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Um RPG narrativo baseado no universo de One Piece, obra criada por Eiichiro Oda.
 
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 O primeiro salto da carpa

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Kenshin
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Kenshin


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MensagemAssunto: O primeiro salto da carpa   O primeiro salto da carpa EmptyDom Out 24, 2021 1:57 pm

O primeiro salto da carpa

Aqui ocorrerá a aventura do(a) Revolucionário Raimundo Koiforowa. A qual não possui narrador definido.

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MensagemAssunto: Re: O primeiro salto da carpa   O primeiro salto da carpa EmptyDom Out 24, 2021 10:53 pm



O Primeiro Salto da Carpa



     Depois de uma longa noite de desconforto e picadas de formiga, acordei com o sol finalmente tendo a coragem de aparecer e acertar seus insolentes raios em meus olhos, por mais que minhas memórias ainda estivessem decidindo se meus enigmáticos sonhos eram realidade ou ilusão, me lembrava perfeitamente de onde tinha adormecido e do porque, dormi na exuberante floresta de Toroa, isso pois quando fui até a base do exército revolucionário pela primeira vez, esperava que me oferecessem um quarto, nem que fosse para ser compartilhado com os outros soldados, mas disseram que seria melhor que eu arranjasse outro lugar para repousar, pois estava fedendo muito e isso incomodava os outros, até entendo que posso não estar com o cheiro mais agradável, mas sinceramente, em minha opinião, o cheiro de humano suado que vinha de alguns deles era muito pior que o meu suposto “cheiro de peixe podre”.

     Enfim, no final eu que saí no lucro, pela glória do Deus Carpa, fui logo recebido com uma orquestra da natureza ao acordar, o som dos pássaros cantando era acompanhado com as batidas dos picapaus, não era atoa que Toroa era conhecida como ilha dos artistas, até mesmo a natureza sabia disso, certamente todo desconforto e dor nas costas valiam a pena por conta dessa beldade. Isso certamente tinha sido uma lição do Deus Carpa para mim, ignorantes poderiam dizer que a lição é "Às vezes, a dor e o desconforto podem levar a uma recompensa bela”, mas a lição verdadeira que certamente só poderia ser percebida por uma carpa de bastante fé, é que “dormir na grama faz bem”, uma lição que eu certamente tinha aprendido.

     Após um curto tempo de reflexão, me levantaria do meu leito verde e iria em direção a fonte de água mais próxima, sendo um rio, poça ou até mesmo o vasto mar, após uma boa noite de sono era necessário um bom banho matinal, infelizmente, esses são os primeiros dias de minha jornada divina, o que significa que estou completamente quebrado devido às soqueiras que resolvi comprar antes de partir, hereges podem falar que essa foi uma escolha idiota, mas eu tinha recebido uma mensagem divina do próprio Deus Carpa em meus sonhos, onde tinha visto uma carpa de soqueiras nadando pelo mar, uma clara mensagem para que eu comprasse as soqueiras, e eu, como humilde servo não poderia negar tão claro sinal… Onde estava? Ah sim, como humilde seguidor do caminho da iluminação da carpa, sabia que o dinheiro era apenas um bem material fútil, mas ainda sim, não tinha como comprar sabão sem esse bem material fútil, o que fazia com que meu banho não fosse tão eficaz, talvez olhando por esse lado, aqueles caras estivessem certos em dizer que meu fedor é terrível… Que nada, eles eram muito piores.

     Durante meu banho, minha única preocupação eram os bigodes, não tinha tempo para esfregar todo meu corpo sem sabão, então me preocupava apenas com o mais importante, afinal, não existe ofensa maior do que se apresentar para outra pessoa com os bigodes sujos, terminaria a lavagem com meu corpo em uma situação que eu definiria como um pouco desagradável, mas meus bigodes estariam impecáveis, tudo por eles.

     Logo sairia de meu banho pronto para ir até a base dos revolucionários, já tinha sido recrutado no dia anterior, agora só restava saber quais seriam minhas funções e como poderia trabalhar para derrotar o demoníaco governo mundial, para assim poder espalhar a palavra do Deus Carpa pelo mundo. Me dirigiria até a localização do quartel revolucionário, já tinha sido guiado até lá pela moça que tinha me recrutado, não me lembro se ela tinha dito seu nome, nem sequer me lembro de seu rosto, afinal, cá entre nós, esses humanos são todos iguais, mas lembrava da entrada secreta entre as raízes. Se não houvesse nenhuma interrupção, entraria e seguiria pelo túnel de pedras estreitas aproveitando estar em um lugar fechado para me utilizar do eco, fazendo com que todos ouvissem minha saudação -Que o Deus Carpa nos abençoe nesse lindo dia gritaria pela passagem para que todos ouvissem e fossem inspirados pelo Deus Carpa, caso encontrasse e fosse cumprimentar alguém, diria -Saudações, que os bigodes do Deus Carpa o(a) protejam em seu caminho enquanto abriria e fecharia a boca fazendo um barulho de “BLURPH BLURPH”, o que claramente era um sinal de gratidão pelo início de mais um lindo dia.

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Narrador
Hoyu


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MensagemAssunto: Re: O primeiro salto da carpa   O primeiro salto da carpa EmptyQua Out 27, 2021 11:04 pm


O PRIMEIRO SALTO DA CARPA



Acordando de seu sono na floresta de Toroa, mesmo tendo sido deixado de fora pelo seu cheiro horrendo, Raimundo acordava em um dia radiante, com animais cantando, o sol brilhando como se sorrisse para ele e tudo estava maravilhoso... Ao menos era o que ele achava. Repentinamente seus olhos se abrem mais uma vez em cima daquele colchão de terra, sentindo água percorrendo por todo seu corpo, e podia ver que toda aquela manhã perfeita que havia presenciando não passava de um sonho, e finalmente despertava para o mundo real: com um céu nublado e chuva caindo até onde a vista alcançava. Sendo um tritão, já estava acostumado com água e frio, então não era nada que o incomodasse. Talvez até mesmo fosse uma mensagem do Deus Carpa para não se esquecer de suas origens, mas o fato era que logo se levantava, já encharcado pela chuva, e seguia para um rio logo ao lado para se banhar. Por mais que esteja se molhando todo com a água da chuva, aquilo não substituía um bom banho.

