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Debi & Loide - Dois Idiotas em Apuros Sex Ago 20, 2021 12:54 am
Debi & Loide - Dois Idiotas em Apuros

Aqui ocorrerá a aventura do(a) Civil Nanaue Thunder. A qual não possui narrador definido.

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Nanaue já havia perdido a conta de quantos dias estava vagando por Sirarossa em busca do contato de Lara, já estava desgostoso e perdendo as esperanças de encontrá-lo.

- Como vou encontrar um circo, circo não existir aqui? - Se perguntou abrindo seus braços enquanto caminhava pelas ruas da cidade. Era possível notar uma falta de concordância em alguma das suas palavras, algo que minimamente o deixava irritado.

Seus passos eram curtos, ele estava desmotivado e cabisbaixo. Sirarossa não era um lugar desconhecido para ele, só participar do grupo envolvido no Submundo, essa ilha sempre foi um ponto crucial na busca por trabalho, porém, ele sempre estava acompanhado de alguém. Estava um pouco nervoso com a situação, ao ficar sozinho no mundo já havia arrumado encrenca sem nem sequer saber, mas agora já era tarde e a merda já estava feita.

Tateou os bolsos em busca de dinheiro, sentia que a quantia monetária estava menor que o normal, pelo jeito seus dias no velho hotel estavam contados - Dinheiro.... - Falou o óbvio enquanto fazia seus olhos buscarem algo de útil naquele lugar, talvez ele visse alguma placa relacionada a um emprego? Ele não sabia fazer muitas coisas, mas estava disposto a arriscar.

Encontrando alguma vaga que se encaixasse, andaria em passos largos acertando sua postura no caminho, alinhando sua coluna, dando uma impressão minimamente seria a sua persona, mesmo que sua bermuda com diversos raios, pudesse ruir toda sua tentativa - De funcionário precisam? - Sua voz era rouca, era como se Sylvester Stallone estivesse falando do seu interior. Thunder aguardava pacificamente as possíveis palavras do seu contratante, esperando que a função a ser exercida não precisasse de muitas habilidades técnicas.

Se não encontrasse nada que lhe fosse útil, continuaria a caminhar pela cidade em busca da sua segunda e última opção: o submundo. Como citado anteriormente, Nanaue ao realizar alguns trabalhos já veio até a ilha, conhecendo assim os locais propícios à interação com pessoas desse ramo. Seus passos eram largos e retilíneos, suas costas estavam levemente arqueadas e sua mão se movia em círculos em sua barriga, a fome não demoraria para atacar e em sua mente começava a dar sinais disso, ao observar as pessoas que provavelmente estariam na rua, como possíveis lanchinhos.

Balançou a cabeça como forma de se controlar, sabia que fazer algo do tipo poderia colocar todo o seu futuro em risco. Para ser sincero, ele não tinha uma expectativa tão extensa assim, até então seu único desejo era honrar a sua linhagem divina, alcançando o pináculo do poder. De qualquer maneira, enquanto vagava ele buscava em sua mente as memórias das vezes que veio até a ilha, puxando como foco a informação de onde encontrar pessoas do ramo que estava em busca. Ao lembrar, tomaria rumo na direção desejada e é óbvio, isso não era algo que pudesse ser perguntado a qualquer um.

Chegando ao seu destino, buscaria observar a existência de algum rosto conhecido ou talvez, alguém pudesse se recordar de um tubarão com as suas proporções. De qualquer maneira, iria até o homem/mulher que foi designado para passar alguns trabalhos nas idas anteriores do homem-peixe até a ilha ou simplesmente iria em direção ao lugar mais indicado para isso - Preciso falar com alguém do "outro" mundo. Trabalho. - Nanaue não sabia ao certo como se portar, como dito, ele não era responsável por realizar os trâmites dos trabalhos, mas sim fazia o próprio trabalho. Suas palavras foram serenas e dando um certo e fazer na palavra outro, como uma forma de indicar o seu real objetivo.



