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As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo

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Kenshin
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Kenshin
Desenvolvedor
Relembrando a primeira mensagem :

As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo

Aqui ocorrerá a aventura do(a) Civil Maka Jabami e Draken Nostrade. A qual não possui narrador definido.

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"Ah, mas eu não quero ter dois caminhos ou ah, mas eu não quero ter caminho nenhum. Ué, você já pode porra, a única coisa que te impede de fazer isso é ser zé metinha e querer ficar comparando o tamanho do pau com o coleguinha pra compensar o ego frustrado." - Luquinhas, 2022

Maka
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Maka
Narrador
As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo
Conversa - Aprendizado - Caça
A cada minuto que se passava, aquela batalha ficava ainda mais intensa, e os perigos aumentavam gradativamente. Meu irmão parecia lidar com um dos capangas sem muitos problemas, mas por outro lado, eu agora estava em uma enorme desvantagem, pois tinha que enfrentar três deles, sendo que o aparente líder do grupo, estava armado.  

Tomada pelo sadismo, mesmo que um pouco de minha consciência ainda tentava resolver as coisas da melhor maneira possível. Contudo, toda aquela sequência perfeita de golpes contra os dois a minha frente, me fez empolgar com a possibilidade de acabar com cada um deles, fazendo com que um leve descuido me fizesse acordar de um segundo mágico. Aquele projétil se movia em câmera lenta, e por um instante, eu havia sido mandada para um local paradisíaco, onde pude rever meus irmãos e amigos.

De alguma forma, cada um deles tinha sido enviado para lá, mas ninguém sabia ao certo como, mas pelo menos pude conhecer muita gente nova. Algumas foram bem estranhas, enquanto outras foram inesquecíveis. E ao fim daquela festa, o beijo doce de Agnis me dominava, e eu não queria sair daquele momento. Minha vontade era ficar lá para sempre, mas... Um alto e incômodo tiro ressoou, e eu enfim estava de volta a realidade, com a porra de uma bala atravessando o meu antebraço esquerdo, me fazendo acordar daquilo que parecia ser o melhor dos sonhos.

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHH! - Um urro de dor era expelido de minha boca. A dor era intensa, me fazendo cambalear um pouco com o repentino tiro. Minha irresponsabilidade e empolgação com a luta, mês fez cegar e esquecer que não estávamos sozinhos, e que o pior deles estava logo ali ao fundo, esperando o momento certo para atirar. - Fil..ho.. da put...a... Tsc... - Por um momento coloquei minha mão direita em meu braço tentando desesperadamente aliviar a dor, o que de fato não aconteceria.

Meus olhos correriam por todo o corredor, trêmula tentava encontrar uma maneira de me livrar dele. Por um momento pensei em correr de forma suicida na direção do líder, mas a loucura ainda não havia consumido toda a minha mente. Mas ao ver o grandalhão cambaleando quase ao chão bem na minha frente, pensei comigo mesma se ele não seria a solução para o problema. Procurando forças e tentando esquecer a dor com a adrenalina da batalha, usaria meu braço direito que ainda estava bom para puxar o capanga maior, e colocá-lo na direção do atirador. Me posicionaria próximo de seu peitoral e o empurraria com o máximo de força que talvez me restasse, levando-o na direção do líder do grupo, a fim de usá-lo como um escudo contra os tiros do homem.  Usaria de meu braço esquerdo se fosse preciso, e também meu ombro direito, jogando peso na direção do busto do grandalhão, a fim de carregá-lo contra o atirador.

Se conseguisse me defender dos tiros e ainda jogar o brutamontes contra o atirador, ele provavelmente soltaria a arma naquele momento. Se o destino quisesse assim, pegaria a arma com rapidez, e em seguida atiraria nos dois que estivessem ao chão com dois disparos em cada. - MORRAM DE UMA VEZ SEUS VERMES!!! AAAAAHHH! -  

Havia claro a possibilidade de não conseguir nem mesmo usar o grandalhão como escudo e, se assim fosse, entraria no quarto mais próximo de mim, com a intenção de me proteger dos disparos. Na sequência, procuraria por todo canto, algo que me fosse útil contra o atirador, que pudesse até usar como barreira ou escudo para evitar ao máximo os projéteis daquele desgraçado.

 

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As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo - 14
07:13 / Sirarossa



A situação de Maka e seu irmão Euntae ficava mais agravada com o fim daquela batalha duradoura. Golpes eram trocados, arranhões e hematomas apareciam pelos corpos, assim como ossos quebrados e sangue derramado. O líquido rubro, nesse momento, quase cobria o chão próximo à escada e respingava no primeiro andar através da madeira podre que compunha aquele chão em decadência. De maneira similar, o sadismo e expressividade de Maka crescia em seu ser e transbordava para o mundo físico, transcendo em movimentos e habilidades, porém, falhando no momento mais necessário. Com um disparo, o chefe dos capangas causava uma torrente incontrolável de dor na leoa.

O urro que vinha de sua boca não mostrava mais a selvageria da rainha da floresta, mas sim a queda da monarca. Seu braço direito ia imediatamente acudir o esquerdo que acabara de se tornar praticamente inútil, instintivamente segurando o rio de sangue que fluía pelo ferimento. O líquido vermelho transbordava por entre seus dedos enquanto seus olhos atônitos e bruxuleantes procuravam por uma saída daquele lugar ou uma proteção que a mantivesse viva. Seus dentes se mostravam, mas não em sorriso como anteriormente; eles mostravam a urgência da situação.

Em um primeiro momento, até mesmo pensava em, de maneira suicida, correr com tudo para cima do atirador, mas antes que sua mente fosse tomada pela dor e pelo ódio, ela usava a cabeça para pensar. Vendo o grandalhão logo ao seu lado, cambaleando ainda pelo golpe que recebera, a mulher tratava de pegar ele com o braço direito com o resto de força que lhe restava. O chefe do grupo atirava mais algumas vezes antes de recarregar a arma, dando um tempo mínimo para que Maka conseguisse se posicionar. Porém, as circunstâncias não estavam boas para seu lado.

Sem perder muito tempo, o capanga que cambaleava recuperava seus sentidos e empurrava a leoa para longe, a fazendo bater com tudo em uma porta. A força fazia com que ela atravessasse a madeira adentrando o quarto, possuindo pelo menos essa proteção que não era tão segura assim. O ambiente era mais chique e requintado do que o que ela dormira, sendo ainda assim um tanto quanto abandonado. A cama de casal imperava no meio do cômodo, aliada com dois criados-mudo em seus dois lados. Uma sacada era separada do lugar por uma cortina que tampava a maior parte da luz que poderia entrar no quarto, e do lado oposto disso, um guarda-roupa posicionado do lado da porta. Do lado direito da entrada, outra passagem que levava ao banheiro exibindo um belo espelho empoeirado, uma pia e alguns produtos cosméticos, além, é claro, da banheira.

Naquela posição, só restava um último grito por sobrevivência. Dando mais urgência à situação, o capanga mais robusto ia atrás da leoa que jazia agora no chão. Seu olhar mostrava puro ódio e rancor contra a mulher que ainda se recuperava. Do lado de fora, mais um disparo fora ouvido, seguido da familiar voz do mandachuva.

— Eu não preciso de inúteis como você. — falava o homem de branco ao atirar na cabeça de seu guarda-costas mirrado. Ele andava a passos lentos na direção onde outrora estivera Maka e Euntae, lutando lado-a-lado. O irmão, em um estado um tanto quanto acabado, acabava de terminar a sua luta contra o inimigo, para ser pego de surpresa pelo atirador em um mata-leão, colocando, junto do golpe, a arma na sua cabeça, tornando-o um refém. Da sua boca, saía uma calma voz, passando mais temor ainda.

— Se entregue, Maka. Só assim seu parceiro aqui sai vivo. — ele falava, não sabendo da relação dos dois. Euntae tentava dizer algo, mas sua boca estava agora presa e incapaz de proferir voz qualquer. — Você sabe como as coisas são. Apenas negócios. — afirmava. Ele estava visivelmente cansado de toda essa luta. — Eu te dou apenas alguns minutos, se não estouro a cabeça de vocês dois. — não mostrava hesitação qualquer, muito menos sinal de blefe, enquanto ficava de frente para a escada ensanguentada. Ele acabaria com aquilo onde tudo começou.


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Curso narrador All Blue, turma de Janeiro 2021:
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"As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo"
O imperador das sombras

Gradualmente despertaria do meu estado de sono, estar devidamente descansado me ajudaria em alcançar meus objetivos, quando tivesse recuperado totalmente os sentidos novamente após horas de repouso, me levantaria e iria até o banheiro e tomaria um banho, além de fazer minhas higienes pessoais como escovar os dentes e usar o banheiro se necessário.

Quando estivesse pronto, vestiria as minhas roupas que pusera para secar antes de dormir, torcendo para elas estarem melhores do que quando entrei naquele quarto, e logo desceria para o bar procurando por um café matutino, isso se fosse de manhã, do contrário apenas seguiria minhas ações.

Todavia se fosse de manhã, e eles estivessem servindo café para os hóspedes, me serviria com abundância, pegando tudo o que visse sendo minimamente interessante para meu paladar, pretendendo estar abastecido para um dia cheio.

