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É com muito prazer que lhes damos os comprimentos ao nosso RPG. All Blue se trata de um RPG narrativo com o ambiente principal centrado em One Piece, obra de Eiichiro Oda.
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Terra em Transe

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Terra em Transe Sex 13 Ago 2021 - 15:22
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Aqui ocorrerá a aventura do(a) Civil Tsao Tsao. A qual não possui narrador definido.

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"Ah, mas eu não quero ter dois caminhos ou ah, mas eu não quero ter caminho nenhum. Ué, você já pode porra, a única coisa que te impede de fazer isso é ser zé metinha e querer ficar comparando o tamanho do pau com o coleguinha pra compensar o ego frustrado." - Luquinhas, 2022
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Re: Terra em Transe Sab 14 Ago 2021 - 2:12


Diabo


As sombras fazem parte de meu ser. E mesmo após tudo o que passei, o sofrimento de minha vida não virá a cessar. Provavelmente nunca. Nem mesmo após ela. Creio que acabarei como um espírito penado, vagando pelo mundo em busca do sofrer. Será que um dia minha alma encontrará, finalmente, a paz? Não posso garantir isso. Os últimos acontecimentos abalaram minhas estruturas, e o corpo gélido de minha amante jazia em uma casa, no meio de um beco abandonado, em outra ilha... nem mesmo pude lhe dar um enterro digno. Dela, só restou seu mártir, impregnado em meu ser, como um combustível sombrio que faz com que meu corpo avance. E que corpo é esse? Um corpo cansado, marcado por tudo o que passei, como um escravo perambulando e sendo trocado nas mãos de senhores endiabrados. Minha inocência violada sem minha permissão. Roxos e cicatrizes espalhados pelo meu torso, passando por minha pele, entrando fundo em meu íntimo, marcando meu membro fálico e o buraco que todos temos — um detalhe escatológico, de fato — ferido ao longo das eras, sem meu consentimento. Que vida é essa que vivi? Antes, vivia uma vida de príncipe, futuro militar do pequeno país do qual vivia, com uma família unida e feliz, vivendo minha vida idílica e sem preocupações. E agora, o que me resta além do fardo da morte que carrego? Uma horrenda marca em minha face, que nunca irá desaparecer. Tentei fazer o possível pra poder curá-la, diminuir essa marca para que eu ficasse menos feio. Ao menos, quando mais jovem, eu era mais bonito. E agora? Agora sou só um mendigo maltrapilho, nojento. Olho meu reflexo na salgada água do mar, e só consigo sentir nojo. A cicatriz, embora curada, é repugnante. Mesmo tentando inutilmente preservar minha integridade física, como o tolo humano que sou, nem mesmo isso com consegui. Provavelmente ficou pior depois que tentei mexer. Nunca estudei nada pra medicina, não é mesmo? Amarrei alguns panos, coloquei água, tentei roubar algumas pomadas... tudo em vão. Um sofrimento atrás do outro.

E agora, onde eu me encontrava? Já nem sei mais o que fazer, nem mesmo que rumo devo vir a tomar. Só decidi, por conta própria, acabar com o sofrimento desse mundo. Mas e por onde eu começo? Se eu mesmo sou um pedaço desse sofrimento, não seria mais fácil simplesmente arrancar minha vida, e poupar o mundo e minha existência, deixando com que ele se desintegre por conta própria? Vou cumprir meu objetivo? Não sei... não tenho respostas. Contudo, ainda estando vivo depois de tudo o que passei, imagino que ainda possa passar por mais. Sim... posso sentir essa chama da desgraça queimando em meu ser. A chama que me compele a continuar seguindo a vida. Mas não... não vou permitir seguir a vida como um andarilho tentando sobreviver. Eu quero mais. E nem me refiro a acumular riquezas, ou tentar uma vida melhor como um civil comum. Recuso-me completamente a essa ideia. E, mesmo se eu tentasse, não conseguiria me livrar dos pensamentos que me atormentam... começaram a atormentar desde cedo. Não sei como fazer, não sei como pará-los. E, também, não acho correto. É impossível eu tentar viver de maneira comum, após tanta desgraça ter acontecido em minha vida. Preciso fazer dessa existência pífia, algo que realmente valha a pena. Algo que faça sentido. Não para mim, mas para a sociedade. Se eu, como esse pedaço de vítima do inferno, vivi dessa maneira, o que impede que outros vivam da mesma maneira que eu vivi? Que eu vivo? Senão pior? Não duvido nada. O inferno está na mente dos seres humanos, e a partir dele, propagam a dor e o sofrimento para poder preencherem seu próprio vazio. Para que possam preencher sua própria desgraça. Tentam, de maneira falha, preencher o vazio de seus corações com os prazeres da vida, mesmo que isso cause sofrimento a outros. Recuso-me a aceitar isso. Se não fossem esses pensamentos, não estaria aqui, hoje, navegando num bote com um mercador que se dispôs a me ajudar, refletindo sobre tudo o que recaiu sobre mim, e ainda há de recair.

