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A Voz dos Silenciados Sex Abr 22, 2022 9:05 pm
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Aqui ocorrerá a aventura do(a) Agente Morgan Morozova. A qual não possui narrador definido.

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Re: A Voz dos Silenciados Sex Abr 22, 2022 9:15 pm
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morgan morozova
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Seus superiores não se deram ao trabalho de informá-lo por qual razão Petra Yuni lhe havia sido delegada, mas Morgan igualmente não sentiu ímpeto para questionar tal decisão. Sabia que não o mandariam para o outro lado do mundo por puro capricho; agentes rasos como ele havia aos montes por todos os Blues, razão que descartava uma moção sem uma boa motivação. Por isso, ele havia decido que aceitaria a proposta de bom grado, e aproveitaria a oportunidade para conhecer uma região por ele inexplorada.

Desta forma, ele pisou em terras desconhecidas pela primeira vez com claro otimismo, disposto a conhecer as novidades que eventualmente apresentar-se-iam a ele com um sorriso no rosto. Sabia que Petra Yuni detinha um clima socialmente caótico à priori, tendo suas terras inférteis constantemente dominadas por revolucionários reacionários e piratas afobados, dois arquétipos curiosos que despertavam imensamente o interesse do agente.

Morgan não chegava a simpatizar inteiramente com a perspectiva anarquista dos piratas ou a subversão sistemática dos revolucionários, mas também não os enxergava como inimigos de longa data. Em vez disso, Morgan entendia que os seus desejos mais íntimos poderiam estar discretamente alinhados à ideologia sustentada por tais grupos, ainda que não os visse inteiramente como iguais. Em verdade, o rapaz não era cego às contradições e aos defeitos do mundo, e os assistia sob uma ótica demasiada progressista, mas havia decido trilhar um caminho menos belicoso e efetivamente mais prático.

Tendo isso em mente, talvez fosse seu posicionamento pouco conservador que tivesse estimulado seus superiores a enviá-lo para Petra Yuni. Ali, ele encontraria gente com pensamentos similares e poderia ser bem visto por nativos que sabidamente desgostavam do Governo Mundial. Morgan não era um agente convencional, afinal, e conquistar corações rebeldes era uma de suas especialidades.

Não obstante, ele precisava, antes de qualquer outra coisa, encontrar a base central de sua organização. Estava desarmado e com fome, e dinheiro parecia finalmente ter se tornado uma questão em sua vida. Quando Morgan abdicara de sua herança em nome de seus sonhos, ele não esperava empobrecer tão rapidamente como havia acontecido. Estava completamente liso, e precisava dar um jeito de melhorar a sua situação financeira logo mais. Talvez conseguisse realizar uma ou duas missões na região antes de arriscar uma exploração.

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Re: A Voz dos Silenciados Dom Abr 24, 2022 10:27 pm






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Mandado àquela selva de areia e aridez, Morgan não buscava por uma razão, uma justificativa para a escolha de seus superiores em mandá-lo para aquele fim de mundo. Ao invés disso, aceitava seu destino nas terras inférteis de Petra Yuni, que tanto lhe chamavam a atenção por aquilo que ele parecia lutar contra: as desigualdades sistemáticas presentes no lugar. Além disso, as lutas rebeldes e caóticas que não o encantavam, mas também não causavam aversão ao ex-nobre; ele sabia que embora diferentes em ações, eram iguais em seus cernes - ele só havia trilhado um caminho menos tempestuoso.

Dessa forma, adentrava a cidade principal de Arosa com as expectativas altas, entendendo onde estava e em busca da novidade e do desconhecido. Em sua volta, via diversos comerciantes e mercadores realizando trocas, escoltados sempre por guardas parrudos e amedrontadores para alguns. Essa visão aludia claramente à realidade da ilha, imersa em uma guerra causada pela opressão dos mais fracos em razão da liberdade dos mais abastados. Ele, naquele momento, sendo um agente da justiça, não caminhava tão distante daquela linha; estava com fome e desarmado, acompanhado apenas por sua postura e palavra de ordem.

Apesar de suas atuais deficiências, possuía uma base onde poderia escorar em situações extremas. Nesse quesito, poderia ser privilegiado, se não estivesse tentado mudar o próprio sistema em que estava inserido. Partindo então para a labuta, procurava uma sede do governo onde poderia se armar e pegar alguma missão em troca de alguns trocados para alimentar a economia ou seus próprios bolsos. Andando um pouco pelo centro não tão povoado, via sua riqueza em cores, culturas, aromas e sabores, muitas vezes enriquecido pela bagunça característica que não era de todo mal. De qualquer forma, no meio das abrangentes tonalidades, percebia o cinza constitucional e sem vida do Governo Mundial em uma espécie de prédio. A entrada era simples, e ao adentrar o local, poderia perceber um grande hall, com uma bancada ao centro. Nas laterais, duas escadas em espiral que levavam a um andar superior. Tudo que restava à Morgan era, naquele momento, começar sua jornada.


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Re: A Voz dos Silenciados Seg Abr 25, 2022 9:18 am
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Seus passos eram calmos e flutuantes, ainda que firmes e seguros de si, e no rosto ele levava um semblante de indiferença e serenidade. Morgan caminhava com tranquilidade pelas ruas alargadas de Arosa, observando a diversidade cultural inerente a um ambiente que servia de lar para tantas almas diferentes.

Petra Yuni era conhecida por abrigar pessoas de todo o mundo, uma vez que suas riquezas naturais exclusivas tendiam a atrair a atenção constante de comerciantes ambiciosos e viajantes curiosos, por isso Morgan não se surpreendeu ao deparar-se com um cenário tão rico e pulsante. Em vez disso, deleitou-se com a miríade de cores únicas que se estendia pelo mercado de Arosa, interessado em tudo que poderia encontrar de diferente em uma cidade que nunca antes havia pisado.

Não obstante, não demorara para que o seu destino se fizesse revelar mais à frente após algumas andanças, feito matéria sob a forma de uma arquitetura morta própria do Governo Mundial. Morgan encarou a grande construção e sentiu uma pontada de aversão lhe revirar o estômago; ali, destoando-se com tanta clareza da multiplicidade de tonalidades que embelezava enormemente as avenidas de Arosa, o prédio ocupado pela Organização parecia emular perfeitamente tudo o que ela fatalmente representava: o conservadorismo de uma minoria disposta a ignorar a diversidade que borbulha ao seu redor.  

O próprio agente percebeu que suas vestes pareciam refletir a sobriedade de quem detinha apreço por tradicionalismo e rigor; inteiramente de preto, o conjunto principal se escondia sob o tecido escurecido de seu sobretudo longo, inferindo numa óbvia dissonância entre Morgan e o seu entorno. Mas não havia como ser de outro jeito; mesmo que fosse diferente em seu coração, a carcaça de Morozova ainda era a de um agente padrão. Ponderou que talvez, em algum momento, fosse necessário substituir a sua cor por algo que o permitisse se misturar com mais facilidade na multidão.

