHHH! - prontamente a ratinha recebia o presente e o analisava, sem esconder a animação. Balançava-o de um lado para o outro, sentindo seu peso e a carga mágica que um cajado carregava. Via chocada que sua amiga atirava ao mar a arma antiga, algo que Brina jamais faria. - Muito obrigada, Rainha Nina! Eu nem sei o que dizer! Vou guardar o meu cajado antigo, ele ainda é muito especial para mim, mas mal posso esperar para testar o potencial mágico disso! - e conforme explicado, Brina correria até seus aposentos e deixaria o velho cajado de madeira escorado em alguma parede, retornando ao convés. Agni alertava sobre o uso de armas entre os cidadãos, mas a bruxa não via seu equipamento dessa maneira e se algo chamaria atenção entre eles, certamente não seria isso.

- De fato! Eu consigo me comunicar com animais! No entanto, eu me dou melhor com ratos, esquilos, castores… esses bichos que roem, sabe? Roedores! Acho que é por serem mais parecidos comigo! Kishishishi! Apesar de dentuços, não sei se um cavalo iria me dar muita atenção… mas posso tentar! Vamos! Vamos, Peixoni! Ou melhor.. Onimauro! É esse o seu nome, não é? Vamos lá!

- Ei, Onimauro, você conhece a Canção dos Peixes? - diria prontamente ao seu novo companheiro, assim que desembarcasse. - Eu a aprendi na Ordem da Lua, sabia que lá também havia um tritão como você? Ele não gostava muito dessa música kishishishi! Espero que você goste, é assim:

“Todo peixe tem nadadeira
Todo peixe tem barbatana
Todo peixe curte água, come algas
Todo peixe solta bolha
Todo peixe nada e nada
Todo peixe morde a gente
Todo peixe anda em cardume
São os peixes, são os peixes, são os peixes
Bem peixudos!”


Ao longo do caminho, cantaria a canção dos peixes e gesticularia para que o jovem tritão a acompanhasse em seus versos, ainda assim, buscaria manter seus sentidos aguçados para que pudesse identificar uma possível concentração de equinos. Se houvesse uma loja de carruagens por perto, certamente o aroma característico dos animais chamaria sua atenção. - Por ali! - guiaria-o de acordo com o que acreditava ser o caminho certo.

Assim que chegassem no estabelecimento, analisaria os veículos sem muitos critérios. - Ei, senhor! Gostaríamos de uma carruagem e os cavalos que a puxam! EU QUERO A MAIS CARA E BONITA! - colocaria energeticamente uma quantia aleatória entre 6 e 8 milhões sobre o balcão. - Se precisar eu tenho mais! “Rainha Nina é uma rainha! Ela não pode ser puxada por uma carruagem qualquer, tem que ser a mais bonita e cara daqui!” - pensava, já a visualizando atravessando a cidade em um veículo pomposo e majestoso.

Assim que fosse indicada ao veículo desejado e o comprasse, tentaria usar sua língua silvestre para se comunicar com o cavalo, ou cavalos que os estivessem puxando.

- Oi amigo cavalo! Meu nome é Brina Britta e eu sou a Princesa-Bruxa-Curandeira do Reino de Spadia e Feiticeira da Ordem da Lua, qual é o seu nome? Você poderia gentilmente nos acompanhar até o porto? A nossa Rainha gostaria muito de conhecer você!

Brina não sabia guiar uma carruagem, e não tinha certeza se Onimaru possuía essa habilidade e portanto tentaria convencer o animal a fazer isso por eles. Independente da resposta, a pequena subiria na carruagem com o tritão, talvez esperando alguma instrução do vendedor ou do próprio homem-peixe. Faria o possível para guiar o veículo até Zarolha, seja com incentivos ao cavalo, ou ajudando Onimaru ou improvisando. Caso nada funcionasse, diria ao vendedor. - Ei, moço! Poderíamos pagar um cocheiro para nos levar até o porto? - e em caso positivo, entregaria as rédeas nas mãos do sujeito e aproveitaria a viagem cantarolando a canção dos peixes.


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Re: O Bando da Rainha Caolha Qui Jul 28, 2022 11:07 pm

Douglas pensava rápido e, com precisão artística, se chocava contra o aventureiro, xingando-o no processo. — Oh, perdão! — Desculpava-se, como previsto, e apressava-se rumo ao castelo, assim como os três outros. Seu plano havia sido perfeito. Ou melhor, quase!

A mulher, a mesma que havia contado alguma piada para o loiro, havia ficado para trás, observando a ruiva. Ela possuía a pele morena e era quase tão alta quanto Grayden e, assim como ele, tinha uma plaqueta dourada no pescoço e em sua armadura havia o brasão do grifo. Ela dava um passo à frente e cheirava o ar. — Fel—? Não, o cheiro é diferente! — E, sem explicar-se, partia num passo tranquilo rumo ao castelo, onde os quatro aventureiros discutiam com os guardas na entrada. Livre, Douglas apressava-se em retornar à zarolha, onde poderia finalmente descansar.

De volta ao navio, Onimaru acordava sobressaltado ao levar um chute completamente aleatório no estômago. — AI! Inimigos? Invasão! Cadê?! — Gritava, de forma incoerente, ainda meio dormindo, meio acordado. — Porto? Que maluco? — Indagava, ainda confuso, recebendo as manoplas e observando-as. — Ah, para mim? Obrigado! — Dizia, finalmente desperto, calçando-as. — São ótimas, obrigado. — Contudo, logo as tirava e as prendia à cintura, apressando-se a sair do quarto e se afastar da Rainha. — Como o céu está estrelado hoje, ein? — Indagava, apontando para o céu.

Com as ordens da Rainha (e mesmo sem ordem dela), Onimaru e Brina seguiam para um lado, em busca de carruagem e cavalos, enquanto que Agni seguia para o outro, rumo ao estabelecimento onde havia acontecido a confusão com o príncipe. Agni ainda pôde escutar Brina cantando alegremente uma música sobre peixes, enquanto Onimaru levava uma mão à cabeça, suplicando: — Por favor, pare!

A multidão à frente da loja havia sido dispersa, com algumas poucas pessoas ao redor com expressões de poucos amigos. Contudo, a porta estava entreaberta e um choro baixinho vinha lá de dentro. Sendo fofoqueiro como era, Agni se embrenhou sem remorso. A loja era bem iluminada e uma fragrância doce e suave estava presente. Para onde olhava, via dezenas de tecidos belos e delicados, principalmente seda e linho. Com exceção da mulher no canto, sentada no chão, o lugar estava vazio.

Estamos fechados. — Dizia a moça, levantando a cabeça, mas sem olhar para Agni. — É uma pena que o príncipe seja um fanfarrão. — Respondia o garoto, o que fazia com que a moça voltasse a chorar baixinho. — Sim! — Concordava. — Não há outro herdeiro para o trono? — Ela apenas balançava a cabeça: Não.

Respirando fundo e enxugando as lágrimas, a jovem se levantava de queixo erguido, apesar dos olhos vermelhos. — Quer chá? — Perguntaria, ainda sem olhar para Agni. Com movimentos lentos, delicados e cuidadosos, ela começou a se mover pela loja, indo para o outro extremo de onde estava sentada antes. A loja era relativamente pequena, não tendo mais do que cinco metros de comprimento, mas isso demandava um pouco mais de um minuto para que a loira a atravessasse, sempre com suas mãos à frente do corpo, tateando os obstáculos no caminho.

Ele é meu pai. — Respondeu ao pequeno, ainda sem olhar em sua direção nenhuma vez. — Meu pai me ensinou a bordar, mesmo com todo mundo lhe dizendo que era uma perda de tempo, e acabou que ele estava certo. — Ela contava, finalmente dando um breve sorriso enquanto se lembrava do passado e colocava a água para ferver. Começava a tatear em busca das xícaras, enquanto Agni fazia sua próxima pergunta.