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~Narração~


A imagem daquele tritão caminhando por Sirarossa sob o céu cinzento de nuvens no fim da tarde, poderia ser cômica se não fosse trágica, em busca de emprego ele caminhava passando por vários locais com cartazes de vagas de emprego nas janelas. Mas sua incapacidade de leitura o impedia de realmente saber ler o que lá estava escrito não apenas isso, mas por estar no fim da tarde e as pessoas verem aquele tritão, elas aproveitavam para fechar seus estabelecimentos mais cedo e evitar o visitante, fechando suas portas antes dele passar em frente. Mas quem pode os critica quando o tritão era algo considerado praticamente um monstro, tinha toda uma aparência de um animal muito temido e ainda por cima tinha cara de esfomeado.

No entanto, um velinho dono de uma marcenaria, não tinha agilidade o suficiente para fechar a loja antes de Nanaue ver ela aberta e conseguir entrar, na realidade o velho quase fechou a porta na cara do tritão, mas largou a porta e recuou no último segundo com algum espanto no olhar.

-O-olha, não quero problemas, o que você q-quer?


A voz do senhor tremia, era fraca, abafada e rouca, parecia a voz de uma pessoa que fumava muito, um hábito corroborado pelo forte cheiro de tabaco que apenas não reinava no local devido ao cheiro de serragem. Pequenos bonecos de madeira estavam em estantes, assim como ferramentas, utensílios, todos ricamente adornados e finamente trabalhados.

- De funcionário precisam?

O velho parecia se curvar mais do que sua lordose já o forçava ao ouvir a voz do tritão, mas ao compreender a fala, ergueu uma sombrancelha.

-Busca emprego? Huuuffff

Os ombros do senhor desabavam de alívio com seu suspiro, ele parecia pensar que a procura de emprego tornava o tritão menos problemático.

-Bem eu trabalho com trabalhos delicados em madeira… Sabe marcenaria? Caso contrário não tenho muito o que contratar alguém, mas construções sempre buscam funcionários fortes e já vi alguns como você nelas, então não deve ter problema.

Como era incapaz de cumprir os requisitos do trabalho, o tritão apenas seguiu seu caminho. Em sua saída todos os aposentos da rua já estavam fechados e olhos curiosos o observavam através de frestas em janelas e madeiras, aparentemente o boato da presença do peixe com cara de fome se espalhou como herpes em bordel.

Sem muitas opções, Nanaue rumou para um lugar  onde sabia que poderia encontrar algum trabalho para suprir sua necessidade monetária atual. O tritão caminhou enquanto o céu por trás das nuvens se tornava laranja jogando uma cor avermelhada nas nuvens que grossas e frígidas se recusaram a deixar o céu ficar dourado, poucos pontos das nuvens ganhavam uma bela cor, em sua maioria se mantinham cinza e agora estavam até ficando mais escuras com o anoitecer, isso sem contar a brisa gélida, já estava um clima fresco durante o dia, mas durante a noite um vento corria pela cidade assobiando por entre as casas e fazendo ranger alguns telhados de madeira velho e mal pregados.

Gélida também era o tratamento dos humanos para com o tritão, apesar de ele estar ali já a algum tempo, era como se ele tivesse um campo de força ao seu redor, as pessoas passavam longe dele e desviavam de seus caminhos para evitar o tritão o máximo possível, porém nada que ele não estivesse acostumado, o tratamento humano para com outras raças raramente era diferente.

Quando a noite caiu e os postes já tinham suas velas gordas de banha de baleia acesas para a noite, finalmente o tritão chegou a um pub, sua entrada na rua era uma escada que descia abaixo do nível da rua até chegar a uma porta que era guardada por um homem careca pouca coisa mais baixo que Nanaue e que aparentava ter muitos músculos por baixo de seu casaco marrom de gorro preto.