Após estar satisfeito, abordaria o garçom que me parecesse ser "veterano" em comparação aos demais, usando como parâmetros de busca, a maneira como pegavam bebidas e ou atendiam os clientes, o que parecesse mais tranquilo e fazendo uma tarefa "automaticamente".

- Olá meu caro amigo(a), estou querendo começar minha jornada, poderia me passar o endereço da ferraria  dos Salvatores para que eu possa comprar uma arma digna para minha viagem? - Falaria de modo animado, com a intenção de contagiar positivamente a pessoa com meu jeito carismático.

Caso a pessoa respondesse positivamente as minhas expectativas e tivesse a resposta que esperava, agradeceria com um sorriso. - Muito obrigado, bom serviço. - Se não conseguisse procuraria outro garçom até ter a resposta que esperava.

Colocaria minha mão nos meus bolsos e pediria para o garçom acender um dos meus charutos, colocaria-o na boca e então soltaria a fumaça calmamente, procurando por John no saguão, ele provavelmente não iria longe depois de termos combinado sair juntos em busca de vingar nosso passado.

Se o encontrasse, o abordaria abrindo os braços animadamente. - John, como vai? conseguiu descansar um pouco? - Aproveitaria um pouco o charuto enquanto ele respondia. - Vamos encontrar Maka, ela vai conseguir nos ajudar a encontrar o tal ferreiro.



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Bim sala bim

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Maka
Narrador
As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo
Conversa - Aprendizado - Caça
Meu corpo estava gélido e trêmulo, com o suor de sangue escorrendo pelo meu corpo, e o tiro atravessado em meu antebraço me tirava a sensação de força e imponência, para me levar ao desespero e súbito medo da conclusão daquela pequena guerra.

Com minha vista turva, a saída que encontrara era a de usar o grandalhão que aparentemente estava cambaleando na minha frente. Minha intenção era fazê-lo de escudo contra o líder atirador, e praticamente em um último suspiro de forças, me joguei a frente dele para usá-lo contra tal. Quando percebi que ele carregava sua arma, senti que era o momento de avançar. No entanto, as coisas só pareciam piorar, e o capanga que antes cambaleava, agora se recuperava de todos os golpes recebidos por mim anteriormente e, com muito mais forças do que já tivera, me jogava contra a porta de um quarto que com toda aquela força, fazia a velha madeira arrebentar, me lançando assim para dentro daquele quarto que jamais imaginaria ver naquela espelunca.

De prontidão, o maldito que me arremessara anteriormente adentrava bufando louco para me matar, enquanto tentava levantar do chão após a grande pancada por ser jogada. Do lado de fora, a voz de desapontamento do tal líder, trazia ao fim a vida de um dos capangas que havia derrubado, mostrando o quão cruel ele poderia ser. “Puff... São uns bostas mesmo...” Pensava ainda de forma que me fazia sentir superior, mesmo com os estragos da batalha e, ficava tranquila ao ver que Euntae era forte a ponto de cuidar de dois dos malditos que nos perseguiam. No entanto, como um tapa na minha cara, algo que eu não esperava acontecia, e meu sadismo era expelido de mim, enquanto tomava consciência do real perigo.

- PARE! PARE AGORA! ELE NÃO TEM NADA A VER COM ISSO! DEIXE ELE EM PAZ! - Meu corpo tremia de medo, e pela primeira vez me sentia impotente, fraca, e totalmente inútil. Meu irmão estava preso e sem ação, com uma arma grudada em sua cabeça, e em qualquer vacilo de minha parte, ele morreria na minha frente. - Sou eu quem vocês querem, então podem me levar. Ele é apenas um civil merda que eu conheci agora, então por favor, não o mate... Ele não merece passar por algo que eu fiz... - Fitava Euntae enquanto meus olhos tremulavam de agonia pelo que poderia acontecer.

Não faria nada e apenas caminharia para me entregar ao capanga. - Solte-o! Deixe o ir e você vai poder fazer o que quiser comigo. E provavelmente vai ser recompensado pelo Yoshindo... puff..haha... -
 
   
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As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo - 15
07:19 / Sirarossa



Maka

A situação de Maka e Euntae naquele prédio estava tornando-se pior a cada minuto que se passava. As esperanças iam se esvaindo, mas o sadismo e a fúria apenas iam se acumulando até transbordar pelo corpo da leoa. Apesar de possuir a força para acabar com tudo aquilo, os seus problemas se sobrepunham; o mix de cansaço e dor a atacavam mais ferozmente que os próprios capangas. Como se um ultimato fosse dado, ela era jogada contra uma porta de madeira violentamente e seguida pelo brutamontes, enquanto seu irmão era colocado em risco de vida.

Em um piscar de olhos, a felina em perigo desmontava a faceta sádica e violenta que ela mesmo havia se colocado, derretendo-se por causa do homem que ela chamava de "civil". Sua tentativa era patética aos olhos daquele líder raivoso, mas ele brincava com a moça um pouco mais antes de continuar as coisas. Com um comando, o capanga restante pegava firmemente as duas mãos da mulher agora em pé, as prendendo com um enforca-gato e com a força de suas próprias grandes e grossas mãos. Ele a levava violentamente para fora do quarto e pela porta em frangalhos, apenas para fitar Euntae e se sentir pior ainda.

Sentimentos de culpa, fraqueza, impotência e inutilidade passavam pela sua cabeça frágil diante desse perigo. Seus olhos trêmulos apenas encontravam o de seu consanguíneo, para mandar mais uma corrente de dor não física, mas sentimental. Ignorando os próprios sentimentos e tentando agir para salvar Lee, a leoa até mesmo forçava uma risada, mostrando-se indefesa após toda aquele show sanguinário. Pelos seus olhos, enquanto o sangue ia se esfriando e a adrenalina sendo substituída por medo, via o resultado de suas ações.

Um corredor coberto em sangue e pedaços humanos espalhados por um velho carpete. O líquido rubro pintava as madeiras podres daquele chão, deixando uma marca eterna para quem quer que fosse se hospedar naquela espelunca. Corpos estirados ao chão, sem vida, encarando eternamente o vazio do que antes fora o mundo deles. Seus olhos, agora com a tonalidade leitosa, mostravam cada um das vítimas de Maka. Aquele momento era só interrompido pelo chefe ainda não nomeado, que puxava uma cadeira de dentro do quarto e sentava nela, no corredor, com Euntae ajoelhado. Jabami era posta frente-a-frente com ele, da mesma forma.

— Você ta vendo o estrago que você e esse... "civil"... — ao falar isso, ele liberava uma risada de canto de boca sarcástica, caçoando da mulher e sua tentativa de salvá-lo. — ... fizeram? — terminava sua frase, olhando diretamente nos olhos de Maka. Podia-se ver ódio, confiança, ganância e um pouco de esperança misteriosa. Ele esperava por uma resposta com paciência, a qual se esgotava rapidamente. HEIN!? — berrava contra o rosto de Maka, pressionando mais ainda aquela arma na têmpora de Euntae. Sua voz era alta e estridente o suficiente para ecoar pelo estabelecimento inteiro. Gotículas de sua saliva voavam no rosto dela, que só podia ver o chefe em fúrias daquela posição.

Ele retornava ao seu normal após uma longa respiração, voltando a conversar com os reféns. — Bom, alguém tem que pagar por isso, não é? — continuava seu pequeno monólogo para a plateia silenciosa. — Que tal esse aqui? — ele agora puxava a trava de segurança do revólver, pressionando ainda mais o mesmo contra a cabeça de Lee. — Sabe, Maka, talvez isso te ensine a ser menos inconsequente... — continuava com a voz calma, quase suave, mesmo que pensativo. — Sinceramente, não sei o que o chefe vê em você. — murmurava baixinho, antes de voltar sua atenção ao capanga que segurava Maka.

— Faça questão que ela veja isso. — instruía o homem, que puxava os cabelos dela para baixo, deixando impossível para que ela recuasse seu olhar. Ao fitar seu irmão, podia ver um mix de vários sentimentos. Aceitação, medo, felicidade, desespero, ansiedade e até mesmo tristeza. A sua boca, não mais travada, dizia baixinho algumas palavras que só os dois compreendiam, e chegavam apenas ao coração de Maka. — Eu te amo. Diga à eles que eu os amo também. — aquelas palavras vinham como um caminhão para a mulher que já se culpava pela situação toda.

Sigh... vamos terminar logo com isso. — em um ímpeto, ele puxava o gatilho da sua arma. O primeiro som que se ouvia era o disparo, e em segundo lugar o barulho de Euntae caindo no chão. O sorriso de despedida em seu rosto de ficava intacto, e seus olhos cheios de emoção encaravam Maka ininterruptamente. Pelo lado de suas pálpebras, uma única gotícula de lágrima se via fazer caminho pela pele lisa de Lee, antes de finalizar sua jornada no chão, que logo se encharcava de sangue. O líquido rubro se espalhava por todo o local, mas não se tornava um com os outros. Ele era distinto, se tratava do irmão da leoa.

Arthur

Arthur finalmente e levantava de uma ótima noite. O hotel no qual se hospedara era o responsável por tal descanso, oferecendo conforto e estrutura para que o meio-gigante cuidasse bem de seu sono. O dia já havia tomado conta, e os raios de luz já lutavam para fazer passagem para aquele quarto escuro como breu. Em um primeiro momento, o homem continuava na cama, se recuperando dos seus sentidos após a longa jornada de sono e criando coragem para começar propriamente aquela manhã.