O príncipe costumava vir à loja do meu pai e desprezar os tecidos, sem nunca comprar nada. Quando começamos a vender os tecidos que eu bordava e ter um ótimo lucro, o príncipe resolveu cobrar um imposto extra ao meu pai por causa disso. E pagamos! — Afirmou, adquirindo um traço de raiva em sua voz. — Depois o príncipe retornou e começou a nos impedir de fazer tecidos dourados, pois deveria ser exclusivo da nobreza. Depois foi o vermelho. Depois o preto…

Sua voz se perdeu enquanto ela focava em desligar o fogo da chaleira e pôr a água na xícara com um punhado de folhas. Enquanto isso, Agni pôde notar que havia dezenas de xícaras no armário acima do pequenino fogão de uma boca só. Ela levou a xícara a uma mesa próxima e se sentou, também servindo o garoto caso ele tivesse aceitado.

Hoje ele voltou e meu pai o atendeu. Eu não sei o que o príncipe disse, mas o meu pai lhe deu um tapa no rosto e os guardas o agrediram! — A mulher começava a chorar novamente, com a xícara tremendo em suas mãos e o chá ameaçando transbordar com cada movimento. — Meu pai nunca brigou na vida! Eu não sei o que o fez fazer isso! — Após alguns minutos para se acalmar, ainda sem bebericar do seu chá, ela continuava: — O príncipe disse que meu pai ficaria preso até eu pagar uma multa de cem milhões de berries. — Os olhos da loira novamente se enchiam de lágrimas. Ela tentava virar seu rosto na direção do celestial, errando por cerca de um palmo. — Você não quer me comprar alguns tecidos? — Perguntava, com as lágrimas escorrendo pelo seu rosto.

Do outro lado do porto, Onimaru e Brina encontravam um estábulo e a pequena se encarregava das negociações enquanto que Onimaru apenas observava os arredores, como se fosse seu guarda-costas. O velho que os atendia, no entanto, sequer dava uma palavra. Ele pegava uma das moedas sobre o balcão e a mordia, como que para verificar sua autenticidade. Ele repetia o processo com outras quatro antes de juntar tudo e guardar em seus bolsos. Com uma carranca e um estalar de língua, ele passava por uma porta e sumia da vista da dupla.

Após uns três minutos ele reaparecia na frente do estabelecimento com uma carroça e dois animais. O veículo estava num péssimo estado e os animais não poderiam ser os mais lentos. Onimaru abriu a boca para reclamar, mas se calou quando o velho escarrou e cuspiu aos seu pés, passando pelo tritão e se esbarrando nele com o ombro. — Agora saiam daqui, animais!

Os olhos do tritão pareciam brilhar com malícia enquanto seus dentes trincavam com a força que ele fazia com seu maxilar. Caso Brina fizesse questão de discutir com o velho, Onimaru diria: — Não adianta, Brina-chan. Vamos, o Douglas-san não quer que a gente chame atenção. — A segunda parte ele diria baixinho, apenas para ela ouvir. Pegando os animais pela grossa tira de couro que os prendia, Onimaru os puxou rumo à zarolha, ainda fazendo um barulho de esmagar com os dentes.

Enquanto isso, no navio, a Rainha tirava um cochilo até ser acordada com passos na rampa. Era uma mulher ruiva, muito similar ao Douglas. Pouco depois era Agni que retornava e, passado mais alguns minutos, Onimaru e Brina. Assim que chegavam, uma das tiras se partiam, soltando um dos animais. — Pode ir, Brina-chan, eu tomo conta disso. — Lhe dizia o tritão, partindo atrás do animal fujão.

O grupo compartilhava as informações adquiridas enquanto o tritão recuperava o animal e reparava a tira de couro, prendendo o animal mais uma vez à carroça. Onimaru também levava mais algum tempo analisando a carroça e reforçando alguns pontos, a preparando para o dia seguinte. Após quase uma hora de serviço, o tritão subia e ia direto para o quarto dormir. Os demais piratas faziam o mesmo, pois o amanhã prometia ser um longo dia.

~ x ~

Os piratas dormiam profundamente, sentindo-se seguros em Zarolha, mas havia um deles que tinha outros planos para aquela noite. Douglas acordou durante a madrugada devido a algum sono conturbado e ouviu leves passos pelo convés. Seria um intruso? Curioso, saiu com seu novo sabre em mãos, apenas para ver Onimaru agachado sobre a amurada, logo jogando-se ao mar. O tritão não havia visto o seu mestre e o ruivo, confuso, foi até a amurada e viu uma sombra na água indo em direção ao oeste.

Não demorou mais do que cinco minutos para que um incêndio surgisse no limite do porto e uma torre de fumaça negra fosse lançada rumo ao céu. As luzes das construções ao redor foram acendidas e diversas pessoas corriam de um lado para o outro, trazendo água do mar próximo para apagar o fogo. Ainda assim, era longe demais do navio e o vento ainda soprava na direção leste-oeste, fazendo com que os sons não chegassem aos ouvidos do ruivo e nem acordasse o resto da tripulação.

Enquanto Douglas ainda admirava as chamas e a fumaça, Onimaru subiu pela lateral do navio e se encaminhou para o seu quarto, tão desatento que sequer notou seu mestre a apenas alguns metros de distância.

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Última edição por Noskire em Sex Jul 29, 2022 12:47 pm, editado 1 vez(es)
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Re: O Bando da Rainha Caolha Sex Jul 29, 2022 11:57 am
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O ambiente da loja - que percebi ser de tecidos - era pequeno, mas cheirava bem. Trazia-me a sensação de pertencimento. Sabia que me sentiria acolhido ali se a situação fosse outra, se não pairasse aquela tensão quase palpável, se a loja não tivesse sido palco daquela tragédia. A única pessoa que me “atendeu” foi uma mocinha.

A adaga da injustiça açoita a carne do povo, deixando cicatriz em cada rua, viela, casa e família que sente o beijo frio da lâmina. Ouvia-a sem dizer uma única palavra, apenas concordando verbalmente com “aham” ou “uhum”, para que a menina soubesse que me fazia presente enquanto ela relatava as barbaridades do príncipe.

Quando passou a enumerar as atitudes do tirano, senti minhas mãos tremerem. Labaredas encandeciam dedos afora. Que tipo de criatura vil exploraria um velho idoso com uma filha cega?

Meu coração partiu em cacos quando ela perguntou se eu queria comprar tecido. Cem milhões de berries era um valor que ela jamais conseguiria juntar numa lojinha daquela. E o príncipe sabia disso. Onde os reis estavam? Como o povo não via isso e continuava a falar tão bem do casal de monarcas displicentes que deixavam o filho fazer o que bem queria com o povo?

Alguém precisava abrir os olhos de todos. A rainha adorava os animais. Protegia-os com suas leis para os aventureiros, dando-lhes menos ouro se machucassem as criaturinhas. Por que não fazia o mesmo com a plebe? Valiam menos do que bichos? Eram, para a monarquia, menos do que cervos ou tatus?

Queria dizer algo para a garota, porém tudo que podia era concordar e comentar com o que ela já sabia. Não haviam palavras que pudesse usar para acalentá-la. Não queria encher sua mente de mentiras.

Tomaria o meu chá e deixaria todas as moedas que tinha comigo nas mãos da garota. — Eu ouvi sua história. Isso é para você. Não se preocupe em juntar cem milhões de berries, pois eu e meus amigos salvaremos o seu pai. Esse é o nosso segredo, tudo bem? — Daria um beijo na testa dela antes de partir e voltar para o navio.

Quando voltasse, antes de dormir, sob o clarão de uma lamparina ou a luz da lua, pôr-me-ia a escrever. Não havia nada que eu pudesse fazer para desabafar até que conseguisse encher o príncipe de porrada. Alguém precisava abrir os olhos do povo antes que o príncipe lhes abrisse a garganta.

Com a mente fervilhando, esboçaria numa das folhas do meu caderno:


"A FAMÍLIA QUE CRIAVA CÃES


Num lugar muito, muito, muito distante, havia uma família que criava cães. Era uma família pequena composta por pai, mãe e filho.

A mãe e o pai eram muito bons com os cães. Sempre que podiam compravam ração, davam-lhes água e às vezes até jogavam um biscoito ou outro quando queriam agradar a matilha. Os cães gostavam do pai e da mãe. Na maioria dos dias sorriam e acenavam.

O filho já não era tão agradável. Ele, quando estava emburrado, chutava, açoitava com pau e arremessava pedras nos cães.

Os cãezinhos ficavam chateados, mas logo se alegravam quando o pai e a mãe vinham com biscoitinhos.

