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Kenshin
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Terra em Transe Sex Ago 13, 2021 3:22 pm
Relembrando a primeira mensagem :

Terra em Transe

Aqui ocorrerá a aventura do(a) Civil Tsao Tsao. A qual não possui narrador definido.

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Achiles
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Re: Terra em Transe Qui Set 16, 2021 9:10 pm
A Jornada de Tsao

Os dois outros homens protestavam como era de se esperar e os dois ignoravam aquele fato para poderem conversar em um canto mais reservado e assim era feito com Tsao retirando de seu bolso a quantia que havia coletado dentro daquela casa e entregando dois milhões na mão de Jack explicando os seus motivos para ele que conseguia entender o porquê de ele estar fazendo isso. – Kah... É melhor do que nada... Além disso, teve a situação do velho... – Era óbvio que o olheiro não gostava muito daquela situação, porém mostrava um semblante de confirmação e também olhando para Tsao não era como se ele sentisse ter muitas chances mesmo com os outros dois atrás dele em um combate direto.

- Nós te mataríamos hora ou outra se ficasse com nós ou provavelmente aconteceria o contrário. – Comentava Jack no mesmo tom daquela conversa e pegando o dinheiro da mão do ladrão e apertando a mão do futuro caçador. – Duvido que vão achar o corpo dele tão cedo, porém vão encontra-lo, disso é certo. Se terá carne em seus ossos ainda, isso é um mistério.

Ao dizer isso, ele percebia que Tsao retirava um cartaz e o mostrava, o rosto de Kane não lhe parecia familiar e talvez sequer tenha visto ele até mesmo em um cartaz. – Cara, não sei te dizer nada dele não. Talvez tu possa perguntar perto da igreja naquele bar. “Os Capetões”. Talvez nem tenha nada relacionado, mas sei lá, nunca se sabe.

Esse era o momento em que as coisas ficavam estranhas, talvez um pouco, Tsao parecia ter ganhado um pouco mais de intimidade com o olheiro já que ambos se trataram com o mínimo de respeito e o conselho do lobo lhe fazia ter um semblante mais estranho. – Fala como se não estivesse nessa vida também. Mas, beleza. – Eles se dividiam e ia cada um para um lado até o momento em que o caminho dos dois não se cruzaria mais tão cedo, ou era o que se esperava daqueles dois.

O tempo que haviam passado dentro da casa do velho era mais tardio do que imaginava e o sol que já era forte antes, agora apresentava um tempo mais cansado, deveria ser por volta das duas horas da tarde ou similar a isso com o chão bem quente e um movimento maior conforme se aproximava do centro da cidade mais uma vez.

Não demorava muito para ele encontrar dentro da cidade uma loja que atendesse aos seus pedidos como era bastante comum, já que marinheiros, caçadores e até mesmo civis dependiam de armas para lidar com monstros e outros tipos de ameaças. Ele entrava em um ambiente com bastante espaço e conhecido como “Panzer III”, desde a vitrine até os seus interiores era possível ver materiais de grande qualidade trabalhados com ferro e pano, muitos sequer tinha algum tipo de metal e parecia atender aos mais variados tipos de equipamentos e armas que se podia encontrar, poderia se dizer até mesmo que era o paraíso dos blues encontrar um local daqueles.

Porém, mesmo com tantos itens a mostra, havia apenas uma pessoa que atendia no balcão e outra que ficava com um grande machado perto da porta tomando as precauções necessárias para evitar qualquer roubo. O homem no balcão tinha cabelos loiros e olhos azuis com uma pele bem clara e um olhar de que estava fazendo bons negócios, seu sorriso era encantador e parecia que uma mulher estava lhe paquerando naquele momento e atrasando um pouco a pequena fila de três pessoas que procuravam pagar pelos produtos em suas mãos.


Histórico:
Perda: 35.000 B$ (Alimento e Quarto)

Ganhos: 1.000.000 B$ (Roubo – Casa do Velho Cego)

Legenda:
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Re: Terra em Transe Qui Set 16, 2021 10:16 pm


Andarilho


Jack aceitava a situação diligentemente, sem questionar e apenas dava de ombros. De fato, se fôssemos continuar juntos, provavelmente alguém sairia morto. E não seria nem eu, nem mesmo Jack, mas os outros 2 ratos idiotas seriam vítimas. Contudo, não poderia continuar ali, provavelmente aqueles 3 eram amigos de longa data. É o que acontece quando ratos de rua se juntam e continuam vivos, experimentei isso durante minha vida nas ruas, com aquela mulher... Enfim, memórias do passado não lavam o sangue das roupas no presente. O importante era continuar ali. Jack também não sabia nada sobre Kane, provavelmente não tinha interesse o suficiente pra saber, mas sugeriu o bar d'os "Capetões" pra começar a procura. Ao menos ele conhece um lugar onde vão saber sobre isso... esse cara vai ser bom por aqui. Partimos caminhos, e continuamos a jornada individual de cada um.

O céu já não estava mais cinzento e melancólico como mais cedo, mas agora o sol subia aos céus e se fixava sobre a cabeça dos cidadãos da cidade. Os raios calorosos eram fortes, e o calor de fogo dava a sensação de que os cabelos estavam assando, até a ponto do suor das costas escorrer por entre o rego das calças. As cabeças das pessoas balançavam de um lado pro outro na cidade populosa, enquanto as pedras de cimento da rua esquentavam como uma fornalha, talvez quente o suficiente para queimar alguns cadáveres, se fosse concentrada em um só ponto. As roupas velhas e arejadas ajudavam muito naquele momento, uma vez que o vento passava pelos buracos e refrescava o corpo, mesmo que a brisa fosse quente. Caminho na terra de pedra, com pedras de fogo, e pessoas que são como pipoca. Não é um paraíso praiano, mas estou acostumado. Pisquei o olho e me lembrei de um momento em que saltava no mar, no meio de uma praia, cheia de pessoas desconhecidas. Lembrei de um estranho mink bode que fumava comigo, e um tubarão que engoliu um cigarro da erva verde alucinógena. Esfreguei os olhos. O que é isso? Não é tormento... mas é um delírio? Esse calor realmente vai desgraçar minha cabeça. Nem mesmo notei que havia chegado numa loja que procurava.

O local parecia seguir a arquitetura de pedra de Las Camp, dessa vez com direito a um brutamontes com um machado na porta, preparado pra qualquer gracinha. O ambiente estava mais fresco dentro da loja, intitulada Panzer III, e parecia dispor de alguns bons clientes, uma vez que estava até mesmo com fila. Um galã de olhos azuis paquerava uma putinha qualquer, e não parei pra ficar olhando eles por muito tempo, só esperava que a fila diminuísse no momento em que eu fosse me dirigir ao caixa. Um garanhão de merda que não cumpre com seus clientes. Essa eu quero ver. Indiretamente, estaria com meus ouvidos preparados no ambiente, para caso de ouvir algo que pudesse me interessar, ou mesmo aprender algumas dicas de negociação, uma vez que o garanhão parecia ser bom de lábia.

