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Relembrando a primeira mensagem :

As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo

Aqui ocorrerá a aventura do(a) Civil Maka Jabami e Draken Nostrade. A qual não possui narrador definido.

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As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo - Página 2 J09J2lK

"Ah, mas eu não quero ter dois caminhos ou ah, mas eu não quero ter caminho nenhum. Ué, você já pode porra, a única coisa que te impede de fazer isso é ser zé metinha e querer ficar comparando o tamanho do pau com o coleguinha pra compensar o ego frustrado." - Luquinhas, 2022

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As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo - 06
05:33 / Sirarossa



Maka, após a conversa com seu irmão que abrira seus olhos em alguns aspectos, subia para o seu quarto para um merecido descanso. Ela se sentia culpada pela maneira como tratara seu próprio sangue, logo, após uma noite de sono agitada e com pesadelos, a mulher se levantava para mais um dia como qualquer outro e se despedia carinhosamente de Euntae. O rapaz, em um ímpeto de proteção, a segurava e alertava Maka sobre os perigos que rondavam o hotel apenas com alguns gestos. Daquele ponto em diante, ela sabia o que estava acontecendo, e não media esforços para tentar proteger sua família e colega.

Nervosa com a situação, a leoa estava preparada para acabar com tudo aquilo usando sua própria força. Ela queria proteger seu irmão, e estava pronta para isso, desfazendo a algazarra criada no hotel. Antes que pudesse sair pela porta, porém, ela parava e analisava toda a situação. Isso seria arriscado, não só para ela mas também para seus companheiros. Esse não era um risco que ela poderia tomar, portanto, passava a coletar algumas informações, descobrindo serem diversas pessoas no hotel.

Não satisfeita apenas com essa informação, pedia para que seu irmão arrumasse suas coisas para saírem. Imediatamente ele se levantava da cama e abria o criado mudo, enquanto Maka saía pela porta para investigar todo o ocorrido. Ela ia até a escada e tentava enxergar o andar de baixo do local, focando também seus ouvidos para captar o que precisava. De relance, conseguia ver três cabeças passando pelo térreo, todos bem vestidos e utilizando um cabelo ralo. Seus corpos pareciam atléticos e treinados, marcando a roupa com os músculos tonificados. Mais ao fundo do corredor do andar de baixo, ouvia passos e a mesma voz de anteriormente, indicando quatro pessoas na totalidade. A pessoa, que parecia ser o líder, exclamava algo.

— Procurem pelo andar de cima! — ele falava e era obedecido quase imediatamente. Nesse momento, Maka voltava para o quarto e sinalizava para seu irmão, que estava pronto para fugir, a quantidade de pessoas no local. Ela se dirigia imediatamente para a sacada, onde procurava saber mais da estrutura daquele lugar. Ela via, ao lado da sacada do vizinho que estava a uns dois metros de distância de sua própria, um cano que descia da calha até o chão sujo de um terreno baldio. Esse condutor de água estava grudado à parede com alguns ferrolhos que poderiam ser usados de escada se pisados corretamente.

Com a rota de fuga traçada, e Euntae ao seu lado vendo a mesma possibilidade, ela perguntava para ele se havia uma resposta melhor para aquela situação. Seu rosto se movimentava configurando uma resposta negativa, logo abrindo sua boca em um sussurro. — Vamos por ali mesmo. — ele dizia, confiante de suas habilidades. Maka não podia se negar a questionar as habilidades do irmão, afinal, estavam separados há um tempo. Fazendo essa indagação para ele, era prontamente respondida. — Maka, não se preocupe comigo. — falava calmamente, estampando um breve sorriso em seu rosto. — Se precisar, eu te ajudo a salvar o mudo, mas não coloque suas preocupações em mim. — assegurava, mais uma vez, suas habilidades. Nesse momento, ela estaria pronta para a fuga, determinada a escapar daquele lugar com seu grupo.


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As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo
Conversa - Aprendizado - Caça
Esse era um momento que me deixava cheia de tensão, pois meu sentimento de ódio me consumia com uma vontade feroz de descer aqueles escadas e matar um por um com minhas próprias mãos, contudo, minha consciência me impedia de seguir com esses atos, principalmente pelo meu irmão estar comigo, e  a ultima coisa que queria era colocar a vida dele em risco por conta de minhas ações, por isso, se fosse para mata-los, que eu fizesse então da melhor maneira, com o menor tipo de risco possível.

Euntae atendia meu pedido e se arrumava sem perder tempo, enquanto eu mesma tratava de conseguir o máximo de informações do lado de fora do quarto. Já a beira das escadas, pude perceber que no térreo do hotel havia três pessoas, que estavam bem-vestidas, de cabelo raso, e em suas roupas era possível ver a força que provavelmente teriam devido aos seus físicos. No andar abaixo de mim, uma voz que sempre exclamava ao invadir os quartos, indicava que além dele, haveria outros três com ele, totalizando sete inimigos a nossa procura... ou melhor, a minha procura.

Sem demorar para voltar ao quarto por conta da ordem do aparente líder do grupo, segui para a sacada, buscando uma rota de fuga, e ao ver o cano de água preso a parede por ferrolhos que serviriam de escada, sugeri para Euntae que aquela poderia ser a nossa melhor chance, a menos que ele tivesse uma ideia melhor. – Se você diz isso, então eu acredito em você, Lee. – Sorria para ele. – Precisamos atrasá-los antes de descermos. – Me viraria para o quarto olhando para alguns móveis. – Irei trancar a porta do quarto, e colocar alguns móveis na frente da porta... – Olhava para Euntae novamente. - ...enquanto você desce, e eu irei logo atrás de você. – Acenaria positivamente buscando passar confiança para Euntae de que daria certo. – Quero apenas te dizer que eu não posso fugir deles... – Me dirigiria até a porta para trancá-la. – Terei que pegá-los aqui... e agora! – Pegaria a chave para então trancar o quarto, e em seguida olharia para o Euntae. – Vá de uma vez! –

De forma rápida, mas com cuidado tentando não chamar a atenção, pegaria alguns móveis que parecessem úteis e os colocaria de frente com a porta a fim de atrapalhar a investida deles. Assim que colocasse alguns móveis, empurraria as duas camas para que reforçasse essa simples barreira, mas eficiente – mesmo que por alguns minutos. Sabendo que ao arrastar as camas estaria chamando a atenção dos homens, seguiria para a sacada com a convicção de que Euntae conseguira descer, tomaria agora o mesmo caminho, segurando o encanamento com firmeza, e pisando nos ferrolhos com cuidado, um por um, sempre analisando as condições de cada ferrolho com o tato dos pés a fim de encontrar a sua região mais firme e consistente para então pisar e seguir para o próximo até chegar ao chão.

Aquela rota levava até um terreno baldio que seria um bom momento para fugir e deixar tudo para trás, mas ainda havia o esquisitão que tinha ficado para trás, e tinha ciência também de que eles continuariam atrás de mim, e Euntae estava comigo. “Preciso dar um fim neles aqui!” Não queria um comboio no meu cangote estando meu irmão ao meu lado. “Sete! Estando três deles no térreo, e quatro no segundo andar a essa hora...”  Pensava tentando encontrar uma maneira de superar essa desvantagem numérica, já que não conhecia a real força deles.

Chegando ao terreno baldio, olharia em volta procurando fazer um reconhecimento no local para ter a certeza de onde eu estava, buscando qualquer espaço que fosse útil para me esconder e observar o que estaria acontecendo no hotel, pois isso me ajudaria a pensar na melhor solução para lidar com todos eles sem que meu irmão corra riscos. Assim que encontrasse um local favorável para nós dois, seguiria até lá chamando Euntae para que me seguisse. – Lee! – Talvez não fosse o melhor momento para desabafar, mas precisava deixá-lo ciente de algo. – Você me contou um pouco sobre esse tempo longe, e eu preciso te contar uma coisa... – Manteria um breve silencio enquanto observaria o hotel de onde estávamos escondidos. – Eu passei esses anos todos presa em uma organização do submundo... Mas eu fugi, e agora... eles estão atrás de mim... – Engoliria em seco aquelas palavras. – Me perdoe por te dizer isso justo agora, e nessa situação... -  



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As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo - 07
05:41 / Sirarossa



Maka, naquela situação complicada, não podia deixar de sentir ódio da organização maldita que a seguia sem parar. Ela temia, acima de tudo, o perigo que seu irmão, Euntae, poderia passar por causa de sua inconsequência e atos impensados. Ela estava determinada a dar um basta nisso, mas aquela não parecia ser a hora. Investigando os homens que invadiram o hotel, ela contava 7 pessoas naquele lugar. A diferença de números era muito maior do que ela podia lidar no momento, portanto, decidia "fugir" pelo local que vira anteriormente.