Não obstante, por ora, ele precisava se concentrar nas funções mais basilares de seu serviço, o que o levou a adentrar o cômodo principal do prédio à sua frente com a impessoalidade que lhe era comum. Mantinha a postura austera e distante – ainda que suas expressões fossem suaves – enquanto caminhava até o balcão disposto no centro do grande hall. Caso houvesse alguém no recinto que pudesse lhe receber, inclinar-se-ia numa mesura respeitosa e discreta, antes de apresentar-se e explicitar as suas intenções.

Sou o agente Morgan Morozova, recém transferido para Petra Yuni. – Declararia, se houvesse ali algum humano que pudesse ouvi-lo. – É a minha primeira vez na ilha, portanto não sei a quem me reportar diretamente. Mesmo assim, sei que devo antecipar-me logo, pois, pelo que vi, há muito o que se fazer pelas redondezas. – Diria, fitando seu ouvinte nos olhos. – E também precisarei de uma arma. Gostaria de fabricá-la eu mesmo, se possível.  

Dessa forma, aguardaria paciente as instruções que poderia vir a receber de um possível recepcionista, ciente de que ele haveria de ser o seu porta-voz naquele primeiro momento. Mesmo assim, se não encontrasse qualquer sujeito vivo que pudesse lhe auxiliar inicialmente, Morgan não tardaria em se aventurar pelos corredores e pelos andares do enorme prédio, aproveitando-se da solitude para explorar as nuances escondidas por tanto branco e tanto cinza. Proferiria a apresentação ensaiada caso fosse necessário, se por ventura cruzasse com alguém em seu caminho, indicando sua identidade e o seu objetivo no local.

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Re: A Voz dos Silenciados Seg Abr 25, 2022 9:28 pm






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Morozova percebia-se caminhando naturalmente pelas ruas arenosas de Petra Yuni, admirando sua bela cultura, arquitetura única, sons, cores, paisagens e talvez sabores sem que estes ativamente encostassem em sua língua. Em seu coração, a diversidade era bela, mesmo que em sua carcaça houvesse o símbolo daquilo que destruía, sem escrúpulos, o que não era cinza. Naquele momento, portanto, focava-se em aproveitar a amálgama de sensações que inundavam seu ser em um deleite enriquecedor, antes que tivesse que voltar para sua realidade laboratória: cinza, branca, branda, sem sabor.

Dessa forma, ao adentrar o prédio do Governo Mundial, iria diretamente para o balcão que se apresentava em sua visão sem muito rodeio. Por mais incrível que pudesse parecer, o lugar era vazio, mostrando talvez a falta de sucesso que a agência tivera em estabelecer suas bases na ilha que transbordava em criminalidade. De todo jeito, abordava com sua elegância real e nobre, de tamanha simpatia e fluidez para uma fala corriqueira que poderia até mesmo chamar a atenção da atendente que ali estava. Esta, sem demoras, respondia o rapaz: — Espere um momento, senhor. Vou chamar o seu superior. — seus passos céleres inundavam a sala aberta com um som característico de salto batendo contra o piso de mármore, e logo se findavam conforme ela desaparecia nos andares superiores.

A sensação estranha de solidão não durava muito tempo, conforme a dupla descia a escadaria para o encontro com Morgan. — Morgan, é um prazer conhecê-lo. — iniciava a interação um homem em sua meia-idade, com olhares profundos, acompanhados de sacos embaixo dos olhos como se não dormisse houvessem dias. Seus cabelos e barba grisalhos somavam a uma face experiente, embora esse fato não fosse confirmado ainda. — Me chamo Calil, sou o responsável por essa sede aqui. — finalizava por um momento, antes que voltasse a falar novamente.

— Por que não subimos até meu escritório para conversarmos um pouco? — ele falava, virando as costas e liderando o caminho como se aquilo fosse mais uma ordem do que um pedido. Caminhando até a supracitada sala, percebia uma igualdade gritante entre os andares, e um estabelecimento claramente planejado para mais pessoas. Algo havia dado tremendamente errado com esses planejamentos que pareciam não ter saído do papel. Confirmando esse fato, o escritório do dito superior era sem graça, igualmente sem vida e sem personalidade, embora agradável aos olhos esteticamente.

— Como você deve saber, a situação nessa ilha está bem fora do nosso controle. Há muito trabalho a ser feito, e poucas mãos para realizar tudo. — começava, pegando uma bala de um jarro e oferecendo para Morgan. Em seguida, pegava outra para si mesmo e a colocava na boca como se dependesse daquele pouco de açúcar. — É aí que você entra. Embora haja seriedade na situação, devemos começar aos poucos e lapidar nossa situação o melhor possível. — pausava novamente, agora para pegar uma espécie de dossiê, que era entregue ao agente.

— Aí você vai encontrar informações sobre um comerciante que não pagou pelos nossos serviços. Seu nome é Abdul Hibraim, um homem perigoso e com várias cartas na manga. — a missão era, pelo que poderia se afirmar em um chute inicial, cobrança de impostos; nesse caso, uma cobrança advinda de um serviço aparentemente fora da burocracia oficial, seja essa corrupta ou não. — O valor é de 5.000.000 de berries. — terminava a conversa levantando-se da cadeira por um momento, e então lembrando de mais uma coisa. — Se quiser forjar sua arma, mais ao fim do Mercado de Arosa há uma forja filiada ao governo. Pode usá-la se quiser. — desse ponto, a interação havia se encerrado; todas as informações haviam sido passadas para Morozova, e seu superior parecia um homem rígido.


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Re: A Voz dos Silenciados Ter Abr 26, 2022 9:31 am
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Havia algo na arquitetura do prédio que o entristecia profundamente, e Morgan sabia exatamente o que o afligia; era tanto minimalismo, tanta impessoalidade e falta de caráter. As sedes do governo eram sempre padronizadas e desgostosas, evidentemente para transmitir a sensação de unidade e supremacia que seus líderes ansiavam em reforçar. Para Morgan, no entanto, aquela perspectiva excessivamente sóbria afastava em demasia, principalmente em ideologia, aqueles a quem eles mais deveriam tentar se aproximar: o povo.

Calil parecia se encaixar perfeitamente à proposta da agência. Quase como se fizesse parte do conjunto geral, a sua aparência remetia à ideia de dedicação excessiva ao trabalho e devoção plena perante os assuntos da organização. Parecia exausto sob uma primeira perspectiva, sustentando olhares cansados e trejeitos de alguém que já havia morrido por dentro; mas igualmente detinha um ar de seriedade e experiência típicos a quem servia à Cipher Pol por anos demais.  