Aproximo-me da extensa ilha, com uma cidade cinzenta, construindo-se à minha vista, quão mais o barquinho se aproxima. E vai ficando maior, e ficando maior. Uma grande cidade, numa gigantesca ilha, aos poucos toma sua forma, e se impõe como monumento da construção humana. A grandiosidade simplesmente me faz sentir um pouco de medo. Não sei nem mesmo se conseguirei eliminar o sofrimento dessa cidade, como irei fazer para eliminar o sofrimento do mundo? O que devo fazer? Pegar algum bandido grande? Algum pirata que esteja causando problemas? Quem sabe um político corrupto, que dificulta a vida de todos? Não... nem mesmo se eu me tornasse milhares, não conseguiria, nunca, extinguir o sofrimento do mundo humano. Ainda mais eu... um mendigo, maltrapilho, com uma cicatriz asquerosa em meu rosto, sem dinheiro até mesmo pra comprar um prato de comida decente. Tenho uns trocados, é verdade... mas nada muito luxuoso. Talvez consiga comprar uma faca... quem sabe? Não tenho certeza. E de que adianta, se nunca vou eliminar a desgraça desse mundo, por que tentar? Por que...

Porque, se não tentar, sua vida será em vão... — Sussurro para mim mesmo.

É verdade. Minha vida seria em vão. Apesar de ser uma vida vã, vazia, ela não teria sentido. Tem que haver algum jeito... sim... será que se atingir diretamente nas engrenagens de sofrimento desse mundo, vou conseguir o meu tão impossível objetivo? Já sei que é impossível. Mas que mal faria se eu tentasse? Faria alguma diferença? Quem sabe, não é? Talvez, um dia...

Mas essas reflexões sobre a desgraça pessoal e o futuro incerto, de nada servem. Preciso pensar com os pés no chão. Ao menos, preciso de recursos. E uma grande quantidade de recursos. Dinheiro suficiente para poder viver, e para poder conseguir o que quero. Mas não vou me tornar mais um corrupto, recuso tal ideia. Preciso de dinheiro, pois se é o dinheiro que move esse mundo, e se é o dinheiro que abre portas infinitas, é do dinheiro que preciso. Afinal, como vou conseguir lutar, se nem mesmo tenho o suficiente pra uma arma? E se eu possuir bastante? Com tamanhos recursos, certamente vou poder resolver minha vida, de uma maneira ou de outra...

E a ilha vem aí. É Las Camps, pelo que me disseram. Uma ilha grande, com uma cidade enorme, e pessoas de espírito tão pequeno... será que encontro alguém que valha a pena? Quem sabe, não é mesmo? Mas me serve de alguma coisa? Preciso observar. Preciso viver. Mesmo carregando essa desgraça nas minhas costas, preciso continuar. Esse tormento que me aflige me servirá de alguma coisa, em algum momento, de algum jeito... só não sei como. Vamos observar, e ver como as coisas irão funcionar.

Desembarco do barquinho, mando um tchauzinho e um aceno com a cabeça como agradecimento. O mercador já sabia que eu não tinha dinheiro pra pagar. Menti, obviamente. Tenho alguns trocados, mas preciso comer, pagar uma estalagem, e também comprar uma faca. Sim, uma faca... e então vou cravar essa faca na garganta do primeiro filho da puta causador de sofrimento que me aparecer. Ou ao menos, é o plano. Mas não de maneira muito chamativa. Vou agir como um rato, usando a sagacidade da cabeça, o ímpeto do coração, e a crueldade de minha cicatriz. Não irei esquecer. Nunca... e tudo o que aparecer sobre mim, nunca irá ser esquecido. Estou pronto para a jornada. Se eu tornar-me um mártir, pouco me importa. Prefiro morrer como uma figura que viveu pelo seu desejo, ao viver como um ignorante que morre simplesmente pelo passar do tempo, desejando. Dentro de minhas roupas, a máscara azul de um oni, criatura folclórica do meu povo, já destruído. Vingar-vos-ei...