De qualquer forma, caminharia pelo local, buscando pelo que desejava. Uma ideia de usar as duas mãos me passou a cabeça, então iria usar o braço esquerdo para segurar as coisas, e com o braço direito, manusearia os itens, tentando fazer com que ele se acostumasse a movimentação num primeiro momento. Quem sabe não consigo ficar ambidestro, não é? De início, procuraria na sessão de lâminas por algum facão, uma faca maior, quase uma espada de lâmina curta, com cerca de mais ou menos 50 centímetros, que dispusesse de uma bainha e fosse bem afiada e resistente. Naturalmente, uma arma profissional era o ideal, uma vez que não havia roubado e matado um velho caduco sem motivos. Um bom facão, com um bom fio e uma boa resistência, é bom o suficiente para decepar a cabeça de qualquer ser vivo, humano ou não. Encontrando o facão de minha vontade, pegaria e colocaria embaixo do braço, como que selecionando a compra, e logo iria me dirigir em direção a sessão de equipamentos e roupas, procurando por um traje que fizesse meu estilo. Não posso sair caçando como Diabo com essas roupas, preciso de algo de qualidade. A roupa pela qual buscava era um traje de corpo inteiro, de preferência completamente preto, com tecido resistente, que cobrisse as mãos, os pés, e até mesmo a cabeça, deixando pra fora somente o rosto. O traje devia vir com luvas resistentes, calçados de boa qualidade e que não se desgastassem facilmente, além de, é claro, bolsos espaçosos que não atrapalhassem o movimento. Sendo uma loja de artefatos de guerra, se Panzer III não possuísse o que eu queria, provavelmente não haveria outro lugar naquela cidade que fosse conseguir, e então seria melhor desistir da busca. E também, estou com dinheiro de sobra, ou pelo menos o suficiente para pagar por uma arma profissional e uma roupa especial. Encontrando o traje, colocaria embaixo do braço, junto do facão. Por último, mas não menos importante, iria para a sessão de ferramentas, procurar por um kit de peças para invasão. Era um kit para poder arrombar fechaduras sem fazer muito barulho, e fosse útil. O kit, de preferência, seria escolhido pela quantidade de peças e as utilidades delas. Um bom kit, normalmente, iria vir com pequenas serras de metal, navalhas pequenas e afiadas, chaves de algemas universal, pinos de metal retos e curvos, serra de fricção em formato de corta, e algumas chaves virgens. Com cerca de B$1.200.000, não deve ser algo muito caro pra se comprar.

Após pegar todos os itens necessários, caminharia até o caixa e esperaria a vez da putinha falar com o garanhão de merda, até que chegasse meu momento de pagar. Esperava que a loja fosse ficar vazia naquele momento, antes que alguém pudesse perceber minhas comprar, uma vez que seria interessante manter tudo aquilo em segredo. O garanhão provavelmente iria me ignorar, uma vez que eu não era tão bonito quanto ele. A cicatriz as vezes ajuda, uma vez que esses bostinhas querem esquecer logo o que viram. Esperaria o valor dos 3 itens pegos, e então tentaria negociar.

Então, moço, tenho aqui comigo B$1.000.000, será que não dá pra fazer os 3 por esse valor? Preciso deles pra uma viagem que vou fazer, não to com tanto não... — Diria, tentando choramingar um pouco com minha condição de maltrapilho. Não era a primeira vez que faria aquilo. — Ou pelo menos me arruma um saco de pano, pra guardar isso tudo.

Tentaria poupar o máximo de dinheiro possível, mesmo que tivesse um pouco mais que aquele valor. Caso o preço fosse o que eu pudesse pagar com tudo, daria o dinheiro sem pestanejar muito, o mesmo se ele simplesmente cobrasse ou ficasse por aquilo mesmo. Se houvesse um saco pra guardar as coisas, seria melhor ainda. Não é uma mochila, mas é o suficiente pra poder guardar tudo o que tenho, desde a máscara até o facão, os itens e as roupas. Uma vez que carregava a máscara enrolada em uma parte escondida de meu corpo, seria mais fácil se houvesse um compartimento que pudesse carregar, como um saco de pano simples, por mais velho que fosse.

Após isso, agradeceria com um aceno de cabeça, e continuaria minha jornada, buscando por Kane o Temido. Em primeiro lugar, perambularia pela cidade, em busca da tal igreja onde poderia haver o famoso bar dos "Capetões", que além de ter um nome muito atrativo pela minha pessoa, deve ser um local interessante para conseguir informações sobre as desgraças dessa ilha. Quanto mais perto da sujeira do mundo eu estiver, melhor será pra mim. Estaria atento a pessoas que pudessem estar vestidas em roupas religiosas, em conversas que mencionassem alguma igreja, ou mesmo em placas que pudessem me direcionar até lá, uma vez que não sabia onde o lugar ficava, e até o momento, tudo o que havia encontrado fora por pura e simples sorte. Deusa da sorte, que sorri pra mim no céu, até quando vai ajudar o Diabo que caminha pela terra do azar?

Histórico:

Qualidades: Impassível, Audição Aguçada, Hipoalgia, Prontidão, Visão nas Trevas.
Defeitos: Paranoia, Ambição, Atormentado, Horrendo, Indisciplinado.
Proficiências: Arrombamento, Disfarce, Furto, Furtividade, Estratégia
Profissão: Ladrão

Posts: 11
Ferimentos:

Objetivos: - Arranjar uma arma
- Arranjar um traje preto
- Conseguir recursos
- Entrar em algum grupo
- Acabar com uma semente do mal
- Aprender proficiência: Acrobacia
- Começar a aprender: Ambidestria

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Re: Terra em Transe Sex Set 17, 2021 10:21 pm
A Jornada de Tsao

Era claro que a atitude do vendedor não incomodava apenas Tsao como as outras pessoas que estavam na fila e o descontamento começava a gerar mais algumas falas dos clientes que reclamavam sobre a demora para serem atendidos, porém ninguém parecia puto o suficiente para ter abandonado o estabelecimento até então.

Voltando ao nosso protagonista que começava a ensaiar algumas maneiras de utilizar melhor o seu braço com menor habilidade aproveitando dele para coletar alguns dos seus novos equipamentos que visava comprar e um deles qual achava era um facão igual ao que imaginava com detalhes em dourado e uma lâmina levemente curvada. Em uma etiqueta no cabo da mesma estava o preço daquela arma profissional do qual procurava: “400.000 B$”. Ele colocava ela em seu braço e percebia um leve peso sobre o mesmo, porém nada que o desequilibrasse ou adicionasse um peso que fizesse ele se mexer além do comum.