O homem estaca a comer um sanduiche de rosbife, pepperoni e tomates com orégano, o cheiro era muito bom e parecia ter algum molho no sanduíche que Nanaue não conseguia decifrar o que era só pelo cheiro e visão, mas o pão parecia molhado por algo amarelado e líquido no recheio. Vendo o tubarão descendo as escadas, o homem engolia seu lanche rapidamente e se prostra de forma a tapar a passagem.

-Eu não me lembro de termos nenhuma sardinha como cliente, o que procura aqui, peixe?

- Preciso falar com alguém do "outro" mundo. Trabalho.

O homem parecia demorar um tempo para interpretar a fala de Nanaue, provavelmente ele não era dos mais versados linguisticamente também. No entanto após parecer entender o homem olhava o tritão dos pés a cabeça.

-Hummmm… Na realidade temos alguém pode querer contratar você… Entre, pergunte pelo Raskal para o cara do bar… Se você causar problemas lá dentro, terá problemas comigo, entendeu?

O homem saia da frente da porta e sentava numa mureta fora do caminho de Nanaue.

A porta era desgastada e sua tinta verde musgo era descascada em muitos pontos, o interior do pub seria mais quentinho e iluminado por uma luz entrecortada de alguns candelabros da altura da cabeça de Nanaue que era praticamente da altura do teto. Fumaça de cigarro e charutos lotavam o local, um grupo de homens jogavam cartas numa mesa num canto e no fundo do bar um balcão circular rodeava um barista que estava a secar um copo.

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Aparência do barista:

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O homem-peixe sentia no olhar e nas ações dos humanos ao seu redor o desdém e preconceito para com ele. Se fosse a alguns anos atrás ele certamente ficaria abalado, se privou muito das relações interpessoais pelo trauma do primeiro contato com essa espécie majoritária da superfície. O tritão era simples e após muito tempo aceitou que cada pessoa oferece aquilo que tem, passando a ignorar e não se importar com essa trivialidade. Por uma fração de segundos rememorou os momentos tranquilos que passou ao viver em sua Ilha natal, algo que tinha uma extrema saudades, mas aquilo não era hora daqueles pensamentos.

Graças ao bom Deus Tubarão, Nanaue não demorou a encontrar o lugar que havia tornado a sua vida desde que conheceu Lara. A noite caia sobre sua cabeça e com ela os ventos gelados a acompanhavam, algo indiferentes até então para o tritão. O que realmente lhe interessou foi o cheiro do alimento que estava sendo ingerido pelo robusto homem de roupa estranha, pensou por um punhado de segundos em atacar aquele cara, visando unicamente satisfazer a sua fome insaciável. Mas a racionalidade falou mais alto e após ser liberado, adentrou no lugar com uma certa cautela, observando logo que a altura do teto não era das melhores, obrigando-o a arquear seus ombros, flexionando um pouco mais os seus joelhos, para diminuir um pouco o seu tamanho.

O ambiente era como se fosse sua casa, vivia entrando e saindo de lugares do tipo por muito tempo, principalmente aqui em Sirarossa. Seu alvo não parecia estar muito longe, iniciou uma caminhada tomando um certo cuidado para não se chocar com as mesas alheias, mas, sinceramente não se importava tanto assim de verdade com esses detalhes. Sua boca estava relativamente aberta, sendo possível para quem olhasse ver sua arcada dentária pontiaguda e branca. Sua expressão não demonstrava o seu verdadeiro sentimento de fome, ele parecia na realidade, um pouco bobo.

- Você é o Raskal? - Indagou o tritão colocando uma mão no balcão, sem pôr totalmente o peso do seu corpo sobre ela. Ele não sabia se havia entendido errado ou não, mas, sabia que tinha que procurar pelo nome dito a ele - O homem feio lá fora, mandou procurar vir Raskal. Trabalho, preciso de trabalho. - A falta de uma educação básica vira e mexe dava suas caras, trocando palavras ou falando totalmente de maneira errada, era essa a batalha diária sofrida por Thunder.