Sem hesitação, adentraria na cidade.

Histórico:


off: Olá narrador! Espero que goste da minha aventura. Gosto de escrever e interagir. Espero que possamos aproveitar! Só peço que tenha algum estômago pra coisa, e se houver alguma questão, por favor, me envie uma MP. Boa aventura!
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Re: Terra em Transe Qui 19 Ago 2021 - 19:53




Terra em Transe

Post 01


Era uma manhã ensolarada e quente como de costume em Las Camp, mesmo estando cedo, a quantidade de pessoas que trafegavam por aquele lugar era imensa. E apesar de o dia aparentar seguir normal, a atmosfera no local parecia mudar assim que nosso protagonista dava seus primeiros passos na ilha. O mesmo que havia feito uma longa viagem de bote até seu atual destino, conseguia observar toda a ilha desde muito antes, contemplando a incrível paisagem. - Bom, chegamos jovem, já pode seguir sua vida. E olhe, tome cuidado. - Dizia o homem que fez o favor de lhe dar carona a Tsao. Agora neste momento, o mesmo se deparava com aquela enorme cidade, o número de pessoas trafegando mesmo nesta hora da manhã era imenso, muitas estavam indo em direção as suas casas, trabalhos ou até mesmo a encontro de outras pessoas. Algo que também chamava sua atenção era a presença de dois enormes Navios da Marinha, não era claro o seu propósito porém ver eles não trazia memórias tão boas a Tsao.

- Ei, vamos ao encontro do Tenente? - Dizia um dos marinheiros que saia de um desses navios, sua voz era limpa e leve, passando um ar de inspiração. Talvez seu tamanho fosse algo a se questionar, já que era mais baixo do que o comum, o que o fazia parecer apenas um garoto. Ele mesmo saia com mais outros 3 Soldados a sua volta, que pareciam ser bem próximos. - M-Mas e-é claro q-que sim, e-ele disse q-que n-nos esperaria n-naquele mesmo b-bar… - Agora quem tomava a fala era um outro membro do grupo, sua voz era mais fina e chata, seus cabelos loiros eram caídos até a altura de seus olhos, porém seu porte físico e sua altura eram totalmente opostos, ele parecia medir uns 2 metros, porém era extremamente magro. - Ah, claro, o bar… eu temo que o Tenente esteja se colocando em apuros, aqueles que pertencem à Realeza não são fidedignos… Pois bem, iremos nos conduzir até nosso encontro, pretendestes ficar mesmo aqui Soléu? - Dizia o outro Marinheiro, com uma voz bem grossa e grave. Esse por sua vez, não era tão alto quanto o loiro, porém ele deveria medir entre 1,89/1,94m, mas o que chamava atenção era que diferente do último Marinho, este possuía um corpo bem robusto, seus músculos eram enormes e passava até mesmo um ar de intimidação. - É Boldos, estou me sentindo mal hoje, então vou descansar um pouco, porém não se prendam a mim, podem ir curtir! E Curtis, trate de observar nosso mais novo recruta, sei como Boldos fica quando bebe, e não quero ver o Moléu entrando em furadas… TÁ ESQUECENDO DA GENTE MOLÉU? - Gritava o homem ao Soldado, que já se encontrava andando em direção ao bar, parecendo ter se distraído, porém porém ouvir os gestos de Soléu, rapidamente se ligava e voltava correndo. - Mil desculpas Senhor, eu me apenas fiquei um pouco distraído… -

Tsao após ver aquele pequeno grupo de marinheiros, que agora já estavam indo na direção do Tenente, podia também observar que o porto inteiro estava com várias pequenas barracas de petiscos fritos, sem dúvida muitos estariam deliciosos e valeria apena experimentar as comidas locais. Aquela era só a ponta do Iceberg, toda Las Camp era imensa e Tsao tinha certeza que quanto mais adentrasse, mais caminhos se abririam para o jovem alcançar seus objetivos.