Antes que o sol se pusesse, com o estômago cheio de biscoitos de carne, os cães recebiam novamente a visita do filho que, com seus amigos, puxavam seus rabos e orelhas até que estirassem. A dor até que era ruim, porém os cãezinhos logo esqueciam quando viam o pai e a mãe acenando para eles da janela.

De meses em meses a bota do filho rasgava de tanto chutar os cães e os pais logo compravam botas novas para que o menino não andasse por aí descalço.

A vida dos cães era ruim, mas pelo o menos comiam e tinham afago vez ou outra.

Certa vez o filho, depois de incomodar alguns vizinhos mais velhos, desapareceu no bosque.

O pai e a mãe queriam procurá-lo, no entanto nenhum de seus cães queriam farejar o rastro do filho.

Sem o filho, os cães tinham biscoito, cafuné e água limpa. Os cãezinhos sabiam que, encontrando o filho, estariam trazendo de volta quem lhes batia com paus, açoitava com pedras e cagava em seus potes de ração.

Que tipo de canino idiota seria um cão que traz um dono desse de volta?

Os cães sabiam que uma hora o pai e a mãe morreriam.

E é onde a história acabaria, porque os cães morreriam também: alguns de fome, outros de tristeza e também os que tivessem que entreter o filho enlutado. Cão por cão, ninhada por ninhada, assistiriam famintos e assustados os filhotes e velhos serem pisoteados e esmagados até que o ensejo maléfico do filho se satisfizesse."


Copiaria a história até pegar no sono e, assim que acordasse, mostraria a o conto para todos os membros da tripulação. Se quiséssemos ferrar com o príncipe, precisávamos que a população não quisesse ferrar conosco. Precisávamos que algo falasse mais alto do que o senso de dever e o carinho que tinham pelos reis e, conhecendo como a sociedade funcionava, só consegui pensar numa coisa: o senso de sobrevivência.

O senso de sobrevivência é a voz mais consciente e barulhenta que pode falar na cabeça de um ser humano. O momento era perfeito para destruir a reputação do príncipe e instigar o medo no coração da população. Um velho sumido. Uma filha cega sem o pai. Cem milhões de berries pedidas em troca de um refém que nada mais fez do que tentar sobreviver. Até que ponto o capricho do filho mal iria ser negligenciado?

O sequestro do príncipe seria um favor para o povo. Cem milhões de berries é o que nós conseguiríamos para não devolvê-los se fôssemos espertos. Os ricos são os primeiros que perdem com um tirano. O rei ambicioso, antes de tudo, cobiça a posse dos nobres e burgueses. Ele se apropria das suas propriedades e, num dia ruim, pode querer suas filhas e esposas. Para os poderosos, o senso de sobrevivência é a manutenção do poder. Estar vivo é manter a posição. Perdê-la é pior do que a morte.

Ao entregar as histórias, comentaria algo com cada um dos meus amigos. Para Nina, perguntaria:

— Rainha, imagine que bom seria para o nosso reino se até mesmo outros povos entoassem canções sobre a benevolência e o poder da nossa monarca. Não seria maravilhoso?

Para Brina, entregaria o papel e diria:

— Esqueça a palavra "cães", Brina. Leia "ratinho" no lugar de "cão".

Não sabia o que dizer ao certo para Douglas e não fazia questão da ajuda do Onimaru:

— Mestre e sardinha, por favor, me ajudem a salvar esse povo!
...


De manhã, depois de me servir de um belo café, avisaria aos meus companheiros sobre meu interesse em aprender um pouco sobre a ilha. Tinha duas coisas em mente: me afiliar à guilda de aventureiros e ir até a biblioteca. Antes de tudo, comunicaria à rainha:

— Rainha, eu gostaria de ir até a biblioteca. Queria aprender umas coisas novas para ajudar nosso reino e ver o que essa ilha tem para nos proporcionar. Se possível, pensei em deixar uma cópia ou outra da história presa por aí.

Se conseguisse a autorização de Nina, então partiria para minha jornada. Saindo pela ilha, perguntaria sobre a guilda de aventureiros até que conseguisse saber onde era. Também não deixaria de perceber se alguém comentasse sobre o acontecimento de ontem. Caso visse que não estava sendo observado, espalharia uma cópia ou outra da história dos criadores de cães, prendendo-a em muros ou postes se possível.

Quando chegasse na guilda, procuraria por informações e tentaria me inscrever.

— Oi, prazer! Chamo-me Agni Flamesburg e quero ser um aventureiro. Sou especialista em combater tigranossauros e espero poder ajudar vocês a lidar com os problemas. — Diria.

Depois de me apresentar, perguntaria sobre como conseguir missões. Se fosse informado sobre o mural, iria até ele e leria por um bom tempo. Caso notasse que não estava sendo vigiado, prenderia uma ou mais cópias da história no mural. Era esse o objetivo por trás da ida até a guilda - esse e ganhar um colar maneiro.

Após me inscrever, iria até a biblioteca. A forma de procura era a mesma: perguntando e perguntando até chegar lá. Olharia bem os livros de arqueologia, procurando algo que me saltasse os olhos como tesouros e outras coisas, então sentaria para ler um pouco. Depois disso procuraria um de geografia. Conhecimento sobre geografia faria as minhas histórias parecerem muito, muito mais legais! Se tivesse dificuldade para entender o livro de geografia, pediria para alguém da biblioteca que me ajudasse. Assim que o fizesse, pediria para levar o livro "rapidinho".

Voltaria para o navio assim que terminasse a leitura.

Objetivos:

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Re: O Bando da Rainha Caolha Sex Jul 29, 2022 5:25 pm
NINA SPADES - 18



- Então aquele é o Príncipe? - A Rainha franziu a sobrancelha, olhando para Agnis com um sorriso fino e maldoso no rosto. Ela então voltou a olhar para o porto. - Ah, então finalmente eu conheci o azarado… - Esperou um pouco mais, atenta ao acontecimento do porto, esforçando-se para fixar o rosto do bastardo em sua memória.

Passada essa cena, foi o momento em que Nina descobriu que Douglas não retornaria e também quando ela ordenou que Brina e Onimaru fossem comprar a carroça com os animais. Agnis, interessado pela confusão causada no porto minutos antes, desceu a Zarolha com cardeninho em mãos. - Esse ai é fofoqueiro profissional… - A Rainha observou ele se afastar da embarcação e então virou-se novamente para o interior do convés. Ela estava sozinha.

Era a primeira vez em dias que estava sozinha e a sensação era um tanto que estranha. - Pelo jeito somos só nós duas, Zarolha. - Deu um tapinha na amurada como se estivesse afagando a cabeça de um cachorro. Não demorou muito para que a Monarca mergulhada na solidão começasse a sentir o sono assaltar seu corpo. - Eu vou tirar um cochilo, Zarolha… - Foram as últimas palavras que resmungou antes de adormecer sentada em um canto qualquer.

Acordou com o som da madeira rangendo e levantou-se de supetão, como se fosse uma soldado tirando uma soneca escondida da Oficial. Com a visão meio embaçada e com a baixa visibilidade da noite, a Rainha logo viu uma silhueta que parecia ser a de Douglas e começou a reclamar com ele e falar de sua ideia genial. O Príncipe retrucou com uma sugestão vaga.

- Ou seja, você vai sequestrar ele e levar ele pra cidade da Montanha, não? Essa é exatamente a ideia que eu acabei de te falar, seu idiota! - E de punhos fechados e com um olhar furioso aproximou-se de Douglas pronta para dar-lhe um cascudo, porém o que pode ver com esse encurtamento na distância entre os dois a fez parar abruptamente. - QUÊ!? POR QUE VOCÊ ESTÁ ASSIM? - Esbugalhou o olho, retraindo um pouco o corpo com as mãos na frente do peito como se estivesse diante de uma assombração. Quando o trambiqueiro respondeu dizendo que era um disfarce e brincou falando que parecia a Felícia, Nina caiu na gargalhada. - WAHAHAHA! Sim, você está igualzinho aquela mocreia da sua irmã!