Morgan se limitou a curvar-se em resposta, fazendo do seu silêncio a única mensagem que estaria disposto a passar inicialmente. À atendente ele dedicou um sorriso ligeiro, agradecido pela recepção prestativa, e não tardou em seguir seu superior pelas escadas espiraladas que se contorciam em direção ao andar superior.

Mantendo-se calado por todo o trajeto, o agente deitava seu olhar analítico sobre a decoração imparcial e vislumbrava cômodos demais para pessoas de menos. Certamente, ele ponderou, a estrutura havia sido programada para receber várias faces, mas não havia transeuntes vivos circulando pelo local. A base operacional era quase assombrosa quando vista por dentro, repleta de móveis cuja assinatura estética poderia ser atribuída a qualquer um. Não havia graça nem originalidade, muito menos razão para felicidade naquele recinto.

O cômodo que abrigava Calil era igualmente deprimente, embora sutilmente mais sofisticado que o restante da construção. Ornado com mais do mesmo, havia o mesmo tom minimalista e sem vida já habitual aos cães do governo, como se a composição do ambiente tivesse saído diretamente de uma revista genérica de arquitetura. Morgan quase sentiu pena de Calil, aparentemente fadado a viver enfurnado naquela decadência por toda a vida.

Seu tom de voz, no entanto, demonstrava algum pouco vigor, e Morgan imediatamente voltou sua atenção às palavras que lhe eram direcionadas. Dispensou educadamente as balas oferecidas pelo homem, agradecendo a gentileza com um aceno de cabeça, sem desviar a concentração das informações que, com ele, eram compartilhadas. Mantendo a postura ereta e a expressão serena, braços cruzados por detrás do corpo, ele ouvia os detalhes de sua missão com uma diligência de milhões.

Com o dossiê do seu alvo em mãos, Morozova não tardou em iniciar o seu trabalho. Inclinando-se numa mesura respeitosa, ele se retirou silenciosamente das acomodações de Calil, respeitando a hierarquia e a boa etiqueta, e moveu-se ligeiro em direção à saída do grande prédio. Atravessou o grande hall sem grandes frivolidades, limitando-se a menear a cabeça positivamente, num gesto de cumprimento rápido, caso cruzasse com mais alguém.

Dessa forma, uma vez que tivesse alcançado as ruas borbulhantes de Arosa, ele se encaminharia diretamente à forja mencionada por Calil. Sendo ela filiada ao Governo Mundial, o rapaz deduziu que, provavelmente, não precisaria pagar pelos materiais que por ventura viesse a adquirir; uma mordomia típica da organização que sempre lhe facilitava a vida. Percorreria as veias pulsantes do grande corpo que era a cidade, eventualmente interceptando algum estranho que pudesse orientá-lo em sua busca inicial, abrindo sorrisos afetivos a fim de causar uma boa primeira impressão.

Outrossim, caso encontrasse o estabelecimento de sua busca, Morgan se precipitaria para o seu interior discretamente, assumindo uma postura solicita enquanto direcionar-se-ia a quem pudesse atendê-lo por ali. Deixaria que seus sentidos vagassem pelo ambiente em busca de detalhes, procurando sugestões de perigo ou meramente algo que lhe despertasse a atenção. Sendo recepcionado, ele logo falaria:

Saudações! Meu nome é Morgan Morozova, novo funcionário do Governo aqui na ilha. – Apresentar-se-ia solene, intencionalmente suprimindo a palavra agente da comunicação. Sabia que a Cipher Pol poderia não ter estima suficiente nas redondezas para servir-lhe como bom álibi, portanto estava disposto a usar da própria personalidade e presença como forma de ser benquisto pela população. – Me foi informado que eu poderia conseguir uma arma neste local. Gostaria de dar uma olhada em alguns chicotes ou, caso seja uma possibilidade, seria uma maravilha se eu pudesse, eu mesmo, confeccionar um ao meu gosto, usando seus materiais.

Não obstante, se por ventura Morgan não chegasse a encontrar a forja que procurava, ele se aventuraria pelas redondezas de mãos limpas, usando o dossiê em sua posse para realizar a missão que lhe fora incumbida. Haveria de encontrar o comerciante e com ele tratar de forma pacífica, e embora Morgan preferisse ir armado a tal evento, não seria a falta de um chicote que o impediria de realizar o seu dever.  

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Re: A Voz dos Silenciados Ter Abr 26, 2022 10:17 pm






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Imerso naquele palácio dedicado ao nada, Morgan ponderava sobre os valores da organização para a qual trabalhava e como isso influenciava até mesmo na arquitetura e estruturação de suas sedes. Cinzas e brancas, vazias e sem vida, repleta de pessoas fadadas a uma vida de dedicação a algo que não faria nada, senão ceifar seu tempo, ao mesmo tempo que te faria sacrificar-se por um ideal quebrado. Talvez essa fosse a descrição mais acurada do Governo Mundial e tudo aquilo que ele representava, em todos os âmbitos. Morgan sabia disso, estava preparado para mergulhar naquele mundo, mas esperando mudar, de dentro, aquela sujeira que tanto o entristecia.

Seguindo esse ideal auto-imposto, recebia sua primeira missão em Petra Yuni, bem como informações sobre uma possível forja que ele poderia utilizar. Seu superior era a imagem daquilo que ele sentia pena: um homem que dedicara sua vida à organização, obstinado, regrado, eventualmente sem saúde ou uma vida para chamar de sua. Deixando isso de lado por um momento e voltando à atmosfera que lhe causava regozijo, partia para a dita forja, vendo e revendo os traços de Petra Yuni que tanto chamavam sua atenção.

Em seus passos calmos e quase flutuantes, não demorava muito até que encontrasse o local desejado. Se tratava de um pequeno estabelecimento aberto, similar a uma oficina, frequentado apenas por um senhor passado de seus 60. Suas costas arqueavam em um ângulo perigoso, e suas mãos mostravam o sinal dos anos de trabalho pesado naquela forja. Já na entrada, poderia sentira o calor sufocante da fornalha e o barulho rítmico de uma obra em produção na bigorna, martelada centenas, quiçá milhares de vezes, até alcançar a perfeição; Morozova entendia bem a sensação.

Entrando quase que furtivamente no lugar, percebia que seu interior era repleto de ferramentas e obras produzidas pelo próprio ferreiro, dispostas até que alguém viesse buscá-las. A arquitetura e estrutura eram dignas de qualquer outra moradia daquela ilha, fugindo do conceito do Governo enfim; e apesar de claramente desgastado pelo tempo, se mostrava um tanto quanto limpa e organizada, de forma que mostrasse, visualmente, a diligência daquele senhor. Este, com os sentidos desgastados pelo tempo, quase não percebia a chegada de Morgan em sua forja, demorando um tanto até que parasse de martelar para conversar com o rapaz.