Pulando na água corrente, que estava mais agitada por causa da chuva, Raimundo se lavava como podia, em especial seu belo bigode, que ficava impecável após a limpeza, não podendo se dizer o mesmo do rosto do corpo, por não possuir itens de higiene pessoal à disposição. Com seu corpo limpo da melhor forma possível com o que tinha a disposição, logo seguiu para a entrada secreta da base dos revolucionários, que já sabia onde era pelas desavenças do dia anterior. Passando pela passagem escondida pelas raizes, o tritão se viu em um corredor de pedra escuro, até enfim chegar em um local mais aberto feito de concreto, como um bunker subterraneo. Logo no lugar que o corredor de pedra se tornava um bunker, dois revolucionários fardados ouviam os passos de Raimundo e se colocavam em posição. - Alto lá! Quem vem... Urgh. - Raimundo podia ouvir um deles quase vomitando. - É o homem-peixe de ontem. Deixa ele passar.

Os dois abriam caminho então, prendendo a respiração. Entrando então no bunker, Raimundo se deparava com algumas pessoas andando de um lado para o outro, entrando e saindo de algumas poucas portas posicionadas em lados opostos das paredes de cimento. Algumas mesas e cadeiras estavam expalhadas pelo ambiente, onde alguns revolucionários estavam sentados conversando. Ao ver aquele lugar, uma mulher logo se aproximava. O homem-peixe a primeiro momento não a reconhecia, já que os humanos são todos parecidos, mas logo reconheceu o símbolo semelhante a uma cruz na sua ombreira, que havia visto também na mulher que o havia que o havia recrutado. - Bom ver que ainda está por aqui. A comandante está prestes a repassar uma missão, e acabei vendo você entrando quando estava a caminho. Quer vir junto? - Apesar de alguns revolucionários ao redor olharem para Raimundo devido ao seu cheiro, tampando o nariz, a mulher nem reagia àquilo, realizando uma conversa normalmente com o seguidor do deus carpa.


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MensagemAssunto: Re: O primeiro salto da carpa   O primeiro salto da carpa EmptyQui Out 28, 2021 10:25 am



O Primeiro Salto da Carpa



     O mundo dos sonhos realmente era ilusório, acordei pela segunda vez com uma clara expressão de surpresa em meu rosto, não era uma surpresa ruim, afinal a água é o meu verdadeiro lar, mas ainda sim tinha que significar algo, a água me lembra minhas origens… Relembrar as origens é um sinal de humildade… Isso só pode significar uma coisa, a lição verdadeira que o Deus Carpa queria me passar é “Dormir na grama significa humildade E umidade”, uma lição valiosa que com certeza nunca iria esquecer.

     Chegando no quartel tentei cumprimentar meus novos companheiros, mas eles estavam ocupados demais reparando em meu mau cheiro, será que realmente está tão ruim? É impressão minha ou tinha um cara quase vomitando? Que nada, eles é que têm narizes sensíveis demais. Porém, logo vi uma mulher com uma postura diferente dos demais em relação a mim, tinha uma sensação estranha em relação a ela, foi quando olhei em seu uniforme e reconheci o símbolo que tinha visto anteriormente, era essa a mulher que tinha me recrutado no dia anterior, a cumprimentei com minha tradicional saudação e depois ouvi suas palavras, - Pela glória do Deus Carpa! Adoraria iniciar minha jornada com uma esplêndida missão, por favor me leve. - responderia em um tom animado mas ao mesmo tempo sério, um tom que eu definiria como intenso, ou até, ÉPICO... Pelo menos, na minha cabeça era…

     Independente da reação da mulher, faria o que me pedisse, algo havia se clareado em minha mente, aquela mulher não reagia perante meu mau cheiro, isso só podia significar uma coisa, não era apenas um fedor, era uma mensagem do Deus Carpa, esse aspecto fétido me mostraria aqueles que são fortes espiritualmente, aqueles que tinham sido enviados por ele para me guiar no começo de minha jornada. Eu via com clareza, aquela mulher tinha bigodes espirituais bem robustos, deveria deixá-la me guiar inicialmente, mas isso não significava que os outros deveriam ser considerados como perdidos espiritualmente, aquilo era só uma provação inicial do Deus Carpa para que eu achasse meus guias, mas logo deveria retirá-la do meu corpo, pois quem deveria sofrer com minhas provações era apenas eu, sendo assim, meu primeiro objetivo em minha jornada divina deveria ser comprar sabão, para isso precisava de um objeto fútil chamado Berries, que por sua vez, poderia ser obtido com a realização de missões, estava tudo conectado, graças ao Deus Carpa.

     Caso me encontrasse com a comandante, minha reverência seria formal, me curvando levemente com os braços estendidos nas laterais do tronco, obviamente, também com o meu tradicional “BLURPH BLURPH”, que significava minha gratidão em encontrar tal figura, caso não me fosse exigido o silêncio, também falaria -Saudações comandante! Meu nome é Raimundo Koiforowa, estou aqui para lutar por um mundo mais úmido de humildade, com pessoas portando bigodes espirituais limpos por compaixão, esse é o caminho que busco BLURPH! -  



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MensagemAssunto: Re: O primeiro salto da carpa   O primeiro salto da carpa EmptyDom Out 31, 2021 12:08 am


O PRIMEIRO SALTO DA CARPA



Assim que entrou na base revolucionária, o homem-peixe recém recrutado era recebido por reações de nojo diante do seu fedor, mesmo após seu banho improvisado. Nitidamente se molhar não havia sido o suficiente, e ele precisaria de um banho completo para amenizar a catinga. Mesmo perdido, uma humana logo se aproximou, agindo de forma amigável, o que causou certa surpresa em Raimundo, mas logo reconheceu o símbolo em sua ombreira. Agora que olhava melhor, podia identificar que uma mecha do seu cabelo era vermelha, outra característica que poderia o ajudar a gravar quem aquela pessoa era. Com a proposta, ele logo se mostrou interessado, arrancando um sorriso da garota. - Que bom, vem comigo. - A verdade é que ela nem mesmo parecia perceber as reações que os outros tinham à carpa, agindo de forma naturalmente, o que levou o homem-peixe a ter a revelação do quão importante aquela mulher seria nos primeiros passos da sua jornada.