Determinada a seguir esse rumo de ações, ela voltava para o quarto onde começava seu plano, falando com Euntae antes de tudo. Através de suas palavras, tentava assegurar a segurança e objetivo que queimava em seu coração. Ela mais do que desejava, necessitava acabar com aquilo tudo. Lee passava um tempo pensando, mastigando aquela ideia enquanto Maka pegava a chave do quarto e o trancava. Assim que finalmente terminava de matutar as possibilidades e eventos, respondia.

Sigh... — suspirava, abaixando sua cabeça em derrota. — Maka, fique segura. Eu acabei de te encontrar e não suportaria te perder novamente. — dizia expondo seus sentimentos mais íntimos. Ele então dava um sorriso meigo e partia para a sacada, pulando para a do quarto vizinho e descendo pelo cano até o terreno baldio. A mulher, sem perder tempo algum, pegava alguns móveis e os colocavam na frente da porta. Primeiro o criado-mudo, depois a mesa e por fim ambas as camas. O barulho do movimento dos móveis, como Maka antecipava, alertava os perseguidores, que em um ímpeto, subiam as escadas. Os barulhos de seus pesados sapatos batendo contra a madeira velha do chão e dos degraus formava um uníssono quase harmônico, antes de começarem a forçar a fechadura do quarto.

Sem demorar sequer um segundo, em grande urgência, ela ia até sacada e repetia os movimentos de seu irmão, descendo aquele cano de maneira apressada, mas, ao mesmo tempo, cuidadosa. Seus pés eram delicados enquanto pisava naqueles ferrolhos enferrujados. Ela tateava com a sola de seu membro antes de depositar seu peso naquela "escada" improvisada, repetindo o processo antes de chegar ao chão do terreno baldio. Quase imediatamente, os sons dos perseguidores eram ouvidos no que antes fora seu quarto. Ela sabia que ainda deveria salvar o mudo e não gostaria de um exército atrás dela e de seu irmão mais para frente da jornada, portanto, usaria o tempo extra para bolar algo e acabar com todos naquele lugar.

Antes de mais nada, dava uma bela olhada no terreno onde pousara. A grama e mato molhados predominava no local que estava mal-cuidado, e no centro, uma pequena casa de concreto encardido se via abandonada. Suas portas e janelas de madeira estavam corroídas e os parafusos soltos, deixando tudo instável. O espaço na totalidade possuía em torno de dez metros de largura por dez de comprimento, fazendo divisa com o hotel usando um muro igualmente acabado, colado com a parede do Gran Giorno. O céu, naquele ponto, começava a se iluminar mais mostrando o alvorecer do dia.

Partindo então para aquela casa, ela era acompanhada por Lee que ia atrás dela após perceber a movimentação da irmã. O interior da casa era tão apodrecido quanto o exterior. Possuía cheiro de mofo e goteiras por todo o local, formando poças recorrentes de água, que mostravam o tempo passado quando se via pequenas formações de musgo nessas formações aquáticas. O chão era de concreto, igualmente encardido, e parecia estar totalmente não mobiliada. Teias de aranha inundavam o local, e a escuridão predominava naquela manhã que ainda não recebera o toque do Sol.

Naquele lugar e situação, antes que Lee abrisse a boca para planejar com sua irmã, ela falava sobre seu passado que levara até essa situação desvantajosa. No momento em que ela falava, Euntae levantava suas sobrancelhas em surpresa, com sua imaginação correndo a mil antes de se recompor e responder à Maka. — Isso não importa agora. — falava realmente não se importando com isso. — O seu passado pertence somente a você, mas as consequências dele... — antes de terminar aquela frase, olhava para sua irmã com um pequeno sorriso se formando. — Eu vou te ajudar a consertar tudo isso. — assegurava ela com suas palavras, antes de retornar seus olhos para sacada do quarto do hotel infestada com alguns homens de terno. — Eu não acho que consigamos lutar agora. São sete deles e estamos em dois. — alertava, dizendo o óbvio. — Eu acho que devemos fugir por agora. Mesmo que nós fazemos eles se separarem, o hotel é pequeno e levará segundos para estarem todos juntos novamente. — pontuava, esperando por uma resposta da sua irmã, deixando a responsabilidade totalmente em suas mãos. — O que pretende fazer, Maka? — indagava, enfim, a pergunta que não queria calar.


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As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo
Conversa - Aprendizado - Caça
Confiante ao fitar Euntae, apenas relaxá-lo-ia com a situação. – Não se preocupe irmãozinho, estarei lá embaixo antes que você perceba. – Ao encerrar minhas palavras, piscava para Euntae de forma despreocupada, para que tranquilizasse ele da situação, mesmo com os riscos.

Sem demora, preparei todo o espaço para atrasar os homens que logo chegariam ao andar que estávamos. E como esperado da minha parte, ao empurrar as camas até os móveis que estavam na porta, notei que os homens se aceleravam em suas pisadas ao ouvirem o ranger da cama ao ser arrastada. Eles agora estavam ali, do outro lado da porta, forçando a fechadura tentando a entrada no quarto, e sem pestanejar, segui para a sacada com o intuito de seguir a rota que havíamos traçado antes. Sem dificuldades, caminhei pelo encanamento com todo o cuidado possível, mas de forma que o tempo me fosse útil, e conseguisse então chegar ao terreno baldio que tinha ao lado do hotel.

Toda a vegetação do local era má cuidada e molhada, e ao centro daquele terreno, uma casa velha e abandonada em condições ainda mais precárias que o próprio hotel que hospedávamos. Ao adentrarmos a casa, percebíamos o quanto interiormente ela era ainda mais decaída, passando a sensação de que tudo desmoronaria a qualquer momento, se mostrando totalmente inóspita. – Que escuro! – Tentava me acostumar com a escuridão daquela casa, mesmo que o dia estivesse por se amanhecer. – E que lugar fedido! Aaarrgh. – Tampava minhas narinas afastando um pouco do mau cheiro daquele lugar.

“acomodados” no local, pus-me a contar o motivo de toda aquela perseguição, mas sem entrar em detalhes maiores. Vendo a expressão de Euntae ao contar aquelas coisas, já compreendia o que ele queria dizer. – Eu sei, eu sei. Talvez eu tenha exagerado dessa vez só um... pouquinho!? – Ria de forma leve por dentro, mesmo que aquilo fosse sério, pois essa expressão de Euntae me fazia lembrar dos tempos de orfanato, o que me trazia algumas belas memórias de infância, quando minhas confusões não causavam um grau de risco tão grande assim.

- Obrigado, Lee! – Estava mais aliviada por ver que meu irmão não se importava com o perigo daquela situação. – Eu entendo que estamos em desvantagem..., mas de qualquer forma, precisamos buscar o mudo. – Cruzava os braços de forma pensativa, observando que alguns homens estavam pela sacada do quarto que a poucos minutos era nosso. – Eles já estão separados, estando quatro no segundo andar, justamente no quarto em que estávamos... – Colocaria a mão direita no queixo ainda pensando sobre o assunto. - ...e três no térreo do hotel. – Finalizava a informação mais clara para Euntae. – Estamos em desvantagem numérica, mas temos o elemento surpresa. – Olharia para o meu irmão.

- Conhecendo eles, não são tão inteligentes. Apenas pura força bruta. – Olharia nos olhos de Euntae a fim de passar confiança para ele. – Podemos utilizar algo que seja útil para matar, e buscarmos fraquezas com o intuito de sermos extremamente efetivos nessa investida. – Continuaria a dizer. – Nesses anos eu adquiri conhecimento sobre a anatomia humana. Posso indicar os melhores pontos pra que peguemos os três homens que estão no térreo. – Ficaria ainda mais séria. – Mas precisamos ser efetivos! Um golpe certeiro no local que eu indicar e estaremos um passo a frente deles. – Olharia para a sacada do hotel. – Acha que consegue? – Aguardaria uma resposta de Euntae, esperando que fosse positiva.

Olharia ao redor da casa ou até mesmo do terreno procurando coisas que pudessem ser úteis ao nível de uma arma simples, ou que ao menos tenha a capacidade suficiente para danificar com brutalidade um corpo humano. Se encontrasse, pegara-o para carregar comigo, depois olharia do lado de fora da casa procurando um caminho que fosse o menos perigoso possível para me aproximar de uma janela ou porta que me facilitasse a vista para o lado de dentro do hotel, especificamente no térreo. Tomaria cuidado com os homens que estivessem no segundo andar, para que não me vissem durante a rota.