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Última edição por Faktor em Dom 22 Ago 2021 - 19:39, editado 1 vez(es)

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Re: Terra em Transe Sab 21 Ago 2021 - 15:45


Andarilho


Uma ilha de enorme população, Las Camp estava abarrotada de pessoas, no porto andavam de um lado pro outro, o barulho de seus calçados estalando no chão era uma sincronia em meio ao que chamam de caos. Tudo em constante movimento. O caminhar compassado que tocava pelos encalços de pedras e cimento da rua. O que Las Camp esperava por mim, naquele momento? O cheiro de uma mistura de sabores de comida de rua estava próximo dali, o vento conseguia trazê-lo, mas a maresia do porto parecia ser mais forte, o sal adentrando minhas narinas enquanto algumas vozes pareciam fazer mais volume na multidão, passando próximo de mim.

Um grupo de marinheiros sair de um local não tão distante. Ouvi a palavra "tenente", e instintivamente me virei em direção da voz. Pareciam relativamente distantes, mas minha audição era boa o suficiente para captá-las. Em minha visão, dois enormes navios da marinha, provavelmente feitos para abrigar muitos marinheiros, pelo tamanho não pareciam tão úteis para a guerra. Combatentes muito grandes não conseguem se mover muito bem num campo de batalha... mas não possuo conhecimento sobre navios. Enfim, estavam conversando sobre encontrar o tenente, ouvia um gago meio medroso e meus olhos observavam um corpo esguio naquele grupo. O mais medroso, pelo que vejo. Rato asqueroso. Talvez uma fuinha, na verdade. Havia o que parecia ser um protótipo de homem, ou alguma coisa assim, um galã de praia loiro, daqueles garanhões que todas ficam se esfregando... mais nojento que a fuinha covarde. E havia também um brutamontes, e pelo tamanho dos músculos, provavelmente era muito burro. Ele inclusive grita. Deve ser do tipo que morre calado.

Las Camps parecia ser uma cidade muito grande, num ilha maior ainda. A quantidade de pessoas no porto e as infinitas possibilidades que suas ações levantavam podem ser interessantes. Contudo, o primeiro passo para meus objetivos surgem aqui, logo à minha frente, quase como uma dádiva dos deuses. Minha cabeça começa a doer, repentinamente começo a ver imagens das desgraças pelas quais passei. "Um pirata atirando na cabeça de minha mãe, enquanto seu corpo cai e o sangue jorra do ferimento. Um grito...". Seguro forte com minha mão no local que excruciou, e reprimo tais sentimentos. Sim, preciso continuar. Não haverão sofrido em vão...

Começaria a seguir o grupo de marinheiros, de longe, prestando atenção em suas direções, no caminho pelo qual trilhavam. Tomaria certa distância para não me notarem, embora a multidão já fosse cobertura o suficiente. Furtivo como um rato, estaria atento a assuntos e palavras que pudessem ser de interesse militar ou político, e ignoraria as conversas corriqueiras de homens. Minha audição desenvolvida é bastante útil nesses momentos. Se seguir os marinhos, provavelmente irão me levar pra um bar movimentado, o disfarce perfeito caso haja uma estalagem. Lugar muito cheio, sem olho nas cozinhas. Um quarto numa taverna movimentada seria ótimo para me instalar enquanto estou aqui. E ouvindo as conversas desses palermas, vão me entregar muitas informações. Minha mente pensando nos lances estratégicos da minha partida. Mas começar meus movimentos contra os marinheiros não significam nada para mim, não neste momento... Primeiro, vou arranjar uma identidade. Trabalharei nas sombras, sem que conheçam minha cicatriz. Serei somente uma figura, que aparece e desaparece quando bem entende, mas não irão me pegar. Nunca sem a máscara. Pensei muito sobre isso, e é o melhor jeito de prevenção que encontrei, sozinho, caminhando por essa trilha tão tortuosa. Enquanto eles se divertem e conversam, serei sua escuta. Estarei um passo a frente de seus planos. Ouvindo seus planos, conseguirei romper a vida, num piscar de olhos... contudo, necessito que ganhem confiança em minha identidade.