Seguindo-a por alguns corredores, que sempre se dividiam em outras 5 passagens, como um labirinto, logo chegaram em frente a uma porta. Sem dúvidas, se não estivesse sendo guiado pela mulher, certamente teria se perdido nas infindáveis ramificações de corredores, mas felizmente chegaram em segurança na sala que, ao entrarem, parecia ser designada para reuniões. A maioria dos rostos humanos ali pareciam todos iguais, mais duas pessoas se destacavam. A primeira era um homem-peixe, que obviamente tinha um rosto bem mais reconhecível, parecendo ser meio enguia e extremamente musculoso, com quase o dobro do tamanho de Raimundo, e estava lendo um livrinho com um par de óculos de leitura no rosto. A outra pessoa era uma mulher humana, que apesar de possuir um rosto genérico a seus olhos, possuía uma grande cicatriz no rosto que a diferenciava dos demais.

Assim que entraram, a mulher da cicatriz pareceu se surpreender com algo, arregalando os olhos, ao olhar para Raimundo, mas nada disse. Os outros humanos, entretanto, logo tamparam o nariz. - Caralho, já falei pro Thomas não deixar o lixo aqui na base, fica acumulando futum de morte. - O homem que disse isso estava de costas para a porta, e nem viu a chegada do grupo. - Não fale uma coisa dessas, Riccardo! - A mulher da cicatriz respondeu, e apontou com os olhos para a porta, fazendo-o se virar e tomar um susto, enquanto a acompanhante de Raimundo parecia confusa. - B-bom... Sentem-se, vamos começar a reunião. É um prazer, Raimundo. - O olhar da mulher, que parecia estar no comando ali, ficava sério, e todos se calaram.

- Como eu havia dito há alguns dias, um grupo de agentes chegou sem aviso em Toroa. A princípio não sabíamos o motivo da visita repentina, ainda mais que Toroa não possui filiação com o Governo Mundial, mas parece que eles estão suspeitando fortemente da presença da base revolucionária aqui. O sr. Hoffmann me disse que até o questionaram sobre o assunto, e ele claramente negou e nos acobertou, mas não podemos deixar isso assim. Preciso que vocês se dividam em dois grupos. Um deles vai monitorar os agentes, para tentarmos descobrir o que pretendem fazer, e o outro vai até o porto sabotar o navio deles. Se as coisas continuarem como estão, não podemos arriscar que eles consigam sair dessa ilha com informações. - Ela olhava para o grupo, mas logo parava seu olhar em Raimundo. - Bom, imagino que você vai ser melhor na missão de sabotagem, e... Bem... Felícia, creio que você é a mais adequada a acompanhá-lo.  

A garota com a cruz no ombro parecia surpresa com o comentário. - Err... Não tenho nada contra, mas não sei se entendi. - o tal Riccardo se manifestava novamente. - E vê se toma um banho antes de ir. Seguindo o corredor te um chuveiro, não sai por ai fedendo assim. - O homem-peixe engua se levanta de supetão. - Deixa que eu vou com eles. Vocês parecem não aguentar cheiro de peixe. - Sem dizer mais nada, seguiu para onde Raimundo e Felicia estavam. - Pode me chamar de Parsha. - Com isso, os outros, incluindo a mulher da cicatriz se levantaram. - Então está definido. Espero um relatório até meio-dia.


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MensagemAssunto: Re: O primeiro salto da carpa   O primeiro salto da carpa EmptyDom Out 31, 2021 12:07 pm



O Primeiro Salto da Carpa



     Os corredores da base eram como um labirinto sombrio, como uma criatura do oceano, eu estava acostumado com a vastidão azul, me sentia meio sufocado naquele lugar tão apertado e confuso, porém minha guia espiritual se mostrava mais certa de seu caminho a cada passo, mesmo quando paredes grossas nos sufocavam, ela conseguia nos guiar até a valiosa liberdade, era isso que significava ser um revolucionário, meus olhos se enchiam de leves lágrimas de admiração que eu rapidamente secava para manter a compostura, era evidente que o Deus Carpa escolheria as pessoas certas para me guiar.

     Quando entrei na sala, logo fui recebido por um comentário misterioso de um homem, fiquei visivelmente confuso, não sentia cheiro e nem via nenhum lixo acumulado, também não tinha entendido a reação da comandante, será que ela gostava de lixo acumulado? Ou será que o homem estava se referindo a mim? Não, não, provavelmente tinha algum lixo escondido que eu não estava vendo. Bem, isso indicava que diferente dos outros, a comandante certamente não tinha o nariz sensível, o que fazia dela também uma guia escolhida pelo Deus Carpa, eu deveria obedecer a essa mulher. Também percebi que finalmente estava conseguindo diferenciar um pouco esses humanos, minhas duas guias tinham características que as diferenciavam dos demais, mais um sinal que eram escolhidas pelo Deus Carpa, mas uma figura que eu realmente conseguia diferenciar naquela sala era o outro homem-peixe, um irmão do mar finalmente, ele parecia colossal e absolutamente imponente, estava curioso sobre qual seria o papel que o Deus Carpa o daria em minha jornada.

     -Pela Glória do Deus Carpa, não a desapontarei em minha missão!- falava novamente em um tom que eu definiria como ÉPICO, logo em seguida ouvia o comentário sobre o banho, era impressionante como o olfato desses humanos era sensível, não aguentavam nenhum cheirinho de peixe podre, estragado, fétido… Bem, pelo menos o irmão do mar logo se mostrava indiferente ao meu odor, o que também indicava sua importante missão em minha jornada, foi através de suas palavras que eu percebi, era evidente, aquele homem tinha sido enviado pelo Deus Enguia para auxiliar na minha jornada, era óbvio, o Deus Carpa e o Deus Enguia eram grandes companheiros, tão claro o sinal que até o nome dele lembrava a palavra “parça”, com isso, tinha certeza que esse homem seria um grande aliado em minha jornada.

     -Saudações irmão Parsha, me chamo Raimundo Koiforowa, mas se Raimundo for um nome muito grande e incômodo, pode me chamar de Koi, ou Rai- diria alegremente para Parsha, mas também me direcionaria para Felícia em minha fala, quando falava do possível apelido “Rai”, fechava um pouco o rosto, tinha a impressão de que em algum momento da minha vida antes de encontrar o Deus Carpa, alguém me chamava por esse nome, mas isso não importava, quando conheci o Deus Carpa nasci de novo, minha vida antes disso não é relevante.