Saindo um pouco da área de armas, ele conseguia encontrar um traje de corpo inteiro feito de tecido, provavelmente um couro misturado com panos de Kevlar, claro que Tsao não entendia muito bem a respeito desses materiais, porém pareciam de boa qualidade e que se encontrava com um preço bastante salgado para todo aquele material. “500.000 B$”. Após tentar equilibrá-lo em seu braço direito começava a ter uma certa dificuldade com o peso e o formato daquele material já que não estava tão hábil em movimentar daquela forma ou colocar tanto peso. Esse peso fazia com que o seu ombro desse uma leve cor e os seus dedos ficassem mais vermelhos,

Continuando pela sua procura não era difícil encontrar uma pequena bolsa de pano contendo os itens de arrombamento do qual procurava tendo o valor de “250.000 B$” e este era o maior problema em equilibrar tudo com um braço, ele ia caminhando até o balcão que já estava mais vazio dos outros clientes e no momento em que ia colocar tudo sobre o balcão ele acabava derrubando os materiais no chão de forma desastrada.

Ao recolher os materiais e coloca-los no balcão novamente, o homem lhe olhava de forma estranha. – Bom dia. Apenas isso? – Comentava o homem que começava a observar Tsao tentando fazer os negócios com ele, porém, não parecia lá muito convincente não. – Olha, cara, se não tem dinheiro, não tem negócio. – Afirmava o homem e após ver que as negociações não sairiam daquilo, Tsao pedia por um saco para poder levar os seus materiais e o ariano retirava debaixo do balcão um saco de pano. – Isso é o máximo que consigo arrumar, porém temos mochilas também. – Oferecia.

Visto que o preço estava dentro dos padrões que o moreno aceitava pagar, era isso que era feito, com o futuro caçador de recompensas tendo seus materiais ensacados e debitando o valor de “1.100.000 B$” de seus bolsos. Ele estava satisfeito independente do valor e agora tinha um foco bem maior que era procurar por mais informações do diabão que atormentava Las Camps e para isso tinha que procurar por uma igreja e os bar dos “Capetões”.

Talvez por ironia do destino ou vontade do narrador, de onde ele estava, não era difícil encontrar um grande sino no alto o que indicava uma igreja e era por aquele caminho que ele seguia, não demorando muito para encontrar algumas freiras em seu caminho ou até mesmo um padre na porta da igreja que tinha dois andares com uma aparência branca. Não havia nenhum símbolo específico religioso do lado de fora.

Não muito longe dali, na esquina, havia um bar de portas pretas com uma caveira vermelha em seu centro e era facilmente identificável como “Os Capetões”. Do lado de fora, havia alguns seres de caras carrancudas e com uma caveira em seus coletes de couro, o lugar parecia bem sujo e era coberto por janelas tampadas com madeiras pregadas o que indicava um local bem estranho. Porém, não eram apenas aqueles homens que Tsao fora capaz de reconhecer ao passear, também notou alguma presença da marinha naquela área, rondando pelas ruas e garantindo a segurança da cidade e dentre eles, tinha o mesmo Tenente que Tsao teria visto na noite passada.


Histórico:
Perda: 35.000 B$ (Alimento e Quarto)
1.100.000 B$ (Arma Profissional, Roupa de Exploração, Kit de Arrombamento)

Ganho:
1.000.000 B$ (Roubo – Casa do Velho Cego)
Dinheiro Total: 115.000 B$

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Re: Terra em Transe Sab Set 18, 2021 2:32 pm


Andarilho


Felizmente, por fortuna da situação, tudo o que era solicitado era conseguido por mim. O facão, além de possuir boa qualidade, tinha adornos discretos e uma lâmina afiada, pouco parecia que seria gasta com facilidade, além de uma bainha útil para a situação. Junto do facão, o traje preto era essencial naquele momento, uma vez que atendia todas as minhas exigências, e apesar de ser mais caro que a própria arma, era o melhor item que havia conseguido naquele lugar, uma vez que seria o cerne do Diabo, e junto disso, um outro kit de arrombamento, ótimo para quaisquer situações. Os valores não ficavam baixos, mas nada que fosse impossível de se pagar, uma vez que o dinheiro adquirido na casa do velho servia para aquilo mesmo. A única coisa que me tirava do sério era a cara de bosta do engomadinho loiro no balcão. Além de ser arrogante, seu rosto tinha uma estranha aura que pedia para que meu corpo socasse a mão naquela fuça bonita, embora eu não o tenha feito. Ao menos ele me deu um saco de pano pra carregar isso tudo, já vai ser o suficiente. Com isso em mente, antes de continuar a jornada com meus objetivos, colocaria a bainha do facão nas costas, por dentro da camisa para que ficasse oculto, com o cabo saindo pelo ombro direito. Alguns itens do kit de arrombamento, como pinos, pinças e hastes, deixaria guardados no bolso direito, enquanto o restante colocaria no saco, juntamente com o traje preto, e o penduraria nas costas segurando com a mão esquerda, deixando a mão direita livre para começar a explorá-la mais do que de costume.

O sol da tarde em Las Camp criava um mormaço na cidade de pedra, um clima que não era tão preferido por mim, mas que não fazia muita diferença. Caminhando por um tempo, a cabeça das pessoas iam de um lado para o outro como formigas a trabalho, meu corpo me dirigia pela cidade à deriva de um objetivo que talvez nunca fosse alcançável. O sol da tarde era quente, mas a alma do Diabo fervia em minhas entranhas. Do crepúsculo para o restante da noite, serei possuído, e vou devorar até mesmo a carne dos que me convier. Não era difícil encontrar uma igreja, após algum tempo de caminhada, algumas freiras passavam pelo local, e orientando a caminhada por elas, chegava em uma igreja completamente branca, imaculada em sua cor e elevada por seu sino de ouro. Talvez, o local perfeito para o nascimento do Diabo, uma vez que nunca havia entrado em possessão... O Bar dos Capetões estava ali, bem próximo da igreja, e parecia não ser um local muito receptivo, uma vez que estava com seu interior oculto, e mais brutamontes, dessa vez carrancudos, com coletes de couro e caveiras marcadas. Parece o lugar dos sonhos pelo qual pedi, é mais irônico ainda o fato de ficar do lado de uma igreja. A dicotomia sarcástica me daria risadas, se o Tenente da Marinha não estivesse ali pra acabar com meu dia. Esse filho da puta resolveu fazer o trabalho dele, agora?

Enfim, independente do fanfarrão marinheiro ali na porta, estava determinado a entrar no local. Como parecia ser um bar barra pesada do lado de uma igreja, provavelmente havia alguma regra para que fosse entrar, como ter cara de bandido com uma cicatriz na cara, ou ao menos não ser marinheiro. O Tenente estava prostado ali na porta, com cara de idiota, então provavelmente não podia entrar ali. Caminharia até o local, sem dar muita atenção para o Tenente, e dirigiria principalmente a uma possível porteiro do local, caso houvesse um, para poder conversar com ele. Se não houvesse porteiro e fosse simplesmente o ato de entrar, entraria no local.

E aí porteiro, tem que pagar, precisa de documento ou só passar pela porta serve? — Diria para o possível porteiro, num tom sereno, sem querer parecer agradável ou carrancudo — Preciso daquele gole de cachaça, se não nem aguento.