Douglas prosseguiu, explicando que Onimaru seria importante para que a ideia dele prosseguisse. - Ah, eu mandei o Onimaru e a Brina comprarem um cavalo, eu já te falei isso. - Disse meio sem paciência, caminhando até a área fechada da Zarolha para pegar um pão, rasgando metade dele e jogando pra dento da boca. - E por que comprar tinta ia te ajudar? Você falou que quer fazer uma confusão maior ainda do que o sequestro do príncipe mas como você vai fazer isso com um balde de tinta, seu burro? Se é pra ser grandioso tem que ser grandioso de verdade, botar fogo no centro, explodir o castelo ou até mesmo destruir a prisão e soltar os criminosos pela ilha! Não sei, inventa algo, pensei que você fosse bom nisso! - Comeu o resto do pão, saindo irritada para outro canto em que não precisasse conversar com Douglas. As vezes ele era enigmático e excêntrico demais para a paciência da Rainha.

Foi vez então de dar um pouco de atenção ao celestial, que chegou para Nina com uma história em mãos. A Rainha leu aquilo cerrando o olho com força, como se pressionasse seu cérebro para compreender aquelas palavras. Depois de alguns minutos calada, ela estalou os dedos, arregalando os olhos e fazendo um “o” com a boca. - Ah, você está falando do príncipe aqui! Gostei, você realmente leva jeito pra isso… - Interpretação de texto não era o forte da Rainha.

Agnis então pediu que Nina fizesse um exercício de imaginação. O pedido fez com que ela enrrugasse o rosto como se tivesse comido um limão azedo. - Benevolência? Eu sou uma pirata, Agnis! Pirata! Eu lá to ligando pra benevolência, eu só quero viver minha vida tranquila. - Olharia então para o Príncipe Oportunista. - Ô, Douglas, esse anjinho que você trouxe pro bando é mole demais hein, você vai ter que dar um jeito nesse moleque. - E então se afastaria de Agnis para poder olhar os cavalos que Brina e Onimaru haviam comprado.

Encostada no muro da Zarolha, a Rainha pode ver Nina caminhar para o navio enquanto Onimaru corria atrás de um dos cavalos que havia se soltado. - Hihi, minha primeira carruagem! - Ela não se aguentou e teve que comentar alto, animada. Lembrou-se de quando era uma criança, quando sonhava em ser uma rainha, sempre com vontade de ter uma carruagem com cavalos. ‘Não tenhos dinheiro nem pra um burrinho manco!’ Seu pai dava essa resposta aos seus pedidos e logo após caia na gargalhada. Agora Nina têm capacidade de conseguir quantos cavalos ela quiser e por isso ela soltava um risinho. - Queria que o senhor estivesse aqui... - Comentou baixinho, somente para ela e para o seu falecido pai.

Um tempo depois o reino inteiro adormeceu sob a luz das estrelas, ansiosos para o próximo dia que prometia ser o início do caos que eles planejavam.


De manhã, Nina acordaria rabugenta e sem vontade de comer muita coisa. Limpando um rastro de baba no canto da boca com a mão direita ela caminharia até o ‘armazém’ e encheria metade da caneca com rum. Queria começar o dia daquele jeito. Antes de beber, encheria o pulmão de ar e daria um berro. - ACORDEM! JÁ TA NA HORA! VAMOS LÁ, VAMOS! - E então viraria o copo de rum de uma vez.

Quando Agnis pedisse sua permissão para ir até a biblioteca, Nina faria um beiço, colocaria a mão no queixo e olharia para o angelical de cima para baixo. - Hmmm, você pode ir. Mas tenho uma missão pra você… Isso! Essa é a primeira missão que você receberá direto da Rainha! - Diria isso olhando para ele com o rosto endurecido e com a mão direita no peito, como se fosse uma estátua clássica. - Como você é um pirata, você tem que fazer coisas piratescas! Eu não me importo de você querer ser benevolente... - Enfatizaria essa última palavra erguendo ambas as sobrancelhas. - ...mas como se juntou ao meu bando, em alguns momentos você terá que honrar nossa bandeira pirata! - Apontaria para o mastro vazio. - Piratas não são bons nem maus, eles são livres! Então já que você vai na biblioteca, você vai ter que roubar uma coisa e trazer pra mim. Essa é sua missão. Roube algo que eu vá gostar, hein, não me venha com comida ou flores! - E com essa lição (i)moral, Nina se afastaria do novato, caminhando na direção de Douglas e Brina.

- Hoje eu não to muito bem… - Seu olho estaria meio caído. - Vai demorar um pouco pra eu ficar 100%, então você vai coordenando as coisas até lá, idiota. - Acenaria para Douglas com a cabeça, indo até o lado da Brina e estendendo a mão para que a pequena a segurasse. - Então, qual é a grandiosa ideia que você teve para sequestrar o mauricinho? - Diria com certo sarcasmo, pesando muito na palavra “grandiosa”, como se duvidasse que algo com esse adjetivo pudesse vir de Douglas.

Como havia acordado mal, seguiria as orientações de Whitefang até se sentir um pouco melhor, limitando a dar um resmungo enjoado caso ele lhe fizesse alguma pergunta.


Armas:

Relações:

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Re: O Bando da Rainha Caolha Sab Jul 30, 2022 4:52 pm
''SIR'' DOUGLAS WHITEFANG - 19





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Maldição. Eu estava cansado demais até para dormir. Por isso, resolvi caminhar pelo navio para fugir da minha falta de sono.

Com uma expressão de alguém que havia acabado de mastigar um limão inteiro, com casca, tamanho era o meu estranhamento, eu observava Onimaru submergir e então uma labareda emergir no meio do porto. De costas e palmas das mãos coladas à parede do navio, eu buscava me esconder nas sombras, me engasgando na minha própria respiração, concomitante à volta do homem-peixe ao navio. Primeiro, surpreso pelo fato de Onimaru estar agindo sozinho e de maneira estranha. Estaria ele sonâmbulo? Sendo controlado? E, em segundo lugar, preocupado com as repercussões daquilo para o plano em andamento.

A segunda era mais fácil de resolver. Um incêndio aleatório, aparentemente sem razão de ser, não seria atribuído a nós. Aparentemente, ele não havia roubado nada, pelo que não haveria suspeita sobre piratas. Então, talvez até mesmo ajudasse no plano, por levantar mais uma questão para que o reino se focasse.

Contudo, a primeira questão, sobre a forma como ele estava agindo... A impossibilidade de entender realmente me fazia ficar assustado com o garoto. Parando para pensar, ele tinha até mesmo ido dormir mais cedo depois de consertar a carroça. Talvez algo tivesse acontecido lá?

Bem, a tremenda responsabilidade que existia em refletir sobre tudo aquilo fazia a minha preguiça voltar com toda a força, pelo que eu resolvia fugir das preocupações e voltar a dormir.

Em meus sonhos, as palavras de Nina se tornariam verdade. Ou seja, eram um pesadelo. Eu estava dentro do presídio, capturado, sozinho em uma cela escura. Que também estava nas jaulas que os Caçadores de Recompensa haviam colocado na Zarolha. Diversos prisioneiros começavam a me cercar por detrás e chamas cresciam à minha frente. Não havia lugares para fugir.

Acordaria em um sobressalto. Tanto pelo fato de a Rainha encreiqueira estar gritando quanto pelo fato de aquela ideia ser perfeita.

- Maldição. - Resmungaria, ao mesmo tempo com um brilho no olhar, tanto chateado por ter sido acordado cedo e pelo risco em que aquele plano me colocaria quanto animado com as ideias. Mas então, me arrepiaria de verdade. Ir até o presídio? Correr o risco de sofrer pelo que eu já tinha passado com os Caçadores por tanto tempo? Apesar de as repercussões serem boas, o plano era mesmo assustador. Morderia o dedão para conter a ansiedade.

Comeria um pão com o recheio mais fácil que tivesse por ali. Observaria aqueles cavalos estranhos. - Ei, Brina. O que esses cavalos magrelas estão fazendo? Talvez você devesse conversar com eles para que eles conseguissem correr mais rápido. O que eles querem? Torrões de açúcar? Carinho na orelha? - Mas voltaria a comer despreocupado.