Ham? Oh! Perdoe meus modos, rapaz, não havia te ouvido! — ele falava, guardando seus instrumentos de segurança. Sua voz rouca penetrava os ouvidos de Morozova de uma maneira diferente do usual, já seus olhos mal conseguiam fitar o agente que estava tão acima de seu olhar. — Pode me chamar de Woolfrick. — finalmente se apresentava, e em seguida colocava o metal martelado de volta na fornalha para retirar as impurezas. Assim que terminava essa tarefa, voltava a conversar com o visitante. — Pode usar a forja à vontade! E diga a Calil que agora ele está me devendo uma! — proclamava, enquanto pegava uma vassoura para limpar a poeira juntada no lugar. — Só peço que antes tire o metal que acabei de colocar assim que ele derreter novamente. Despeje-o no molde para que eu possa usar novamente mais tarde. — com essas condições, apenas seguia com seus afazeres higiênicos pelo lugar, sem se importar muito com a presença do funcionário do governo.


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Re: A Voz dos Silenciados Qua Abr 27, 2022 9:39 am
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Uma vez dentro do estabelecimento, Morgan não pôde deixar de reparar nos pormenores que compunham a estrutura; cheia de adornos locais e de uma beleza singular, em nada poderia remeter à arquitetura morta do Governo Mundial. Decerto haveria de ser um comércio associado, possivelmente feito presente em Arosa há muito mais tempo que as instituições internacionais.

Seu inquilino parecia igualmente fugir dos estereótipos comuns ao Governo, revelando possuir traços mais inclinados para os próprios de Petra Yuna. Foi preciso que Morgan o chamasse algumas vezes antes do senhor compreender que a solidão já não lhe era uma opção, e o agente se limitou a sorrir, gentil, em resposta.

Não há problema com isso, senhor Woolfrick. – Disse honestamente, esquivando-se das desculpas. Caminhou em sua direção e estendeu a mão num cumprimento informal, tentando estabelecer alguma conexão com o homem à sua frente. Levava no semblante a mesma expressão serena que lhe era tão costumeira, mantendo a postura sempre relaxada e tranquila, os olhos atentos no trabalho que o ancião finalizava.

Tenho certeza que Calil vai recompensá-lo por esse favor. Se não, eu assumo a responsabilidade. – Disse singelo. Ele observou Woolfrick aliviar as sujeiras do recinto, que não eram muitas, e ceder o espaço para que Morgan pudesse trabalhar. Este, por sua vez, zelava diligentemente pelo metal que lhe havia sido delegado, admirado com a metamorfose em liquido inferida de um processo que lhe era tão familiar; ele nunca se cansava do calor efervescente e do cheiro do carvão e do metal.

Uma vez que julgasse o momento adequado para remover o metal derretido da grande fornalha, ele o faria com presteza, mas também com cuidado para não cometer nenhum ato falho. Seu braço esquerdo formigou sutilmente, ele percebeu durante o processo, o que o incomodou. Não era de hoje que Morgan notava a inferioridade de um de seus lados em detrimento do outro, e o descompasso parecia irritá-lo na alma; mesmo que fossem proporcionalmente fortes, a destreza de sua canhota era uma verdadeira calamidade.

Por isso Morozova decidira que aproveitaria a confecção de seu chicote para estimular a agilidade de sua mão esquerda. Dessa forma, quando finalmente deixasse de manusear o metal, ele se dirigiria à Woolfrick em busca de couro e de cabo maleável. Ali ele faria um trabalho essencialmente funcional, sem grandes exageros ou invenções mirabolantes; o intuito haveria de ser conseguir uma arma discreta e eficiente.

Com os materiais em mão, colocar-se-ia a produzir o chicote com primor, ainda que demonstrasse certa dificuldade durante o processo como inferência de sua determinação em usar majoritariamente a mão esquerda no serviço.

Senhor Woolfrick? – Chamaria, sem desviar a atenção do trabalho manual que realizava. – O senhor é da região? É ferreiro aqui há muito tempo? – Inquiria, demonstrando curiosidade genuína pela história de seu anfitrião. Ouviria pacientemente o que o senhor por ventura viesse a dizer, meneando afirmativamente a cabeça vez ou outra, num indicativo de sua atenção frente às possíveis palavras, e faria uma nova pergunta ao final do diálogo: – Por acaso o senhor conhece Abdul Hibraim? Saberia me dizer que tipo de homem ele é ou onde encontrá-lo?

Durante toda a conversa, Morgan se concentraria em finalizar a sua arma ao passo em que aperfeiçoaria a sua ambidestria, efetivamente utilizando a mão direita somente quando julgasse necessário corrigir o trabalho de sua contraparte. Dessa forma, quando finalmente se desse por satisfeito com o resultado final, voltar-se-ia ao responsável pela forja, já com o chicote em sua posse.

Agradeço pelo seu tempo e pelo favor. Foi um prazer conhecê-lo. – Diria por fim, na intenção de sair do estabelecimento em seguida. Manter-se-ia no lugar, no entanto, caso Woolfrick demonstrasse sinais de que teria mais a dizer ou se algo inesperado acontecesse; do contrário, seguiria para o encontro de Abdul Hibraim, seguindo – ou não – as possíveis recomendações recebidas na ferraria. Com discrição, poderia interceptar alguns transeuntes em busca de informação, mantendo os trejeitos serenos a fim de não causar nenhuma desconfiança ou alarde.

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Re: A Voz dos Silenciados Qui Abr 28, 2022 12:11 am






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Mais uma vez navegando a pé pelas ruas arenosas do Mercado de Arosa, Morgan se via, novamente, surpreso com as nuances apresentadas nas diversas partes daquela ilha. Embora a forja fosse um lugar filiado ao Governo Mundial, este parecia não ter muita influência sobre o local no fim das contas. Seu regente, um velho senhor chamado Woolfrick, também aparentava ser alguém de boa índole e simpático; o inverso do que se esperava de alguém daquela organização após as diversas vivências na agência que dizia prezar pela lei, mas prezava mais pelo dinheiro em seus bolsos no fim das contas.

— Você é um bom rapaz, jovem. Me lembra meu filho. Hehehehe. — ele falava após ponderar um pouco enquanto varria o chão já limpo como nunca. Morgan, mesmo não conhecendo o senil, se dispunha a realizar o que lhe era pedido antes mesmo que seguisse suas próprias vontades. Talvez isso remetesse ao verdadeiro ideal que deveria ser adotado por aqueles que prezam, indiscutivelmente, pelo bem-estar da população que estava debaixo das asas de uma só organização. Comprovando mais ainda essa percepção que muitos esperavam dos fardados, Morozova zelava e cuidava daquele metal; agraciava-se com a beleza do processo mesmo que tenha o visto dezenas de vezes.