     - Mas me diga irmão, que tipo de dano queres que eu faça no navio dos agentes? Um dano sutil para que eles afundem sem nem saber o porquê, ou um dano monstruoso, para que eles nem consigam partir?- diria para Parsha, inicialmente queria perguntar para a comandante, mas uma vez que ela terminava a reunião formalmente me sentia inseguro em fazer perguntas a ela, mas falaria em um tom alto suficiente para que ela também ouvisse, assim, se ela quisesse também poderia responder.

     Meus colegas de equipe pareciam ser os escolhidos pelo Deus Carpa e não se importavam com o cheiro, mas um pensamento me veio à mente, os humanos tinham narizes muito sensíveis, o que significava que meu mau cheiro poderia ser um empecilho caso precisasse ser furtivo em algum momento, levando isso em consideração, após respondida minha pergunta anterior, me direcionaria para meus dois companheiros e diria - Acho que o companheiro Riccardo está certo, seria uma lástima se eu fosse detectado pelo odor em uma situação de furtividade, se me dão permissão, gostaria de usar os chuveiros e o sabão de vocês -, uma vez que tivesse permissão, seguiria para o chuveiro e tomaria uma boa ducha, porém tomaria cuidado para não me esfregar muito, queria ficar com um cheiro neutro que de maneira alguma chamasse atenção, além disso, não queria gastar mais sabão do que o necessário, afinal aquilo não era meu, não queria gastar muitos recursos da base, tomaria o banho inteiro entoando meu clássico “BLURPH BLURPH”, um sinal da minha imensa gratidão pela ducha.





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MensagemAssunto: Re: O primeiro salto da carpa   O primeiro salto da carpa EmptyQua Nov 03, 2021 9:24 pm


O PRIMEIRO SALTO DA CARPA



Finalmente chegando na sala de reuniões, Raimundo foi recebido de uma forma semelhante à dos outros humanos, mas logo reconheceu mais dois enviados do deus carpa em sua jornada: a líder do QG e um irmão homem-peixe. A missão foi repassada, e a carpa seria enviada para sabotar o navio dos agentes que haviam sido enviados para a ilha, e iria junto de Felicia e Parsha, que não pareciam se importar com o seu cheiro. - Rai tá bom, eu acho. - Os outros revolucionários começaram a sair da sala às pressas, mas Raimundo ainda queria tirar uma duvida, então a proferiu em voz alta para que Natasha também a ouvisse enquanto saia. - Algo sutil seria melhor. Não queremos que eles percebam que algo foi feito e fiquem ainda mais desconfiados. É apenas uma precaução. - Respondeu à questão ao ouvi-la enquanto saia da sala, e logo se retirou.

Restava então o banho, que o homem-peixe julgou ser a melhor escolha, do contrário o olfato apurado dos humanos o identificaria facilmente. - Banho? Ahn... Acho melhor Parsha te guiar até o banheiro masculino. - Parsha logo suspirou e tomou a dianteira. - Vem comigo. Esse lugar é um labirinto, e enquanto não tiver se acostumado com os trajetos, é melhor andar acompanhando de alguém que saiba onde está indo. - Assim, Raimundo logo foi guiado até um banheiro, que naquele momento parecia estar vazio. Com um espaço aberto cheio de chuveiros, parecia que os banhos eram em conjunto, sem divisórias para preservar a privacidade. Com isso, logo pegou um sabão e começou a se banhar, conseguindo tirar boa parte do seu cheiro, e saindo limpinho. - Ótimo, vamos lá. - Parsha, que estava apoiado na parede com seus óculos de leitura e lendo um livro, guardou ambos ao se levantar, seguindo de volta para que Raimundo o acompanhasse. Ao retornarem, encontraram Felicia sentada na mesa de reunião, esperando os dois. - Ah, que bom que voltaram. Eu tava pra perguntas, mas... Algum de vocês entende de navios? Acho que é importante para a missão.



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MensagemAssunto: Re: O primeiro salto da carpa   O primeiro salto da carpa EmptyQui Nov 04, 2021 11:12 am



O Primeiro Salto da Carpa



     -BLURPH! Pela glória do Deus Carpa! O grande ser divino me forneceu conhecimento sobre navios, eu posso ajudar com isso! E talvez tenha um plano, se me permitirem dizer. - diria com entusiasmo, era óbvio que o Deus Carpa tinha me dado o conhecimento sobre navios, afinal, eles tinham sido um presente dele para a humanidade, para que eles pudessem ter pelo menos um gosto do que é o mar, essa era uma informação que eu deveria lembrar quando fosse escrever o grande livro sagrado do Deus Carpa.

     Se me permitissem dizer, o plano seria: -Se é um dano sútil que querem, acho que posso ter a solução, BLURPH! Por mais que o que eu busque seja os caminhos da alma, também tenho bastante conhecimento sobre os caminhos da matéria, acho que utilizando a grande arte marcial aquática posso causar alguns danos no casco, não para quebrá-lo, mas sim para fragiliza-lo, é aí que você entra Parsha, preciso que procure criaturas aquáticas ao redor do porto, as maiores que conseguir encontrar, então peça para que elas ataquem o casco do barco quando ele partir, diga para que elas só ataquem quando puderem olhar de fora da água e não verem mais essa ilha no horizonte, leve também carne ou algum outro tipo de comida para elas, assim poderá negociar para que elas façam o serviço.- Aguardaria calmamente por qualquer reclamação ou adendo de Parsha, caso ele falasse que não é bom de lábia, mesmo com criaturas marítimas, diria -Então ofereça bastante comida pelo serviço, elas não negarão, qualquer coisa desconta do meu salário, sou eu quem ta dando a ideia afinal.-, caso ele falasse que não tem nenhuma criatura que seja minimamente grandinha na região, diria -você acha que consegue danificar o barco deles enquanto eles estão navegando, furtivamente, e fazendo-os acreditar que foi uma criatura?- caso a resposta dele fosse negativa, me candidataria a essa função.

     Depois de esclarecido com Parsha me viraria para Felícia e diria: -Enquanto isso, seria bom se você ficasse vigiando o barco, Parsha provavelmente estará nadando bem longe e eu tentarei ficar escondido embaixo do casco enquanto o danifico, mas ainda assim, o precavido morreu de velho, se algum agente ou associado deles aparecer, peço que tente os distrair de alguma forma, seja por lábia ou alguma outra distração, menos violência, por favor.-, uma vez que todos estivessem de acordo, sugeriria que seguíssemos primeiro a um mercadinho, para que pudéssemos comprar a comida que seria usada para negociar com os peixes e depois para o barco dos agentes.