Aproveitaria para ler a história que Agni havia escrito enquanto comia. No dia anterior, estava cansado demais para isso. Apenas fingi que entendia sobre o que eles estavam falando. Aos poucos, conforme lia sonolento, começava a arregalar os olhos. - I-Isso é... - levaria a mão até o queixo, refletindo profundamente. Aquilo facilitaria ou atrapalharia o plano? Pelos meus cálculos, provavelmente ajudaria, pelo teor indireto e metafórico da história, certeiramente escrita de forma a causar revolta mas sem especificar ninguém. Além disso, nos disfarçava ainda mais enquanto uma companhia de teatro, já que seria uma forma extremamente estranha para piratas agirem. Após o sequestro do príncipe, talvez levantasse suspeitas, mas não apenas em relação a nós, mas a qualquer um incentivado pelo que leu. Todavia, eu não elogiaria Agni ainda. Os dois garotos que eu havia chamado para o bando eram incríveis, por mais que eu não entendesse mais Onimaru.

Assistiria a conversa entre o celestial e Nina calado, mas arregalaria os olhos quando ela falasse sobre moralidade e liberdade. A capitã era incrível.

Onimaru era do dojô dos tritões. E me seguiu logo após descobrir o que eu fiz com o Dínamo, que assediava os karatekas de todos os dojôs, abusando do seu poder como irmão de um marinheiro poderoso. Talvez ele tenha vindo até mim porque, por mais irônico que possa parecer, eu defendi a honra e o orgulho dos karatekas quando derrotei Dínamo, em um momento em que nenhum dos seus outros senseis tinha liberdade para tanto. E, por isso, talvez ele tenha incendiado o porto por algum motivo sombrio, seguindo o meu exemplo. Terminaria de comer rapidamente e iria em direção ao garoto dentro do navio.

- Onimaru. Eu vi tudo ontem à noite. - Diria com um olhar mortalmente sério. Lembrava-me de como ele havia tentado me resgatar na jaula dos Caçadores de Recompensa. Da forma como ele tentava não magoar Brina após ver o seu desenho horrível da bandeira pirata. ''Ficarei com o senhor, mestre, no navio ou na cidade, pois desejo ser treinado''; ''Okey dokey! Pode deixar a Zarolha comigo!'' rememoraria a maneira como ele havia torcido por mim na minha luta de treinamento contra Nina ''Já que ele foi embora, o senhor treinaria comigo?''; ''Não, não, não é isso! Já disse que o Douglas-san é meu mestre! Eu estou aqui por livre e espontânea vontade!'' - Da próxima vez, fale comigo primeiro. E eu vou junto pra te ajudar. - Eu não tinha qualquer motivo para desconfiar do jovem tritão. Desde que havia entrado no bando da Pirata Caolha, estava cada vez mais fácil de confiar nas pessoas. Conhecendo ele. aquele homenzinho certamente tinha feito aquilo para defender algo, porque tinha liberdade para tanto, e, por isso, eu não poderia criticá-lo, por mais que não entendesse seus motivos ainda. Pelos céus! Eu era o mau-caráter ali! Talvez estivesse até mesmo o corrompendo! Não tinha como duvidar de alguém tão puro. - Agora, vamos. Me explique exatamente o que aconteceu.

Após ouvi-lo, faria a minha primeira interação sincera com ele, por perceber o quanto já estava confiando no jovem. - Ei. Isso pode acabar atrapalhando nossos planos, sabia? Talvez tenhamos de esconder melhor os cavalos, para que não nos tornemos suspeitos pelo incêndio. - Coçaria a cabeça, pensando bastante. - Mas eu não me importo. O desgraçado mereceu. - Sorriria para Onimaru. - Sabe, eu sou um Arquimago. Mas também sou um guerreiro. Mas muito mais arquimago do que guerreiro. Essa foi uma ótima ideia, Onimaru. E estou orgulhoso que você seja o meu aprendiz. Mas você acabou agindo mais como um Arquimago do que como um guerreiro ao atacar alguém mais fraco, por pior que ele fosse, e ainda por cima escondido e à noite. E você é muito mais do que isso. Eu estou te treinando para ser um grande guerreiro, que sente orgulho e age pela frente. Que inspira as pessoas e controla os sentimentos. Da próxima vez que precisar de um trabalho sujo assim, pode contar com o seu Mestre. - Entregaria meu sabre novinho para ele. - Tome. Você vai carregar minha espada pra mim por um tempo. Não quero perder ela e preciso de alguém de confiança para cuidar pore nquanto. Tome cuidado para não deixá-la à mostra, para que ninguém te machuque. Eu confio em você para entregá-la para mim no momento certo. - Apesar de toda a desvantagem que existia em falar aquelas palavras sobre ser um guerreiro verdadeiro para Onimaru, já que isso me faria acabar podendo usar menos o moleque para trabalhos esguios do submundo, era realmente o que meu coração me dizia para fazer naquele momento. Ele merecia ser um herói de verdade, algo como um cavaleiro, mesmo sendo treinado por um traste como eu. Parando para pensar, o garoto merecia um mestre como Grayden, alguém que eu nunca poderia ser, por mais que minha família tenha sonhado com isso. - Droga. Essa conversa seria muito mais emocionante se eu não estivesse vestido de mulher.

Ouviria Nina me ordenando comandar. Respiraria fundo, indo ao meio do navio.

- Olá. Eu sou o Douglas. Estou vestido de mulher. Sim, muito engraçado. - Começaria, entediado. - Brina, você vai dar um jeito de deixar esses cavalos bem e fortes. Você e Vossa Majestade vão para a cidade das montanhas, melhorar essa carroça e fortalecer esses animais. Rainha, acredito que seria bom você ir para o centro da Cidade da Montanha quando anoitecer. Eu irei te procurar lá. Aproveite para ir em busca de um bom lugar para prender o príncipe, para que ninguém o ouça tão cedo. - Respiraria fundo. - Onimaru, eu preciso que você compre tinta. Deixe o sabre no navio para isso. Você irá pintar velas novas para o navio. Além disso, preciso que você faça o desenho realista de uma mulher horrível. E que, após isso, desenhe a mesma mulher, como se fosse mais bonita. Você deve trazê-lo para mim antes de eu sair. - Pararia para pensar um pouco. - Também compre esterco. De preferência daquele animal que a Rainha ama. - No futuro, tudo aquilo faria sentido. - Vocês todos irão juntos para a Cidade das Montanhas. Arranjem um lugar para ficar por lá, sem chamar atenção.

Enquanto Onimaru estivesse em busca dos itens que eu pedi, me dirigiria até uma biblioteca, naquela mesma cidade.

Meus fantasmas voltavam a me assombrar: o pavor de ser preso, os terrores que passei com os caçadores, a possibilidade de tudo aquilo se repetir. Seria o momento de dar um basta naquele temor. Se eu fosse um ladrão, eu certamente seria preso diversas outras vezes na vida. Por isso, naquele momento, apesar do esforço ser um saco, teria de ir pelo caminho que me pouparia menos trabalho no futuro: terminaria de aprender Arrombamento, já que não foi possível roubar essa habilidade de Ronron.

APRENDIZADO DE PERÍCIA ARROMBAMENTO

Na biblioteca, faria a coisa menos suspeita sendo um pirata prestes a roubar um reino: estudaria.

Obviamente que não estaria em busca de um livro chamado ''INTRODUÇÃO AO ARROMBAMENTO - COMO SER UM VAGABUNDO E NUNCA PAGAR POR ISSO'', embora talvez um dia eu fosse capaz de vir a escrever um livro assim.

Buscaria um livro que falasse sobre ser chaveiro. Entenderia as estruturas em torno das fechaduras. Absorveria conteúdos sobre portas. Faria leituras dinâmicas e enfiaria as informações na minha mente, guardando-as com minha memória fotográfica, para depois processá-las com o subproduto da minha falta de motivação para aprender: a minha genialidade, que me fazia conseguir atingir grandes conhecimentos apesar de me esforçar pouco.

Buscaria entender sobre os trincos e suas relações com as chaves. Sobre as formas que eu poderia usar para substituir os efeitos das chaves nas fechaduras. Além disso, procuraria livros que falassem sobre locais na porta diferentes da fechadura, outras maneiras de forçar a abertura delas. Tentaria entender o funcionamento complexo das trancas de cofres e os motivos de forçar a passagem por alguns lugares ser mais difícil do que por outros.

Tentaria imaginar diversos cenários, lembrar de várias portas que eu já havia visto.

Estaria estudando com a determinação de um estudante que se divertiu durante meses e agora terá de passar por uma prova. Uma situação pela qual eu já havia passado diversas de vezes no paláico. E, para dizer a verdade, eu sempre aprendi melhor em cima da hora.