Mentiras de leve já eram o suficientes para despistar o real motivo de estar ali, que era conseguir pistas sobre Kane, o Temido. Estaria com os ouvidos atentos para comentários vindos tanto do Tenente quanto do grupo de homens carrancudos próximos, tentando pegar nas entrelinhas alguma informação que pudesse ser utilizada por mim. Afinal, se o Tenente está no mesmo lugar onde Jack disse que conseguiria informações sobre meu alvo, então além de confirmar que estou no lugar certo, é quase certeza que vão falar sobre isso. Esperava que o Tenente não fosse encher o meu saco entrando ali, pois infelizmente não poderia cuspir no olho daquele bosta a hora que eu quisesse, mas a vontade ainda ficava. Caso ele começasse a encher meu saco, daria respostas curtas e grossas.

E o que tu tem comigo, parça? Tenho parte com a Marinha não, segue teu rumo e eu sigo o meu. — Cortaria o Tenente com uma óbvio expressão de desgosto no rosto, deixando a cicatriz à mostra. Se ele tentasse continuar a conversa, simplesmente ignoraria e entraria no bar.

Ou, ao menos, esperava que entrar no bar fosse uma tarefa simples pra alguém de minha laia. Vivi a vida toda igual um rato sendo perseguido, sendo escravo de senhoris e me virando nas ruas, e não tenho nem a regalia de entrar num bar copo sujo, onde posso morrer? Do caralho viu... Dentro do bar, observaria o local para fazer uma breve varredura, e antes de me dirigir ao balcão, ficaria próximo a uma janela tapada, espacialmente próxima do Tenente, para tentar captar alguma coisa pra ouvir, uma vez que ele não poderia saber onde estava dentro do bar, e a conversa do lado de fora poderia ser interessante... não havendo nada que pudesse me servir em alguns segundos, iria até o balcão, sentaria numa cadeira isolada, e olharia pro balconista.

Me dá uma dose da mais barata aí!

O Bar dos Capetões era tão agradável, que me sentia em casa.

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Objetivos: - Arranjar uma arma
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Re: Terra em Transe Sab Set 18, 2021 4:27 pm
A Jornada de Tsao

O Tenente não parecia nem sequer incomodado com o bar como Tsao suspeitava, ele continuava seguindo pela rua não reconhecendo o homem de cicatriz em seu caminho, talvez nem mesmo por tê-lo visto dentro do mesmo bar ou coisa parecida. De toda forma, o caçador aproximava-se do porteiro, um homem de dois metros de altura com músculos aparentes e vestindo o mesmo casaco, a pergunta do jovem fazia com que ele entrasse em gargalhadas de forma instantânea.

- Caralho, menor! Essa é uma piada das boas, hein! – Ele continuava com o sorriso em seu rosto e o balanço do seu taco de beisebol com arames farpados ao lado, porém, não tinha nenhuma intenção de ser agressivo com o homem a sua frente. – Pode se divertir aí dentro, só não arrume confusões. – O porteiro parecia ter entendido a primeira frase como uma piada, já que para ele não fazia sentido ter que pagar para entrar naquele bar, talvez sua inteligência também não fosse das maiores ou apenas era desinformado. De toda forma, o acesso para o bar era dado para que Tsao pudesse ver o local com melhores informações.

No ambiente interior, o local era empoeirado e tinha uma música pesada sendo tocada por alguns músicos locais, os balcões e mesas eram feitos de madeira rústica e o bar era completo por diferentes tipos de bebidas, porém não havia nenhuma fraca e grande parte eram destilados que estavam sendo consumidos em grandes copos de vidro pelos inúmeros homens que estavam ali, dentre esses homens, a maioria tinha cara de malvado e nenhum parecia ser gente boa, suas armas estavam sempre próxima deles e alguns aproveitavam para uma partida de sinuca em um dos cantos do bar junto a mais alguns seis.

Mulheres, no entanto, não tinham muitas e a maioria era garçonete além da bartender e possível dona do local já que ela parecia ter uma boa relação com todos os seus clientes. Ela em si, tinha cabelo ruivo cortado e um peso corporal maior do que a média da população. Em si, não parecia ter nenhuma arma a mostra, porém o seu balcão era grande e poderia ter escondido em algum lugar.

Tsao se dirigia a uma das mesas mais próxima de uma janela tampada por onde passava algumas frestas de luz e nesse momento, o Tenente parecia estar ali próximo, porém, nenhuma informação era ainda muito útil para ele já que o homem sequer parecia estar realmente trabalhando já que jogava conversa fora sobre alguns esportes. Uma garçonete aproximava-se para lhe atender com um sorriso no rosto e após receber o pedido de Tsao, voltava até o balcão para poder ir buscar a bebida.

- Não acredito que perdemos dois homens para aquele desgraçado do Kane. – Comentava o Tenente do lado de fora do estabelecimento. – Bando de fracos do caralho, deveriam estar bêbados, no mínimo. – Seu tom era mais firme e não parecia estar embriagado. – Da última vez que o viram, foi por perto da igreja. Formem uma patrulha por aqui em trios e cuidado com ataques surpresas de cima. – E após dar as ordens, era possível ouvir os seus passos se dirigindo para longe daquelas ruas, talvez tivesse ido embora.

Do lado de dentro, a garçonete trazia uma dose de conhaque. – Aqui, senhor, uma dose de conhaque custando 3.000 B$. – E após entregar a sua dose, ela seguia com sua bandeja para continuar entregando os outros pedidos do qual recebera.


Histórico:
Perda: 35.000 B$ (Alimento e Quarto)
1.100.000 B$ (Arma Profissional, Roupa de Exploração, Kit de Arrombamento)

Ganho:
1.000.000 B$ (Roubo – Casa do Velho Cego)
Dinheiro Total: 115.000 B$

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Re: Terra em Transe Sab Set 18, 2021 10:52 pm


Andarilho


O porteiro era meio burro, mas sua burrice não me deixava nervoso. Pelo contrário, diferente dos ratos que estavam comigo mais cedo, ele era bem mais interessante. Riu da minha "piada" — embora não fosse uma — e me deixou passar com a maior naturalidade. Ri junto com ele, pois percebi que havia falado algo bem engraçado. As vezes acho que quebrar um pouco a seriedade seria bom. A amargura também tem suas doçuras... Ele era um brutamontes enorme, e embora estivesse com um porrete com arame farpado, num local digno de colocar qualquer um pra correr, não parecia ser tão ameaçador quanto as pessoas pudessem imaginar, ou talvez eu só estivesse acostumado com pessoas como ele.

Chi-Chi-Chi! Essa foi boa, heim? — E daria um sorriso bem marcado.

Embora não confiasse facilmente nas pessoas, senti um aconchego em meu coração ferido ao falar com aquela pessoa ameaçadora. Ao entrar no Capetão, a poeira e a sujeira pareciam ter mais peso do que as cadeiras e mesas de baixa qualidade, rústica até na produção, sendo colorido pelos venenos na prateleira, um mais forte que o outro. Um grupo de homens, também ameaçadores, jogava sinuca, com vários outros espalhados pelo local, e as funcionárias eram mulheres. Uma gorda, ruiva de cabelo curto, estava no balcão, aparentando ser a dona do local. Talvez não fosse um lugar como a taverna em que fiquei no dia anterior, mas esse certamente era um lugar onde me sentia em casa. Não é como se eu fosse baixar a guarda, mas agora estou entre os meus.