Chegando no local de meu objetivo, analisaria silenciosamente e cuidadosamente cada espaço de dentro do hotel, observando onde exatamente cada um dos três homens estariam pelo local. Veria se haveria outras pessoas ali além deles, tentando identificar quem seriam e se estavam do lado deles, se eram reféns, ou apenas neutros ao ocorrido. Observaria se os homens estavam armados e qual tipo de arma eles carregavam, assim saberia como lidar com eles. Investigaria também todo os seus corpos, procurando o melhor ponto de fraqueza deles que pudesse levá-los a uma morte rápida, pois tinha ciência do alarde que aquilo seria para os outros quatro que estavam a alguns andares acima de nós. Tentaria tomar nota de algum caminho para entrar no hotel sem chamar a atenção, e uma rota ali dentro que nos levasse a pegá-los de surpresa.

Por mais que aquela ideia fosse arriscada e perigosa, Euntae me conhecia e tinha total noção de que eu não deixaria aquilo passar impune. Talvez ele até estaria surpreso de ver que até agora ainda não perdera o meu controle, e que antigamente a essa hora, já estaria no pescoço de um desses desgraçados arrancando um pedaço deles com a minha própria boca.



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As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo - 08
06:01 / Sirarossa



Maka e Euntae conseguiam sair daquele hotel que estava prestes a virar um lugar hostil. A saída fora tranquila para o irmão, mas para ela havia sido tensa. Antes mesmo que pudesse descer pelo cano indicado por ela mesma, os brutamontes já estavam forçando a porta de seus aposentos, na esperança de encontrar a fugitiva. Apesar disso, a velocidade dos valentões não era o suficiente para capturar a Leoa, que se escondia em uma casa abandonada ao lado do Gran Giorno. O cheiro lá dentro era desprezível, como esperado de sua aparência, mas isso não era empecilho para o planejamento dos dois, que conversavam um pouco sobre a situação e o causador dela, tal como possíveis planos para recuperar o mudo e acabar com os sete de uma vez por todas.

Enquanto Maka pensava e observava a sacada do hotel e os caçadores, falava em voz alta as informações que ia adquirindo para seu irmão. No fim, falava sobre um possível elemento surpresa, que ao rapidamente entender a situação, Euntae se atordoava, recuperando-se não muito depois, determinado a seguir sua irmã na empreitada. O plano dela era sólido, porém, se apoiava na falta de inteligência e preparo de sete indivíduos, dificultando ainda mais a situação deles na missão de resgate. De qualquer forma, o homem respondia, vazio de hesitação e cheio de coragem.

— Certo, vamos! — ele falava, concordando com a cabeça enquanto sua irmã se colocava a observar a sacada que lentamente ia se esvaziando conforme a missão dos homens de preto progredia em fracasso. — Eu vou acertar na cabeça com toda força, é onde eu sei que funciona. — acrescentava, não sabendo se era uma pitada de humor ou uma frase para mascarar uma possível insegurança quanto a isso tudo. O número sete aparecia constantemente em sua cabeça, o provocando a nem ao menos tentar realizar aquele plano.

Satisfeita com a resposta positiva do consanguíneo, Maka se punha a procurar por objetos que podiam ser utilizados como arma, especialmente aquelas que pudessem danificar brutalmente o corpo daqueles montes de músculo. Seus olhos varriam o interior escuro, até encontrar uma espécie de caixa de eletricidade no canto da sala, atrás de onde deveria ser uma porta. Saindo dessa caixa de metal, haviam canos robustos e vazios, onde outrora passaram fios. Retirava, então, esse objeto em decadência da parede; Euntae fazia o mesmo com a outra extremidade da caixa, logo, a dupla ficava armada e pronta para a invasão.

Sem perder tempo e planejando minuciosamente o que fariam, Maka olhava pela janela para o lado de fora da casa, procurando por uma rota que a levasse para uma posição onde poderia analisar com exatidão o que ocorria no térreo daquele lugar. A saída da casa ficava de frente para a sacada, portanto, usava uma porta aos fundos para se retirar do lugar sem chamar atenção. Daquele lugar, nada faria diferença por ser totalmente aberto, portanto, a dupla seguia para o muro grudado no Gran Giorno, fazendo o mínimo de barulho possível naquela terra fofa. Grudavam seus corpos na parede para impedir a visão da sacada, enquanto Maka analisava por um pedaço caído de concreto o que ocorria no andar.

Seus olhos então começavam a captar cada centímetro quadrado daquele recinto familiar. Podia observar a vista lateral da recepção e do pequeno bar do local, possuindo como ponto cego o lado direito da escada que dava acesso ao segundo andar. Ainda dentro daquela cozinha improvisada, estava o senhor que os atenderam de noite, sentado em uma cadeira de madeira com suas duas mãos atrás da cabeça. Seu corpo estava tenso e suando como um porco, não podendo esconder, inclusive, a tremedeira que o atacava.

Na porta da frente, estava parado um dos homens. Seus olhos por trás de um óculos escuro ficavam fixos na entrada do local, confiando totalmente em seus dois outros colegas. Um deles rondava pelas inúmeras mesas, enquanto o outro não se podia ver, ou estava atrás do ponto cego. O trio poderia ser facilmente abatido por trás, já que confiavam suas retaguardas ao outro, porém, poucos eram os espaços de tempo disponíveis para uma ação rápida e precisa. Seus corpos musculosos e tonificados eram bem semelhantes estruturalmente, mas Maka podia observar que seus uniformes deixavam o pescoço extremamente exposto, sendo possivelmente um de seus alvos para acabar com a desvantagem numérica.

O lugar inteiro estava fechado, principalmente a porta dianteira que era guardada. Os acessos eram limitados às janelas que iluminavam as mesas do local, que de tempos em tempos ficavam disponíveis para serem arrombadas devido ao movimento do guarda, que assim como seus colegas, usava apenas as próprias mãos para combater um inimigo. De dentro do seu bolso interno, quando o casaco balançava, podia-se ver uma soqueira dourada, possivelmente usada nos combates.

— E aí, qual o próximo passo? — falava Euntae com certo nervosismo, enquanto colava seu corpo na parede para não ser percebido. Suas mãos no bastão eram firmes e prontas para agir, apesar da situação que sua mente passava.


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A sacada lentamente ia se esvaziando, um sinal de que provavelmente não nos perceberam vindo até essa casa abandonada, ou pelo menos, não desconfiavam de que essa fora nossa fuga. Euntae parecia determinado em seguir com meu plano e todos os detalhes que havia proposto, tentando passar certa confiança, coisa que nunca tinha visto nele antigamente. Não que ele fosse um “bundão”, mas pelo menos, nunca o vi nessa pré-disposição para fazer algo desse tipo.

- Lee, aqui! - Apontava para o local onde encontrava o que parecia ser uma velha caixa de eletricidade, onde canos saiam por ele, e que em seu formato e material, pareciam suficientes para causar um belo estrago, desde que fosse usado corretamente. – Isso vai servir por hora. – Dizia enquanto retirava um deles. Procurando um caminho que pudéssemos seguir sem sermos percebidos pelos homens que restavam na sacada, chegava à conclusão de que o melhor caminho seria tomar rumo pela porta dos fundos, onde a vista não daria para a sacada.

Com passos leves e calmos, seguíamos colados a parede do terreno que se conectava ao hotel, e avistando um pedaço de concreto caído, caminhava até lá evitando não ser vista pelos homens da sacada, procurando encontrar uma vista para o térreo do Gran Giorgio. Aos poucos me recobrava da noite anterior, onde havíamos ficado naquele mesmo espaço de hotel e, analisava então cada canto e coisa que fosse útil, a fim de encontrar meios de entrar ali e pegar cada um deles. Contudo, tinha um ponto cego em minha visão que atrapalhava de ver o terceiro homem que eu sabia que estava ali, mas não tinha informação do seu posicionamento pela falta de visibilidade.

Além dele, ainda tinha o dono do hotel que parecia estar com medo devido a toda aquela situação, estando em uma cadeira com as mãos apoiada em sua cabeça e suando frio. “Tsc... como esperado, eles estão guardando a saída! Puffhaha” A ansiedade em pensar como prosseguiria me deixava um pouco empolgada, pois era algo que mexia com meus nervos, e se tinha uma coisa que eu nunca abri mão em tantos anos era de uma boa briga, mas mais do que isso, eu odiava perder, então não podia deixar uma falha se quer passar ali. – Um deles está guardando a porta de entrada pro hotel, e o outro está rondando as mesas... – Pausava por um momento. – Mas o terceiro eu não consigo ver! – Isso me frustrava um pouco, pois criava muitas chances de furo no meu plano, e o risco seria um perigo. – Vamos ter que improvisar. – Notava que apesar da aparente confiança de Euntae, um certo medo de prosseguir talvez rondasse em sua cabeça. – Lee! – Colocaria minha mão esquerda em seu ombro. – Não se preocupe, porque a partir de agora as coisas ficarão bem interessantes! – Era possível ver a anomalia de meus caninos brotarem do meu sorriso com toda a adrenalina que sentia com o fato da ação estar prestes a começar.