Sua primeira passagem era o banheiro, onde tomava um banho despertador e cuidava de sua higiene bucal, além de fazer as primeiras necessidades do dia que prometia ser produtivo. Ao fim dos cuidados cosméticos, ia até suas roupas que estavam molhadas de um dia anterior e as sentia. O pano ainda estava gelado, mas já passara do estado de úmido, pronto para o uso. Vestindo-as, então, saía de seu quarto e rumava para o saguão.

O brilho da manhã quase cegava seus olhos acostumados com a escuridão do quarto, desorientando-o parcialmente por um momento. Podia ver que o dia estava limpo, mas o Sol não brilhava forte naquele céu. As nuvens cobriam a cidade de Sirarossa, configurando um tempo nublado. A chuva já havia passado e deixado suas marcas. Gotículas de água ainda escorriam pelas janelas do local, assim como umedeciam os veículos e animais da rua movimentada. A primeira coisa que ele fazia naquele momento era se alimentar. Sem estar devidamente nutrido, não poderia fazer muita coisa.

A mesa com as comidas era vasta e diversificada. A cor dos diversos alimentos se juntavam formando um belo arco-íris deformado. O gigante pegava seu café da manhã que consistia em várias coisas dispostas naquela mesa. Ele atraía alguns olhares no processo, mas nada que acabava por incomodá-lo. O "refeitório" estava parcialmente cheio. Era possível ver casais abastados e pequenas crianças em quase todas as mesas, e, ao canto, era possível enxergar seu irmão, John, com um característico líquido fumegante em mãos.

Antes de ir até o homem, procurava por um garçom experiente. O primeiro que lhe chamava atenção era um caucasiano baixo, com cabelos e bigode negros. Sua movimentação era experiente e praticamente automática, enquanto recolhia os pratos e talheres sujos da mesa. Arthur prontamente o abordava, pedindo por informações relevantes para ele. — Bom dia, senhor! — o cumprimentava antes de se colocar em uma pose pensativa por um instante. — O caminho é bem simples. Siga essa avenida por quatro quarteirões e então vire sua direita. — gesticulava com a mão, direcionando para o lado direito da entrada, para onde deveria rumar pela avenida.

O meio-gigante rapidamente agradecia, pegando um charuto de seu bolso logo depois e pedindo para que o trabalhador o acendesse. O mesmo tirava um isqueiro de seu bolso de peito e acendia o fumo, partindo logo depois com um aceno de cabeça. Agora era hora de contatar John, ao canto do saguão. Enquanto ele se aproximava, podia ver que os olhos fundos do irmão continuavam o mesmo, com uma grande olheira atenuando seu estado nem um pouco bom. Apesar de tudo, se mantinha organizado e elegante; vaidoso até mesmo em seus piores momentos.

— Depende do que quer dizer com descansar. — respondia em um tom sarcástico, balançando um pouco o copo de café em suas mãos antes de virar o restante do líquido em um gole só. — Vamos. Eu conversei com o porteiro de ontem de noite, e ele disse que ela rumou para os subúrbios. — comentava sobre a informação prestativa, enquanto se levantava e esperava Arthur para seguir o caminho. O dia prometia ser cheio, e eles não sabiam o que aquela cidade poderia os apresentar.


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Conversa - Aprendizado - Caça
Já entregue a situação, crendo na minha inútil tentativa de livrar Euntae de toda a merda que havia causado, meus braços eram presos pelo grandalhão que ainda restava, que ao mesmo tempo me levava para fora do quarto junto do líder.

A humilhação sofrida naquele momento era grande demais para mim. Nunca havia passado por aquilo, nem em meus piores dias. Mas de que adiantava reclamar? Eu havia causado tudo isso, e aquela visão tenebrosa do local me mostrava o verdadeiro monstro que podia me tornar. Toda arquitetura podre e velha daquele hotel era substituída por sangue e carne humana, com pedaços espalhados pelo local, além do vermelho rubro que pintava as paredes e chão do recinto, trazendo a tona a carnificina de outrora.

E se não bastasse, estava eu ali, de joelhos em frente à meu irmão, e a única coisa que vinha em minha mente era a vontade de pedir desculpas por tudo aquilo, por tudo que ele estava passando por minha culpa, por consequência de meus atos. Mas nem mesmo palavras conseguiam sair da minha boca, pois meus lábios apenas tremiam, e minha respiração cada vez mais ofegante, entregava o meu medo e desespero pelo que pudesse acontecer. Eu poderia suportar toda aquela dor física, mas aquelas palavras machucavam meu coração, e cada ferida em meu corpo parecia se abrir ainda mais ao ver todo o sarcasmo daquele homem, fazendo com que no fundo, eu já imaginasse o fim de tudo aquilo, mesmo que ainda não quisesse aceitar. Em uma tentativa desesperada de me manter forte perante ele, proferi palavras que pudessem ser imponentes da boca para fora, mas por dentro, eu sabia que eram apenas palavras vazias. - Eu não me importo com eles... Mataria-os de novo, se fosse preciso... - Cuspia em seu rosto, a saliva misturada com sangue que nadava pela minha boca.  

- Pode me levar, eu aceito as consequências pelo o que eu fiz. - Fitava Euntae enquanto falava com o homem. - Pode largar esse cara, ele não tem mais motivo pra ficar aqui. - Voltava a olhar para o homem que parecia ignorar minhas palavras. - EI, ESPERA! O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO? CUMPRA COM SUA PALAVRA, PORRA!! - O estalo da trava de segurança daquela arma apontada para Euntae, me atravessava por dentro, partindo meu coração ao meio. “Não... isso não tá acontecendo!” Mal percebia que o choro já enchia os meus olhos, e aquelas lágrimas já desciam pelo meu rosto sem que eu mesma notasse.

Meus fios de cabelo eram puxados, me deixando face-a-face com Lee, que me olhava profundamente nos olhos, e ali eu conseguia enxergar todo o nosso passado, todos as lembranças, as brigas, discussões, as alegrias, e o amor que tínhamos um pelo outro. Tudo aquilo me passava como um fio, que parecia estar prestes a ser cortado tão violentamente, que eu já não poderia ouvir nada ao redor... nem mesmo minha respiração. Era escuro, e frio... mas envolto a minha frente, um corpo brilhante, com um sorriso bobo que eu conhecia muito bem. “Eu também te amo Lee... e-eu.. T-te... amo... Me perdoe... Me perdoe... kghhh...” Chorava como um bebê, pois carregava toda a culpa daquilo.

O ímpeto som do disparar me travava, fazendo o choro se encerrar. Minha boca aberta e incrédula com a cena, fazia minha respiração parar por instantes, onde lentamente olhava Euntae cair ao chão, como se a sua queda fosse uma eternidade aos meus olhos. Meu coração batia lentamente a cada segundo, enquanto minha íris se estreitava. Naquele momento, meu coração parou, juntamente com o de Lee ao “beijar” o chão.

Fiquei ali, paralisada por alguns segundos, de joelhos e mãos presas. Os sentimentos eram mistos. Sentia dor, fraqueza, impotência, culpa, desespero, rancor, ódio... e raiva. Em alguns instantes, meu coração voltava a bater de forma que aos poucos ia se acelerando, pulsando mais rápido a cada segundo. O sangue era bombeado de forma frenética pelo meu corpo, e toda a dor física parecia sumir por alguns instantes, como se uma anestesia tivesse sido aplicada em mim. Aos poucos, algumas veias saltavam por toda a minha pele, trazendo o seu misto de cores esverdeadas, roxas e vermelhas... o ódio e a fúria corriam pelo meu corpo de forma tão grande, que era possível ver por toda a extensão de minha pele. - Vocês... irão... pagar... por isso... - Minha voz era baixa, como se prometesse aquilo para mim mesma. Era possível perceber uma alteração repentina no tom de voz, era mais pesado e grosso, carregado de ódio, raiva, rancor e fúria.

Meus pulsos presos pelo enforca-gato forçavam buscando o rompimento em busca de liberdade. De punhos e dentes cerrados, meus olhos se esbranquiçavam, mostrando a total perda de minha consciência. Tudo que via naquele lugar era vermelho, além de dois vultos em forma de animais... animais esses que me faziam enxergá-los como presa, pois um desejo diferente do que já sentira antes tomava o meu coração, falando em sussurros na minha cabeça... “Mate-os... Coma-os... Tire CADA, pedacinho...  “ Uma enorme quantidade de saliva escorria pelos cantos da minha boca, aparentando ser uma besta cheia de fome, pronta para devorar o frágil animal que estava sentado bem na sua frente.