Por fim, permaneceu ali de maneira tranquila esperando a resposta do maluquinho do bar. Se ouvisse ou fosse direcionado a ele algum comentário maldoso, fingiria que não estava ouvindo, buscava focar seu empenho unicamente em carregar uma grana, para satisfazer alguns dos seus desejos e objetivos. Agora, se por acaso fosse dito a ele onde encontrar ou se o próprio barman fosse o tal do Raskal, aguardava por mais informações e - se necessário - iria até onde o homem estava. Ao chegar próximo levantaria sua mão em um aceno - Você tem trabalho para mim? - Falaria de maneira direta e simplória, mantendo sua postura arqueada e o semblante bobo em sua face.




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~Narração~


O tritão cruzava o pub com uma cara um tanto quanto de quem tem um certo déficit mental. Ao chegar o barista continuava secando seu copo com tranquilidade.

- Você é o Raskal? O homem feio lá fora, mandou procurar vir Raskal. Trabalho, preciso de trabalho.

Uma sobrancelha do barista se ergueu, ele parecia parar pra entender a mensagem dita e então colocou seu copo junto com outros no balcão.

-Você não é dos mais espertos não? Hummm… O que você sabe fazer? Qual seu diferencial? Quem é você? Não posso passar clientes assim do nada, preciso saber mais de você… Bom de briga? Algo além de respirar embaixo de água?

O barista puxava um copo e o colocava na frente do tubarão, ele derramava um líquido amarelo com cheiro alcoólico no mesmo e o deixava lá como se ofertasse para o tritão.

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Nanaue esboçou um sorriso ao perceber que Raskal era o próprio atendente, pelo menos era isso que ele achava naquele momento. Olhou o velho de cima para baixo, encarava-o com seus olhos vazios e inexpressivos – Sou forte. – Ergueu ambos os braços forçando o bíceps, realizando uma típica pose de um fisiculturista. Porém, para sua infelicidade a musculatura não teve tanto destaque como em sua mente, já que a capa de gordura impedia razoavelmente a sua aparição – Sou rápido como uma mariposa – Jogou o pé esquerdo para trás, mantendo ambos os joelhos flexionados e aplicou dois golpes típicos do Karatê, Oi-Zuki e Gyako-Zuki, ambos os socos eram semelhantes ao jab e direto do boxe, contudo, carregavam suas particularidades - Lutar eu sei. - Falou.

Retornou a sua postura inicial, mantendo seus ombros arqueados, criando uma leve corcunda em suas costas. Seus braços chegavam próximos aos seus joelhos, dando uma aparência bem simplória ao volumoso homem-peixe – Proteção, assassinato, dívida? Trabalho desse tipo eu fazer. – Novamente a falta de habilidades no que tange a leitura e escrita voltou a atacar, algo problemático e que o incomodava diariamente. Sua mente martelava as últimas palavras do senhor de cabelos grisalhos, novamente estava sendo alvo do desrespeito da raça humana, ele era um peixe, mas não tinha sangue de barata.

Me chamo Nanaue, já fiz trabalhos em outra ilha e também aqui. – Falou com sua voz grossa enquanto encarava o homem um pouco mais sério que o normal, sua vontade era de maneira simples matar dois coelhos com um só movimento, sua fome e se impor perante o preconceito sofrido. Entretanto, sua mente lhe mostrou algumas experiências vivenciadas no passado, não valia a pena, não ali daquele jeito – De graaaça? – Indagou, sua dicção não era das melhores e todos que estão lendo isso já sabem. Tendo uma resposta positiva, jogaria todo o líquido em sua boca de uma só vez, engolindo sem nem pensar duas vezes. Ardor? Queimação? Ele simplesmente ignoraria qualquer uma dessas sensações, mantendo uma pose “imponente” perante o seu possível chefe. Agora, caso recebesse uma resposta negativa, apenas iria ignorar aquela bebida e fazer a desfeita de maneira simples.