Estaria colado neles, e tentaria entender seus caminhos, para me acostumar a cidade. Ações de transeuntes não me interessavam em nenhum momento, pois coloco meu foco no grupo de marinheiros, que podem me levar para o caminho do qual desejo, e que mais irá beneficiar meu corpo cansado. Estaria atento para o estabelecimento que entrassem, caso entrassem no tão mencionado bar, esperaria alguns segundos antes de entrar também, e procurar uma mesa longe deles, despistando sua atenção e pregando meus ouvidos em suas bocas nojentas. Embora meus sentidos estejam lúcidos seguindo meus alvos, não consigo parar de entender o grito no fundo de minha consciência. Não é um som audível, mas sim a sensação do grito, correndo em minha cabeça. Quem sabe um dia deixarei livre meu tormento? Embora eu tema que, no dia em que não serei mais atormentado pela minha vida, será o dia em que cessarei meu objetivo para com ela.

Histórico:


off: tentei ser mais direto e em contato com o ambiente, 1st post sempre são reflexões
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Re: Terra em Transe Seg 23 Ago 2021 - 3:16




Terra em Transe

Post 02


Las Camp era bela e movimentada, seu porto apesar de simples já trazia margens para infinitas outras possibilidades aos seus visitantes, e a Tsao, ofereceu uma ótima chance para conquistar informações. Apesar de suas primeiras impressões sobre aquele pequeno grupo fossem talvez meio precipitadas, ele mantinha outros objetivos em sua cabeça acima de tudo, e então começava a segui-los.

Sua facilidade em se ocultar era extraída ao máximo dentro de uma situação dessas, a multidão o fazia parecer apenas uma sombra que caminhava pelas ruas da cidade, seguindo suas presas. E apesar daquela multidão, seus ouvidos eram afiados o suficiente para conseguir pegar algumas poucas palavras ditas por eles, na maioria risadas e provocações, nada que fosse de muita importância naquele momento. Não muito tempo depois, eles pareciam estar em seu destino. Os Marinheiros se dirigiam até um estabelecimento que por fora era arquitetado todo em pedra e madeira, com um aspecto medieval, e enquanto o jovem adentrava ao estabelecimento, segundos após a entrada dos Marinheiros, tomava conta de que aquele era de fato o lugar perfeito.

O interior daquela taverna era enorme, assim como a parte de fora, a "casa" por dentro tinha um aspecto rústico e medieval. Enquanto entrava, conseguia viver inúmeras pessoas sentadas nas mesas bebendo e conversando, outras em pé pelo salão, e outras no balcão. O local era gigante, tinha mais dois andares que estavam lotadas, e nos fundos uma porta desconhecida, provavelmente a do banheiro. De certo a principal atração da taverna era aquele imenso barril em em seu centro, que era também onde ficava o bar, que tinha também algumas placas pregadas no alto, uma indicando a direção do banheiro e a outra dizendo: "Temos 3 quartos Livres para quem precisar de uma noite, e uma vaga de zelador aberta".

Depois entrar, era até mesmo difícil identificar onde o grupo havia ido, porém conseguiu reencontrá-los após ver aquele brutamonte passando por baixo de um dos arcos direito do local, e felizmente, ao chegar até a área pouco tempo após o grupo, conseguia achar uma mesa que estava a uns 6 metros de distância da deles. - Senhorita Roxanne! É um prazer tê-la com a gente. - Falava Moléu enquanto puxava a mão da Princesa e a beijava. - Tá tá, não precisa disso tudo Moléu. - Dizia um homem mais velho, de barba e uma roupa mais cara, Tsao não conseguia enxergar muito bem porém ainda era possível ouvir uma parte de suas conversas, e tudo graças a sua grande audição. - É u-um prazer vê-la s-senhorita Roxanne. - Falava então Curtis se esforçando pra não errar tanto suas palavras, e reverenciando a Realeza. - Permita-me dizer que és um grande prazer tê-la conosco nesta manhã, Roxanne Guillot. - Por último, Boldos se apresentava para a Princesa também. - Muito obrigada senhores, mas não precisam dessa formalidade toda. - Dizia a regente, dando leves risadas no final. - Estou vendo que estou sendo esquecido aos poucos, esses jovens… - Falava o Tenente enquanto começava a se levantar, e então todos os outros três se viravam para seu superior, prestando continência. - Bom dia Senhor! - Diziam todos os três Marinheiros em uníssono, e então Mattew abria um leve sorriso. - Hehe! Certo Jovens, descansar! Vamos, sentem-se, temos bastante assunto para botar na mesa. OH, VÊ MAIS 3 CANECAS DE CERVEJA PRA CÁ POR FAVOR! - Pedia então ao atendente de sua mesa mais três canecas, enquanto todos os 3 Soldados iam se sentando na mesa.