Num ímpeto de fúria, me desvencilharia do grandalhão que segurava meus cabelos, talvez deixando algumas madeixas entre seus dedos no processo, devido ao resto de força que tirava para findar aquela caça. No ato, usando de toda a prontidão que tinha, me jogaria como um animal selvagem para cima do líder que estava armado e sentado na cadeira. Se anteriormente não conseguisse romper aquilo que me prendia, me jogaria contra o corpo daquele homem usando apenas de meu corpo para derrubá-lo, mas se houvesse conseguido romper o enforca-gato, agarraria então os seus ombros empurrando-o para o chão, fazendo com que provavelmente a arma escapasse de suas mãos. Em seguida, sem dar chance de resposta, morderia seu pescoço em fúria, colocando todo o peso e força que pudesse naquela mordida, na tentativa de rasgá-lo. Com o peso da duas mãos, juntaria uma na outra, e marretaria as duas bem no meio de sua face, não me importando com as consequências do ferimento sofrido no antebraço esquerdo. Queria apenas apagar o seu rosto da face da terra.

Ainda enfurecida, e com a presença daquela “gigante” de outrora, o olharia nos olhos lhe apresentando qual seria o destino daquele monte de carne e músculos. Sem dar tempo para respiro, me moveria em sua direção como uma besta furiosa, sem ter a consciência de que talvez ele tivesse a chance, ou tempo para pegar a arma que poderia estar caída. Com os dedos, furaria seus olhos, e mesmo que tomasse socos e chutes do grandalhão, lhe devolveria cada um deles, não parando enquanto escutasse sua respiração.
 
   


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Última edição por Maka em Ter 21 Set 2021 - 18:47, editado 1 vez(es)

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"As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo"
O imperador das sombras

Aquela refeição me deixava fardo, o clima estava agradável e de quebra meu charuto acabava com qualquer ansiedade ou desgosto que poderia atrapalhar minha produtividade.

- Animo meu amigo, teremos um dia longo hoje. - Terminava o charuto e então me levantava esperando que John me acompanhasse. - Vamos atrás de nossa irmã agitada então.

Saia então em rumo a estrada, apesar de se passar dois anos que não percorria Sirarrosa diariamente, no dia anterior me orientar não fora uma tarefa tão dificultosa, torcia para não ser agora também, por sorte os subúrbios fora uma boa parte da minha infância, e quem eu procurava não tendia a passar pelos lugares de forma discreta.

Porém antes de realmente ir encontrar Maka, passaria na frente da ferraria, visto que não era longe e por ser recente poderia encontrar algo, ou começar a processar o que já tinha de informações. Chegando lá ficaria totalmente atendo fitando o local com calma e paciência, ouvindo as pessoas perto e até mesmo sentido o cheiro que tinha no local, tudo o que poderia ser até mesmo minimamente útil para o futuro.

Depois de passar pelo local e recolher algumas informações, viraria para John esperançoso.

- Você lembra do caminho? Se não me engano é só ir por aqui que dá certo. - Caminharia com John, esperando que ele também tivesse alguma noção de como se mover.

Chegando perto dos bairros onde imaginaria que ela pudesse estar pela informações que meu irmão obterá, começaria a notar o ambiente ao meu redor procurando por algo que pudesse ser importante, sendo sons ou alguma visão incomum.



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As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo - 16
07:32 / Sirarossa



Maka

Naquela manhã fria e nublada característica de Sirarossa, uma tragédia acabava de acontecer. O mundo subitamente ficava mais cinza, silencioso e triste, com a partida de quem antes fora um ótimo amigo e amado irmão; um amoroso pai e carinhoso esposo, que mesmo após a morte de sua cônjuge, não deixou de a amar e vê-la nas menores coisas. A sua perda abria um buraco no peito de Maka, não causado por bala ou ferro, mas sim pelo luto da perda e pelo peso daquela morte. A culpa a corroía, junto da raiva que vinha como uma avalanche depois, cegando-a como nunca antes.

O ambiente estava tão caótico quanto o interior da irmã aos prantos. Sangue correndo pelas paredes e pela escada que levava ao primeiro andar pareciam dar continuidade àquela cena horrorosa. O chefe, após dar o tiro de penitência, permanecia sentado vendo a vítima mental de todo aquele ato sofrer, sem poder esconder o prazer que aquilo lhe dava. Os pensamentos sobre o futuro e uma possível promoção dentro da organização faziam aquele sorriso nojento se abrir ainda mais, aproveitando completamente o momento. Jabami, impotente, era segurada pelas volumosas madeixas e pelo seu forte pulso, marcado pelas grandes mãos daquele capanga brutamontes.

A torrente de emoções em seu interior, porém, não parecia ser contida. Seu temperamento forte explodia em um ímpeto de raiva e sentimentos negativos contra aquele homem. A sua primeira reação era recuar alguns milímetros, ao ver a tentativa da mulher de voar com os dentes em seu pescoço exposto. Como quem não se importasse e confiasse cegamente em seu próprio capanga, ele começava a provocar, enquanto o brutamontes soltava seus cabelos e colocava as duas mãos nos punhos da moça. Seus olhos vermelhos derramavam lágrimas, porém, só viam duas presas ao seu redor.

O seu corpo musculoso tentava de todas as maneiras possíveis escapar daquelas mãos ásperas que tiravam sua liberdade. Usando de todas as suas energias restantes, dava trancos para a frente, puxando seu algoz para a frente e irritando-o. O chefe, por sua vez, parecia adorar aquele show. Sua risada alta era impossível de não ser percebida, deleitando-se da impotência de Maka. HAHAHAHAAHAHA! Tiramos o seu pequeno "amor", e olha no que você se torna... — levantava da sua cadeira e pegava em seus cabelos ruivos molhados de suor. Sua expressão subitamente fechava, fitando a moça profundamente.

— Um animal. Nada mais que isso... sigh... — suspirava após agachar para conversar olho no olho com a mulher, voltando a falar. Sua carranca ficava cada vez mais tenebrosa e sombria, porém, não saía do estado de seriedade. Nesse exato momento, Maka parecia tentar de tudo para atacar sua presa ali mesmo, sem hesitar. — Descontrolada... — colocava o indicador em sua testa. — Impetuosa... — retirava o dedo, e novamente, colocava na testa da mulher, como se apontasse para ela mesma. — Indisciplinada. — finalizava, repetindo o movimento com os dedos e se levantando. — Adestramento. É isso que fazem com animas... é isso que farão com você. — ele dizia as duras palavras, virando suas costas enquanto o capanga usava o resto de suas forças para segurar Jabami.

O que lhe sobrava, porém, era pouco. Com todo aquele suor acumulado, e o corpo anestesiado de Maka, ela era capaz de se soltar das amarras daquele capanga. Ele era jogado para frente com o corpo da leoa que avançava impetuosamente até o chefe, que já estava em uma distância considerável. Sua reação rápida era capaz de fazer o engravatado virar seu corpo antes que o caminhão de ódio e raiva acertasse em cheio seu pescoço. Colocando seu braço na frente dos dentes afiados da felina, ele logo sentia uma dor excruciante e ardente, seguida por um líquido morno descendo pelo seu braço e pingando no chão.

ARGHHHH! SUA...! — não era capaz de terminar sua frase. A dor que se espalhava pelo seu corpo era grande demais a cada vez que ela cravava aqueles dentes no homem. A bruta força era capaz até mesmo de o derrubar no chão, manchando seu paletó alvo como a neve e marcando a pele daquele que a fizera sofrer para sempre. Não demorava muito para que o brutamontes viesse por trás, não sendo notado até que encaixasse uma bela cadeirada no crânio de Jabami, desmaiando a moça e acabando com aquela luta por ali... por enquanto.

Arthur

A manhã de Arthur havia começado da maneira perfeita. Uma boa rotina de higiene pessoal, em um bom hotel e num confortável quarto. Não demorava até que o meio-gigante fosse explorar mais horizontes pelo famoso Belluci, passando agora pela copa do hotel luxuoso. Até mesmo atraía alguns olhares para si, ao pegar praticamente toda a variedade de comida daquele buffet sem dificuldade alguma, seja pelo seu tamanho ou fome inigualável. Um garçom educado e um bom charuto seriam, para ele, a cereja no bolo, para então começar o longo dia com seu irmão John.

Sem demoras, ambos saíam para a rua. John, mesmo com sua aparência cansada e exaurida, parecia animado com a ideia de uma nova aventura ao lado de seu irmão. Durante o caminho, praticamente liderava o caminhar ao lado de Arthur, que sem perder tempo analisava todo o local e as ruas da vizinhança até chegarem na ferraria. O centro de Sirarossa era, assim como esperado, pomposo. Prédios luxuosos e transeuntes igualmente de alto escalão. Roupas de grife e joias raras enfeitavam os corpos considerados perfeitos daquelas mulheres, que andavam geralmente acompanhadas de um homem igualmente elegante.

A movimentação de pedestres era também estranhamente alta para um horário daquele, o que poderia levantar algumas dúvidas. Quanto mais perto de uma certo estabelecimento, maior a concentração, até chegarem a um teatro fino chamado Spezzater. Filas e mais filas se aglomeravam para chegar ao seu interior, sendo o ápice do capitalismo daquela ilha. De qualquer forma, não se mantendo aos luxos da alta sociedade, Arthur procurava pela ferraria indicada pelo bom rapaz de anteriormente. Não demorava muito para que seus olhos atentos encontrassem o lugar. Com uma fachada luxuosa e também pomposa, aquele lugar chamado "Salvatore Craftsmiths" trazia uma grande variedade de armas valiosas já em sua vitrine.