Thunder por um momento observava o ambiente como um todo. Tentando ver o número de pessoas e principalmente se tinha ali algo que chamasse sua atenção, como um prato saboroso de comida.




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Nanaue se apresentava e falava seu currículo enquanto o barista o observava calmamente. O tubarão até mesmo se espantou perante  a oferta gratuita de bebida e se colocou a beber sem pensar numa possível armadilha ali, talvez até veneno.

O homem observou o líquido adentrar o corpo do tritão em silêncio e após isso se colocou a falar.

-Bem, talvez você seja o que Raskal precisa no fim das contas, se sente numa mesa, irei avisar o Raskal…

O tritão poderia ver que apenas ele, o barista e os quatro homens jogando cartas estavam no pub, o ambiente era limpo, quieto e bem cuidado. Os homens jogando cartas, cada um tinha seu charuto e provavelmente era a causa da densa fumaça na casa.

Após algum tempo um homem de óculos gordinho se sentaria com Nanaue.

-Olá, Sou o Raskal, me falaram que você procura um trabalho e que pode ser bom para o meu… Ahhh Um tritão, realmente você seria muito útil… Eu… Eu estou a procura de um certo algo e meus estudos me levam a achar que pode estar em algum lugar nos arredores subaquáticos de Sirarossa, no entanto quem me contratou para achar isso, tem competidores buscando o mesmo item, os quais não piscariam em me matar para conseguir pegar de mim o item… preciso de alguém que me acompanhe e liquide quem tentar me ferir…

O homem puxava um doce do bolso e começava a mascar a pequena bala enquanto observava o tritão e esperava uma resposta.
Raskal:
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O homem-tubarão continuava de maneira serena aguardando as próximas informações, demorou alguns segundos para raciocinar que o atendente não era o Raskal, como ele tinha imaginado antes. Sua expressão mostrou-se levemente triste, como se tivesse perdido algo importante para si – ”Eu não sou burro!” –  Reafirmou mentalmente. Em meio aos simplórios devaneios que vagavam pela sua mente, recebeu os próximos passos e assim o fez, permanecendo sentado em uma das cadeiras. Ele sentou com cuidado, queria evitar cenas constrangedoras que já tinha passado algumas vezes, já que as cadeiras nem sempre eram fortes o bastante para aguentar toda extensão do seu peso.

O odor da fumaça incomodava o olfato de Thunder, entretanto, ele tentava não se importar com isso. Em meio a algumas “fungadas” aguardava o seu contratante. A ansiedade se mostrava presente em seus sentimentos, suas mãos suavam e seus pés não conseguiam ficar parados no chão, batiam repetidas vezes no ritmo de uma música – Baby Shark Dododo... – Ele cantarolou baixinho enquanto aguardava Raskal. Quando viu a aproximação do homem, parou com o cantarolar e forçou seus membros a ficarem parados, sabia que a primeira impressão era tudo e ele não tinha lá uma das melhores.

O homem corpulento trouxe com ele uma carga nostálgica que tomou conta do corpo do Tritão, pela primeira vez em semanas o mesmo se sentia em seu “território”. Além de tudo, seu trabalho era simples e ao mesmo tempo tinha características que traziam um certo incômodo a Thunder – ”Proteger...” – Pensou na peculiaridade daquele trabalho que mais o incomodava. Ele não tinha problemas em lutar, na verdade, essa era uma das poucas coisas que extraíam todo seu empenho físico e mental, era de fato, agradável aos seus gostos e princípios.