- Irei te pedir algo que preciso que você confie em mim. – Respondia sua pergunta enquanto voltava a olhar dentro do hotel. – Preciso que você chame a atenção do cara que está na porta... – Era um pedido arriscado, mas talvez funcionasse pelo fato de não o conhecerem, além do alvo ser eu, o que não traria tanto perigo para Euntae. – A única chance de eu entrar ali é pela janela, mas o espaço de tempo é muito curto pra que não me vejam, então preciso dessa distração. – Eles pareciam confiar em suas retaguardas, então tinha que aproveitar esse espaço em que os dois estejam de costas um pro outro, e me manter entre eles. “Mas e quanto ao terceiro?” – Talvez da janela eu consiga ver onde exatamente esteja o terceiro engravatado. – Não tinha como esperar por mais tempo, porque logo haveria gente nas ruas, e chamar a atenção de alheios talvez seria um problema.

- Façamos assim! – Prosseguia com as palavras. – Nós entramos pela janela no exato momento em que tivermos a liberdade de não ser pegos, e então, eu pego aquele que estiver rondando as mesas, você acaba com o que estiver na porta, então não se preocupe. – Piscava para Euntae e começaria a caminhar com cuidado até a janela que me desse a chance de entrar, mas procurando não ser vista por quem ainda estivesse na sacada.

Assim que chegasse lá, tentaria observar ainda pela janela se conseguisse ver onde o terceiro homem estaria. Pensando na possibilidade de ele estar a frente da escada provavelmente guardando quem quer que descesse de lá, analisaria se ele se manteria fixo no local ou andaria por ali, tomando cuidado sempre com a ronda do segundo que andava pelas mesas para que não nos avistasse pela janela. Guardado todos os momentos que se mostravam livres para entrar, escolheria em minha cabeça aquele que nos daria mais tempo e, antes que começasse o plano de uma vez, faria um comentário importante para o Euntae. – Antes que eu me esqueça Lee, acerte o gogó dele com toda força que tiver, assim eles ficarão sem ar e com bastante irritação. – Com os olhos brilhando, encerraria. – O resto você sabe... é só fazer o que eu sempre fiz de melhor. – Seguraria o riso para não chamar a atenção. Esperaria o momento certo e daria um sinal para o Euntae, e então invadiria o local o mais rápido possível, mas de forma que não desse alarde, e depois transitaria por entre as mesas sem perder tempo, aproveitando o momento em que eles estivessem de costas um para os outros.

E no momento exato para o ataque, tocaria com uma das mãos nas costas do homem para que ele se virasse para mim, seguraria o cano com as duas mãos e estando de frente, aplicaria uma pancada forte diretamente no gogó que estava exposto, com a intenção de deixar a irritação corroer sua garganta. Em seguida, sem deixar espaços para ele se recuperar, bateria três vezes com o cano em sua cabeça, sendo dois golpes laterais, um da direita e o outro da esquerda, e por fim, bateria de cima para baixo na vertical buscando atingir a parte mais frágil de sua cabeça, onde fosse possível amassar, mesmo que ainda não tivesse toda a força para isso, mas a intenção era de deixá-lo inconsciente.

Com toda a zona armada, e as nossas ofensivas feitas, o terceiro seria a sobra – daquela parte é claro, - e usando de minha prontidão, correria em direção a ele, com base nas informações que tentei adquirir antes de invadirmos, partiria para um contra um, pois não sabia da situação de meu irmão, e nem queria complicá-la mais. Pensando nisso, ao me aproximar, ele provavelmente estaria na defensiva, e seu corpo forte seria uma enorme parede, por isso precisaria de usar das minhas capacidades acrobáticas e de meu conhecimento sobre anatomia, assim, estando próxima dele, agacharia ao chão colocando minha mão esquerda como apoio, e desferiria um chute de direita em sua junta da perna esquerda – o joelho, - para tirar a sua base, e ao menos causar um pouco de dor. Conseguindo desestabilizá-lo por um momento, me ergueria com o cano em mãos, desferindo um golpe de baixo pra cima buscando seu queixo, e se acertasse, aplicaria uma sequência de pancadas laterais em seu rosto até deixá-lo atordoado e incapaz de prosseguir.

Mas, sabendo que no combate de um contra um seria mais parelho, pois ele me teria em sua vista, ao me aproximar, se visse que ele tentaria um chute rasteiro, saltaria por cima dele impulsionando meus pés, aplicando uma pirueta para cair atrás dele, e em seguida aplicar golpes laterais com o cano em sua cabeça. Se os golpes viessem de cima, usaria da prontidão para agachar e escapar de seu ataque, para em seguida usar de uma estocada em sua parte íntima, criando uma abertura para o acertar com pancadas na cabeça que faria da mesma forma.

A felicidade estava estampada no meu rosto, meus olhos tremiam de excitação com o momento, e se visse sangue saltar pela minha frente, eu não conseguiria parar com aquilo enquanto não pudesse ver mais e mais, porque um lado que não tinha tanto apreço estava voltando depois de um bom tempo... o meu sadismo.



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As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo - 09
06:30 / Sirarossa



Maka e Euntae conseguiam, enfim, sair daquele quarto que estavam, descendo logo em seguida pelos canos levando a um terreno baldio. Lá, havia uma casa abandonada em todos os aspectos da palavra, onde puderam planejar a retaliação e adquirir armamentos improvisados. Passando despercebidos pelo mato alto, os irmãos eram capazes de chegar ao muro que fazia divisa com o Gran Giorno, marcando o plano de ação para facilmente derrotar os três soldados presentes no térreo, para então cuidar dos quatro últimos.

Em meio a todo aquele pensamento para alguém que logo iria agir com os instintos primitivos, a leoa notava seu irmão com medo de agir, mas não baqueando na missão. Suas mãos encontravam os ombros dele, frio e suada; causas da ansiedade e terror que sua mente vivia diante a situação. Imediatamente com suas palavras de alívio, ele respirava fundo e focava no que deveria fazer, acenando positivamente para sua salvadora. A tremedeira parava por um momento, e ele continuava com os planejamentos, ouvindo sua irmã sem perder uma palavra sequer.

Diante de todas as palavras que ela dizia, uma frase em específico lhe chamava a atenção mais do que o usual. Sua tarefa, naquele momento, lhe fora dada, mas ao invés de tremer em medo, ele apenas acenava quietamente, mas, com uma determinação inabalável pelo apoia de Maka anterior. Ele não abria sua boca por receio de ouvirem, portanto, passava a resposta positiva em ações que eram rapidamente interpretadas pela mulher, que agora passava a revisar tudo o que fariam, determinando a própria parte.

Finalizando então a reunião, ela passava a caminhar até seu destino com uma piscadela, dizendo para seu irmão onde acertar o capanga que ficava na frente da porta. Nesse momento, ambos se separavam para seus caminhos, sem medo do que o destino os poderia trazer. Das janelas do pequeno bar e lanchonete, Maka ficava atenta ao terceiro capanga, podendo ver o meliante ao lado da escada, virado para a porta onde Euntae se dirigia. O criminoso em questão andava de tempos em tempos, cobrindo a parte da frente da escada e o lado do térreo. Partindo daí, ela não demorava para pegar o tempo dos movimentos daqueles homens, para então arrombar a janela e adentrar o local. O senhor que os cobrara anteriormente ainda suava frio naquela situação, porém, seus olhos viam uma pequena faísca de esperança com o desenrolar daquela cena.

Sem delongas, ela partia para o ataque. Andando calmamente em direção ao seu alvo, Maka tocava levemente em suas costas assim que se aproximava suficientemente, levando-o a uma reação rápida.

— Idiota, vá rondar o seu lug... gasp! — ele se virava, achando que seu colega saíra de formação. Para sua surpresa - e infelicidade - quem o abordava era o inimigo, lhe dando um forte golpe no pomo de adão, o derrubando, atônito, enquanto agarrava seu próprio pescoço em agonia e desespero. Sua voz não saía enquanto ele tentava seu máximo gritar por ajuda, sendo rapidamente levado ao sono com três golpeadas fortes no crânio. O barulho da cabeça em contato com o chão fazia um ruído que chamava a atenção do terceiro capanga, prestes a ver Euntae. Ele se virava e dirigia para a fonte do barulho, encontrando a leoa e seu porrete ensanguentado.