Satisfeito com o que havia visto, rumava então para os subúrbios onde poderia encontrar Maka. Seu caminhar largo era rápido, e em apenas alguns minutos chegava lá. John, toda hora ao seu lado, parecia ofegante com todo aquele ritmo acelerado, mas imediatamente parecia notar algo estranho. Quanto mais se afastavam do centro e chegavam às camadas mais pobres da cidade, mais deserta a ilha ficava. Os casebres, em péssimas condições, abrigavam um ou outro, inclusivi indigentes, acentuando mais ainda a diferença nas populações do local. Olhares mal encarados cresciam a cada passo, e quando pareciam chegar no ápice, avistavam um pequeno hotel chamado "Gran Giorno".

A aparência do local parecia seguir padrão da região: caindo aos pedaços, decadente e... palco de uma briga? O que chamava atenção era o corpo estirado no chão, logo na entrada. Se aproximando do local, podia ouvir gritos e resmungos, além de um senhor acima do peso também estirado ao chão. Da sua cabeça, escorria sangue, e vendo seus olhos, podiam chegar a conclusão que morreu amedrontado. Tudo indicava que estavam sendo testemunhas de uma cena de crime violento, até verem o mais estranho de tudo: Maka, carregada nos braços por um brutamontes, enquanto um homem elegante de terno branco manchado seguia atrás. Jabami estava desacordada, enquanto aquele que parecia ser o chefe mal se mantinha em pé, segurando a arma em uma mão e pressionando seu braço ensanguentado com outra.


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As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo
Conversa - Aprendizado - Caça
Dor... sofrimento... ódio... raiva... e humilhação. Aquela manhã fria de Sirarossa trouxera tudo de pior na minha vida. Meu irmão estava ali, abatido ao chão, sem vida, enquanto eu, fraca e inútil estava a mercê de dois homens. E a culpa era de quem? Minha... “Porquê? Porque eu sou esse monstro...” Em toda a minha vida eu sempre tentei controlar essa fúria e loucura que tinha dentro de mim, mas porque? Porquê esse ódio todo dentro de mim? PORQUÊ!?

Paralisada pelas mãos do brutamontes, e humilhada diante daquele homem a quem fora incumbido a caça que me fizera da presa, nada parecia afastar a angústia que eu sentia. Mesmo que quase inconsciente, as duras palavras daquele homem, me faziam sentir o misto de sentimentos, pois enquanto minha raiva continuava a ser alimentada pelo descontrole emocional, as lágrimas não paravam de escorrer, pois elas transpassavam minha fúria para tocarem no amago da minha alma.

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH – Em um último esforço que conseguira de ainda fazer algo, minha voz propagava um frêmito de ira, mesmo que ainda humilhada e impotente de agir, meu corpo anestesiado, e o acumulo de cansaço do brutamontes, me fazia ser libertada por um breve momento.  

Como um leão faminto, meu corpo arrastava aquele monte de carne comigo, para que assim me lançasse em fúria para cima do líder que, de forma rápida colocou seu braço na minha frente, o que não impediu de machucá-lo bastante. Poderia não ser uma felina, mas a minha ira era tão grande, que toda a força que ainda me restava era transferida para minhas mandíbulas, e com grande ódio continuava a cravar meus dentes em seu braço, sentindo o gosto de ferro passar pela minha boca, saciando por hora a minha sede pelo seu sangue. Não queria parar, eu ansiava por aquilo. Como sempre, um monstro com sede de sangue, louca para arrancar aquele braço com meus próprios dentes, porém, um monstro angustiado, cheio de dor e sofrimento, ódio e ira, com muita sede de vingança.

Contudo, eu estava sozinha, amarrada e praticamente indefesa, e então, veio a minha queda. O estrondar daquele cadeira em minha cabeça fez com que todo os sentimentos que borbulhavam dentro de mim sumissem, e meu consciente fosse voltando aos poucos, junto da minha visão turva, que se escurecia aos poucos. Já sem estrutura alguma para continuar, adormeci, enquanto entrava em ruinas.
   
     

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O imperador das sombras

Enquanto caminhava até às vielas distantes de Sirarrosa, que para dizer o mínimo eram tristes de se ver, perceber tanta desigualdade em poucos passos, como era nítida a diferença entre os bairros, percebia que não tinha notado se a loja ainda estava aberta apesar do ferreiro ter sido sequestrado, talvez alguma movimentação por parte do Governo Mundial ou Marinha em relação a tal crime, ou se era possível declarar que os Salvatores estavam de fato encobrindo toda a situação, mas uma coisa era certa pessoas demais frequentavam aquela região, era quase impossível alguém não ter visto algo.

Perdido um pouco em pensamentos de como tomar os próximos passos me deparava com um hotel meia boca e uma clássica luta de rua. Colocava minhas mãos nos bolsos de minha calça e assumia uma postura mais elegante com o peito estufado, queria assistir a luta e quem sabe falar com o vencedor e perguntar se vira uma leoa, mas quando estava começando a pensar em pegar meu charuto para aguardar o desfecho daquela luta, meus olhos encontravam a figura de minha adorável irmã, porém não era uma visão muito agradável pelo fato dela estar sendo carregada nos braços de um brutamontes desmaiada.

Meu primeiro instinto era esfaquear aquele homem até ouvir seus últimos gritos agonizantes, e depois torturar o homem de terno branco, e deixar Maka fazer o que bem entender com o provável homem culpado dessa situação. Porém eu tinha que pensar claramente sobre a situação, eles não me conheciam e já estavam desgastados pela luta com a fera de minha irmã, e tinham ela se não fosse rápido o suficiente ela poderia virar refém ou algo parecido.

Me aproximava do hotel mantendo a postura e o rosto sem emoções de raiva, olharia para John esperançoso de que ele todo o tempo que compartilhamos juntos fosse o suficiente para ele entender que tinha um plano, e agir sem pensar não era a melhor maneira de reagir no momento.

- Mais que bagunça, me disseram que comprar essa espelunca e reforma-la poderia dar algum lucro. - Esbocejei em alto tom de forma indiferente, para que todos ao redor escutasse e então me aproximava disfarçadamente dos dois homens. - Senhor de terno, o senhor parece ser um homem respeitoso, sabe me dizer onde posso encontrar o dono desse lugar?

Minha mão direita acenava para o homem, eu tentava conseguir uma reação mais com a guarda baixa visto que todo o perigo a ele já passará com a mulher enfurecida desmaiada e um alto homem lhe perguntando uma informação que poderia ou não ser lhe útil em algum momento visto seus trajes. Já minha mão esquerda ia vagarosamente sem causar alarme até minha adaga me preparando para sacar ela em alta velocidade.

Tinha duas opções no momento, fazer o homem de terno de refém ou enfiar a adaga no pescoço do brutamontes, a primeira opção me parecia mais prática porém ainda não tinha bem noção de como era a relação de ambos então não podia arriscar que ele simplesmente decidisse quebrar o pescoço de Maka. Por isso recuava com um passo quando a guarda estivesse baixa, e com toda minha agilidade sacaria minha arma e levaria ela direto no pescoço do homem, se chegasse perto o suficiente usaria minha força para atravessar meu alvo, e proporcionar uma morte rápida e agonizante.

Porém se ele percebesse minha aproximação e de alguma maneira desviasse ou bloqueasse, eu daria um salto e então estocaria a adaga em sua perna do lado em que ele estivesse segurando Maka, deixaria por enquanto a arma em sua perna e então saltaria novamente, porém dessa vez para trás a fim de sair de seu alcance, e quando percebesse que a dor e o peso de carregar uma pessoa estivesse o sobrecarregando, correria até ele e daria um gancho de direita com toda minha força, sacaria a adaga de sua perna e finalizaria em seu pescoço.

Com ele morto, deitaria a minha irmã no chão onde estivesse minimamente confortável, daria um beijo em sua testa e então diria mesmo que ela ainda estivesse desacordada. - Não se preocupe mais querida, vou cuidar desses caras mals para você. - Levantaria, colocando e segurando o corpo do grandalhão a minha frente, usando ele de escudo, direcionava na direção que o homem de terno estava agora, aproveitando o tamanho do seu parceiro para me proteger contra balas ou outros golpes, aproveitava para expressar meu furor com algumas palavras a fim de intimidá-lo. - Na vida tudo tem um preço, e o de machucar minha irmã vai lhe custar sua vida.

Correria até ele pelo lado esquerdo, sempre com cuidado de manter o corpo me cobrindo para evitar golpes ou tiros, deixaria minha adaga na cintura pronta para sacar rapidamente, quando estivesse a cerca de 1 metro do homem, jogaria com toda força o corpo em um movimento brusco e inesperado, aceleraria o máximo que pudesse para o seu lado esquerdo a fim de sair de seu campo de visão, e o pegar de surpresa pelas costas, e antes que ele pudesse fazer algo, colocaria meu longo braço contra seu pescoço, e apertava com força,  com a outra mão, usaria sua lateral para dar um forte tapa na nuca do homem, onde eu por diversas vezes treinará ser o ponto de pressão onde causaria desmaio.

Se tudo ocorresse bem, ou seja o brutamontes morto e o homem de terno desmaiado, pediria para John agora um pouco mais calmo. - Amarra esse homem por favor, quando ele acordar vamos bater um papinho com ele. - Pegaria minha irmã nós braços, e então me virava as pessoas que observavam com um tom nervoso. - Se não quiserem morrer como aquele grandão ali, poderiam me dizer por favor onde é o médico mais próximo?