Sentando na mesa, uma dose de conhaque acompanhava o chiado nojento do Tenente atrás das paredes que obstruíam a visão. A música era alta e parecia ser o tipo de lugar punk que as mães impedem seus filhos de ir, com pessoas consideradas por má companhia. Não foi difícil ouvir o Tenente, com a apuração de meus ouvidos, enquanto ele me entregava mais informações importantes sem nem mesmo me conhecer. Ele só está errado em uma coisa: Kane não foi avistado pela última vez na igreja, pois sei que ele estava naquele bairro vazio, observando meu latrocínio. Além de ficar satisfeito ouvindo que os homens foram derrubados, agora conseguia entender um dos métodos de ataque de Kane: ele gostava de ataque aéreos. Esse filho da puta só não percebe que a incompetência de seus homens é, também, a incompetência dele mesmo. Deixe que dance uma sinfonia tonta. A música ambiente era revigorante para aquele momento, peguei a dose de conhaque usando a mão direita, para a falta do meu costume, e virei com tudo.

E era forte. E como era forte... a bebida era barata, mas parecia ser álcool puro. Uma ou duas não vão me embriagar. Deixava o copo meio vazio de lado, enquanto aproveitava o ambiente. A poeira e a sujeira tocavam minhas narinas, como o cheiro de esgoto que já embalara meu corpo em noites em que as camas eram latas de lixo. A música era punk, pesada como as experiências de minha vida, e as pessoas eram estranhamente confortáveis pra mim. Realmente, me sinto em casa. A dor excruciante em minha cabeça retornou, em meio aos pensamentos confortantes do Bar dos Capetões. "Um bar escuro no meio de uma noite de lua cheia. Um furto em tentativa falha, e a quase vítima linchava o meliante estrangeiro de sua laia, cortando seu peito desnudo com um canivete amolado." Ofegava copiosamente, segurando minha cabeça com a mão esquerda, tentando reprimir as emoções. É verdade, embora eu me sinta numa casa que nunca vivi, não é desse jeito que se baixa a guarda. Não posso confiar em ninguém.

Garçonete! Traz uma porção de pururuca pra cá! — Pedia, por torresmo de baixa qualidade, salgar a língua e acabar com o amargo da cabeça — E mais uma dose de conhaque!

Mais importante que conseguir chegar até Kane, era que fizesse isso de barriga cheia, e também, o torresmo normalmente é gorduroso o suficiente pra impedir a intoxicação. Sim, preciso continuar sóbrio, mas um pouquinho não tem problema. Finalizaria a dose de conhaque, e esperaria pela próxima com a porção, comendo e bebendo nos biquinhos, tudo com a mão direita, pra que ela pudesse se acostumar. Tentaria aproveitar a música o máximo que conseguisse, um momento de pausa naquele dia cheio, que ainda demorava pra se aproximar de seu final. Ouvidos apurados para conversas sobre Kane, próximas de mim, claro. Enquanto esperava pelo pedido, e mesmo enquanto o comia devagar, aproveitaria pra pegar uma moeda em meu bolso, e então começaria a girá-la entre meus dedos, um truque de destreza pra quem tem mãos ágeis. Comparando a habilidade com a mão esquerda, era algo extremamente fácil de ser feito, a moeda deslizava com fluidez, na maestria de meus dedos mágicos, até mesmo se tentasse passar por dedos que não estivessem próximos. Já com a mão direita, a não dominante, talvez precisasse de um maior número de treino. É importante treinar ambas, a ambidestria é útil e abre um leque de opções pra quem sempre está entre a vida e a morte. Aproveitaria a refeição, a bebida, e o truque que devia me bitolar por algum tempo. Um tempo pra descansar, outro pra respirar. Mesmo com o conhaque ruim e a pururuca não sendo gran fina, aquele lazer solitário era importante para que eu prosseguisse em minha jornada, a medida em que bitolava em minha mão direita com uma moeda qualquer.

Finalizada a refeição, levantaria e caminharia naturalmente até onde estava a mesa de sinuca, caso ainda houvesse alguém jogando. Tinha boas habilidade em sinuca, usando a mão esquerda na tacada, mas talvez fosse interessante usar a mão direita naquele momento, pra treinar um pouco mais. Aproximaria dos homens, contando cerca de B$10.000, antes de deixar o dinheiro no canto da mesa.

Alguém afim de um joguinho pra ganhar um trocado? — Chamaria a minha laia pra uma aposta num jogo modesto — Bora? Sou Tsao, um mano a mano?

Aceitado o jogo, pegaria um taco e me prepararia pro jogo. Claro, se aceitassem a aposta, quem não quer ganhar uns trocados fáceis? E deixava tudo mais divertido. Não somente pelo lazer, mas me aproximar de pessoas assim poderia me servir de alguma coisa. Embora eu prefira estar sozinho, conhecer alguns desconhecidos me geraria boas informações, e poderia trocar boas ideias com os desconhecidos. Quase como se a vida fosse uma maravilha... O capeta dentro de meu corpo clamava por aproveitar a vida, naquele momento.

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Re: Terra em Transe Dom Set 19, 2021 5:56 pm
A Jornada de Tsao

A habilidade com a mão não predominante de Tsao era o que lhe atrapalhava ao vira o copo e beber utilizando ela com que fazia que derramasse um pouco da bebida em suas vestes e a ardência em sua garganta era evidente pelo grande teor alcóolico presente naquele conhaque e pouco depois o efeito da bebida já entregava ao futuro caçador um pouco de experiências ruins que atingiam em sua cabeça e fazia com que lembrasse que estava frágil demais para um local desconhecido.

- É para já, meu senhor! – Dizia uma garçonete loira com seios grandes e curvas acentuadas que aproveitava daquilo para lhe dar um belo sorriso e não muito tempo depois trazia o que era pedido enchendo o copo do cliente com mais uma dose de conhaque. – Se precisar de mais alguma coisa, é só pedir. – E mais um sorriso antes de continuar a servir os outros clientes do estabelecimento.

Independente de quanto tentasse fazer as coisas com a mão direita, ele sempre sentia uma estranheza que seu corpo não aceitava ou era apenas o seu psicológico para estar sempre utilizando a mão oposta até mesmo para as coisas mais simples. O sabor do torremos era assim como ele esperava, salgado e crocante, uma sensação boa para quem gostava daquele tipo de alimento. Para aproveitar um pouco mais do ambiente e como se sentia ali, ele retirava uma moeda do seu bolso para continuar praticando um pouco da sua mão direita e assim como imaginava era uma tarefa árdua para quem não estava acostumado e muitas vezes a própria moeda caia em cima da mesa ou voava em direção ao copo vazio da dose de conhaque do qual ingerira.