No exato momento, retirava a soqueira presente em seu bolso interno, e as posicionava na mão, enquanto ajustava sua postura. Arqueava de leve sua coluna, flexionando bem seus joelhos e posicionando seus punhos de forma a proteger os pontos vitais do corpo. Maka não perdia tempo e ia até ele em velocidade, o chutando na junta da perna esquerda antes mesmo que pudesse reagir. Sua base era desfeita momentaneamente, mas a mulher não deixava apenas por isso. Rapidamente, ela desferia um golpe de cima para baixo visando o queixo do mesmo.

O capanga, agora mais esperto, virava sua cabeça para cima evitando o ataque iminente, jogando seu corpo para trás logo após e realizando uma cambalhota para a mesma direção, se levantando com o impulso dado pelo giro no chão. Sem demoras, ele ia até a oponente e a golpeava na boca do estômago, retirando todo o ar de seus pulmões e a fazendo cuspir a saliva em sua boca. Era impossível não notar um sorriso na boca do atacante após ser sucedido, seguido por um comentário que poderia definir a batalha.

— Com você eu posso lidar sozinho. — dizia, evitando chamar seus amigos por enquanto. Ele rapidamente ajeitava sua postura e posição de combate, enquanto Maka sentia algo que não a tomava há muito tempo, a fazendo rir em excitação e mostrar seus caninos diferenciados. Seu sadismo retornara após um longo período de férias, e agora seria mais bem-vindo do que nunca.


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”Talvez seja pressão demais para el...” Me impressionava ao ver que meu irmão apesar do aparente medo, não dava um passo atrás em desistência. Naquele momento ele ficava mais calmo após as minhas palavras, mesmo que eu estivesse prestes a pedir para que ele voltasse para a casa abandonada e ficasse por lá.

A ansiedade por uma batalha me tirava um pouco a noção do perigo as vezes, colocando em risco quem eu não deveria, e naquele exato momento, não pensava em nada mais a não ser entrar naquele lugar e surrar um por um. Mas antes, todo o planejamento estava feito, e por sorte, Euntae compreendia minhas ideias e acenava positivamente, e assim estávamos finalmente preparados para a invasão.

Como uma última observação antes de invadir o local para analisar onde exatamente estaria o terceiro inimigo, e ainda passar uma última instrução para Euntae, nos preparávamos para o nosso ataque, e após avaliar todas as chances daquela investida funcionar, tomei a frente das ações adentrando o local me usufruindo dos detalhes para não ser percebida inicialmente. E como planejado anteriormente, o primeiro ia ao chão, reduzindo a leva de inimigos, onde de surpresa eu o levava ao chão deixando-o incapacitado de continuar. E como esperado, o terceiro se direcionava a mim, que sem perder tempo, avançava contra ele tirando sua postura de combate. Contudo, ele conseguira escapar de meu segundo golpe de forma acrobática, conseguindo um impulso que me fizera sofrer com aquele doído soco no estômago.

- Guooh!... – O ar me fora tirado no forte impacto que já não sentia á um bom tempo. – Tsc... Você é durão hein... puffhah... – A dor ainda me incomodava um pouco até que o ar voltava em mim lentamente. Devo admitir que não esperava tomar aquele soco, mas sentir aquela adrenalina me deixava em êxtase, e ao ouvir tais palavras, meu sadismo tomava conta de mim enquanto observava a presa que estava a minha frente. – Sozinho? – Meus olhos tiniam ao baterem com o corpo dele. – Puffhah... – Como uma gargalhada silenciosa, voltava a falar. – Eu vou... Eu vou... Eu vou te arrancar cada pedaço... – Minha mão direita segurava o cano extrema força, meus dentes rangiam entre o sorriso enquanto meu corpo se inclinava lentamente. – Pare-me se puder!... PUFFHAHAHA –

Avançaria buscando a carga máxima de minha velocidade, e com o cano em mãos, desferiria golpes horizontais pesados tentando ter o máximo de força alternando as laterais, primeiro do lado direito, depois do lado esquerdo, e a cada execução dos dois lados, atacaria de forma diagonal pela direita, e assim sucessivamente alterando os lados sem criar um padrão fixo. Minha intenção era abrir a sua guarda, lhe pressionando com o intuito de conseguir uma abertura na sua parte superior, e se conseguisse um espaço suficiente para acertá-lo, fosse na região do tronco, ou na região do rosto, aplicaria um chute com a sola do pé direito para enfraquecê-lo aos poucos. Repetiria essa sequência deixando-o cada vez mais fraco e sugestível a tomar golpes, aproveitando sempre qualquer abertura para atingi-lo.

Usufruiria daquilo que estivesse a minha volta, como as mesas, cadeiras, móveis e até garrafas que ainda estivessem paradas lá, para jogar em direção a ele sem parar, procurando uma brecha para golpeá-lo com força utilizando o cano. Se essas investidas fossem conclusivas, e garrafas estivessem por perto, quebraria alguma delas para deixar uma ponta de vidro que fosse útil para furar e esfaquear o corpo dele, visando qualquer parte de seu rosto.

Evitando uma possível investida dele, me aproveitaria de acrobacias com mortais, piruetas e cambalhotas a fim de dificultar a capacidade de acerto dele, usando das mesas e cadeiras como apoio, contudo, sempre mantendo uma distância de dois metros. Se em uma das esquivas mais acrobáticas visse uma oportunidade para contra-atacar com algum chute no ar, aproveitaria do momento usando o peito de meu pé direito para acertar. Caso o espaço fosse reduzido e eu não conseguisse terreno suficiente para as acrobacias mantendo a distância sobre ele, usaria o cano para evitar possíveis ataques que viessem da cintura para cima, colocando sem ele de forma lateral evitando os socos.

Se os chutes fosse suas tentativas e viessem na região do tronco, bloquearia com o cano, se viessem na região inferior de meu corpo, saltaria e em seguida usaria a sola de meus pés para dar uma voadora em sua barriga a fim de afastá-lo de mim. Caso viessem na altura de meu rosto, sempre abaixaria flexionando meus joelhos.



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As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo - 10
06:39 / Sirarossa



O plano de Maka para adentrar o hotel era bem-sucedido, e ela já conseguia o primeiro abate enquanto Euntae batalhava pela entrada. Não demorava muito, então, para que ela engajasse na primeira das lutas reais que ocorreriam naquele recinto. O oponente, assim como todos eles, se mostrava forte e inabalável, com um orgulho que perfurava o céu. Essa atitude poderia ser sua queda, mas no embate, ele começava com o pé direito, acertando um golpe na leoa que mostrava seus dentes em sadismo.

Da sua boca saíam ameaças que refletiam em sua personalidade mais instintiva e sanguinária. O homem, confiante de sua vitória após o primeiro acerto, apenas ouvia o que ela tinha a dizer, dando um sorriso de canto de boca um tanto vicioso. Seus olhos estavam atentos na lutadora, e sua mente já maquinava como derrotar a meliante. Porém, para ele, não sobrava tempo algum, já que Maka não o deixava quieto. Com suas mãos firmes naquele cano, ela o utilizava de maneira não tão experiente, mas destrutiva, enquanto o balançava de um lado para o outro aproveitando das diagonais para formas padrões aleatórios.

O homem apenas grunhia enquanto se esforçava ao máximo para se defender dos golpes poderosos. Ele abria a palma da mão e deixava o metal encontrar sua soqueira, que defendia o ataque, mas ainda machucava de certa forma. Durante suas inúmeras investidas, a mulher tentava encontrar aberturas para enfraquecer o inimigo, mas ele era mais rápido nisso ao, no meio de um dos movimentos da lutadora, utilizar de uma rasteira que a levava ao chão sujo e cheio de itens daquele bar em decadência. O capanga não hesitava nem um minuto em levantar sua mão para a inimiga caída, que sem pensar duas vezes pegava uma das garrafas do chão e jogava na cara do rapaz.  

— Argh!!! — resmungava enquanto limpava seu corpo e seu rosto dos pequenos cacos de vidro que se espalhavam pelo local enquanto Maka se levantava. Sua raiva era elevada aos céus, e sem pensar duas vezes, o homem partia para a investida. Seus socos eram poderosos e ágeis, movimentando o ar em volta de seus punhos enquanto passavam raspando pela acrobata, que desviava dos golpes com maestria usando das mesas como apoio. Assim que ela pousava no chão, ele novamente tentava uma rasteira, esperando dar certo como da última vez ao pegá-la desprevenida.