Assim que seu sentimento dizia estar pronto para a retirada, o rapaz o fazia com afinco e esmero, sem se deixar cometer qualquer falha naquele produto que não era nem mesmo seu. No processo, acabava percebendo a latente falta de destreza que possuía com a sua mão esquerda. Embora velada durante muitos momentos em sua vida, em certos casos a "deficiência" motora - quando se comparada à destra - se mostrava um tanto quanto problemática. Naquele mesmo momento, seu braço formigava com aquela simples ação, o levando a um trabalho mais focado naquilo que ele necessitava, com urgência, melhorar.

Portanto, inicialmente buscava os itens necessários para mais uma de suas criações; no momento de finalmente colocar em produção aquilo que ele desejava, passava a utilizar, como mão dominante, a sua canhota, na esperança de que com a prática, em algum momento, ele chegaria à perfeição. Sua hipótese estava correta, embora claramente trabalhosa e demandante em vários âmbitos do seu próprio ser. O trabalho, embora muitas vezes feito de forma irregular, era logo corrigido e ajeitado, tomando, eventualmente, o ritmo do que fazia, regular. Não tão alto quando o martelar na bigorna e no metal, mas claramente belo de maneira similar.

Quebrando, então, o silêncio em meio ao trabalho braçal, indagava o senhor quanto aquilo que flutuava sobre sua cabeça. A resposta logo vinha; branda e calma como a maneira que ele levava a vida. — Eu venho de uma terra um pouco mais distante. Las Camp. Já não me lembro muito bem como era o lugar, mas tenho vontade de voltar algum dia. ele dizia em um tom nostálgico, não terminando sua fala mas realizando uma pausa como quem estivesse pensante. Sua vassoura finalmente parava um pouco, então ele voltava a dizer. — Vim para cá com meu filho, quando ele se tornou um agente. Sempre foi eu e ele e... eu não queria deixá-lo. — dizia mais um tanto, respirando fundo antes de voltar a tagarelar.

— Enfim... eu acabei nessa forja e ele... deve estar se aventurando por aí. — a última parte de sua frase era dita de forma célere, não demorando sequer um segundo antes de voltar a sua atividade prolixa. O assunto claramente possuía mais profundidade, e talvez emburrecesse o senhor um tanto; por um certo momento, um silêncio ensurdecedor tomava conta do recinto antes que Morgan voltasse a indagar. — Ibrahim... Ahhh! O Ibrahim. Ele geralmente se desloca entre o mercado e o porto. De vez em quando ele se assenta em um bar qualquer e o esvazia para poder degustar seu vinho sozinho. — falava como se conhecesse muito bem a figura, mas não se aprofundava muito naquilo.

Durante aquela conversa, Morozova acabava por completar seu chicote. A obra, como esperado, ficava alinhada com seus desejos e necessidades, não precisando mais estar por ali. Por fim, se despedia de Woolfrick, seu anfitrião, e partia para checar as dicas dadas pelo senhor. — Adeus, rapaz. Volte sempre! — dizia de forma simpática como quem havia realmente gostado da presença extra. Para Morozova, após a interação, restava perguntas, algumas respostas, e certos assuntos para ponderar; quiçá uma personalidade para desvendar e enfim, aproximar.


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Re: A Voz dos Silenciados Qui Abr 28, 2022 10:52 am
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Aos poucos Morgan sentia seu trabalho evoluir, alinhando as habilidades de seu braço esquerdo às expectativas que nutria sobre a arma que confeccionava. O mesmo não poderia ser dito, no entanto, sobre a breve conversa que propusera à Woolfrick; este que, embora demasiado educado e prestativo, não parecia estar disposto a aprofundar nos dilemas de sua própria vida. Era um homem reservado ao que tudo indicava, característica que Morgan evidentemente sabia respeitar.

Mesmo assim, algumas informações interessantes foram pingadas sobre as palavras, e Morozova pôde concluir que a relação entre pai e filho não haveria de ser das melhores, quiçá mesmo inexistente. Se suas deduções estivessem corretas, o filho de Woolfrick haveria se perdido no mundo, inteiramente entregue à lavagem cerebral imposta pelo Governo Mundial. Não seria o primeiro, ponderou Morgan. Ele havia experimentado, na própria pele, o assédio que acompanhava os treinamentos da Cipher Pol, portanto sabia que não poderia culpar um possível declínio do outro rapaz.

Dessa forma, Morgan decidira que não comentaria mais nada a respeito do filho pródigo, assim como também não arriscaria pedir mais informações sobre a intimidade de seu anfitrião. À luz da verdade, o agente não estava disposto a aborrecê-lo, não apenas por respeito, mas também porque inquiriria por uma nova informação de seu interlocutor.

Por sorte, Woolfrick parecia disposto a tecer alguns comentários sobre a personalidade contida no dossiê da CP, e com eles Morgan fora capaz de estabelecer algumas rotas que poderiam lhe ajudar a encontrar o sujeito mais rapidamente. Outrossim, embora o ancião não tivesse elaborado nenhuma observação mais profunda sobre o outro sujeito, a neutralidade de seu tom de voz parecia indicar alguma indiferença frente à figura de Abdul Hibraim, o que também poderia ser interpretado como indícios de que seria este um homem de bom senso. Isso haveria de ser benéfico, refletiu o rapaz; se tudo ocorresse bem, resolveria as pendências de Hibraim rapidamente e de forma saudável.

Fora com esse pensamento que Morgan começou a sua busca pelo desconhecido, transitando pelo comércio com calma e despreocupação aparente. De acordo com o velho, a busca de Morozova provavelmente se findaria num bar reservado, onde o seu único cliente passaria algum bom tempo apreciando taças de vinho. Aquilo era encorajador, se fosse pensar bem; sendo um entusiasta da bebida e cria de uma vinícola internacionalmente conhecida, Morgan poderia ser muito bem o parceiro de mesa que Hibraim sequer saberia precisar.

Dessa forma, ele caminharia pelo mercado em busca de seu alvo, procurando pelo rosto memorizado a partir dos arquivos da Cipher Pol. Com pudor, ele investigaria os bares e interceptaria passantes em busca de informação, traçando todos os caminhos possíveis que ligavam o comércio ao porto. Não encontrando seu objetivo em lugar algum, o agente se dirigia diretamente às propriedades de Hibraim, na esperança de lá enquadrá-lo.

Com isso, uma vez que se deparasse com o sujeito pela primeira vez, Morgan tentaria uma abordagem casual a princípio, evitando possíveis seguranças com a sua elegância e boa educação. Revelaria a sua identidade e a sua posição no Governo Mundial a fim de abrir passagem até o seu alvo principal, e, a partir disso, derramaria charme e eloquência sobre sua meta.

Senhor Abdul Hibraim? – Proferiria, convocando a sua atenção. Respeitaria o tempo do homem e um possível momento de silêncio, antes de, na primeira deixa, apresentar-se adequadamente: – Me chamo Morgan Morozova. Eu poderia me juntar ao senhor por um momento?  