Passaria algumas horas naquele lugar, pegando alguns livros diferentes, me enriquecendo com informações sobre como as portas são feitas, sobre seus pontos fracos e como esquivar dos seus pontos fortes.

FIM DO APRENDIZADO DE PERÍCIA ARROMBAMENTO

Quando chegasse ao navio, nem mesmo conferiria o desenho de Onimaru. Apenas o guardaria. Levando minha espada antiga, o esterco e uma mala com apenas as roupas para me transformar em um velhinho, deixando o resto no navio, dobrado conforme Agni havia feito, como se houvessem mais habitantes ali.

- Ei, Rainha. Você me perguntou de que maneira eu faria o plano funcionar, hã? - E então, virado para Nina, e apenas na frente dela, faria diversos espinhos finos surgirem no meu rosto. Faria-os sumir logo após. Sorriria e sairia dali antes que ela pudesse me bater de vingança.

Na trifurcação tão conhecida, procuraria as pedras onde eu poderia me esconder, conferindo se estava ou não sendo observado antes. Monalisa começaria a dar lugar para outro membro da trupe de teatro ficcional. Que, na verdade, sequer seria da trupe, mas daquele próprio Reino de neve.

Aquela mulher morena, que acompanhava Grayden, havia me feito perceber, ao me cheirar, que eu estava me disfarçando de forma pobre. Pensar apenas na aparência e na história dos personagens eram apenas duas dimensões do disfarce. Os sons que eles faziam, o cheiro que eles tinham e outra infinidade de detalhes também era extremamente relevante. Por isso, dessa vez, tomaria cuidado, adicionando a dimensão do cheiro de esterco a quem eu seria.

Primeiro de tudo, encheria meu corpo de esterco. No mesmo lugar em que eu havia me lavado para tirar a roupa de Kozaro, limparia de maneira que o cheiro permanecesse. Não poderia exagerar, tinha de ser apenas o suficiente para que fosse possível perceber com o que eu trabalhava, mas também de maneira a transparecer que eu havia feito questão de tomar banho para ir ver o príncipe.

Pintaria meu cabelo de grisalho dos lados, pondo uma peruca preta por cima, bem presa. Passaria maquiagem, para que meu rosto ganhasse rugas e ficasse deformado. Curvaria bem o corpo. Vestiria uma capa branca que cobriria minha cabeça e poria uma sombra sobre minha face deformada. O cheiro de esterco, ainda bem forte, provavelmente disfarçaria o de maquiagem e de tinta de cabelo, que provavelmente secariam e se espalhariam no caminho até o castelo. Além disso, se maquiar e pintar o cabelo para ir ver o Príncipe não poderia ser considerado algo ruim, hã?

Caminharia usando apenas a bainha do meu florete, deixando-o nas pedras, bem escondido, junto com a mala de roupas que configuravam Monalisa.

No meio do caminho, faria espinhos surgirem apenas de um dos lados do meu rosto deformado, que estaria coberto pela capa. Talvez aquilo até mesmo ajudasse a me deformar ainda mais, o que seria bem-vindo. - Hm. - Gargalharia. - Eu sou mesmo um desgraçado.

Chegando ao castelo, faria algo absolutamente improvável. Tudo visando chamar a atenção do príncipe.

- SO-SOCORRO! - O tom de voz daquele velhote seria fraco, meio rouco, combinando com seu corpo torto e sua dificuldade de andar. - EU PRECISO FALAR COM O PRÍNCIPE! PRECISO DE UMA REUNIÃO AGORA COM ELE! APENAS A BONDADE DELE PODERÁ ME SALVAR! NÃO PODE SER O REI, COF, cof, nem A RAINHA.. - Talvez as pessoas ficassem assustadas, com um segundo velhinho, dessa vez, para elogiar o monstruoso nobre. Talvez aquilo fosse tão chocante que fizesse alguém tentar me impedir, pela preocupação comigo, até mesmo achar que eu estava gagá, mas dificilmente desconfiar de mim. Aquelas frases poderiam ser estranhas o suficiente para levantar a curiosidade do príncipe, e entender quem seria o insano que o julgava como bondoso, talvez até mesmo se sentir vangloriado. - NÃO, APENAS VOSSA MAJESTADE, O PRÍNCIPE, PODE ME AJUDAR! COM SUA INFINITA BONDADE! - Insistiria. Então, caminharia devagar, usando a bainha da espada como bengala, em direção à sala dele. - Por favor, se me permitir, vossa majestade, eu gostaria de conversar com o senhor completamente sozinho. Apenas Vossa Majestade poderá, cof, cof, entender! - Prestaria atenção aos sussurros do palácio naquele momento. Talvez aquilo me ajudasse a entender tudo o que aconteceu com o senhor no dia anterior, para além do que o que Agni havia contado. Me aproveitaria da pena que sentiriam de mim para estar invisível, ainda que em meio da visão de todos, e da minha aparência grotesca, deformada, do meu mau-cheiro e dos espinhos no meu rosto para evitar que me olhassem por muito tempo.

Como um maldito desgraçado.

Que o espetaculo começasse.

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Re: O Bando da Rainha Caolha Dom Jul 31, 2022 2:45 pm
Brina Britta - 17

- Eita, qual o problema dele? - A ingenuidade de Brina a fazia encarar aquele tratamento como mera grosseria e praticamente não a afetava, mas notava que o tritão se incomodava. Conhecia um pouco a história dos homens-peixes e sabia que sua trajetória no mundo humano era marcada com muito sofrimento, preconceito e repressão, e talvez as ações do velho estivessem refletidas nesse contexto. - Uau! QUE CARRUAGEM INCRÍVEL! - a volta era marcada com tranquilidade e mais canções, e logo retornavam ao navio que não estava longe. Os animais se soltavam, mas Onimaru se prontificava a resolver o problema.

Todos estavam novamente em Zarolha e se preparavam para dormir mais uma noite ancorados naquela ilha. - Ah, obrigada! UMA HISTÓRIA? Faz tanto tempo que não leio uma história, “ratinhos” ao invés de “cães”? Tudo bem! - E antes de dormir leria atentamente o conto, sem entender muito bem o significado por trás.



Na manhã seguinte, a ratinha fazia o desjejum com um sanduíche cujo queijo era dez vezes maior que as próprias fatias de pão, e se deliciava antes de encontrar seus amigos para decidir os passos seguintes. - Esses cavalos… tentei falar com eles, mas não tive resposta, acho que são mudos! - concluía. - Posso continuar tentando descobrir o que eles querem, vou tentar usar gestos para que eles me entendam! Ei, senhores cavalos! Meu nome é Brina Britta, vocês agora fazem parte do Reino de Spadia! Aquele é Douglas Whitefang, ele quer saber o que vocês precisam para ir mais rápido! - a cada palavra, a pequena fazia um gesto energeticamente que buscasse representar o que estava tentando dizer.

Douglas em seguida pedia para que voltassem até a Cidade das Montanhas onde deveriam cumprir mais algumas tarefas. Ao que tudo indicava, os preparativos para o grande plano já estavam quase completos e em breve poderiam pôr em prática. - Algo que faça os cavalos ficarem mais fortes… hm… posso pensar em alguma poção… talvez misturar algumas ervas estimulantes na comida deles, eu coletei algumas enquanto estávamos naquela ilha da árvore gigante. AH! NÃO COMPRAMOS COMIDA PARA OS CAVALOS! E não podemos dar o nosso queijo para eles! Ou podemos? Hm… Rainha Nina, acho melhor ir atrás de algo mais apropriado… o queijo é muito valioso! - voltaria para os cavalos, e novamente, gesticularia falando bem devagar. - O que vocês gostam de comer? C-O-M-E-R! - apontaria para a própria boca.

Seguraria na mão da Rainha e andaria pelas ruas na direção da Cidade das Montanhas, onde já estiveram uma vez. Usaria seu faro para identificar possíveis lojas de comida para animais, mesmo que não fosse especificamente para cavalos, procuraria pelo alimento que eles supostamente poderiam ter dito para ela através do idioma silvestre. Entraria na loja e apontaria para o que desejava, depositando o dinheiro no balcão.

- E agora Rainha Nina, o que falta?