Infelizmente, para ele, esse não era o caso. No mesmo instante, ela saltava e cravava a sola de seus pés no peito do homem, o jogando contra os móveis e cadeiras do bar com a força exercida pela voadora. O impacto o deixava atordoado e ainda mais raivoso. Sangue escorria pela sua testa, e seu uniforme já estava uma bagunça e sujo como nunca. O barulho da sua queda, para piorar a situação, alarmava os capangas do andar de cima, que eram ordenados pelo superior sem muita demora.

— Alguém vai ver o que tá acontecendo lá embaixo! — exclamava ordenando. Era possível ouvir dois passos acelerados pelo corredor superior, rumando até a escada. No mesmo instante, Euntae aparecia na visão da irmã com um rosto alarmado e espantado, receoso do que estava por vir naquela batalha pela vida de um colega e autonomia do grupo.


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“Isso... é tão... bom...” Essa excitação pela batida de carne, e o urrar de dor... Como essa sensação era tão incrível? Mas não podia parar... Precisava de mais, muito mais. Aquela primeira vítima não era o suficiente, e o estourar de miolos precisava acontecer, e como já esperado, um combate um contra um era inevitável, e que de começo se mostrava equilibrado, porém toda aquela provocação me deixava ainda mais sedenta por ele, me fazendo perder a linha atacando-o de forma voraz.

Em uma sequência de golpes e contragolpes, toda a minha capacidade atlética e acrobática me dava a vantagem para jogá-lo longe naquele instante de abertura. – PUFFHAHAHA!!! SEU FILHO DA PUTA! – Por um momento, ignorei a presença de meu irmão, mesmo vendo sua expressão preocupada e desesperadora, apenas pensava em causar dor naquele homem, porém, pude ouvir os passos acelerados que vinham dos andares acima de nós. “Vamos... vamos... ACABA COM ELE DE UMA VEZ!” Com meus olhos um pouco vermelhos de raiva, pegaria a mesa ou a cadeira mais próxima para jogar na direção do homem, para ganhar poucos segundos de vantagem sobre, pois assim que jogasse o móvel, usufruiria do máximo de minha velocidade para me aproximar dele e, caso ele quebrasse o móvel se defendendo, bateria com o cano fortemente em seus dois joelhos, tentando coloca-lo ajoelhado na minha frente, e depois bateria de cima para baixo na direção de seu crânio a fim de amassá-lo, e bateria então mais três vezes sem parar até que visse algum sangue jorrar.

Caso ele não se defenda, e o móvel apenas quebrasse ao bater em seu corpo, usaria a ponta do cano em seus olhos com duas estocadas, e o deixaria ali agonizando, para depois finalizar com uma batida forte na vertical em seu crânio. – Arf... Arf... – Estaria um pouco fadigada, mas totalmente satisfeita com a primeira vítima. Sabendo da sua chance de se defender, me afastaria dele se percebesse que ele me atacaria de cima para baixo, saltando para trás, mas se o ataque viesse do chão, saltaria por cima dele com um mortal, e em seguida aplicaria os mesmos ataques anteriormente pensando nas duas possibilidades de um ataque dele.

Encerrando aquele pequeno combate de forma positiva, havia de lidar agora com aquele que vinha de forma apressada até o térreo do bar, e se percebesse que ainda houvesse tempo para perguntar algo ao dono do hotel, falaria. – Seu gorducho de merda, tem alguma arma? – Se fosse positivo. – Me dê essa merda carregada... ANDA DE UMA VEZ! – Pegaria a arma, e olharia para a saída da escada aguardando aquele que estava por aparecer. É claro que eu não era nenhuma atiradora, mas uma arma de fogo na mão de uma louca serviria de alguma coisa naquele momento. Sem pestanejar, ficaria no pé da escada, apontando para aquela direção, e quando ele aparecesse, atiraria nele até que as balas acabassem, sem a intenção de mirar em um lugar específico, apenas dificultaria a vida dele com aquilo. - PUUFFHAHAHA!!! ISSO É DIVERTIDO! – Exclamaria com a animação de atirar pela primeira vez.

Contudo, se observasse que não havia tempo se quer para fazer aquela pergunta para o dono, e visse que o homem estava por aparecer, pegaria a garrafa mais próxima, mesmo que já estivesse quebrada, e em seguida correria pela escada, porém tentando saltar pelo apoio dela, com a intenção de chegar o mais rápido possível lá em cima, e assim que ele aparecesse, usaria a ponta que tivesse na garrafa – caso fosse quebrada - para cravar no meio da testa do inimigo, e com o peso de meu corpo sobre ele, tentaria derrubá-lo e, ficando sobre ele, tiraria e cravaria a garrafa inúmeras vezes, pois toda aquela situação me parecia muito divertida. Se a garrafa não estivesse quebrada, trataria de fazer isso antes mesmo de chegar lá em cima, batendo o lado de baixo na parede ou até mesmo na própria escada. – PUFFHAHAHAHA! SUA CABEÇA TA ESPIRRANDO! – Com sorriso largo, me empolgava com o conhecimento de que havia mais por vir.



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As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo - 11
06:48 / Sirarossa



A luta que acontecia no meio daquele hotel se intensificava, e a troca de socos entre Maka e aquele capanga orgulhoso passava a se tornar obsessiva e sangrenta. O lado sádico de Jabami logo vinha a tona, sua sede de sangue queimando dentro de seu peito enquanto seus olhos se avermelhavam e suas veias saltavam, transformando-a na última imagem de vida de alguém. O homem que lutava contra ela, apesar de estar um tanto amedrontado naquele momento, segurava seus nervos para não perder aquela luta tão pateticamente, mas era distraído, assim como todos, pelo chefe daquela operação ordenando alguém para descer até a origem do som inexplicável.

Aquele pequeno tempo de distração que o guarda tinha era o suficiente para que Maka pegasse um dos inúmeros móveis do bar e jogasse na direção do seu oponente. O instinto do sujeito era incrível, fazendo com que ele conseguisse bater na cadeira antes que ela pudesse acertar em cheio sua cabeça. Esse golpe de sobrevivência, porém, novamente dava tempo mais do que o suficiente para que Maka, em um ímpeto, ir até sua direção e esmagar seus dois joelhos com o cano que usava como arma. Um alto e expressivo grunhido de dor era ouvido do homem, que agora suportava uma dor nunca sentida.

O som que saía da boca dele era o suficiente para acelerar os passos de seu colega que corria em direção ao térreo, inclusive seu chefe. — Se apresse! — a sua ordem era clara, mas por um momento, parecia estar quieto, como quem parasse e pensasse sobre a situação como um todo. De qualquer forma, o massacre que Maka produzia não chegava a um fim, partindo agora para a finalização de sua caça. Ainda com o pedaço de cano em mãos, liberava investidas de cima para baixo em sua cabeça, que logo começava a sangrar, e sua consciência eclipsava daquela realidade.

Em seguida, sem dó nem piedade alguma, batia contra seu crânio mais três vezes, totalmente amassando a cabeça do homem. Sangue jorrava pelos cortes e ferimentos abertos, além de diversas fraturas expostas que transformavam a cena em uma carnificina. Como se tivesse esquecido do perigo em que estavam, Euntae olhava para sua irmã coberta em sangue de outra pessoa logo após seu ato que libertava o espírito animal que residia dentro da moça. Seus olhos bruxuleavam, e sua expressão quase deixava uma face de medo e pena escapar. O homem, como quem tentasse calcular o que estava acontecendo antes de "cair a ficha", apenas encarava sua irmã, sem fala alguma.

Ele saía daquele transe não muito após, quando ouvia os passos do próximo capanga mais próximos do térreo. Ele imediatamente passava a agir, segurando mais forte o cano em sua mão e tentando esquecer momentaneamente o que ocorrera ali. Antes de mais nada, precisavam sair daquele lugar vivos, o resto seria história. Maka, mesmo parecendo estar possuída, pensava logicamente e decidia que não havia tempo para pedir uma arma para o dono do bar que tremia de pavor. Pegando a garrafa do chão que havia anteriormente jogado na sua última vítima, ela começava a subir aqueles lances de escada, pretendendo se encontrar com a próxima caça do dia.

Indo até o local, podia ver o capanga que Euntae havia derrotado, estirado no chão, porém, sem qualquer gota de sangue saindo de seu corpo. Ela parecia não se importar muito com isso naquele momento, já que, em passos pesados, subia freneticamente os degraus. Não demorava muito para que os inimigos se encontrassem em uma reunião não tão amigável. Maka, como se tivesse nascido pronta, pulava em sua direção o "esfaqueando" com aquele pedaço de vidro. Ela agora se encontrava no segundo andar, em cima de um dos capangas, constantemente perfurando sua cabeça como se fosse um mero manequim.