Bebida que inclusive gerava um pouco de lentidão aos seus movimentos mostrando ser um dos efeitos do álcool presente nela e por mais que Tsao acreditasse ser forte o suficiente para não entrar em um estado embriagado com apenas duas doses, ela também era forte o suficiente para causar um leve atraso em seus sentidos.

Ao se levantar e aproximar da mesa de sinuca, ele percebia que os homens tinham acabado de declarar um vencedor dentre eles e era o momento perfeito para que colocasse a aposta em jogo. Eles o olhavam com um sorriso no rosto de como quem já gostava como o jovem tinha se aproximado deles. – Mas é claro! Piá! Chega mais! – O principal deles tinha por volta de um metro e noventa com músculos a mostras e uma jaqueta de couro regata com as suas tatuagens a mostras por todo o seu braço, desde pequenas ondas tribais para caveiras e outros tipos de tatuagens. Seus cabelos grisalhos iam até a altura do seu ombro com um cavanhaque da mesma cor bem feito. Ele tinha uma pele morena. Ele retirava do seu bolso a quantia equivalente ao que Tsao tinha apostado e também a colocava na ponta da mesa.

- E aí, Tsao, me chamo Bruno! – O homem ajeitava as bolas colocando-as em um triângulo em uma dos cantos da mesa como eram feitos normalmente a partida e ele tinha um dado em sua mão do qual entregava para o jovem. – Par, eu jogo primeiro. – Comentava esperando que ele rodasse o dado de seis lados da maneira que preferisse.

Quantidade aleatória (1,6) : 2


Histórico:
Perda: 35.000 B$ (Alimento e Quarto)
1.100.000 B$ (Arma Profissional, Roupa de Exploração, Kit de Arrombamento)

Ganho:
1.000.000 B$ (Roubo – Casa do Velho Cego)
Dinheiro Total: 115.000 B$

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Re: Terra em Transe Dom Set 19, 2021 9:21 pm


Andarilho


O conhaque era tão ardido que parecia pinga pura. O torresmo era salgado e frito, tão forte que fazia esquecer o gosto do conhaque. Entre a falsa misericórdia embranquecida da igreja, e a verdadeira sombra enegrecida do Bar dos Capetões, preferia ser convidado do capeta, e aproveitar o fogo do inferno que queimava junto daquele conhaque. A música não era um coro que se elevava para a divindade, mas uma cacofonia musical pra quem quer que aproveitasse a vida, da melhor maneira. O torresmo não era leve como a hóstia de trigo e o vinho que preenchia o corpo com um falso deus, mas sim um soco gorduroso e salgado que fazia lhe sentir como o próprio capeta. E a garçonete era tão gostosa, com aqueles peitos volumosos, uma bunda curvilínea e aquele cabelo loiro meio falso, que me dava vontade de pegar ela de jeito. Era um bom local, e embora fosse difícil manusear a moeda, aos poucos ia aceitando sua fluidez em minhas mãos, mesmo que meu corpo tentasse impedir. Tudo uma questão de treino, e talvez um pouco de disciplina, mas não parece difícil. Tentava como podia, escorregando pelos dedos, e mais pela mesa que por eles, mas o conhaque não ajuda muito. O calor do veneno me deixa mais vivo que morto, mas já era hora de parar, afinal, com tanto a se fazer, entorpecer é pra aqueles que podem aproveitar a vida.

Com uma aposta na mesa, Bruno se dispunha a jogar. Era um brutamontes musculoso, já com certa idade, e o tipo de pessoa que combinava com o ambiente. Não era noite, mas o local parecia ter um tempo próprio. Um jogo pra despertar e esquecer a bebida... vai fazer diferença. Estava levemente tonto, e embora eu soubesse que iria perder se usasse a mão direita o jogo todo, pra mim seria mais interessante, uma vez que minha destreza a minha precisão eram satisfatórios.

Beleza, Bruno, tu fica com o par e eu fico com o meu, pra mim ta ótimo! chi-chi-chi... — Piadinha suja — Só não repara que o meu taco é grande, heim? Vou de ímpar.

Pegaria um taco, e aguardaria pelo estouro das bolas do Bruno, antes de ser minha vez. Prepararia a mão esquerda espalmada, com o taco apoiado no fim do polegar, uma almofada nas costas da mão, prepararia a tacada. Claro, utilizaria a mão direita para tal, usando ela para dar o impulso. Embora a dominante fosse a esquerda, saber o jogo já auxiliava muito, e a mão direita só poderia se acostumar com uma arma quando se encerrasse no cotidiano da esquerda. Enfim, ao jogo, utilizaria minha estratégia para vencer. Observaria os prováveis ângulos dos bilhares espalhados pela mesa, tentando traçar algumas linhas que pudessem levá-las pra caçapa, e concentraria ao máximo pra acertar a tacada com a mão direita no impulso, dando um empurrão rápido e preciso, ou ao menos o que quer que fosse, tentando acertar o buraco certo. O buraco certo com a bola certa, esse jogo é pra adultos mesmo.

Aproveitar o jogo era uma boa ideia, um lazer de quem vivia há bastante tempo nas ruas, sem que eu precisasse me preocupar muito. E, se ganhasse, ainda conseguiria um trocado pra pagar pela conta, sem muita pressão. Talvez eu até dê uns garros naquela loira, heim? Será que ela se importava com a cicatriz? De toda maneira, ainda era um treinamento invertendo as dominâncias. Mas não sabia se com a mão direita iria conseguir tanto efeito. No meio da conversa, tentaria rir e interagir com os outros parceiros, até aceitando um cigarro se me oferecessem. Responderia perguntas de maneira evasiva, não me comprometendo com elas, como "vim dos Blues do lado de lá" ou "to aqui no corre, ver se vivo um pouco", pra não levantar muitas suspeitas. Deliberadamente, faria um comentário num momento certo.

Sabe sobre esse tal de Kane, o Temido? Tenho umas contas pra acertar com ele, mas a Marinha parece que ta no pé do cara. — Comentaria, como quem não quer nada, com a atenção focada no jogo — Vim de longe, e não acho o safado por causa dos porcos!

A conversa era mole, mas eram falas estratégicas pra conseguir alguma coisa. A aproximação não era somente pelo lazer, na verdade, podia ser o melhor momento pra conseguir alguma coisa, que não fosse informação do merdinha do Tenente que não sabia de nada, e sim de pessoas que poderiam realmente ter algo verídico vindo dele. Mas estava aproveitando o jogo, de toda forma. Continuaria com a estratégia de ver as bolas ímpares e acertar com a mão direita, talvez fazer algum truque acertando pelos cantos até ziguezaguear pra caçapa, ou mesmo tentando causar interferência nas bolas de Bruno, colocando as minhas na frente pra ele não conseguir estourar. Dá pra tirar cada trocadilho amargo desse jogo, que fica até doce. Claro, com a mão direita tudo ficava mais difícil, mas se o jogo apertasse muito, trocaria pra esquerda em um dado momento pra ter mais controle, e tentar vencer o jogo de um jeito ou de outro. Se me perguntassem o que eu queria resolver com Kane, tentaria não revelar muito, dar alguma mentira bem aberta.