Relações:


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Re: O Bando da Rainha Caolha Dom Jul 31, 2022 9:35 pm

Ainda na noite anterior, Agni fazia uma promessa a jovem loira, sua primeira promessa como um herói, e a moça apenas assentia, mordendo os lábios numa tentativa vã de segurar as lágrimas. O ex-escravo voltava para o navio com a cabeça fervilhando e descontava toda a sua angústia numa folha de papel. Onimaru, embora nenhum deles ainda soubesse, sentia-se da mesma forma e planejava como pôr aquilo para fora.

Haviam chegado naquela ilha e a visto como um paraíso aos olhos dos civis, mas quanto mais ficavam ali, mais defeitos e problemas encontravam. Parecia que nem tudo era tão perfeito assim. O mais jovem do grupo ainda conseguiu resumir aquela situação perfeitamente: Cachorros felizes com um biscoito e um afago após serem maltratados. Como o dia chegava ao fim e a pressa era inimiga da perfeição, o grupo ia dormir e descansar para o próximo dia.

~ x ~

Existia uma pequena, fria e desconhecida ilha nos confins da Grand Line onde os moradores colocavam rum ou outra bebida alcoólica em seu café pela manhã, para tirar o sono e o frio e começarem bem o dia, era chamado de café irlândes. E esse era o desjejum da Rainha. Sem o café!

O resto do bando acordava com o brado da caolha, com exceção de Agni com seu sono pesado, permanecendo em seus sonhos por mais alguns minutos. Com o passar da hora seguinte, o grupo trocava informações, faziam seus desjejuns e se preparavam para o dia a frente.

Enquanto isso, Douglas ia até Onimaru, que comia um pão com queijo num canto mais afastado do grupo. A primeira frase do ruivo fazia o tritão parar no tempo, em meio a uma mastigada, sem sequer respirar. A segunda frase fazia seus olhos se encherem de lágrimas. — Me desculpe, mestre! — Ele dizia, usando o braço para limpar as lágrimas. Após alguns minutos para se recuperar, ele relatava o que havia acontecido no dia anterior, concluindo com: — Eu não consegui aguentar aquele traste tratando a mim e a Brina-chan daquele jeito! As suas palavras ficaram se repetindo em minha mente, sem parar! — O tritão ouviu as próximas palavras de Douglas com reverência, recebendo o sabre e colocando-o na cintura pelo momento. — Sim, mestre! Eu prometo que não vou cometer esse erro novamente! — Jurava, curvando-se com as mãos juntas em respeito, algo comumente feito por karatecas e demais artistas marciais. Douglas então explicava parte do seu plano para todos e eles partiam rumo à cumprir seus objetivos.

Agni fazia algumas cópias do seu texto sobre cães e biscoitos e espalhava pela cidade, colocando-as em postes ou quadros de notícia. No caminho, percebia que as pessoas não estavam tão animadas como no primeiro dia, principalmente aquelas que viviam e/ou trabalhavam no porto. No caminho também viu a loira do dia anterior, com sua lojinha aberta e alguns poucos clientes lá dentro. No seu rosto um belo e largo sorriso, embora nenhuma felicidade parecesse chegar em seus olhos.

Após alguns minutos de caminhada, encontrava a sede da guilda naquela cidade e entrava, buscando se tornar um aventureiro como tantos que haviam ali. Quem lhe atendia era um jovem na casa dos vinte anos, super simpático, que lhe explicava como tudo funcionava: — Bem vindo, Agni! Infelizmente não possuímos nenhum tigranossauro na ilha, mas tenho certeza de que há algo que lhe agrade no quadro! — Ele apontava para um largo e alto quadro com borda de pinho e recheado de cartazes. — Vejo que ainda não é um aventureiro, não é? Ao completar a sua primeira missão, você receberá uma plaqueta como essa e será oficialmente um aventureiro! — Ele informava, mostrando a plaqueta de prata que tinha ao redor do pescoço. — Também damos um bônus de vinte por cento para a sua primeira missão concluída! — Avisava com tanta animação que parecia até que o bônus ia para ele.

Agni ia então até o mural e o observava. Havia outras pessoas por ali também, indecisos em busca do seu primeiro ou próximo serviço. Cada folha tinha um carimbo no canto superior esquerdo indicando sua dificuldade. Os serviços bronze iam de monótonos a chatos, muitos eram administrativos enquanto outros eram bicos numa loja ou navio. Contudo, isso explicava como tanta gente era aventureiro ali, já que o maior risco de muitos serviços era morrer de tédio. Os serviços de prata já eram de fato similar ao que aventureiros faziam: Se arriscar na floresta próxima em busca de ervas, capturar e realocar um animal selvagem que havia feito seu ninho em um armazém no porto e até mesmo caçar um larápio que havia assaltado duas pessoas na última semana. Curiosamente, não havia missões ouro ali.

As pessoas ao seu redor pegavam um ou dois serviços e partiam, enquanto Agni permanecia por ali, observando. Até que, brevemente sozinho em frente ao mural, colava um dos seus textos e partia, sem missão e sem plaqueta.

Douglas, que havia ido direto para a biblioteca, já estava sentado à uma mesa com meia dúzia de livros, lendo sobre chaves, fechaduras e dobradiças. O ambiente era bem amplo com centenas de livros, talvez até mesmo milhares! O teto era bem alto e no topo havia vitrais ao redor de toda a extensão da biblioteca, deixando-a bem iluminada, mas com uma luz amarelada e suave. Era um ótimo ambiente para quem gosta de ler e o ruivo pôde ver várias pessoas por ali, cada qual concentrado em sua leitura.

Cerca de uma hora depois do ruivo, era Agni que chegava à biblioteca. Enquanto buscava algo do seu interesse, via um rosto conhecido por lá. Makoto, a mulher que Agni tinha entrevistado no dia anterior e que lhe explicou sobre os clãs e outras coisas, estava entretida numa grande mesa ocupada com dezenas de livros, réguas e mapas. Ela não pareceu notar Agni, que permaneceu buscando livros que atraísse o seu interesse.

[Início da Caça ao Tesouro: Agni]
Um grande tomo rubro e dourado, assim como seus cabelos, atraiu a atenção do garoto, que o puxou com certa dificuldade, levando-o até uma mesa e o abrindo. Eram 992 páginas que contavam sobre uma lenda de um tesouro há muito perdido. Em resumo, um herói da época do século perdido havia enfrentado sozinho uma frota com mais de oito mil piratas e os derrotado, protegendo uma ilha inteira do seu ataque. Contudo, havia sido ferido no processo e isso resultou em sua morte alguns dias depois. Após tantos anos, sequer era possível saber se aquilo era real ou apenas lorota, embora o autor do livro afirmasse ser o primeiro caso. Ainda de acordo com a lenda, havia algo de extremo valor que o herói sempre carregava com si e que havia sido perdido durante seu último combate. O autor do tomo dizia ter encontrado o diário do herói após muitos anos de buscas e expedições e que, nas últimas páginas, o herói dizia ter enfrentado os piratas no topo do ovo e que havia se abrigado em uma caverna protegida pela lua após a batalha, local onde encontrou seu fim. O autor não havia conseguido ir além disso e, após tantos anos e já cansado devido à velhice, havia resolvido colocar todas as informações que havia adquirido naquele volume único, na esperança que alguém pudesse terminar sua caçada.

Após ler tal história com tanta fantasia e mistério, Agni resolvia buscar por algum livro sobre algo mais preciso e real, como Geografia, e achava vários sobre o tema, embora os termos fossem difíceis para o garoto compreender. Também precisava se lembrar da missão que sua Rainha havia lhe dado e se iria tentar cumprí-la antes de retornar ao navio ou não.

Enquanto ruivo e loiro liam, Nina e Brina iam em busca de comida para os animais. A pequena, não querendo compartilhar seu queijo com os animais, buscava conversar com eles e descobrir o que comiam, mas a conversa entre a mink e os bichos era improdutiva. Após alguns minutos de gestos e mugangas, a bruxa desistia. Contudo, na primeira loja que entravam o vendedor prontamente informava: — Ah, eu sei do que vocês precisam! — E lhe vendia um saco de aveia. Os animais pareciam adorar.