Por mim “tá” tranquilo. – Bradou o homem peixe ao fim do falatório do seu novo chefe – Quando “nós” vai? E quanto paga?– Indagou de maneira simples e direta, por se tratar de uma corrida, cogitou a ideia que tivesse que ir logo, já que, precisava que o tal objetivo fosse encontrado antes dos outros competidores. O homem-peixe parou por um momento e arregalou seus olhos negros, era como se acabasse de ter o pensamento mais genial possível. Ergueu sua mão próximo ao rosto, alguns centímetros separavam ela da sua face animalesca. Moveu em seguida para o lado, apontando com a outra mão para a outra – Arma pra ela, você tem? – Trouxe alguns segundos depois para perto novamente, fazendo cerrando seus punhos e apontando para os ossos da sua mão – Arma proteger e melhorar socos! – Sorriu. Era possível notar um trabalho de “calejamento” intenso na mão do homem-peixe, mostrando seu empenho nos treinos e também os resquícios de combates anteriores, pequenas “marcas de uso” do seu grande punho.



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~Narração~


Rascal ouvia o tritão falar e parecia ficar meio impressionado por seu vocabulário… provavelmente não positivamente, no entanto ele apenas ajeitava seu óculos e prosseguia com a conversa.

-Bem... Pago três milhões no seu trabalho quando entregarmos nosso item para o Colecionador, pago um extra se fizer ele realmente muito bem e conseguirmos finalizar o serviço com a mercadoria e eu intactos.

Nanaue aproveitava para perguntar sobre armas para Rascal, o qual apenas erguia uma sobrancelha de dúvida.

-Meu caro, não sou capaz de usar armas, nem sou vendedor das mesmas ou adepto de seu uso, sou apenas um arqueólogo que trabalha para um contratante incomum… Assim como também não posso te adiantar o dinheiro para comprar agora, pois também não tenho dinheiro e vou te pagar com parte do dinheiro do meu trabalho.

Enquanto conversavam o jogo de cartas parecia terminar e um dos homens vinha se sentar a mesa deles, era um velho homem com enormes sobrancelhas as quais cobriam seus próprios olhos, sua roupa era um terninho surrado e velho.

-Nanaue esse é Ausvit, nosso cocheiro… Ausvit esse é Nanaue nosso guarda costas… Então se tudo estiver de acordo Nanaue, me siga, vamos para minha base de operações atual para podermos iniciar nossa caçada.

Os dois se levantavam e se preparavam para sair do pub. Se o tritão os seguisse, seria levado até um carroça um tanto quanto gasta, na qual seu corpo ocupava todo um dos dois bancos internos da carroça, o outro era ocupado por Rascal e vários pergaminhos com símbolos que Nanaue não sabia dizer o que eram, nem mesmo se era alguma escrita comum, pareciam desenhos e rascunhos a mão.

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A conversa continuava e o homem-peixe conseguia ver a expressão do seu contratante, tentou por mais uma vez não deixar aquilo o abalar. Por mais que fosse forte por fora, sua personalidade serena por dentro o causava alguns incômodos que ele não gostaria de ter. Suspirou tentando externar parte da angústia e ao mesmo tempo cantarolava a música de antes em sua mente, como uma forma de afastar todos aqueles pensamentos ruins.

- "Três milhões?" - Pensou mexendo soltando os dedos devagar, até fazer o número três. Ele não sabia ler ou escrever, mas estava acostumado a ouvir as contas que terceiros faziam e adquiriu uma certa inteligência nesse quesito, sabia que era uma boa quantia e que valia a pena - Colecionador? - Era um nome que o homem-tubarão nunca ouviu, talvez fosse um magnata de Sirarossa ou alguém de uma ilha distante, vai saber - Você não é chefe então. Colecionador é chefe. - Disse meio embolado, querendo ter apenas certeza que o tal homem era o verdadeiro chefe, Lara sempre disse para ter contato direto com quem detinha o real poder - Você meu chefe, te protejo. - Disse fazendo um "joinha" com sua mão ao lembrar da palavra "extra" dita por Raskal, ou seja, ele poderia ganhar ainda mais dinheiro.