     Se não houvesse interrupções ou imprevistos, começaria a operação, entrando no mar sutilmente e indo em direção ao casco do barco inimigo, utilizaria do karatê dos homens-peixe para gerar pressões na água, atacando o barco com força suficiente para apenas danificar levemente e fragilizar o casco, utilizaria de meus conhecimentos em física para isso, tendo controle sobre meu nervosismo graças a minha natureza impassível, se tudo ocorresse bem, logo voltaria até Felícia e esperaria pelo sucesso de Parsha.



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MensagemAssunto: Re: O primeiro salto da carpa   O primeiro salto da carpa EmptyDom Nov 07, 2021 9:59 pm


O PRIMEIRO SALTO DA CARPA



Realizando a reunião estratégica, Raimundo podia ver que aquela missão certamente não havia sido dada a ele por acaso: certamente estava recebendo a ajuda do deus carpa, recebendo um serviço que exigia exatamente seus conhecimentos. Com sua resposta, Felícia pareceu ficar animada. - Maravilha! Já começamos bem. - Parsha assentiu, e ambos se puseram a ouvir o plano do homem-peixe carpa. Ambos se mantiveram ouvindo tudo, e o primeiro a se manifestar foi o homem-enguia. - Eu precisaria de bastante comida para convence-las a fazer algo assim, mas é, pode funcionar. - Parsha parecia pensativo, com a mão no queixo. - Eu sou amiga de um açougueiro da cidade. Talvez ele possa nos ajudar. - Felícia parecia estar animada, já se levantando para sair, mas Parsha se mantinha no lugar, olhando para Raimundo. - Mas para fazer algo assim você vai ter que ter bastante cuidado com seus golpes. Um soco errado e você faz um buraco por acidente. Espero que saiba o que está fazendo.

O homem-peixe enguia levantou-se também, e logo o trio começou a seguir pelos corredores labirínticos da base novamente, seguindo para fora. Enquanto saiam, Raimundo se aproximou de Felícia, que seguia à frente com uma marcha animada, buscando fazer-lhe um pedido. - Pode deixar! Posso ser bem irritante quando eu quero! Hihihi. - Em meio às risadinhas, Felícia deu uma cotovelada leve na costela de Raimundo. - E você, hein! Tá se dando muito bem, até já começou fazendo planos e comandando a operação! Se continuar sendo assim, proativo e decidido, vai se dar muito bem por aqui. - Com uma piscadela, Felícia voltou a liderar a comitiva, enquanto saiam da base e tomavam a chuva em direção à cidade. Parsha parecia não lugar muito para a chuva que caia, mas Felícia logo tirava o paletó do se uniforme, erguendo-o acima do corpo como um guarda-chuva improvisado. Acelerando o passo, seguiam até a cidade, com poucas pessoas com guarda-chuvas nas ruas, e logo chegavam em uma lojinha com cobertura na frente da porta. - É aqui. Vou lá chamar ele. - Pouco tempo depois de entrar, Felícia voltou junto de um senhorzinho narigudo, com o topo da cabeça calva, e apenas uns tufos de cabelo branco perto da orelha. - Então esses são seus amigos? Querida, eu adoraria ajuda-los, mas meus estoques estão meio escassos. Eu deveria ter recebido uma reposição hoje de manhã da fazenda Becker, mas por algum motivo as peças de carne não chegaram ainda. Ouvi dizer que estava acontecendo alguma confusão praquelas bandas, mas por causa dessa chuva maldita não pude ir ver o que houve ainda, mas se quiserem voltar mais tarde, eu preparo tudo pra vocês.

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Última edição por Hoyu em Qui Nov 11, 2021 10:09 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: O primeiro salto da carpa   O primeiro salto da carpa EmptySeg Nov 08, 2021 11:28 am



O Primeiro Salto da Carpa



     Nossa primeira reunião estratégica se encerrava graciosamente bem, era a primeira vez que agia de forma proativa em minha vida, antes de ter meu encontro com o Deus Carpa me lembrava de ser um homem retraído e sem destino, mas desde minha iluminação sinto-me mais calmo e decidido, tanto que até minha guia reconheceu isso. Era evidente que a proatividade me seria útil, não só em minha jornada como revolucionário mas também em minha missão divina de espalhar a palavra do Deus Carpa, mas não podia deixar o orgulho subir a cabeça, - Agradeço pelas palavras, mas apenas dei sugestões baseadas em minha especialidade, que são barcos, de forma alguma me esqueci que estou no começo de minha jornada e que vocês são os que têm experiência aqui, minha confusão perante esses corredores é a prova disso, conto com vocês e com o Deus Carpa, meus companheiros. - Diria enquanto andava pelos corredores guiado por Felícia.

     Ao sair da base, me deparei novamente com a calorosa chuva, que me recebia como uma mãe recebe seus filhos, logo notei que diferente de mim e Parsha, Felícia parecia incomodada e tentava se esconder da chuva, isso pois, a água não era a casa dos humanos, a chuva para eles era incômoda, assim como o impiedoso sol para nós, esse era o equilíbrio perfeito, com uma equipe equilibrada como essa, sabia que estaria no caminho certo. Mas uma certa sensação me incomodava, a chuva era um presente do Deus Carpa para seus filhos, mas ela tinha dois significados, podia tanto ser um presente acolhedor, quanto um presente que os preparava para uma batalha, uma sensação gélida passava pela minha espinha, mas engoli minhas preocupações e segui em frente.

     Chegando no açougue, o açougueiro logo veio nos dizer sua situação, minha espinha gelou novamente ao ouvir suas palavras, alguma confusão estava acontecendo em uma fazenda, aos poucos eu temia que a chuva acolhedora pudesse ter outro significado, mas, mesmo diante a um perigo terrível, uma carpa nunca arrepia seus bigodes, me mantinha calmo. Tínhamos saído da base a pouco tempo, supostamente ainda tínhamos algum tempo para concluir a missão, com isso em mente, me viraria para meus companheiros, - Talvez seja bom checarmos o que está acontecendo na tal fazenda, ainda temos tempo, não é? Talvez possamos descobrir por que as mercadorias do homem ainda não chegaram e ajudar. - Sugeriria, caso eles parecessem com pressa, diria - Então talvez seja melhor um de nós procurar outro mercado ou coisa parecida enquanto os outros dois vão até a fazenda, já digo que eu não sou o melhor para procurar estabelecimentos, ainda não conheço o local afinal. - Se tudo estivesse de acordo, seguiria então para a fazenda checar quais eram os problemas, sempre tentando estar ciente aos meus arredores, enquanto andava pela cidade analisava bem cada pessoa que passava por mim, tentava sempre ver se alguém tinha alguma tatuagem de carpa, pois esses eram os que carregavam mensagens do Deus Carpa, no momento estava em missão e não poderia questioná-los, mas tentaria perguntar para Felícia ou Parsha quem era a pessoa para que depois eu pudesse reencontrá-la e perguntar qual era a mensagem. Caso percebesse algum engravatado passando por nós, não analisaria este, pois as gravatas geralmente são uniformes do governo e é melhor evitar a atenção deles por enquanto.