Onimaru deixava o sabre do arquimago em Zarolha e partia atrás de pincéis, tintas e tecido. Os dois animais comprados no dia anterior já haviam providenciado esterco o bastante para o plano de Douglas. A Rainha retornava e, ao subir para o convés, via o tritão concentrado em seu serviço. Ele já havia feito os dois retratos pedidos pelo ruivo e agora pintava as novas velas estendidas pelo convés. — Olá, Rainha. Só cuidado com as tintas, por favor. — Pedia, apontando para três latas diferentes espalhadas pelo convés. Apesar de ter apenas um olho, Nina podia notar que o garoto realmente sabia o que estava fazendo.

Pouco depois Douglas retornava. — Está aqui, mestre. Já quase acabei com as velas, agora é só esperar um pouco para a tinta secar. — O ruivo pegava os dois retratos, um saco de esterco e mostrava sua akuma apenas para a Rainha, logo partindo mais uma vez. No meio do caminho, parava para se trocar e assumir um quarto personagem: Um velho limpo e mal-cheiroso, se é que faz sentido, continuando com seu caminhar estranho até o castelo.

Uma hora depois, já com a tinta seca, o tritão dobrava e guardava as velas no deque inferior. — Tudo pronto! — Informava. O trio deixava zarolha e montava na carroça, com Onimaru servindo como cocheiro. O veículo estava imundo no dia anterior, Brina lembraria, mas o tritão havia limpado durante à noite, deixando a traseira num estado muito mais confortável para as duas mulheres. No caminhar lento dos animais, partiam rumo à cidade da montanha.

Quando o trio percorreu mais ou menos metade do caminho, Douglas alcançou o castelo. Já estava no fim da manhã, mas havia bastante movimento no pátio. Talvez este fosse até o motivo de tal movimento, já que em breve deveria ser servido o almoço dos monarcas. Muitos criados corriam para um lado e para o outro, atarefados, e parte do castelo estava aberto para visitas, com alguns civis lá dentro. O velho que Douglas interpreta também entrava no aposento com chão de mármore e paredes de pedra negra. A maioria dos civis olhavam para cima, admirando a arquitetura e os vitrais do lugar, não notando o homem que passava entre eles.

Douglas continuava andando até o início de um corredor com dois guardas, um em cada lado, que cruzavam suas espadas para impedir o avanço do homem desconhecido. — Alto! — Bradava o mais novo deles. — SO-SOCORRO! — A fala do velho pegou os guardas de surpresa, mas o caminho continuou bloqueado. Enquanto falava, atraia a atenção de cada vez mais pessoas, que começavam a se afastar do homem estranho e fedorento. — O príncipe?! Tem certeza? — Perguntava um, enquanto que o outro guarda dizia: — O Príncipe Lochlann não atende pedintes!Isso. Se o príncipe quiser falar com você, ele mandará um dos seus guardas pessoais o buscar pessoalmente. — Concluía.

~ x ~

Moshi, moshi? — Bradava o loiro, na borda do navio. — Moshi, moshi?! — Tentava mais uma vez, olhando ao redor, mas sem ver ninguém. — Felix-san? Onimaru-san? Dig Dig Joy? — O loiro ria sozinho por causa do último nome, esperando por alguma resposta, mas nenhuma veio. Levantou seu pé direito e começou a pender para frente, mas desistiu, permanecendo na rampa. Indeciso, olhou para trás, para alguém que lhe esperava na base da rampa. — Ok, ok, entendi! — Ele respondia, dando um passo à frente e pisando em Zarolha, que rangia em protesto.

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Re: O Bando da Rainha Caolha Seg Ago 01, 2022 1:47 pm
''SIR'' DOUGLAS WHITEFANG - 20




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Curioso para saber o que um literal filho de uma chocadeira como eu estou fazendo vestido de velho, sujismundo, implorando para um príncipe maléfico me atender como se ele fosse bondoso, bem no ninho do inimigo e de que forma isso tudo vai virar um golpe? Culpe os guardas que fecharam a porta na minha cara bem quando eu ia revelar!

Então aquele era o próximo desafio, não era? Dar um jeito de passar por aqueles malditos.

Por sorte, eu possuía uma enorme vantagem diante de mim. Eu era um desgraçado e eles honrados.

Caminharia à frente, tentando passar pela porta, esperando que eles a fechassem no meu rosto novamente. Então, assim que visse as espadas começando a se mexer para tampá-la de novo, com minha noção exata do tempo, caminharia para trás e cairia, interpretando como se tivesse me desequilibrado.

- O-olha.. Olha o que vocês fizeram com um senhor como eu! - Usaria minha voz rouca, chamando atenção dos outros visitantes do palácio. - Bem que eu ouvi que ontem os guardas espancaram outro homem de idade! - Falaria mais alto, mas não ao ponto de parecer que eu estava buscando chamar atenção.

Embora eu estivesse.

Dos outros visitantes do castelo.

Afinal de contas, se ontem o senhorzinho foi levado ferido para dentro das salas em um local inacessível para o resto, era porque os monarcas se importavam bastante com as aparências. Ademais, nenhum guarda poderia dizer nada como ''não fomos nós! Foi o príncipe!'' pois isso os poria em sérios riscos.

Começaria a minha chantagem emocional abusando da honra dos desgraçados. Não pensem que isso é mero trabalho da minha lábia, não. Vai muito além! A maioria das pessoas costuma esquecer disso, dada a minha profissão, mas eu fui instruído ao ponto de me tornar perito em uma habilidade inútil, a Etiqueta! Via de regra, eu a utilizo para saber o que é educado e fazer o exato oposto, ofendendo meus oponentes profundamente. Entretanto, naquele momento, eu a estaria utilizando para navegar a ética dos guardas, manipulando-os por dentro, levando-os a grande desonra, para que eles, para evitar isso, fizessem um favor simples pra mim: chamar a guarda do príncipe e dizer para ele o recado de um senhorzinho. Nada de muito grande, hã?

Me levantaria com dificuldade, interpretando. Cairia no meio do processo. Buscaria em apoiar novamente com a minha bengala, subindo bem devagar. - Na-não tem problema. Eu irei esperar aqui. - Me apoiaria sobre a bengala. - De pé! - minhas pernas começariam a tremer, dado o esforço para ficar naquela posição. - Me-me-mesmo tendo ca-caminhado de outra cidade até aqui! O príncipe é o único bondoso o suficiente para me ouvir! Nem o Rei nem a Rainha são astutos e compreendem os sacrifícios como Lochhlann! - Interpretaria um extremo esforço para ficar de pé, ao ponto de os visitantes ao redor assistirem os guardas e enxergassem-nos como vilões. Será que valeria a pena ser mal-visto e estar desonrada apenas para não levar um recadinho para a guarda do príncipe? - Por favor! E-e-e-e-e-e-u implo-o-o-o-o-o-ro! - Tremeria sobre a bengala.

Caso algum concordasse em ir falar com ele por mim, eu lhe diria: - Diga ao príncipe que é algo que só ele saberia como fazer, e que apenas sua bondade alcançaria, pois o Rei e a Rainha são insuficientes. - Se o príncipe era um vilão e seus pais eram heróis, ele certamente sentia-se deixado de lado pelos dois. Será que essa frase seria o suficiente para fisgá-lo pelo ego? Eu tinha quase certeza de que os guardas não seriam capazes de me deixar me torturar naquele lugar, e que ao menos levariam um recado para a Guarda do Príncipe. Mas será que o príncipe ficaria curioso o suficiente para me receber? Eu não soava, ao menos, como algo minimamente curioso o suficiente para que ele me chamasse? Nem que fosse para ter o prazer de dizer que não na minha cara, apesar de concordar que era melhor do que os pais?

- AU! Minhas costas... - Tremeria ainda mais. - Por favor... Por favor... - Gemeria.

Caso fosse possível chegar até o príncipe, lhe diria para começar: - Vossa Ma-majestade.. Me perdoe, mas é muito importante que o senhor ouça isso sozinho, ou apenas acompanhado de homens de sua extrema confiança, que sabe que nunca poderiam co-co-cobiçar seu lugar. - Ora bolas, os guardas poderiam esperar do lado de fora da porta para que o príncipe recebesse um velhinho desarmado. Qualquer coisa, seria apenas o caso de eles entrarem na porta e matar-me. Não via motivos para que não aceitassem isso.

Assim que isso ocorresse, poderia começar o meu verdadeiro plano. Está curioso ainda, não é? Pois então me deixe entrar na maldita sala!!


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