A cena do assassinato que ocorria ali não era das mais bonitas, enquanto sangue jorrava por todos os lados, voando no rosto da mulher e encharcando seus cabelos. Seu corpo inteiro parecia ter sido pintado com uma tinta rubra forte, e o cheiro que saía daquela bagunça não era dos mais agradáveis. Euntae chegava alguns segundos depois até a cena, presenciando o fim do que parecia ter sido o jantar de uma fera da selva. Nem ao menos se esforçava para criar a cena do ocorrido, já sabendo dos detalhes por tê-lo visto anteriormente. Nesse momento, um silêncio constrangedor subia sob aquele lugar. Todos os capangas restantes que atormentavam a vida de Maka e o chefe deles estavam naquele andar, olhando atônitos ao que acabara de ocorrer. Todos sabiam o que ocorreria não muito depois, mas ninguém ousava fazer o primeiro movimento.


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Conversa - Aprendizado - Caça
”Aaaaah... esse som.... por que eu amo tanto?” Esse som de dor, é como se ele me implorasse por mais, e a cada vez que eu batia com força naquela cabeça, e sentia o peso dela amaçando, me deixava em completo êxtase.

Esse sabor em machucar alguém de forma incansável, me fazia querer mais, de forma insaciável, eu deveria ir em busca de mais, e esse novo prazer estava a poucos metros de distância, com passos acelerados suplicando para que eu lhe causasse sofrimento. Sem demora, tomei-me a atender aquela causa, e subi de forma apressada pelas escadas com a velha garrafa quebrada em mãos, pronta para dar um fim em mais um ser inferior.

De frente agora para a minha presa, o golpe fatal era dado, e num passe de mágica, mais uma vida era ceifada mediante a minha sede incontrolável de sempre querer apreciar aquele momento ao máximo. – Arf... Arf... Arf... Arf... – Puxava o ar a minha volta buscando me recuperar daquela sequência de puro deleite, enquanto era estampada do mais proveitoso sangue. Percebia então que Euntae se achegava ao andar em que eu estava, e junto dele, os homens restantes que estariam justamente atrás de mim, apareciam vindo dos andares acima. – Puff... hah... aha... – Me levantava lentamente tirando a garrafa fincada no corpo, enquanto olhava para o homem morto ao chão, bem embaixo de mim. – Puf... fha... hahah... ha... – Segurava firmemente o cano em uma mão, e a garrafa em outra. – PUFFHAHAHAHA!!! – Você já teve um momento excepcionalmente feliz? Pois é, aquele era o meu...

De braços abertos enquanto ria da situação, tornava a falar. – Yoshindo anda muito “mole” pra mandar um bando de “gatinhos” amedrontados... – Inclinava minha cabeça para o teto estando de olhos fechados. – Por que vocês estão aí parados? Vamos! Venham de uma vez! Não sou eu quem vocês querem? – Abria meus olhos, fitando cada um deles que estavam ali, mostrando naquele olhar o desejo de fúria que cairia sobre cada um deles. – Por favor, eu preciso de mais! – Sorriria para eles deixando meus caninos anormais a mostra.

Com ímpeto, jogaria a garrafa naquele que estivesse a minha frente, e em seguida saltaria na direção deles, com a intenção de assustá-los com um movimento rápido, e assim, pegar um deles desprevenido e sem reação para se defender ou contra-atacar. E se positivo fosse essa ação, ao me aproximar do que tivesse mais aberturas, me agacharia para aplicar uma rasteira com a perna direita tentando derrubá-lo, e na sequência, usaria o cano para atingir seu rosto com a intenção de deixá-lo inconsciente no chão. Se fosse negativo, e ele conseguisse se defender de minha rasteira, apoiaria então minhas mãos no chão, soltando o cano para em seguida bombardeá-lo com chutes na altura de seu tronco jogando-o para trás, e afastando ele dos demais.

Deixando-o fora de combate, me atentaria aos demais, sempre me esquivando para trás, usando de mortais e piruetas para me esquivar de cada um deles, procurando manter uma distância de aproximadamente dois metros deles, enquanto ainda buscava olhar ao arredor daquele andar procurando coisas que me pudessem ser úteis para quebrar a desvantagem em que estávamos.

Naquela hora não pensava no que Euntae faria, nem mesmo me dava a preocupação de falar, queria apenas me divertir com toda aquela luta. E mesmo que minhas ações custassem algo, àquela altura, meu sadismo me impedia de parar.



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As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo - 12
06:54 / Sirarossa



A luta dentro do hotel precário passava por um clímax, assim como as emoções sádicas de Maka, que finalmente se mostravam, devastando seus inimigos e quem quer que estivesse em sua frente. Seu corpo atlético e treinado ficava encharcado de sangue e pedaços do que antes eram meros capangas de um criminoso. A atmosfera ficava densa e carregada por uma névoa rubra acompanhada por um cheiro de morte, nauseando aqueles ali presentes; enchendo-os de um medo primitivo e um instinto de sobrevivência primal. Seu irmão, Euntae, não ficava fora daquilo, surpreendendo-se com as atitudes da sua irmã, mas preferindo focar na sua própria sobrevivência naquele momento.

Com um brado retumbante, a leoa provocava as suas presas, que tomadas pelo medo inicial desse encontro, se encontravam - durante um breve momento - paralisadas. A visão que eles viam era no mínimo infernal: uma mulher, coberta por sangue e entranhas, posta sobre um de seus colegas e parceiros completamente morto e espalhado pelo chão. O choque inicial era grande, mas não os paravam por muito tempo. Sem demoras, os três capangas vinham atrás da mulher e Euntae, raivosos e determinado a acabar com a vida daquela moça.

Sem rodeios, ela também reagia. Usando o resto da garrafa ensanguentada, ela jogava o projétil no mais próximo dentre os três: um capanga que parecia ser uma montanha de músculos, ainda mais que seus companheiros. Usando apenas o antebraço e cotovelo, se defendia do vidro e dos estilhaços que saiam após sua quebra, não parecendo se incomodar com dor alguma. Atrás de si, vinham os outros dois, como se usassem o brutamontes como um escudo de carne. No fundo daquele corredor, na retaguarda de todos eles, estava o chefe, usando um terno branco com gravata vermelha. Seus cabelos eram negros e brilhavam com a luz que vinha de fora da janela ao seu lado. Em sua mão, duas pistolas de cano longo carregadas e prontas para disparar.

Nesse momento, Maka não desperdiçava sua chance e saltava em direção do brutamontes que recebera a garrafada. Usando seu corpo flexível e atlético, se agachava para investir em uma rasteira para derrubá-lo e acabar com o homem. Este, porém, saltava levemente evitando a perna que varria o chão com sua força. Do ar, preparava um soco descendente que mirava no rosto dela, prometendo doer como nunca. Em um ímpeto, ela se esquivava acrobaticamente do punho que encontrava apenas o ar, saltando logo em seguida e se dirigindo ao homem novamente em um contra-ataque.

Em seu peito, a moça direcionava diversos chutes que eram bloqueados com as mãos. Nesse momento, dos dois lados, os punhos dos "guerreiros" restantes aceleravam em direção ao seu rosto e barriga. Um dos golpes era bloqueado por Euntae, que rapidamente e com garra segurava o braço do meliante que mirava sua barriga. Eles trocavam olhares por um momento, antes que o homem lhe desse uma bela cabeçada no nariz. Sangue imediatamente jorrava das narinas do capanga, que ainda atordoado, tentava lutar para sair de sua situação. Não satisfeito, Lee desferia mais uma cabeçada ao mesmo ponto, que agora derrubava o homem, atordoado e sangrando.

Sem se importar com a situação de seu irmão, Maka acabava por receber um soco direto em seu zigomático, perdendo sua postura e caindo no chão levemente atordoada. Em sua frente, o grande capanga e o último atacante se punham imponentemente, como quem desafiasse a mulher. Haviam perdido o medo inicial, e esse sentimento era perigosamente sobreposto por uma confiança que não deveria ser tão confortável. Durante toda essa situação, a leoa não se prendia apenas à violência, também recorrendo à sua análise do ambiente para obter uma vantagem que sobrepujasse àquela numérica. Seus olhos escaneavam os corredores, vendo apenas o que via anteriormente na noite de sua estadia. Lamparinas velhas, madeiras podres e velhas, janelas sujas e diversos quartos postos em linha.