Seguiria então, as indicações levando a Maka com cuidado não queria que ela tivesse complicações mais sérias posteriormente, e o outro homem caso John não conseguisse o carregar so que com o outro homem não seria tão cuidadosos assim.

- Bom dia amigo, poderia cuidar dessa mulher por favor? - Pediria ao médico se o encontrasse.

Todavia, se algo desse errado, ou aparecesse mais pessoas manteria a adaga em minhas mãos e me afastaria um pouco onde pudesse ter uma parede em minhas costas para que não me preocupasse com um ponto cego, e em tentativas de ataques contra mim, me movia rapidamente para a direção que saísse mais facilmente do alcance da pessoa seja para direita ou esquerda, queria desviar de qualquer ataque, para não ter que me preocupar com feridas antes mesmo de começar a caçar os culpados pelo incidente do orfanato.



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As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo - 17
07:42 / Sirarossa



A jovem Jabami se encontrava em uma situação complicada. Seu corpo não continha mais forças devido à sua luta incessante. A dor física era excruciante, e mesmo assim, não chegava perto da dor emocional que ela sentia. Seu querido irmão falecido, naquela poça de sangue e largado ao mundo, era uma cena cruel. Suas últimas ações foram desesperadoras, a mente da mulher cogitava até mesmo a ideia de ter o mesmo destino que o seu irmão conforme as esperanças em seu interior se desvaneciam como a névoa matinal. Esse cenário começava a mudar quando, através de seus olhos semi-abertos e sua consciência fraca, vira uma imagem familiar: Arthur e John.

Em contrapartida, o irmão mais velho daquele grupo de órfãos se encontrava com todo gás. Tanto ele, quanto John, não haviam participado da batalha ferrenha travada por Maka e Euntae, sendo grandes adições ao final de uma luta que parecia não ter fim. Fora daquela espelunca, no meio da rua, o gigante aparecia de maneira inteligente. Por mais que quisesse avançar com selvageria, sua maneira impassível de lidar com seus próprios sentimentos o proporcionou um discernimento interessante de toda situação. Ao abordar o criminoso, era respondido impacientemente.

— O dono? É aquele cara ali no chão! — apontava para a figura acima do peso, com os olhos ainda arregalados e o rio de sangue sendo expelido do seu crânio. — Volte mais tarde se não quiser ter o mesmo destino desse cara. — dizia o vilão de terno com uma arrogância imprescindível. Pensando se tratar de um civil comum, ele apenas ignorava a enorme presença do meio-gigante. Seus olhos estavam cravados apenas em Maka, ardendo em ódio e vontade de acabar com aquela mulher ali mesmo. Essa soberba era a ruína do homem; a chance que Arthur tanto esperava.

Por mais robusto que fosse, Lancaster tinha à disposição uma velocidade anormal para suas proporções, assim como sua inteligência. Cerca de três ou quatro passos foram necessários para que chegasse na distância ideal. Em um movimento explosivo, avançou de maneira monstruosa em direção ao seu oponente. Seu objetivo? Definir o embate em um movimento, pelo menos com aquele que estava mais perto da Maka. Seus músculos se tornaram rígidos e a força emanava do seu corpo enquanto a adaga perfurava e atravessava a garganta do brutamontes com facilidade, era como se um pedaço de manteiga estivesse sendo cortado. O sangue jorrou da carótida, manchando as vestimentas do ladino, que pouco se importava com a cena tão familiar para si mesmo.

Após finalizar o primeiro oponente, colocou sua querida irmã alguns metros distante, repousando seu corpo em um pequeno aglomerado de areia que existia ali, perto de uma construção em decadência. Segundos antes de voltar sua atenção ao homem de terno, Arthur ouviu um click. A origem do som vinha da arma do engravatado, que assistia em um mix de raiva e medo a cena brutal que ocorria em sua frente. A sua expressão se deformava mais ainda ao perceber que suas balas haviam acabado. — Merda! Arghh! — amaldiçoava internamente, mas não se desesperava.

Em um ímpeto, jogava sua arma para o rosto de Arthur como uma pequena distração. Apesar de não acertar o arremesso, seu objetivo era concluído: comprar um pouco de tempo para tirar dois itens de seus bolsos ensanguentados. Na mão direita, segurava uma granada de fumaça, na esquerda, uma granada de atordoamento. Sua reação era rápida ao puxar o pino do item em sua canhota e tampar os próprios olhos. John, percebendo seus truques, fizera o mesmo, correndo imediatamente até o Chefe. Para sua surpresa, porém, o mesmo também usava a que estava em sua destra, levantando uma cortina de fumaça pelo local.

White, sem se desesperar pela situação, desferia um golpe de taekwondo naquele amontoado de fumaça onde estava o líder. Suas pernas, porém, encontraram apenas fumaça e vento, agitando um pouco aquela turbulência de gás enquanto o líder do ataque fugia para um local desconhecido. Instintivamente, corria atrás de sua presa, sendo impressionado ao não encontrar ninguém, senão uma pilha de corpos e sangue pelo chão. A porta do hotel ainda estava fechada, indicando que ele não havia ido por aquele caminho. O atirador havia escapado, porém, para a sorte do trio, não havia visto bem o rosto de Arthur; o mesmo não se aplicava para John.

Em frustração, o espadachim e artista marcial não se segurava ao dar um grande soco na parede do Gran Giorno. Algumas poeiras e pedacinhos de concreto caíam, mas a dor nos punhos de White parecia ser inexistente. Sua raiva e sentimentos negativos anestesiavam sua dor, enquanto o homem xingava com todas as más palavras aquele homem de terno branco. Arthur, com medo de se ferir com aquele movimento, se mantinha atento aos arredores até perceber que o atirador não estava mais lá. Seu olhar então era direcionado aos arredores, procurando por uma alma viva sequer; não encontrava nada.

John, sem hesitar e percebendo as vontade de seu irmão, rasgava parte de sua roupa e corria na direção do corpo estirado de Maka. Usando suas habilidades médicas, tratava de limpar um pouco o ferimento de bala no antebraço de Jabami e em seguida estancar o sangue que ainda saía daquele ferimento feio. Mesmo que possuísse o conhecimento necessário para tratá-la, não poderia fazer naquele lugar, possuindo a chance de até mesmo piorar a situação já não muito própria da mulher. Sabendo disso, comunicava ao seu irmão: — O local ainda está vazio, vamos sair daqui logo antes que alguém nos incrimine e encontrar um hospital. — falava enquanto Lancaster levantava Maka nos braços.

Ambos então partiam daquele local, à procura de um hospital ou pequena casa de saúde onde pudessem tratar propriamente da leoa que ainda se encontrava desacordada. Não demorava muito para que, em meio de largos passos e uma pressa natural, encontrassem um pequeno casebre de madeira. A aparência não era das melhores, mas indicava ser um centro especializado em saúde devido a uma cruz vermelha logo em seu topo. No meio daquela comunidade pobre, a fachada do lugar não chamava a atenção, mesmo sendo um pouco mais cuidada.

Adentrando o lugar, encontravam um aconchego diferente do que poderiam esperar. O pequeno estabelecimento era quente, e o mais importante: possuía uma maca disponível para a jovem Jabami. Ao centro, sentada em uma poltrona e lendo um livro de medicina, havia uma enfermeira jovem de pele pálida e madeixas amareladas como os primeiros raios de Sol da manhã. Ao ser abordada, imediatamente respondia. — Claro, deite ela aqui, por favor. — falou a mulher que trajava um jaleco branco, sem uma dobra sequer. — O que aconteceu com ela? Parece que foi atropelada por um rinoceronte. — ela ria, mas ficava séria logo em seguida. — Desculpe, tô há muito tempo sozinha. — pontuava claramente.

A mulher iniciou os cuidados, rasgando com uma tesoura as vestes de Jabami, deixando seu corpo completamente exposto. Hematomas, contusões, ossos fraturados e feridas expostas, um aglomerado do pior que uma luta podia proporcionar. A curandeira respirou fundo, limpando todo o corpo da mulher com soro fisiológico e um pequeno pano branco, que rapidamente ficou manchado pelo líquido rubro que escorria dos ferimentos da jovem Maka. Cortou, costurou e aplicou alguns medicamentos naturais, em sua maioria um produto pastoso e de cor esverdeada. Mas algo parecia incomodar, era como se aquilo tudo não fosse capaz de auxiliar na cura de Maka. — Segure ela. — disse o mais sério que podia. Com Arthur segurando, a mulher então puxaria de uma das gavetas na pequena cômoda ao lado da maca, uma agulha com cerca de quinze centímetros. Respirou fundo mais uma vez e enfiou de maneira rápida na direção de um dos pulmões da ruiva, aspirando um líquido amarelado.