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Re: A Voz dos Silenciados Sex Abr 29, 2022 6:01 pm






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Mais um daqueles moradores singulares da grande Petra Yuni passava pela vida de Morgan, com suas nuances, cores e particulares traços que carregam consigo as marcas de uma vida em tristeza ou felicidade; mágoa ou contentamento; cicatrizes ou um corpo privilegiado com a falta deles. Seja como for, o homem de idade já avançada, marcada pela curvatura parabólica de sua coluna e os longos cabelos já esbranquiçados - características também acompanhada pelas rugas em uma face judiada pelo tempo e pelos seus consanguíneos -, se abria em partes para o funcionário do Governo, revelando detalhes não tão apreciados de uma vida que o trouxera angústia e traumas. Por fim, o mesmo rapaz que apresentava as duas facetas de uma vida, revelava detalhes que realmente eram úteis para Morozova, que não hesitava em partir dali, carregando consigo o peso de uma história a mais.

Partindo, novamente, pelos arredores cromáticos de Arosa, ponderava um pouco sobre as poucas informações que aquele senhor havia lhe dado. Embora vagas, poderiam levá-lo a um caminho inicial para que encontrasse seu alvo. Além disso, a naturalidade estranha empregada em suas palavras inferiam uma personalidade branda, talvez até amiga, fator que facilitaria na aproximação do mercador por parte de Morgan. Ademais, sua aparente devoção por vinho seria finalmente compartilhada com alguém com os mesmos gostos, sem que seja apenas o vazio que acompanhava Ibrahim nos bancos dos bares que frequentava.

Perto de um fim pela súbita aparição de Morozova, este procurava por indícios de uma confirmação nas palavras de Woolfrick através de uma minuciosa investigação, passando por transeuntes e os entrevistando, até traçando caminhos pelos inúmeros comércios da localidade quando conectados ao porto, suposto lugar de origem de Abdul. Através do cuidado extra em sua procura, não passava muito tempo nessa atividade monótona, encontrando o homem ilustrado em seu dossiê em um pequeno estabelecimento, que embora parecesse simples, se mostrava um tanto quanto tratado por dentro.

Na porta de entrada que separava aquele universo das ruas empoeiradas características da ilha, alguns seguranças faziam guarda para ter certeza que a pausa usual de seu chefe não fosse interrompida por qualquer coisa; essa regra, no entanto, não cabia aos agentes, os quais eram dados passagem livre até o interior do bar para o encontro do superior ali. Esta talvez fosse uma conclusão dada pelo próprio Ibrahim, seguida a fio por aqueles que estavam sob suas ordens; o motivo, no entanto, não se mostrava aparente, intuitivo, ou sequer claro à primeira vista.

Estando ali, podia sentir o breve aroma de desinfetante, usado nas mesas e no chão límpidos do lugar. A sua vista era inundada por uma tonalidade amarronzada, próximo ao mogno, amalgamada com cores quentes provenientes de algumas janelas que estavam dispostas em suas costas, dos seus lados e, enfim, em direção a um corredor que levava a cômodos não observados pelos clientes. Sua movimentação era, em alguns momentos, prejudicadas pelas mesas e cadeiras dispostas ali, como se estivessem esperando há anos por uma alma qualquer. Mais em frente, Abdul mostrando suas costas vulneráveis, olhava para trás por cima dos ombros, antes de novamente retornar sua face para frente, onde estava uma adega com diversos tipos de vinhos, marcas, safras e madurações. Embora estivesse em uma espécie de balcão, este não era acompanhado, como usual, por um bartender ou qualquer funcionário que o fizesse companhia; as palavras de Woolfrick vinham à tona quanto à sua solidão momentânea.

Ao ser abordado pelo arauto da justiça e lei - ou assim deveria ser -, respondia brevemente ao homem após uma longa bebericada do vinho tinto que saboreava com delicadeza. — Claro, senhor Morgan. O que te traz ao meu local de descanso? — indagava com uma voz calma, que exalava levemente o odor de álcool, frutos, algumas ervas e, claro, a uva. Ainda sem contato visual, voltava a falar com o rapaz em um tom que parecia não condizer com seu humor melancólico. — Espero que não seja à negócios. Se for, espero que tenha o bom senso de dar meia volta. — anunciava, dando mais um gole no líquido de tonalidade violácea.


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Re: A Voz dos Silenciados Ter Maio 03, 2022 9:15 am
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Morgan mantinha a respiração sob controle ao penetrar o interior do estabelecimento, reforçando a neutralidade de sua postura a cada novo passo que dava em direção ao seu alvo. Seus olhos vagavam pelos adornos que davam personalidade ao ambiente, avaliando os tons terrosos e as nuances amadeiradas cuidadosamente dispostas entre móveis e pinturas. Com destreza, deixou-se vagar até seu destino, evitando obstáculos físicos quase como se dançasse entre eles, e acomodou-se ao lado de Hibraim; costas contra o balcão, as pernas cruzadas de forma elegante.

Não são todas as interações humanas algum tipo de negócio? – Respondeu gentilmente, esquivando-se da pergunta com alguma dose de filosofia de bar. Seus olhos se deitaram sobre a taça envolvida pelos dedos de seu anfitrião, fitando a tonalidade do rubro reluzente e pulsante, e Morgan permitiu que o aroma frutado do vinho brincasse com seu olfato. Através do material translúcido, ele procurava identificar os perigos contidos no vinho por meio de suas lágrimas; estas que escorreriam, pela parede da taça, mais finas e numerosas quanto mais proeminente fosse o teor alcoólico da bebida.

Vim conhecê-lo, senhor, mas confesso que não esperava encontrá-lo acompanhado de um... La Tâche? – Continuou, procurando deduzir a origem do vinho a partir de uma análise sútil. Não poderia ter certeza até que lhe fosse confirmado, no entanto, mas esperava que a deixa fosse o suficiente para despertar o interesse de seu interlocutor. – Infelizmente, vinhos são o meu Calcanhar de Aquiles. É realmente deprimente que, diferente do senhor, eu esteja em horário de trabalho.

Descruzou as pernas em um gesto prolongado, trocando a que se mantinha por cima por puro capricho, uma mera forma de demonstrar conforto e segurança. Deixou que a cabeça tombasse para o lado, voltando a observar a aparente falta de movimentação pelo estabelecimento, e tentou se concentrar, por um momento, em qualquer som que pudesse ser captado por detrás das portas.