Não muito tempo se passava até eles começavam a beber, Tsao até o momento não tinha conseguido pegar nada de muito importante, mas agora ele começava a prestar um pouco mais de atenção pois a conversava tinha pegado outro rumo. - Mas então Tenente! O que faremos sobre aquele Pirata ein? Vamos pegá-lo? Hehe! - Moléu já não estava mais sóbrio, ela perceptível no seu timbre e na forma que falava, era fraco pra bebida. - Eu já lhe disse pra não puxar esses assuntos por aqui, porém é como você já sabe, não temos autorização pra fa- - A atenção de Tsao era cortada por um atendente chegando a mesa com várias canecas em sua mão. Ele parecia ter mais ou menos sua altura, um físico normal, cabelo preto escorrido e uma expressão de animação. - Eae meu caro, como vai? Está querendo algo? É a primeira vez que vem aqui né? Nosso estabelecimento da a primeira cerveja já ao cliente de graça, então, aproveite! - Dizia o homem, enquanto botava a caneca sobre a mesa, porém porém Tsao voltava sua atenção ao Grupo, ele via Mattew se levantando e indo atrás de Roxanne que parecia estar indo embora. - -mponho você, calma. - Era possível ouvir de última hora. - Huuuummmm… Eu acho que u T-Tenente deve tá gostando dela não acham? Ahhh, e sobre aquele novo Pirata que foi avistado? Nós temos nutícias sob- - Ele era cortado por Boldos dando um tapa na mesa. - Já chega Moléu! Não torne as coisas mais difíceis, tenha disciplina. Se não consegue se manter em pé bebendo, imagino em batalha. - Dizia o Marinheiro, com uma voz séria e intimidadora, que fazia o jovem se recolher e ficar quieto. - Muito bem, perdi algo? Acho que não né? Então vamos continuar, o dia é nosso… E então eles continuavam a beber e se divertir.

Tsao agora tinham algumas informações que poderiam lhe ajudar a começar a trilhar seu caminho, porém não foi capaz de pegar muita mais coisas relevante.


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Última edição por Faktor em Qui 26 Ago 2021 - 0:54, editado 1 vez(es)

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Re: Terra em Transe Ter 24 Ago 2021 - 22:41


Andarilho


Seguir o grupo de marinheiros não foi tarefa difícil. Eles eram naturalmente barulhentos, e já havia memorizado suas vozes o suficiente até mesmo para reconhecer eles em meio a multidão. O mais baixo era Moléu, a fuinha gaga era Curtis, o bonitão com pinta de aristocrata era Boldos e o brutamontes burro se chamava Soléu. Todos muito simples, com pensamentos idílicos da vida de marinheiro, sem muita graça. Além disso, era fácil me misturar à multidão. Como era apenas mais um morador de rua sujo e com uma cicatriz horrenda no rosto, as pessoas simplesmente me ignoravam. Não estavam muito interessadas em minha aparência, e eu próprio não chamava atenção. Tolos cegos. Chegaram no que parecia uma taverna, e logo notei que aquilo seria realmente o disfarce perfeito. Após minha pausa, entrei para segui-los, e localizei-os para que pudesse continuar o serviço de espionagem. Consegui sentar a uma distância razoável deles, sem que me notassem... todos eles parecem ser tão alheios a sua volta, é isso o que chamam de marinheiros?