Arthur via a respiração pesada de Maka retornando, era como se a obstrução estivesse indo embora. Mais alguns tratamentos foram realizados, algumas faixas e talas de gesso - misturada com algumas folhas amarelas, verdes e secas - foram colocadas nos membros e no torso da mulher. Após alguns minutos recobrou sua consciência, sendo recebida por um clarão luminoso em seus olhos, porém, antes mesmo que pudesse surgir a dúvida de onde estava em sua mente, ela viu Arthur ao seu lado, acompanhado de um John preocupado e despido. White se aproximou de Arthur, e, com uma voz trêmula, falou: — O Lee… o que faremos com ele? — indagou ao seu irmão mais velho. O corpo de Euntae ainda estava estirado no chão, sem vida, naquele fúnebre hotel destruído pelo combate que ele e sua irmã se envolveram. Maka se encontrava finalmente acordada, tentando recobrar seus sentidos e sentindo uma enorme dor de cabeça no local onde havia recebido o golpe.


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As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo
Conversa - Aprendizado - Caça
Naquela manhã fria como era de costume em Sirarossa, estava eu, quase que inconsciente, sendo carregada contra a minha vontade para o lugar que eu não desejava voltar. Minha consciência estava se esvaindo aos poucos, meus olhos mal paravam abertos, meu braço danificado pelo tiro de antes, começava a latejar me causando uma dor imensa à medida que meu sangue se esfriava, e a adrenalina ia embora.

Toda a fúria e ira que sentia antes, eram substituídas por cansaço, e ali eu já estava entregue a situação. Contudo, algo que na minha cabeça parecia como um sonho, ou uma miragem, dois de meus irmãos apareciam na cena. Por um momento eu não entendi o que de fato estava acontecendo, e em um piscar de olhos, me vi nos braços de Arthur, sendo colocada ao chão como se ele estivesse zelando por mim. “E-eu... morri?...” Aquelas coisas pareciam grandes alucinações para mim, o que me fez pensar que eram consequências dos danos da batalha de outrora... me perguntava até mesmo se tudo aquilo tinha realmente acontecido... e então, meus olhos se fecharam para a situação.

Mesmo que inconsciente, flashs daquela manhã passavam pela minha cabeça, mas não consegui distingui-los. Não tinha a certeza de que aquelas cenas eram reais. Sangue pintado nas paredes, esparramados pelo chão, e escorregando as escadas, corpos estirados por todo canto, e em alguns deles mal se podia ver os rostos, pois estavam dilacerados. E a cena mais perturbadora de todas... Lee estirado ao chão, sobre uma poça de sangue que parecia ser dele, com um pequeno buraco em sua cabeça provocado por um tiro de pistola e, bem na minha frente, a pessoa culpada por todas aquelas mortes... EU! De pé, rindo, enquanto segurava uma pistola na mão direita, que da ponta de seu cano, um pouco de fumaça se esvaia, e a tal arma estava justamente apontada para o meu irmão... “Não... NÃO!!! EU NÃO MATEI ELE!!!” A minha própria imagem mirava aquela arma em minha direção, e com um sorriso no rosto, disparava o final daquela cruel visão.

Meus olhos se abriam lentamente, com um clarão em minha frente que aos poucos traziam a real visão do local em que estava, e logo de início, a visão mais inesperada... Arthur e o "frutinha” juntos. - Arthur? O que aconteceu? Porque você está aqui do meu lado? - Percebi que estava deitada, e então tentei me levantar, porém de um forma um tanto quanto brusca, o que me fez sentir muita dor por várias partes do corpo, principalmente no braço esquerdo ao tentar apoiá-los. - Aaaaiiii!! - Notei então que estava cheia de curativos, e meu corpo estava totalmente dolorido, além da forte dor de cabeça. Voltei então a me deitar, para tentar aliviar a péssima sensação no corpo. - Aí minha cabeça... preciso beber. Ou será que isso é ressaca!? - Ainda estava perdida com a situação, pois algo não me deixava lembrar tudo que realmente tinha acontecido.  

Olhando melhor, vi os dois cochicharem algo, e o rosto assustado de John ao falar com o Arthur. - Porque o “frutinha” está aqui também? E... pelado? Tá querendo se mostrar? - Questionava o motivo de estar ali parado sem camisa.
   
     
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O imperador das sombras

Maka minha doce irmã agora parecia estável apesar de todos aqueles curativos que cobriam seu corpo, a adrenalina que outrora corria por minhas veias começava a se esgotar, mas John revelava outro assunto importante “Euntae”, estava ansioso para ir até a ferraria investigar e vingar os acontecimentos no orfanato, porém isso não era nem de longe tão importante como meu irmão Euntae.

Os sentimentos que sentia no momento eram intensamente agonizantes, a dor de perder meu irmão partia meu coração ao meio, eu tinha visto ele ontem e beberá um saquê com ele juntamente com meus outros irmãos, planejando um futuro com o mesmo, sem fazer ideia de que em poucas horas ele não estaria mais entre nós, e agora ele estava lá em um hotel meia boca com o corpo estirado ao chão, como um indigente qualquer e saber disso era mais agonizante ainda, cerrava os dentes fechando a mandíbula, poderia simplesmente me encostar na parede e chorar pela sua morte, mas isso infelizmente não o traria de volta, e por sorte tinha chegado tempo o suficiente para salvar Maka.

- Vamos fazer um sepultamento digno para nosso querido irmão. - A voz saia roca, meus olhos não tinham tanta vida, estava com dor e de luto. - Senhorita, poderia me dizer onde posso lavar meu rosto? Gostaria de não sair chamando atenção por causa de todo esse sangue.

Se ela me indicasse um lugar para tal, iria calmamente e quando levasse água ao meu rosto, deixaria rápidas lágrimas rolarem, apertava o peito e uma voz gritava em minha mente. “Por que não acordei mais cedo? Alguns minutos antes teria salvo meu irmão.” - Limpava com cuidado e limpava também se tivesse espirrado algo em minha roupa. “Porra Arthur porra! Euntae morreu, meu irmãozinho.” - Secava tanto meu rosto com alguma toalha isso é se tivesse alguma que pudesse, e então me recobraria. “Não posso sofrer por isso, preciso ser forte para os que estão aqui, e protegê-los a todo custo.”

- Maka você consegue levantar e caminhar um pouco? - Perguntaria gentilmente sendo atencioso com a situação que ela se encontrava, sei o quanto ela é forte mas a dor física e emocional era demais para qualquer um. - Se quiser posso te levar em minhas costas, mas não posso deixar Euntae naquele lugar.

Olharia para John, e se ele ainda estivesse despido tiraria minha camiseta e jogaria para ele. - Fica com ela, estou com calor. - Então pegaria Maka se necessário e sairia em direção ao hotel que saímos a pouco tempo atrás.

- Me desculpa por não ter chego antes. - Quebraria o silêncio enquanto caminhava. - Não pude proteger ele, mas não vou deixar mais ninguém lhe tocar. - Meus olhos permaneciam sem vida e meu sorriso que outrora emanava em meu rosto ficava tão distante.

Chegando lá, procuraria pelo corpo gélido de meu irmão, esperando que ninguém tivesse feito algo em relação a ele, tentaria manter a postura séria e quieta, o senso de ser forte para meus outros irmãos era claro para mim, não queria deixá-los ainda mais abalados com a situação, se Maka tivesse em cima de mim me viraria para ela e olharia com carinho em seus olhos. - Me desculpa mana, mas agora você vai ter que se apoiar no “frutinha”, vou carregar o corpo do Euntae até um lugar onde possamos fazer um sepultamento digno. - Susurraria a parte na qual chamava John de “frutinha”, para que só ela escutasse, torcendo para conseguir arrancar uma risada dela.

Então o pegaria em meus braços, olharia para um lugar alto longe da cidade quiçá com uma árvore em seu topo e sem falar muito apenas iria em direção, embora desejasse que ambos me seguissem para fazermos isso juntos uma cerimônia de despedida para a doce alma que nos fez sorrir diversas vezes em nossa infância.




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As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo - 17
07:42 / Sirarossa



Reunidos em uma circunstância não tão agradável, os irmãos tão unidos de outrora podiam apenas chorar pela morte de um de seus companheiros. Euntae, o mais divertido e alegre de todos, havia perecido pelas mãos de um inimigo em fuga. Maka, apesar de estar viva, era por apenas um fio. Até mesmo seus pulmões foram comprometidos pelas suas ações e golpes que havia tomado. Vendo isso, Arthur e John não pensavam duas vezes antes de leva-la para um hospital ou médico qualquer onde poderiam salvar a vida de pelos menos uma pessoa. O local onde chegavam não era o ideal, mas era com o que eles deveriam se contentar. Os vários procedimentos foram o suficiente para que Maka se estabilizasse, e voltasse a respirar normalmente de novo.

Agoniado naquela casa antiga que virara um hospital, Arthur segurava o choro para que não perdesse a postura. Sua mente ardia de ódio e tristeza, enquanto o luto corroía seu coração. A resposta imediata para isso era se culpar: e se tivesse acordado mais cedo? Mudaria alguma coisa? Ele salvaria os dois? A resposta nem ele, nem ninguém sabia. John, de maneira similar, sofria pela perde de alguém que significava muito para ele; a pessoa que o tirara daquele buraco onde estava nos seus anos mais novos e que cuidara dele, mesmo sendo mais novo. O peso da culpa caía sobre seus ombros de maneira similar ao seu irmão meio-gigante, derrubando lágrimas ali mesmo, de maneira discreta.