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MensagemAssunto: Re: O primeiro salto da carpa   O primeiro salto da carpa EmptyQui Nov 11, 2021 10:34 pm


O PRIMEIRO SALTO DA CARPA



Saindo novamente para a chuva, Raimundo se renovava pelo toque da água em seu corpo, mantendo-o molhado, o lembrando de como era estar debaixo d’água, e Parsha parecia compartilhar do sentimento, não se importando com a água que caia do céu, ao contrário de Felicia. A garota humana logo tentava se proteger da chuva com uma de suas peças de roupa, e andando perto das árvores para que suas folhas servissem de guarda-chuva natural. Após uma curta caminhada, saindo da floresta, logo chegaram na cidade, e Felícia entrou no açougue à frente do grupo para fazer o pedido. Tudo que precisariam seria um bocado de carne para fazer a negociação com as criaturas marinhas, mas pelo visto havia alguma coisa atrapalhando o fornecimento do açougue, e se estava afetando-o, provavelmente também afetava os outros. Em uma pequena reunião estratégica, seus dois companheiros pareciam concordar com a ideia de investigar isso.

- Sem a carne, dificilmente vou conseguir a ajuda dos animais marinhos das redondezas. A maioria não é muito altruísta. Se pudermos resolver isso rápido para prosseguir com o plano, é o melhor a se fazer. - Felícia assentiu em concordância. - Não acho que eu vá conseguir algo em outros açougues. Um problema na fazenda deve acabar afetando todas, e não sou amiga de outro açougueiro, então duvido que aceitasse nos ajudar de graça. Mesmo assim, imagino que no pior dos casos posso reunir informação. - A divisão parecia ter sido definida, e apenas para confirmar, Parsha a dizia em voz alta. - Certo, eu e Raimundo vamos até a fazenda Becker. Se terminar sua ronda e não tivermos voltado, vá para lá também. - Felícia assentiu, e os tritões se separaram da humana. Parsha era o único que sabia o caminho até a fazenda, então começou a guiar o homem-carpa em direção ao sul da ilha, saindo pela cidade por um caminho de terra, que aos poucos ia virando lama, que parecia levar à uma região mais plana da ilha.

Enquanto caminhavam, Parsha pareceu querer puxar assunto de repente. - De onde você é? Também veio da ilha dos tritões? - Repentinamente pareceu perceber que a pergunta poderia ser invasiva, e logo se apressou em complementar. - Não precisa responder se não quiser. Sei que alguns de nós acabaram sendo levados pelos dragões celestiais, em especial aqueles que decidem se unir a causa, e isso pode ser duro de dizer. É só que gosto de ouvir as histórias dos meus irmãos. A vida é dura na superfície, e é preciso determinação para vir lutar junto da causa sob o sol. - Após um tempo no qual Raimundo poderia dar sua resposta se quisesse, enquanto caminhavam pela estrada de terra com pastos dos dois lados, podiam ver um grande campo florido belíssimo mais ao sul, mas seguiram o caminho e puderam ver uma fazenda se erguendo a distancia. Enquanto se aproximavam, passando ao lado de um grande silo de metal para os grãos das lavouras, puderam ver na propriedade uma grande quantidade de humanos vestidos de terno, se protegendo da chuva com guarda-chuvas negros. Vendo isso, Parsha logo se apressou e puxou Raimundo para se esconderem atrás do Silo. - Droga, são os capachos do Governo. - Mais a frente havia um grande celeiro, com uma cerca que passava rente à estrada de terra, e mais a frente estava a fazenda, onde pelo menos 6 pessoas de terno pareciam fazer algo, andando de um lado para o outro. A chuva e o céu nublado deixavam o ambiente mais escuro, e o barulho das gotas batendo na estrutura metálica do silo era alto, e poderia encobrir a presença dos dois se andassem com cuidado.

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MensagemAssunto: Re: O primeiro salto da carpa   O primeiro salto da carpa EmptySex Nov 12, 2021 12:18 pm



O Primeiro Salto da Carpa



     A chuva era uma reconfortante memória de casa, uma verdadeira benção que o Deus Carpa me dava, mas, durante o caminho notei que a lama talvez pudesse ser um problema, por mais que umidade fosse humildade, a umidade da terra podia acabar prendendo meus pés ao solo, o que poderia atrapalhar em uma situação de combate, ainda mais considerando a fluidez de meu corpo, deveria tomar cuidado para que a humildade não virasse uma corrente, assim como a umidade do solo. Durante minha viagem com Parsha, tentaria algumas vezes dar passos mais pesados e curvos, tentando utilizar movimentos do karate dos homens-peixe para afastar a lama de meu pé, treinando para melhorar minha mobilidade. No caminho Parsha me perguntou sobre meu passado, por um momento achei até curioso o esforço que tive que fazer para me lembrar de algo tão básico, mas logo me recordei -Na verdade irmão, eu vim de Sirarossa, se não estou enganado, meus pais eram da ilha dos tritões, mas foram para Sirarossa, por um motivo que não me recordo muito bem, na verdade, não me recordo muito bem de nada antes de minha iluminação. - diria em claro tom, provavelmente perceberia uma certa confusão em Parsha quando falasse da iluminação, logo explicaria - Me recordo de uma vez ter uma vida pacata em Sirarossa, sem objetivos ou propósito, mas um dia tive uma iluminação, no fundo do oceano encontrei um ser divino, o Deus Carpa, ele me deu um propósito, me mostrou a verdade, esse mundo está cheio de pessoas com bigodes espirituais sujos de ódio sem sentido, ganância e uma moral discriminatória, é contra isso que quero lutar.