Foi me dito que o senhor requisitou a ajuda do Governo há algum tempo, mas não havia detalhes do serviço nos registros, tampouco curiosidades sobre a sua vida. Admito que fiquei intrigado com seus negócios. – Diria, suave e com uma cortesia inimaginável na tentativa de amaciar o ego de quem o escutava, bajulando-o com palavras mais doces que o vinho [possivelmente] seco em sua boca. – Uma figura tão importante do cenário de Petra Yuni deve ser protagonista de algumas das melhores histórias da região. Me pergunto o que há escondido sob tapetes de sal tão densos...

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Última edição por Liebe em Ter Maio 03, 2022 7:10 pm, editado 5 vez(es) (Motivo da edição : post bugado. obrigado ao reme por consertar <3)

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Re: A Voz dos Silenciados Ter Maio 03, 2022 6:57 pm






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Morgan seguia com sua passada lenta e calma pelas ruas de Petra Yuni, agora com seu objetivo mais claro como a luz do dia ensolarado da ilha. Havia acabado de conhecer aquele senhor com alma rasgada mas humor sempre elevado; embora não houvesse ficado muito, certamente guardaria o encontro em seu peito após ouvir tanto de uma história que poderia o cativar através de seu caráter intrigante e aparentemente melancólico. Não colocando muito seu esforço mental nesse quesito, se limitava a, minuciosamente, realizar a busca de Abdul Ibrahim. Com toda sua maestria e pensamento lógico, encontrava-o, não muito tempo depois, em um pequeno bar vazio, aproveitando sua solidão com uma taça de vinho até o encontro não programado com Morozova.

Como usual, o funcionário do governo prosseguia com sua passada calma e atitude amena, portador de uma serenidade quase invejável mesmo na presença de alguém totalmente desconhecido. Suas interações, maneirismos e impressões refletiam esse tipo de atitude e aproximação, mostrando extrema confiança e segurança para aquele que estava ao seu lado, ainda impessoal e em profunda melancolia com sua taça de vinho mítico. Dela, além do odor de álcool, podia-se ver, para um verdadeiro amante da bebida, as lágrimas formadas pelo teor daquela substância inebriante; naquele, em especial, via-se uma alta concentração.

Prosseguindo com o que parecia ser um encontro desconfortável, Morgan não media esforços e mostrava atitude quando se era para amenizar o clima e quebrar o gelo. — Você tem razão. Embora eu aprecie algumas negociações mais que outras, obviamente. — dizia o mercador após ponderar um momento sobre as palavras sábias daquele jovem que não parecia ter o dobro de sua idade. Tão perto assim de Abdul, podia ver as falhas se formando em seu couro cabeludo, bem como certos fios grisalhos se destoando enquanto as rugas de expressão apareciam na pele judiada pelo Sol e clima árido de Petra.

Não se atendo a informações pouco úteis naquele momento, o rapaz prosseguia com aquilo que viera fazer naquele estabelecimento, embora houvesse sido indireto e um tanto quanto experiente em sua lábia para chegar até onde desejava chegar. — Tenho certeza que Calil não irá notar que você fez uma pequena pausa. — falava o homem com segurança e sem hesitação em suas palavras. Em uma velocidade apressada - mas retardada pela sua perna esquerda que mancava -, saía de seu banco para pegar uma nova taça de vinho, na qual colocava uma segunda dose, esta dada a Morozova. Naquele momento, Morgan parecia mais um cliente do bar que Abdul regia, separados quanto às suas respectivas posições no balcão. Notava, também, que seu palpite estava correto: se tratava de um La Tâche, consumido pelos mais ricos e abastados dos oceanos.

Fisicamente separado do agente, naquele momento, começava a tecer algumas palavras. Seus olhos, caso Morozova se virasse para o anfitrião, mostrariam-se cansados, mas imponentes e determinados acima de tudo. Eles passavam um sonho, que sairia de sua boca não muito após. — Após iniciar no meu ramo, tudo que eu sonhava era ter uma vida simples, como essa. Atendendo meu próprio bar e aproveitando minha velhice. — ele falava, com ambos os cotovelos agora na madeira para apoiar seu corpo degradado; desviando seu olhar para não ficar preso às costas do seu novo parceiro enquanto este revelava suas verdadeiras intenções ali.

— As perspectivas mudaram assim que eu havia saído de meu conforto. Eu me arrependo todos os dias da minha vida... miserável, nesse ponto. — a pausa podia ser sentida através da leve batida da taça na mesa, indicando que mais um gole havia sido tomado. — Para minha alegria, agora, tudo que construí está acabando. Infelizmente, não pelas minhas mãos. — mais uma pausa era feita, embora essa não fosse acompanhada por mais um trago do líquido. — Respondendo seu comentário, agente, sim, participei muito da construção desse lugar, e acabei me enfiando em uma dívida que demorei anos para chegar perto de quitar com o Governo. — revelava, enfim, a natureza de seu envolvimento com a organização.

— Mas não se engane. De alguém como eu, pouco se pode tirar de proveitoso. Tudo que necessito agora é lidar com os resquícios de uma vida que estou deixando para trás. Espero que possa me ajudar nisso, agente, para meu e para o seu próprio bem. — levantava a taça na espera que fosse agraciado com um tilintar vindo de seu atual companheiro, caso este já estivesse de frente para o homem. No meio daquela grande conversa, não ouvia nada dos fundos, muito menos das proximidades do bar; ao que pareciam, estavam completamente sozinhos.


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Re: A Voz dos Silenciados Ter Maio 03, 2022 7:12 pm
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Com os olhos deitados sobre seu acompanhante, Morgan o estudava profundamente, analisando trejeito, maneirismos e possíveis defeitos, buscando, nas sutilezas, alguma evidência de que o homem à sua frente haveria de ser uma capodecina ou algo similar. Não obstante não havia nada em sua aparência que pudesse sugestionar perigo; cada aspecto de seu físico gritava fragilidade, com traços da cabeça aos pés delatando uma vida pautada no estresse e na ansiedade. Mas aquilo era meramente uma casca, e disso Morgan bem sabia. Ele não poderia se dar ao luxo de abaixar a guarda naquela situação.

Por isso, quando Hibraim se dispôs a servi-lo uma taça de seu vinho caríssimo, Morgan sequer piscou a fim de não desviar a própria atenção. Observou-o coxear para o outro lado do balcão, movendo seu corpo de forma a nunca lhe perder da visão, e acomodou ambos os braços sobre o apoio que os separava. Agradeceu pela bebida com um sorriso discreto, e molhou os lábios sutilmente por pura educação, dissimulando alguns goles a fim de não fazer alguma desfeita que pudesse desagradar seu anfitrião. Morgan era um amante dos vinhos, isso era bem verdade, mas ele não alimentava vícios que o obrigassem a beber verdadeiramente numa conjuntura como aquela.