Ah, sacomé né, aconteceu umas parada aí, os chifres dele não são grandes atoa! Chi-Chi-Chi! — Conversa fiada pra desviar o assunto. O disfarce humorístico estava até interessante — E você Bruno, tu é daqui mesmo?

Em realidade, não tinha muito interesse em saber sobre a vida do Bruno, pois no fim das contas, só estava tentando tirar alguma coisa dele sem parecer suspeito. Embora ele parecesse ser um cara gente fina, nossos caminhos durariam poucos tempo. E se o tempo dura tão pouco tempo, prefiro aproveitar o momento. Pra não passar muita vergonha, com o corpo levemente entorpecido e a falta de coordenação efetiva da mão direita, no fim do jogo tentaria compensar as falhas usando a mão esquerda, mesmo que isso quebrasse o treino, pra me colocar a altura da dignidade de Bruno, pois ele parecia ser um bom jogador. Terminado o jogo, pegaria o dinheiro, ou só deixaria que pegassem se eu houvesse perdido, antes de dar a mão pro cumprimento final.

Valeu pelo jogo, a gente se vê por aí. Cuidado com as bolas heim? Chi-chi-chi!— Diria, com um sorriso no rosto.

Após a situação, pegaria meu saco de pano, jogaria pelo ombro e iria até o balcão, onde a gorda ruiva dona do bar estivesse. Se a gostosa da garçonete loira passasse por mim, e por algum motivo eu pressentisse uma vontade de fuder vindo dela, como uma piscadinha ou uma jogada daquele rabo curvilíneo, seguiria ele até um possível banheiro, ou daria uma piscadinha e faria sinal pra me seguir até lá. Estaria atento também pra ver se ela tinha ou não um namorado, pelo menos evitar confusão. Se essa gostosa estiver solteira, vai ser meu dia de sorte. Em um lugar privado com ela, começaria o trabalho, sem entrar em muitos detalhes, mas uns minutinhos já davam pro gasto.

Boa heim, loira, depois a gente se encontra — Falaria pra ela, com um sorriso malicioso, seja no fim do coito ou se ele não fosse acontecer de jeito nenhum.

No balcão, junto da dona gorda do bar, pediria a conta, e então entregaria o dinheiro sem fazer muita questão de descontos. O lugar era agradável, e me revigorou estar ali, antes de continuar minha jornada.

Patroa, você sabe algo sobre Kane, o Temido? — Perguntaria pra ela, caso as informações durante o jogo não fosse satisfatórias. Se não fosse o caso, simplesmente pagaria e curvaria a cabeça — Valeu, tudo de bom pra tu.

Na saída do Bar dos Capetões, observaria o tempo e tomaria uma longa respiração. Agora é hora da caçada... E, em primeiro lugar, voltaria para rua do latrocínio, mais especificamente pra casa da vizinha onde vi aqueles olhos amarelos e aquela silhueta sombria, onde vi Kane, pela primeira vez...

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Re: Terra em Transe Qui Set 23, 2021 2:10 am
A Jornada de Tsao

Manusear o taco de bilhar era uma tarefa bem mais difícil utilizando a mão não predominante para aquilo e Tsao sentia na pele o que era errar a própria tacada de uma maneira tão feia que a bola branca se movia apenas por alguns centímetros sem sequer tocar na outra. Isso era um tanto complicado para o resultado do jogo, mas para Bruno fazia com que ele sorrisse vendo que a força e o jeito aplicado não eram o suficiente para mover a bola com tanta destreza, porém, ele conseguia ver que havia alguma técnica por trás e independente disso, apenas estava se divertindo conforme bebia um uísque forte, tal qual era possível sentir através do seu olfato.

Conversa vai, conversa vem, a loira passa mais algumas vezes distribuindo as bebidas, porém sem olhar para Tsao especificamente e uma pergunta em relação a Kane saia das bocas do desafiante que até o momento estava em um placar de uma para quatro contra Bruno. – Kane? Aquele chifrudo do cartaz? Cara, não sei de dizer muito sobre ele não. Quando ele não era procurado ele chegou a frequentar esse bar, porém nunca tive papo com o maluco. – Ele olhava para os lados. – Se eu me lembro, ele chegou a sair com a loirinha umas vezes e ela tá com umas marcas estranhas na nuca. – Comentava Bruno cochichando no ouvido de Tsao.

O jogo começava a ficar cada vez mais pegado e disputado e a habilidade em manusear o taco era agora mais tranquilo, embora houvesse vezes que sabia que tinha mais para dar e acabava errando pela falta de maestria com aquele braço o que gerou em uma situação ainda mais desvantajosa de três a seis bolas encaçapadas chegando bem próximo do final do jogo e Bruno perguntava o que havia acontecido para que ele fosse atrás do Kane. – Hahahaha! Nem fodendo! – E a conversa sobre o Bruno virava. – Nascido e criado em Las Camp, já vi de tudo nessa ilha, as coisas eram bem mais calmas quando não haviam tantos piratas. – Comentava o homem.

Ao tentar voltar para o jogo, o futuro caçador começava a apelar utilizando do seu melhor braço para tentar fazer com que ele ganhasse o jogo, mas devido a vantagem adquirida anteriormente por Bruno, isso não era possível e o jogo era vencido após a oitava bola ter sido encaçapada pelo senhor e o valor da aposta ia para seu bolso, um valor mínimo, mas que pagava uma dose. – Valeu, piá! Se cuida! HAHAHA! – Comentava o homem.

Tsao voltava para o balcão em direção a ruiva e via a loira passar ao seu lado, porém ela sequer o olhava antes de que sua fala viesse, em que ela dava um sorriso, mas não passava nenhuma outra intenção além desta. – A conta deu 30.000 B$. – Comentava a mulher sendo paga por Tsao e saindo do Bar.

Do lado de fora, o tempo já havia passado bastante e o céu já estava escuro, a presença de pessoas na rua já tinha diminuído por quase completo e ele estaria sozinho se não fossem algumas lanternas de alguns marinheiros procurando pela área. Começando a sua ida até a antiga casa do velho, ele conseguia ver uma movimentação por ali, haviam alguns agentes da marinha investigando o local e dessa forma Tsao não foi capaz de se aproximar tanto, se esgueirando para uma esquina. Eles pareciam estar olhando pela área e alguns estavam dentro da casa segurando lanternas em suas mãos. Porém, no alto de uma casa a leste da do velho, o caçador era capaz de ver uma sombra escura observando as ações daqueles homens. A sombra não era forte o suficiente para que conseguisse ver quem era ou suas características, mas, com certeza, há alguém ali.