Não aguentando mais estar naquele estado, Arthur pedia para ir ao banheiro para que lavasse seu rosto. Indicando suas vontades de um sepultamento digno, John olhava para ele com os olhos inchados e vermelhos, assentindo com a cabeça. A médica, também no recinto e lidando bem com aquele clima pesado, apenas indicava com a cabeça onde ficava tal cômodo, voltando não muito depois ao seu livro acadêmico. A sala, um tanto quieta, era animada apenas pelo som das chamas crepitando, que também iluminava o ambiente totalmente fechado por cortinas espessas.

Durante esse tempo de ausência de Arthur, Maka lidava com seus sentimentos de maneira diferente. A culpa que ela carregava era maior que a de todos ali, não podendo se conter na hora de chamar a si mesma de monstro; a culpada de tudo e a inconsequente. De súbito, as palavras daquele chefe entravam sem sua cabeça e pareciam fazer sentido, afinal, não fora ela a culpada desse transtorno todo? A sua mente conturbada retratava isso através de um sonho, melhor chamado de pesadelo pela leoa, que respirava cada vez mais ofegante conforme a imagem em sua cabeça se formava

Ela mesma. Sua própria aparência, rindo sadicamente e apontando a arma que matara seu irmão para o mesmo. Do cano, fumaça subia lentamente e se desvanecia pela atmosfera, enchendo o recinto com um cheiro característico de pólvora. Ela nada podia fazer se não gritar a sua inocência, porém, não era ouvida, nem por si mesma. Finalmente, chegava sua vez de morrer. Com a sua versão sombria dos sonhos atirando na cabeça de Jabami, ela acordava daquela maldição, apenas para ser posta em uma realidade mais conturbada ainda.

Arthur que acabara de voltar do banheiro com o rosto lavado, vinha ao encontro de sua irmã, enquanto a mesma indagava a presença dos dois ali, não se lembrando de muito o que ocorrera até então. John, ao ver o acordar de sua irmã, apenas liberava um sorriso de alívio; pelo menos não deixaria de ter mais alguém importante para ele no mesmo dia. Da sua boca, algumas palavras saíam de maneira rouca e fraca; quase esforçada. — Eu tirei a camisa para estancar seu sangramento. — olhava simpaticamente para ela, disfarçando o olhar para os lados quando corava um pouco.

Nesse momento, o meio gigante assumia a voz. Perguntando se Maka conseguia sair do lugar, esperava por uma resposta, lançando outra sugestão logo em seguida. Se Jabami aceitasse ir até Euntae em suas costas, assim seria feito. Lancaster então jogaria a sua camiseta para John, que a vestiria, ficando com uma aparência no mínimo cômica pela diferença entre tamanhos. Apesar do desconforto, ele não reclamaria; não era hora de reclamar quando todos ali estavam sofrendo com seus problemas devido à morte de Lee. Assim, ninguém media esforços para ir busca-lo.

A caminhada até a espelunca chamada Gran Giorno não era demorada, mas parecia uma eternidade na mente daquele trio. As ruas começavam a ficar lentamente povoadas, e cada indivíduo que passava por ali olhava estranho para os irmãos que transitavam; não à toa. A cena do assassinato era a mais aglomerada: indivíduos olhavam para o local enquanto passavam para seguir suas vidas, como se isso fosse apenas o normal por ali. Outros mais curiosos paravam e analisavam os corpos e as trilhas de sangue, imaginando quem poderia ter cometido tal atrocidade.

Arthur, mesmo no meio de mais pessoas, não hesitava em entrar no hotel e subir as escadas para chegar o local de seu irmão. Naquele ponto, ambos os irmãos já não se importavam com mais nada, nem com a cena caótica que se desdobrava na frente deles mesmos. Corpos sem vida estirados ao chão, sangue por todo o lado e pedaços de corpos grudados nas paredes, igualmente ensanguentadas. O hotel todo apresentava essa mesma imagem, acompanhado de um cheiro pútrido e de morte que impregnava todos os sentidos dos irmãos.

Passando Maka para as mãos de John, que a pegaria relutantemente, Arthur então colocava no colo o corpo do falecido Euntae. Seus olhos ainda abertos adicionava mais luto para a situação toda, enquanto seus lábios ainda se mantinham na posição que fizera antes de morrer: um mix de felicidade e tristeza, medo e bravura, ansiedade e calma. Para um homem simples, todas as emoções conflitantes vinham no momento de sua morte, ao olhar nos olhos de sua amada, e nos olhos de sua irmã. Aquilo mostrava uma coisa: onde quer que ele estivesse, estava satisfeito. Com seu corpo em mãos, o trio saía para procurar um local onde pudessem sepultar seu querido consanguíneo. Ao fundo daquela paisagem caótica, um monte inexplorado pela civilização, e uma árvore centenária no topo para completar a visão. Era ali que seria feito, e disso Arthur não possuía dúvidas.




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”Sangramento?...” A ficha finalmente caía ao ouvir aquelas palavras de John e olhar mais atentamente aos curativos em meu corpo, me fazendo lembrar de cada ferimento, principalmente a bala transpassada pelo meu antebraço esquerdo, e apesar da pancada de antes me fazer ficar confusa com meus pensamentos, aquilo que eu achava ser apenas um pesadelo... era real. Meu irmão estava morto, e era difícil encarar Arthur e John por ter deixado isso acontecer... Coloquei a mão no rosto envergonhada, tentando esconder as lágrimas e o soluçar do meu choro. - Me.. Perdoem... -  

Ainda com dificuldades de controlar meus sentimentos, me esforcei um pouco para levantar da cama, mas as dores dificultavam meus movimentos, me fazendo quase cair ao colocar meus pés no chão, mas por sorte consegui me escorar na cama, aceitando enfim a ajuda de Arthur e subindo em suas costas. Abracei o com força tentando me aconchegar ao passar os braços em volta de seu pescoço, e apoiando minha cabeça sobre seus ombros, como quem quisesse descansar.  

Ver John com a enorme camisa do Arthur era no mínimo cômico, e eu provavelmente brincaria com a situação, mas estava cansada e abalada demais para qualquer coisa que envolvesse minhas rotineiras provocações a ele. Apesar de Arthur ser enorme, aquela caminhada parecia ser eterna, trazendo ainda mais lembranças que eu não queria ter daquela manhã, a imagem de Euntae era a mais perturbadora, me fazendo pensar que em instantes o veria novamente, mas sem vida alguma, o que me fazia ignorar totalmente quem estivesse pelo caminho até aquele maldito hotel, do qual eu não deveria ter sugerido... “Sim, eu sou a culpada... Se não tivesse trago eles aqui, Lee ainda estaria vivo...” Isso me fazia lembrar do estranho amigo do Arthur que nos acompanhava e de certa forma havia sumido, ou talvez até estaria morto também. “Eu sou inútil...” Não consegui cumprir com minha promessa... estava envergonhada para encarar o Arthur, e isso fazia com que seus ombros molhassem com meu choro.

A visão ao chegarmos no hotel se tornava ainda mais dramática pra mim, ao ver tudo que havia feito. “Por que eu coloquei meu irmão no meio disso tudo? Olha o que eu fiz!...” Toda a carnificina era culpa minha, e isso era resultado de todos aqueles anos com Yoshindo. “Ada... Klein... Se estivessem aqui, vocês teriam me controlado... Por que eu saí do orfanato!?...” Me entristecia ainda mais ao lembrar da possível morte dos dois.

Desci das costas de Arthur para me apoiar em John, passando meu braço esquerdo por trás de sua cabeça, jogando um pouco de peso em seu corpo para que não caísse. E antes mesmo que Arthur pudesse pegar Euntae do chão, ver meu irmão me fez virar a cabeça para não o encarar, colocando a no rosto de John. Queria esconder minhas lágrimas, minha vergonha e minha culpa pela morte de Euntae. Esperei Arthur passar por nós dois para me recompor ao menos um pouco, e então olhei ao redor procurando uma garrafa de whisky que ainda estivesse cheia no meio de toda aquela podridão de corpos. - Com licença, John... - Me soltaria dele caso visse uma, e caminharia até ela me apoiando em tudo que estivesse perto para não cair, pois ainda tinha certa dificuldade em andar com todo o cansaço e dores pelo corpo. Pegaria a garrafa, e a levaria comigo, voltando a me apoiar no John para seguirmos rumo ao melhor local para o sepultamento.

Fora do hotel, caminharia junto de John para onde Arthur fosse, e ele parecia saber qual o melhor lugar para o sepultamento de Euntae, e por isso, o seguiríamos sem questionar até o local escolhido. Chegando lá, deixaria que Arthur e John preparassem a situação, pois já não tinha forças ou determinação para ajudá-los com aquilo, queria apenas passar os últimos instantes com meu irmão. Ele provavelmente estaria deitado ao chão daquele lugar enquanto Arthur e John trabalhavam, então, me ajoelharia ao lado dele, colocaria a garrafa de whisky ao lado, e acariciaria seu rosto, passando meus dedos por seu liso e sedoso cabelo negro, olhando em seus olhos, admirando o quão incrível ele havia sido pra mim.

Fecharia seus olhos, beijaria sua testa e, não conseguindo segurar as lágrimas, passaria meu braço esquerdo por baixo de sua nuca para levantar seu tronco, e lhe daria o nosso último abraço...
     
       
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