Desta forma, limitou-se a ouvir a história do outro em silêncio, inteiramente ciente do tom melancólico, quase autocomplacente, de suas palavras. Havia algo de sofrido em Abdul que o remetia diretamente às duas outras figuras masculinas com as quais cruzara em Petra Yuni, e Morgan percebeu que parecia ser padrão, entre os habitantes da região, o esmorecimento perante a vida. A desilusão tingia o olhar de todos eles, acendendo no âmago de Morozova compaixão e empatia.

Não obstante, havia uma razão para a presença do rapaz naquele ambiente, e Morgan precisava se lembrar de suas motivações frequentemente. Poderia simpatizar com Abdul Hibraim o quanto quisesse, mas aquele homem detinha uma trilha de esqueletos que o perseguiria por toda a vida, fato que não poderia ser negligenciado pelo agente. Para além disso, era uma missão da Cipher Pol que estava em andamento naquele momento; uma simples cobrança de dívida por um trabalho vil promovido pelo Governo Mundial.

Por isso Morgan não respondeu ao brinde que sucedeu uma ameaça velada, fornecida pelo próprio dono do estabelecimento. Abdul parecia empenhado em demonstrar a sua índole para Morozova o quanto fosse necessário, obrigando-o a não se esquecer das nuances obscuras por detrás de um homem. Morgan manteve sua própria taça sobre o balcão, alhures do gesto promovido, e fitou os olhos de Hibraim com neutralidade. Em seu coração havia tristeza, mas Morgan não transpareceria qualquer outra emoção que não fosse convicção.

Eu venho de uma família pequena, mas que comanda um verdadeiro império em seus negócios. Temos algumas vinícolas muito famosas pelo mundo; nosso vinho é apreciado por Tenryūbitos. – Diria em resposta à última fala dirigida a si, iniciando um monólogo sustentado por um olhar penetrante. Havia serenidade no semblante de Morgan, mas seus olhos brilhavam de maneira intimidante. – Mas a verdade é que não haveria tanta prosperidade se fossemos complacentes com promessas quebradas. Entende o que quero dizer?

Morgan então se levantaria, afastando a taça de vinho de seu corpo, e manteria a sua atenção focada não apenas no sujeito à sua frente, mas também em todos os acessos do recinto, procurando não ser surpreendido por presenças inesperadas. Precisava calibrar bem as palavras que despejaria sobre Hibraim a partir daquele momento, sabendo que elas poderiam desencadear desdobramentos dramáticos que Morgan insistentemente vinha tentando evitar.

Acho que o senhor é um homem bom com um passado ruim, e eu sou mero agente que está aqui para cobrá-lo por suas escolhas. – Continuaria a dizer, mantendo a serenidade no timbre da voz. Morgan era um homem justo, mas igualmente comprometido com suas próprias obrigações; ele não vacilaria diante daquele impasse. Não poderia falhar em sua primeira missão, ou suas ambições jamais se concretizariam. – São ฿ 5.000.000. Nada mais, nada menos.

O rapaz manter-se-ia preparado para possíveis eventualidades, disposto a sacar a sua arma ao menor sinal de perigo iminente. Dessa forma, caso Hibraim reagisse de forma suspeita, Morgan tentaria enrolar o chicote em volta de seu pescoço, sufocando-o o suficiente para impedi-lo de gritar. Por viés equivalente, usaria cadeiras, mesas ou o próprio balcão como escudos, se por ventura percebesse tiros em sua direção; fossem balas do próprio Hibraim, fossem de seus lacaios, caso estes dessem as caras no local.

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Re: A Voz dos Silenciados Qua Maio 04, 2022 4:07 pm






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許されざる



Novamente fora das ruas desérticas, embora cheias de cor e vida de Petra Yuni, Morgan finalmente encontrava, afastado de qualquer centro comercial que se tinha conhecimento, o alvo de sua cobrança. Talvez, em senso comum, esperava-se um encontro um tanto quanto violento e talvez até desprovido de qualquer formalidade, mas naquele ambiente se via o completo contrário de ambas as partes. Envoltos em decoro, Morozova passava a apenas observar seu colega de recinto, buscando nele um aprofundamento; este que vinha em um grande monólogo que expunha parte da história que gostaria que soubessem e a observação de sua fragilidade, tão presente em Petra como uma espécie de sina.

Nesse contexto, Morgan via-se em um impasse; um dilema que poderia colocar em contradição sua moralidade e os ideais que lutou tanto em sua vida para adquirir. O coração do agente se quebrantava com o discurso moldado por Ibrahim, enquanto este oferecia-lhe um brinde; sua racionalidade, no entanto, não o deixava pestanejar diante daquela proposta ousada e um tanto quanto vaga do mercador. Para o funcionário do Governo, a resposta àquela atitude era clara como o dia, embora dolorosa e impessoal. Mantendo sua base firme e convicto de seus princípios, Morozova recusava o brinde, e por extensão, qualquer oferta oferecida após ela.

Embora parecesse ter uma conotação negativa, Ibrahim não parecia mover um músculo. Com muito cuidado, direcionava a taça para sua boca em lentidão, para então degustar o resto do que sobrava daquele vinho, colocando o recipiente de volta no balcão antes de dizer qualquer coisa. O silêncio que se instaurava no lugar poderia ser constrangedor, se não fosse esperado e até familiar para aquele devedor que havia vivido diversas situações similares em sua vida de regalias estressantes. — Imagino que o sucesso também não viria com a rigidez de seus princípios. — quebrava o silêncio, para então realizar uma longa pausa antes de fitar o jovem Morgan pela primeira vez naquela conversa.

— Apesar de tudo, você tem razão. Promessas são dívidas… — pouco a pouco, seu rosto se movimentava em razão de uma nova expressão, esta, um pouco convencida — então, quem está errado neste caso: a organização mundial que falha em cumprir seus contratos com a ética ou o ingênuo mercador que está sob a regência dessa tirana? — antes que Morozova pudesse tecer um comentário, Abdul continuava com sua fala. — De qualquer forma, Morgan, não se pode dar o que não possui. Minhas mãos estão atadas. — ao finalizar, mudava novamente seu rosto para uma espécie de sorriso social, como uma espécie de gesto de conformidade.

— Prenda-me, se preciso for. Sendo você parte do sistema ou não, todos somos cúmplices e fazemos parte do problema assim que nos tornamos complacentes. Esse é, e foi o meu pecado com essa cidade. — levantando ambas as mãos em paralelo, posicionava-as na altura do ombro em direção a Morozova, como quem quisesse ser algemado. Seu rosto indicava serenidade apesar da atitude contraditória; a melancolia de uma figura que não se importava em passar o resto da sua vida preso em uma cela ou preso naquilo que um dia chamou de lar. — Cuidado para não se tornar aquilo que tanto combate. — reforçava, após mais algum tempo, antes de abaixar suas mãos novamente. Ele estava confiando no julgamento de Morozova, seja qual esse era.


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A Voz dos Silenciados EE4OUIx


"Assume the position to get back on your knees"



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