     Logo quando nos aproximávamos da fazenda, tivemos uma visão preocupante, os agentes dos governo já estavam lá e eram vários, por um triz conseguimos nos esconder, mas isso não mudava o fato de que os engravatados estavam ali, entre nós e nosso objetivo, - Será que a equipe encarregada de vigia-los não está por aqui? - perguntaria  em um sussurro para Parsha, esperaria por sua resposta na esperança de que caso eles estivessem o homem-enguia tivesse alguma maneira de chamar sua atenção sem atrair os agentes, caso nos encontrássemos com eles, tentaria ouvi-los e obedecer ordens, a proatividade era um bom caminho, mas eu era apenas um associado e essa situação já fugia das minhas especialidades, o melhor que podia fazer era obedecer as ordens de quem já esteve em situações parecidas, tinha em mente apenas que nosso objetivo ali era saber o que estava acontecendo com a leva de carne.

     Caso Parsha dissesse que eles não estão aqui ou que não tinha como chamá-los, sugeriria - Nosso objetivo aqui é descobrir o que aconteceu com as carnes, não é? Talvez eu possa tentar me aproximar para tentar ouvir a conversa deles, ou até investigar com meus próprios olhos, o cenário parece favorável e eu não sou muito grande, mas já vou avisando que não tenho experiência nisso, apenas sei controlar meu corpo e minhas emoções bem, é bem arriscado, o que acha? - diria tudo em sussurros, essa era uma decisão muito importante para alguém como eu tomar.

     Caso ele dissesse que concorda com minha ideia, primeiro tentaria me aproximar do celeiro, me moveria de forma que o celeiro ficasse entre a linha de visão deles para mim, me encheria de lama antes de partir, para poder me camuflar, teria que manchar meus bigodes no processo, mas não havia problema, se apresentar para outra pessoa com os bigodes sujos é a maior das ofensas e para esses agentes do governo estavam destinadas todas as minhas ofensas, me aproximaria abaixado com a lama sobre meu corpo, chegando no celeiro, tentaria me esgueirar pelas paredes, em uma posição onde estivesse próximo o suficiente para ouvir a conversa de pelo menos um de seus grupos, tentaria buscar o máximo de informação possível naquela posição, pois não avançaria mais, já estava arriscando demais tentando agir furtivamente sem ter experiência com isso, logo retornaria a Parsha para relatar o que ouvi. Caso fosse descoberto por um dos agentes, me levantaria da lama lentamente e de maneira torta, como se estivesse bêbado, só me restaria uma opção, obviamente, tentar convertê-lo - Ola irmão, gostaria de ouvir um pouco da palavra do Deus Carpa? - diria empolgadamente em direção ao meu possível inimigo.



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MensagemAssunto: Re: O primeiro salto da carpa   O primeiro salto da carpa EmptySex Nov 12, 2021 11:55 pm


O PRIMEIRO SALTO DA CARPA



Com a lama sob seus pés, Raimundo tentava se adaptar ao solo escorregadio para não ter problemas futuros, mas com seu conhecimento de acrobata, percebeu logo que não seria risco de cair normalmente, conseguindo se equilibrar bem. O problema seria se precisasse correr, mas isso atrapalharia qualquer um, até mesmo seus inimigos. Durante o trajeto, Parsha resolveu puxar conversa com o homem-carpa, parecendo confuso com a história de iluminação e não lembrar bem do seu passado, de modo que Raimundo logo explicou sua situação. - É, o mar é um grande mistério. Nunca se sabe o que pode ter lá embaixo. Mas esse Deus Carpa parece saber do que fala, espero ter essa sorte algum dia. Deve ser uma visão incrível. - Parsha parecia admirado com a história de Raimundo, mas principalmente aliviado. - Mas fico feliz que seu motivo para estar aqui seja um motivo feliz. Muitos dos nossos irmãos acabam se juntando à causa após sofrerem muito, fico feliz que não seja o seu caso.

Ao chegarem enfim na fazenda, puderam ver vários agentes de guarda-chuvas ou dentro da instalação principal, mas estavam longe e não haviam os percebido, dando tempo para se esconderem atrás do silo do lugar, tentando pensar em como agir naquela situação complicada. - Essa fazenda é bem afastada da cidade. Eles receberam a ordem ao mesmo tempo que nós, devem estar procurando pelos agentes por lá. Droga, logo nós tivemos o azar de vir parar aqui. Se eles virem homens-peixe na menor possibilidade de estarem espionando, vão concluir que somos revolucionários. Bando de gente preconceituosa. Quer dizer, não que a gente não seja, né. - Raimundo dava então uma sugestão, que era ouvida pelo seu companheiro. - Certo, mas toma cuidado. Se achar perigoso, recua, e não vai mais do que achar que consegue. Vou ficar de olho, se você bobear eu bato aqui no silo pra fazer um barulhão e desviar a atenção. - Com cuidado, Raimundo se cobriu totalmente com lama, visando se camuflar com o ambiente, e começou a espreitar o local, indo com cautela em direção ao celeiro, onde pode ver várias vacas se escondendo da chuva. Aquele lugar era perto o suficiente para escutar, ouvindo a conversa que se desenrolava detrás da porta de madeira do estábulo.

- ...certeza? - Disse uma vez, que parecia ser de um dos agentes. - Absoluta. Eu saberia se tivesse visto algum deles por aqui. Isso vai demorar muito, senhor? Tenho entregas para fazer ainda hoje. - Após um instante, provavelmente para anotações, a voz voltou a falar. - Se conheço esses ratos, eles devem estar se escondendo em algum lugar isolado, e essa região parece se encaixar com esses critérios. Mesmo assim você afirma não ter visto nenhum individuo suspeito por aqui? - Pelo tom de voz que o respondia, o dono da fazenda parecia estar perdendo a paciência. - Eu saberia se tivesse visto algum vagabundo por aqui. Sou bem vigilante, sabe. As vezes alguns pirralhos vem atazanar as vacas e roubar minhas plantações, mas é só isso. - A conversa parecia ter terminado ali, mas a última fala do que parecia o agente realizando o interrogatório não parecia uma boa notícia. - Certo. Apenas para terminar, você não reclamaria se fizéssemos uma busca rápida pela sua residência e pelo estábulo, não é? - Pelo seu tom de voz, aquilo certamente não era um pedido, e sim uma ordem. Raimundo precisava fazer algo para não ser percebido, e rápido.