A taverna era grande. Além de sua bela arquitetura rústica, algo que agradava meus olhos e fazia com que me sentisse num bom lugar. As pessoas pareciam animadas, também alheias ao que acontecia a sua volta. Conversa de bar era o tema em praticamente todas as mesas, mas nelas não tinha muito interesse. Havia um balcão enorme, com tonéis de bebida, e alguns garçons. Lembro de ver um anúncio com alguns quartos vagos. O disfarce perfeito... será isso sorte de principiante? Mal iniciei em meus objetivos, e já peguei 2 coelhos com uma tacada só. Conseguia velos de longe levemente, vez ou outra obstruíam minha visão, mas meus ouvidos estavam atentos. Cumprimentaram um homem mais velho e uma mulher... que não parecia fazer parte daquele lugar. O que era ela? Sua voz é doce, e a formalidade com a qual os pau-mandados da Marinha a tratavam... seria uma aristocrata? Roxanne era seu nome, então... O outro homem parecia ser o superior deles. Algum tipo de capitão? Não conheço a hierarquia dessa organização. Parecem ser bons amigos... Minha mente arquiteta meus planos e meus movimentos futuros, enquanto meus olhos ferozes observam a presa com cautela, de longe, e meus ouvidos estão cientes de cada movimento que fazem. E sim, meu foco era tamanho que ouvia até mesmo o momento daquela mesa em específico levantando e colocando as canecas na tábua de madeira rústica, até mesmo alguns gargalos maiores era possível de serem ouvidos.

Minha cabeça começou a doer, instintivamente levei a mão até o topo e apertei com força. "Concentrei-me em demasia... imagens de destruição passaram por minha mente, sangue e morte, a carnificina de piratas que tomavam a ilha com pretextos egoístas." Que desgraça. Não posso nem tentar entender o que estão dizendo sem que minhas memórias insuportáveis voltem à tona. Mas foi um susto. Moléu, o menor, já estava bêbado. Bêbados estúpidos costumam revelar mais do que o necessário. Ótimo. Vou me aproveitar de suas fraquezas. Ouvi a palavra "pirata".

Pirata!? Claro! Era algo tão óbvio! Sim, tenente, dê mais corda pra esse beberrão imatura, enquanto eu vo-

Eae meu caro, como vai? Está querendo algo? É a primeira vez que vem aqui né? Nosso estabelecimento da a primeira deve já ao cliente de graça, então, aproveite! — Dizia um rapaz alegre colocando uma caneca cheia de cerveja na mesa.

Havia esquecido tal detalhe. Fiquei tão envolto em meus próprios pensamentos e nas engrenagens da mente, que nem mesmo me lembrei de comer. Não me assustei, simplesmente foi uma surpresa que alguém estivesse me atendendo, pois estava tão absorto nos pensamentos que esqueci que preciso comer, e também esqueci que estava num bar... Será que esse copo tem alguma coisa ruim? Veneno? Remédio pra dormir? Esse cara é garçom mesmo?

Opa, meu caro... espera! — Lhe chamava, antes que saísse de perto de mim — Arranje um prato da sua comida mais barata, se tiver opções, que seja algo nutritivo. Inclusive, preciso falar contigo na volta. Tem quarto disponível?

Puxaria uma conversa simples com o garçom, e realmente precisava comer e de um quarto. Claro, ele poderia ser somente alguém que estava me seguindo, enquanto sigo os marinheiros, mas provavelmente é um garçom. Só vou saber mesmo quando ele trouxer a comida... mas acho que estou sendo paranoico sem necessidade. Aguardaria o garçom trazer alguma boa comida, enquanto ouvia Boldos dando lição de moral no pequeno beberrão. Esses caras devem pensar que são a corte da cocada preta, né? Marinheiros sem noção que só tem tempo pra beber. Porcos. Roxanne parecia ter ido embora da mesa, já não ouvia sua voz, e não conseguia enxergá-la dali. Tanto faz, já consegui informações o suficientes. Pedir mais do que isso seria forçar minha relação com a deusa da sorte.. Caso o garçom voltasse, assim que ele colocasse a comida na mesa começaria a falar.

Então, jovem, como é o quarto que vocês alugam? Preciso saber de valores. Preciso do valor da comida também... — Direto e reto, sem tempo pra papo furado — Sou forasteiro, você pode me ajudar mais tarde? Preciso saber umas coisas, acho que você pode me ajudar. Mas não quero atrapalhar teu trabalho... Qual seu nome? Me chamam de Tsao Tsao.