Um homem velho e de sobrancelhas estranhas se aproximou da mesa, instintivamente Nanaue abriu seus dentes e colocou uma expressão raivosa em sua face, mostrando estar atento a qualquer um que chegasse perto, talvez pudesse até mesmo ganhar pontos com o seu contratante. Após se revelar um dos empregados de Raskal, o homem-peixe desarmou sua postura e adquiriu um "ar" de tranquilidade, mostrando um pouco do seu carisma. Levantou seguindo a dupla até o veículo que seria usado pelo trio, não era nada novo, mas sinceramente Thunder sequer ligava para aquelas futilidades, se aguentasse seu peso, era o bastante. Entrou na carroça e logo pode ver o amontoado de papéis, observou os mesmos em uma tentativa que pudesse entende-los, mas, como todas as outras vezes, aquilo não fazia sentido ao tritão.

- Você sabe ler? - Indagou com um olhar curioso - Você pode… me ensinar? - Direto e reto como todas suas ações, já pensava no tempo vago quando acabasse o trabalho, queria usar aquilo de uma maneira útil. Independente da resposta continuaria olhando para Raskal, afinal, não tinha muito para onde olhar além disso - Sua base, longe daqui? - Perguntou enquanto tentava olhar pela provável janela da carroça, tentando ver a paisagem e também, por onde eles estavam passando - Muita gente atrás dessa item? Você tome cuidado, fique atrás de mim. - Em uma tentativa simplória de passar algumas diretrizes da missão e buscar por informações, ele falou calmamente.

Ao chegar no lugar a primeira ação do homem peixe era colocar a mão da mão na frente de Raskal, impedindo a sua saída precipitada. A experiência tocava como uma sirene na mente de Thunder, como estava em uma disputa tinha a chance dos outros competidores tentarem tirar Raskal da jogada e ele não podia deixar isso acontecer. Tomaria a iniciativa e sairia da carroça, olhando ao redor independentes de onde estivesse. Seus olhos buscariam por pessoas suspeitas e/ou estranhas. Andaria em volta da carroça analisando o lugar, mantendo sua postura imponente e ao mesmo tempo, não passando hostilidade para aqueles que tivesse em volta - Sai da frente. - Diria sem pestanejar para qualquer um que estivesse em volta do perímetro da carroça, principalmente ao lado que Raskal sairia.

Se por ventura essa pessoa se negasse, daria um soco, seguido de outro. Sua base estaria firme e sem muito distanciamento entre seus pés, não faria uso do seu quadril para colocar mais força no golpe, a princípio, agiria de maneira mais relaxada no que diz respeito aos seus ataques. Se por acaso fosse atacado, optaria por um bloqueio simples se não tivesse envolvido em nenhuma arma branca ou de fogo, nessas duas últimas armas tentaria antecipar o movimento inimigo em busca de acertar o membro utilizado para atacar, desequilibrando ou mudando a linha de ação do mesmo, esse movimento seria seguido por um soco ou um chute, visando a face ou o abdômen. Contudo, sendo atacado sem arma branca e/ou de fogo, levaria ambos os braços como se fosse um escudo, tentando proteger o máximo do seu torso, algo visto e copiado de terceiros em meio as diversas lutas realizadas pelo tritão. Usaria um avanço assim que bloqueasse, na tentativa de desequilibrar seu oponente e fazê-lo cair, pisando em seu peito e colocando todo o peso do seu corpo sobre ele, tentando destruir sua caixa torácica.




Histórico:
Nome: Nanaue Thunder
Número de Postagens: 05
Legenda: Fala | "Pensamento"
Ganhos:

  1. Nada

Perdas:

  1. Nada

Ferimentos:

  1. Nada




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Certificurso:
Curso Narrador AB, 2021
Debi & Loide - Dois Idiotas em Apuros EBEAdF4X4AYyK13[/center]