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MensagemAssunto: Re: O primeiro salto da carpa   O primeiro salto da carpa EmptySáb Nov 13, 2021 9:55 am



O Primeiro Salto da Carpa



     Minha busca por informações dava resultados, atrás de uma porta podia ouvir aqueles engravatados conversando, parecia que o único objetivo deles era realmente descobrir se estávamos nos escondendo aqui, uma boa notícia, parecia que eles já estavam de partida, eles só iriam revistar o estábulo e ir embora, espera… Pelos bigodes do Deus Carpa! Eu estou no estábulo! Se não fizesse algo seria rapidamente descoberto.

     Tinha que tentar bolar um plano rapidamente, mas seria muito arriscado, tinha chegado muito perto, fui muito ganancioso em minha busca, essa era uma lição que eu tinha que aprender, se eu tivesse aguardado e observado apenas um pouco, os homens teriam indo embora sem oferecer ameaça, que grande pecador, mas não podia deixar os pesos de meus pecados caírem sobre os revolucionários, tinha que sair dali, sem ser notado. No caminho, teria reparado se naquela chuva havia trovões ou não, se houvesse, tentaria sincronizar minha ação com o som de algum trovão o mais rápido possível, tentando usar meus conhecimentos em física para saber o tempo do som do trovão com base em seu flash.

     Minhas ações seriam simples, não tinha tempo para ideias mirabolantes no momento, me aproximaria de uma vaca que não estivesse na linha de visão dos agentes e estivesse o mais próximo possível de uma janela, no caminho faria uma rápida oração mental pedindo pro Deus Carpa enviar minhas desculpas ao Deus Boi, pois ele não ia gostar do que ia acontecer aqui, chegando na vaca, meu objetivo era assustá-la, não conhecia muito bem os animais terrestres, mas se tem uma coisa que assusta qualquer ser, é um belo de um tapão, daria esse tapão na lateral do tronco da vaca para assustá-la, um tapão que não fosse forte o suficiente para causar danos reais, apenas assustar, tentando sincronizar essa ação com o som de um possível trovão, após isso rapidamente pularia pela janela e iria engatinhando até a posição de Parsha, esperava que um possível furdúncio entre as vacas pudesse distrair os agentes enquanto eu retornava, mesmo assim seria apressado em meu engatinhar, era quase como se eu nadasse na lama enquanto retornava, renovando também minha camuflagem.

     Caso conseguisse chegar até Parsha, esconderia todo meu nervosismo e reportaria seriamente - Pelos bigodes do Deus Carpa, eles só estavam checando se nossa base não estava lá, é questão de tempo que se retirem, pouco tempo, e então poderemos garantir o carregamento de carne -. Caso em qualquer momento fosse descoberto por eles, não restaria outra opção a não ser usar minhas magníficas habilidades de atuação, oh, eu disse magníficas? Eu quis dizer medíocres - Oh meu deus, eu bebi demais, oh não, sou um alcoólatra, oh não, onde estou?  Não devia ter bebido, oh não, mas infelizmente estou muito bêbado, oh não! - diria enquanto tentava imitar uma postura torta, na minha cabeça estava perfeito, mas tinha impressão de que eu estava falando como se estivesse lendo um roteiro bem na minha frente e que minha postura torta na verdade tava mais pra um headbanging, mas acho que era apenas impressão mesmo.



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MensagemAssunto: Re: O primeiro salto da carpa   O primeiro salto da carpa EmptyQua Nov 17, 2021 10:08 pm


O PRIMEIRO SALTO DA CARPA



Raimundo rapidamente se via em uma posição bem ruim. Ao se aproximar do grupo de agentes pelo celeiro para poder bisbilhotar a conversa, pode confirmar que estavam fazendo uma busca por possíveis revolucionários, começando por regiões mais afastadas em que poderiam se esconder sem chamar atenção. Por um lado, era bom saber que não era nada que fosse os atrapalhar demais, já que pareciam estar se preparando para seguir caminho, mas por outro era assustador que já estivessem os procurando com tanto afinco. Ao que tudo indicava o atraso no carregamento de carne se devia ao fato dos agentes terem começado um interrogatório com o dono da fazenda, que ao ver pela impaciência do homem, parecia estar se estendendo mais do que o esperado, mas tudo se resolvia de forma natural sem problemas para os dois tritões. Ou melhor, iria se reslver, se Raimundo não tivesse se aproximado e estivesse agora no galpão que iria ser revistado pelos agentes.

Se fosse encontrado, a situação ficaria bem feia muito rápido, ainda mais após o aviso de Parsha sobre automaticamente o considerarem um revolucionário, o que provavelmente era verdade, pela forma incisiva que estavam os buscando. Olhando ao redor tentando montar um plano, o homem-carpa pode notar com tristeza que a chuva estava aos poucos parando, e assim como antes, não haviam trovões para esconder seus sons. Sem muitas opções, foi até uma vaca que estava ao lado de uma das janelas do celeiro oposta à direção que os agentes se encontravam e deu um tapão. Era óbvio que, mesmo se saísse pela janela, rapidamente seria encontrado pelos agentes que não entrariam no celeiro, então precisou começar uma confusão para instiga-los a ir até o celeiro. Exatamente como planejou, o tapa fez a vaca dar um mugido alto, dando um coice no nada atrás de si e fazendo as outras ao redor mugirem também, criando uma confusão entre as vacas do celeiro enquanto pulava a janela. - O que é isso? Rápido, o celeiro!

Escondendo-se atrás da parede do lado de fora do celeiro, pode ouvir os passos dos agentes afundando na lama, enquanto eles seguiam apressados em direção ao celeiro. Bisbilhotando, pode ver que aparentemente todos eles haviam corrido para dentro do celeiro, e estavam checando para ver se haviam alguém escondido, dando a oportunidade para Raimundo correr até Parsha, se escondendo junto a ele atrás do silo. - E aí? Tudo certo? O que tá rolando? - Após o resumo de Raimundo, Parsha parecia ficar mais calmo. - Certo. Vamos só tomar cuidado para não sermos vistos e depois vamos lá falar com o fazendeiro. - A chuva ia diminuindo até parar, deixando apenas poças e lama para trás, enquanto os dois homens-peixe esperavam escondidos atrás do silo a saída dos agentes para enfim irem resolver o problema das carnes.

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