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O cheiro fétido do sangue banhado em meu corpo se espalhava por aquele ambiente, criando o ar mais amigável possível para mim. A diversão do puro massacre era o que tomava os meus sentimentos mais primitivos, e ver mesmo que por um breve momento os olhares assustados de cada um deles me trazia um conforto e admiração própria que era indescritível. Aquele era sim o meu lugar, por mais que eu passasse certo tempo de minha vida tentando esconder aqueles sentimentos, essa era a Maka que eu sempre quis ser.


E como feras brigando pela sobrevivência do mais forte, aquele embate final começava mostrando-me todo o descuidado que tivera com tais criaturas, e por um instante me fazendo lembrar da presença de meu irmão, que me surpreendera com suas habilidades. Contudo, fora apenas por um instante, pois minha cabeça estava perdidamente focada nos dois trastes a minha frente.


- AAAAAAAH!! - Urrava como alguém que tentasse afastar a dor pelo soco tomado. Seus semblantes de confiança me deixavam “mordida” de raiva. - Não fiquem tão bobos assim! Eu vou arrancar essa confiança de vocês, da mesma forma que eu arranquei a vida dos seus amiguinhos! Puff..hahaha! - Atordoada pelo golpe, mas ainda de pé e em condições de continuar aquela batalha, me posicionava como uma verdadeira lutadora. Pernas levemente flexionadas, estando à esquerda atrás, e a direita na frente. Dedos juntos e braços na altura da cintura, ficando assim em uma postura lateral, porém, de frente com o maior dos capangas, mantendo-me sempre em movimentos leves, como pequenos saltos com as ponta dos pés.



~FLASHBACK~


- CARALHO MAKA!!! - Os gritos de Date Yuuma eram sempre os mais exigentes. - QUE PORRA VOCÊ TÁ FAZENDO?! JÁ TE FALEI! MANTENHA DISTÂNCIA, E PROCURE ABERTURAS! NÃO SEJA PRECIPITADA, OU VOCÊ VAI LEVAR UMA SURRA DELES TODA VEZ! - O sangue perdido já pesava meu corpo, quase me fazendo desistir de continuar aquele treino. - VAMOS! LEVANTA E ACABA COM ELES! - Mesmo assim, a motivação nunca faltava. - LEMBRE-SE, PASSOS LEVES E RÁPIDOS! VOCÊ É UM FERA, E UMA FERA NÃO ACABA COM A SUA PRESA DE FORMA PRECIPITADA! UMA FERA É CALCULISTA, CAUTELOSA, E ESPERA O MOMENTO CERTO! - A força de seus braços me ajudava a levantar da surra de antes, me motivando a continuar. - AGORA VÁ LÁ, E EM ENGULA ESSES “ARROMBADOS”! MOSTRE QUEM MANDA NESSA SELVA, PORRA!!! -


~FLASHBACK~



O antigo treino se dissipava dos meus olhos, enquanto me tomava da realidade equivalente aquele dia, e dos incansáveis e dolorosos dias de treino, que me levaram a assumir quem eu era hoje... UMA BESTA ENJAULADA! A visão mais analítica do local não me dava muitas alternativas, a não ser por hora, contar meu aprendizado intenso do Taekwondo.


Permaneceria em uma distância confortável, que me desse tempo suficiente para me esquivar principalmente dos golpes do capanga maior, pois sua envergadura lhe dava uma boa vantagem com os socos. Com a visão rápida de antes, mas suficiente para perceber o homem armado ao fundo, buscaria me manter sempre a frente de um dos dois capangas de forma que atrapalhasse a visão do aparente líder, e assim usá-los como escudo para o caso dele resolver atirar.


Avançaria com cuidado procurando sempre manter uma distância cuidadosa, e ao perceber qualquer movimento de tronco que indicasse um soco direto do maior deles que viesse na altura de meu rosto, que era quem eu focava um pouco mais a minha atenção, inclinaria meu tronco para trás, mantendo a perna esquerda como apoio, e em seguida esticaria minha perna direita para pisar no joelho da perna mais próxima, a fim de desestabilizá-lo um pouco, e assim repetiria esse movimento toda vez que ele usasse desse tipo de ataque. Se seus golpes viessem na região do tronco, usaria de minha prontidão para me esquivar ao lado direito, e em seguida, desferiria um chute com o peito do pé direito na nuca com força suficiente para abaixá-lo, e na sequência pegaria sua cabeça com as duas mãos e lhe daria uma joelhada no rosto. No entanto, se os ataques fossem direcionados da cintura para baixo, saltaria com um giro para acertá-lo no ar com a sola do pé direito no rosto do homem.


Atento ao segundo companheiro, percebendo assim mais um de seus socos em meu rosto, saltaria para trás, e aplicaria uma solada na área de seu diafragma, com a intenção de dificultar sua respiração. Se os golpes viessem no tronco, daria um passo rápido para o lado esquerda, o suficiente para que seu ataque passasse raspando, e sendo provavelmente feito com uma de suas mãos, seguraria então o seu braço utilizado, e em seguida chutaria seus testículos usando do peito de meu pé direito, aplicando um chute ascendente. Por fim, se seus ataques viessem da cintura para baixo, saltaria por cima dele com um mortal para cair atrás dele – usaria de suas costas como apoio caso fosse necessário para concluir o salto – depois, chutaria com a sola do pé na coluna dele, buscando criar uma fratura que o impedisse de continuar com eficiência.


Minha fome pela morte de cada um deles era enorme, e meus instintos mais primitivos gritavam dentro de mim pedindo isso, porém, em todo meu período de treino, aprendi a equilibrar minha sede, e a ter consciência de minhas ações, buscando a cautela em buscar a melhor oportunidade para enfincar minhas “garras”.   


Legenda Flashback - Date Yuuma

 

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As Crônicas dos Scavenger: A Leoa, o Louco, e o Mudo - 13
07:03 / Sirarossa



Após um verdadeiro banho de sangue, a luta se deslocava para o segundo andar. O show feito por Maka com o sangue dos capangas assustava inicialmente os últimos restantes, apenas para serem novamente injetados com adrenalina e irem para o combate. Euntae, de maneira similar, ajudava a irmã lutando contra um próprio inimigo, enquanto ela batalhava contra dois deles e o chefe atirador. A luta logo teria um fim, diferente do sadismo da leoa, que nesse ponto, estava em seu pico.

Apesar de levar alguns golpes, Jabami não fraquejava. Sua força era de se invejar, enquanto ela, ainda em pé, novamente chamava a atenção dos inimigos. Seu desaforo de maneira alguma os deixava feliz, fazendo imediatamente com que eles se colocassem em posição de combate, confiantes de uma vitória. Maka, igual a eles, se preparava para o embate inevitável. Braços na altura da cintura e pequenos saltos com a ponta do pé marcavam o início do que viria a ser mais uma surra generalizada, fortalecida ainda pelas memórias de seu treinamento brutal.

O primeiro golpe inimigo vinha do brutamontes, que desejava acabar com tudo aquilo de uma vez só. Seu tronco alertava a leoa de um soco que vinha em direção ao seu rosto, o qual apenas era inclinado para trás para um total desvio. Não satisfeita apenas com isso, contra-atacava, acertando o joelho do meliante e o fazendo cambalear. O mesmo não estava feliz com o resultado que ele tivera, portanto, daquela mesma posição, desferia um gancho contra o estômago aberto da mulher.

Preparada para casos assim, porém, ela deslocava seu corpo para a direita momentaneamente. Aproveitando novamente da abertura, atacava-o com o peito do pé diretamente para sua nuca, fazendo-o arquear seu grande corpo suficientemente para que ela pudesse terminar aquilo com uma joelhada fatal. Seu plano era simples, mas efetivo. O problema, porém, vinha com o mais franzino dos capangas restantes.

Antes que Maka iniciasse seu ataque final, ele se preparava para uma rasteira que deveria mudar o rumo daquela luta, que não ia nada bem para eles. A moça, porém, era esperta. Vendo o intento do homem, ela saltava para trás dele, ficando de cara com suas costas após uma bela acrobacia. Sem hesitar, desferia um poderoso chute contra sua coluna, visando o desabilitar, mesmo que minimamente. O golpe o lançava longe e danificava as suas costas, mas marcava o primeiro dos erros de Jabami.

A mulher, cuidadosa como era, ficara atrás dos capangas até aquele momento, evitando os disparos mortais do chefe. Agora não só estava em sua mira, como também estava de costas. Sem hesitar, e com um sorriso malicioso em seu rosto, ele puxava o gatilho. Por um momento, tudo parecia correr em câmera lenta conforme a bala de aproximava de Maka, que mal teria tempo para se virar. Inevitavelmente, o projétil atingia seu antebraço esquerdo, enviando choques e sinais gritantes de dor intensa pelo corpo da mulher que ainda possuía lutas para serem travadas.


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