Histórico:
Perda: 35.000 B$ (Alimento e Quarto)
1.100.000 B$ (Arma Profissional, Roupa de Exploração, Kit de Arrombamento)
30.0000 B$ (Bar)

Ganho:
1.000.000 B$ (Roubo – Casa do Velho Cego)
Dinheiro Total: 85.000 B$

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Re: Terra em Transe Sab Set 25, 2021 1:10 am


Diabo


O jogo havia sido terrível para minha carreira na sinuca. Usar a mão direita era realmente algo bem difícil, e a falta de maestria com ela só fazia piorar tudo. Bruno parecia satisfeito, contudo, uma vez que estava ganhando. Ao tempo em que decidi usar a esquerda, já era tarde demais, o jogo havia sido ganho e a aposta havia sido perdida. Talvez socializar e jogar não seja mesmo pra mim. Xadrez seria mais fácil, embora a estratégia da mesa de bilhares tivesse também seu charme. Sobre Kane, nenhuma outra informação pertinente, a não ser que ele frequentasse o local mais vezes, e havia machucado a garçonete gostosa. Nada muito preocupante, mas perdi a vontade de ficar com a garçonete. Paguei a conta salgada, com o bucho cheio de torresmo, o sangue fervendo com o conhaque e a satisfação de ter tirado um momento de descanso, afinal, não havia conseguido nada ali. No fim das contas, já tenho informações o suficiente, já é hora da caçada.

A noite já caía na ilha da Las Camp, e a cidade ficava com vãos mais escuros. Com maiores sombras, as trevas auxiliariam na caçada. Seria naquela noite que a cabeça de Kane ficaria fora de seu corpo. Meu corpo passava por alguns calafrios, com pequenos impulsos nas entranhas que clamavam por alguma coisa. O Diabo já desejava me possuir, utilizar meu corpo para ceifar almas e levá-las para o inferno. Seria eu, um dia, a última a ser ceifada? Ouvi dizer que os soldados do Diabo não iam pro inferno. As ruas de pedra, em meio aos becos escuros, eram mais instigantes que a presença da luz, caminhando até meu destino. Os tempos de mendigo me acostumavam a viver pelas sombras. O lugar estava abarrotado de policiais, os agentes da Marinha que se auxiliavam na busca do meu alvo. Ou talvez tenham descoberto o latrocínio e estejam vindo atrás de mim, mas duvido que isso vá acontecer. De toda forma, o local estava escuro o suficiente para a maldade começar.

No alto de um edifício, uma silhueta observava tudo. Apesar de minha boa visão no escuro, não era possível notar quem era, mas se fosse pra fazer uma aposta, e mesmo tendo um histórico ruim com elas, tinha certeza que era meu alvo. Kane, o Temido esperava do alto, para não ser encontrado. Cuidar com os céus e ficar atento... certamente, meu alvo não é brincadeira. Não havia tempo para ter tempo, mas ele parecia interessado nos marinheiros em sua procura. Iria para um beco próximo, escuro e inabitado, para poder trocar o traje, afinal, a possessão do Diabo pedia para que eu fizesse meu trabalho. No beco escuro, não me despiria, mas ao invés disso, vestiria o traje por cima de minhas leves roupas vermelhas. Começaria pelas calças, ajeitando rapidamente, levando pela parte de cima para calçar meus braços. Obviamente, tiraria o facão para fazer tal coisa, e tentaria deixar o saco de pano em minhas costas, uma vez que poderia se alojar bem naquele lugar, mas seria uma boa ideia pegar alguns objetos do kit de arrombamento e colocar nos bolsos do traje, e obviamente tiraria a máscara do meu torso, para poder amarrá-la ao rosto, firmemente para que não se soltasse. Após vestir o traje, forçaria para verificar os calçados e ver se estavam presos o suficiente, assim como as luvas, para que não ficassem nem muito frouxas, nem muito apertadas. Por fim, a bainha do facão ficaria envolta em meu corpo, com o cabo se sobressaindo pela direita, uma vez que seria mais fácil retirá-lo com a mão esquerda. Estando pronto, amarrado nos membros, de máscara em popa, o Diabo já se faria presente.

Mas, afinal, como fazer para que tais agentes da justiça não me notassem? Como chegar a Kane, no alto de um edifício, se não poderia escalá-lo com facilidade? As perguntas rondavam minha mente, enquanto tentava observar a posição dos seres no certo. Ficaria oculto nas sombras, escondidos, observando o chão para ver o número de agentes ali espalhados, tentando usar de minha audição para tentar adivinhar o sons de seus movimentos. Também observaria a silhueta de Kane, para rastrear sua posição sobre os prédios. Todo aquele trabalho era de extrema importância, e era necessário para que pudesse planejar os próximos passos. A cabeça começava a doer, a dor excruciante agora parecia natural, com a máscara do Diabo azul aparando-a, embora ainda estivesse presente. "O fogo era visível no olho esquerdo, enquanto a chama se alastrava. A figura de um demônio tomava as vistas, enquanto as mãos armadas de um pedaço de metal pontudo faziam o trabalho de eliminar os inimigos." O tormento alucinava a mente, enquanto tentava ignorá-lo ao observar o alvo. A sede de sangue era maior que as sombras do passado, uma vez que a porta para o futuro estava presente. Finalmente, uma semente do mal a ser erradicada.

Foi quando tive uma ideia. Pegaria um pedra, ou um objeto pesado próximo, à minha volta, e então jogaria o mesmo em uma direção oposta, para fazer barulho. Claro, não na direção dos agentes, mas sim adjacente a mim, esperando que o barulho atraísse os patrulheiros para um local distante, enquanto me deslocaria para uma posição oposta, de olho em Kane. Distrair para conquistar, meu alvo deve ser morto isoladamente. Caso a reação dos agentes fosse a de seguir para onde o barulho ocorreu, deslocaria o Diabo para frente, me escondendo pelas vielas das casas, observando Kane. E, então, se Kane começasse a se mover, começaria a segui-lo por terra, tentando utilizar minha audição para entender por onde ele estaria andando pelos telhados dos edifícios, e para qual direção, viajando pelo solo para acompanhá-lo pelos céus. Se a decisão dos agentes fosse outra, observaria suas atitudes até ter outras certezas, para fazer outras decisões. Obviamente, se viessem em direção à mim, tentaria me esconder num beco ou num espaço escuro em vazio, para evitar que me vissem, mas sempre tentando ficar de olho em Kane.

A ideia era simples, seria necessário chegar até Kane, antes que chegassem até ele, e distraindo parecia ser a melhor opção, uma vez que não seria simples escalar os edifícios, e também seria complicado tentar aparecer por solo com muitas pessoas me olhando. Era necessário astúcia, concentração e frieza para lidar com a situação. No fim das contas, os agentes e marinheiros eram cachorros obediente, como deveriam ser, e poderiam ajudar um rato a chegar até o queijo. Ou melhor, poderiam auxiliar o Diabo a levar mais uma alma para o inferno, sem que precisassem de muito esforço. Afinal, a misericórdia para os que causam sofrimento é, simplesmente, o fio do facão que irá decapitá-los e fazer com que queimem nos campos elísios da punição.

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