Daria um gole na cerveja e tentaria dar um sorriso forçado, embora minha pessoa, com a amargura e a desgraceira que a vida entregou, não fosse muito fã de ser sorridente, mas estava me esforçando. Valorizo mais os trabalhadores do mundo, do que qualquer porco marinheiro. Aguardaria sua resposta, e caso fosse positiva para ajuda, faria sinal para que pudesse se aproximar. Claro, tudo o que ele fala é passível de desconfiança, mas um garçom costuma saber de bastantes fofocas... só espero que ele não estranhe a cicatriz,

Quem é essa tal de Roxanne que ouvi falar? É uma aristocrata da ilha? — Perguntaria, como se tentasse fazer segredo. Tentaria ser o mais discreto possível, não atrair a atenção dos marinheiros, que estavam relativamente próximos de mim — E pirata? Você ouviu de algum pirata por essas bandas? Estou precisando de uma grana, sabe...

Uma leve conversa com um toque de omissão de minhas verdades. Não gostava muito de socializar, mas de boca em boca, de rua em rua, a gente aprende a falar a língua de quem é comum, não é? No final das contas, o garçom era como eu... uma pessoa comum, embora eu esteja ignorando minhas particularidades até o momento. Tentaria ser direto e discreto, esperando que o garçom pudesse me falar alguma coisa. Talvez ele possa informar um forasteiro, mas não sou uma pessoa tão atrativa pra uma conversa... Pensava, enquanto sentia o peso da cicatriz em meu rosto, era certeza que o garçom a observaria. Muita dor... mas preciso me concentrar. Essa cidade parece ser um prato cheio pra uma mente vazia. Vou fazer o trabalho do diabo, e começar minha oficina aqui mesmo.

Após a conversa, agradeceria com um gesto de cabeça, terminaria de comer e beber minha comida, ainda prestando atenção à mesa dos marinheiros. Podiam deixar escapar mais informações valiosas. Ao terminar, levantaria, e então me dirigiria ao balcão, à recepção, ou qualquer outro lugar que o garçom pudesse ter me orientado pra ir, pra tentar conseguir meu quarto. Finalmente, um quarto, e não uma rua... que estou pagando com dinheiro roubado. É a vida, não é? Ganhamos, perdemos, vivemos e morremos. Ainda assim, creio que vou precisa tirar muitas outras.

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Re: Terra em Transe Qui 26 Ago 2021 - 17:11
A Jornada de Tsao

O homem equilibrava a travessa com grande maestria como se realizasse aquela profissão há um grande tempo, seus olhos voltavam-se para Tsao. - É claro, meu bom, trago em um instante! Temos sim, já volto para falarmos melhor. - E o homem continuava entregando as cervejas na mesa e alguns pedidos dos quais se encontravam em sua travessa.

Enquanto isso, os marinheiros conversavam abobrinha de coisas que não faziam muito sentido para T e falavam sobre mulheres ou alguns alimentos, nada que fosse muito importante. Nesse meio tempo, o garçom voltava com um prato com alguma carne e condimentos. - Nós temos quartos de tamanhos únicos, cama casal, mesa de cabeceira e uma cortina. Nada elegante, porém prático. O banheiro fica no fim do corredor. A comida é dez mil berries, o quarto custará quinze mil berries. - O homem parecia estar sem nada em sua travessa e com um pano debaixo do braço, talvez aquele momento fosse a sua folga ou apenas estava matando o emprego. Ao ser perguntado sobre uma tal Roxanne, o homem olhava para os lados para verificar se alguém mais estava prestando atenção. - Ela é uma linda mulher morena, reconhecível aos olhos de quem quer que a veja, normalmente frequenta por aqui. Acredito que ela está longe de ser uma aristocrata, não a conheço muito bem, para ser sincero. - Ele coçava levemente a sua nuca dando um sorriso sem graça.

- Por sinal, aquele cara ainda está dando problemas. Alguns marinheiros foram despachados para caçá-lo, mas ninguém encontrou ele ainda. - Comentava o Tenente com os outros marinheiros, uma informação que por coincidência complementava o que o garçom começava a dizer. - Tem o Kane, o Temido. É um homem que vive fugindo da marinha, porém ninguém consegue encontrá-lo. O cartaz dele está no mural do lado de fora do estabelecimento. - Comentava o garçom e então um grito soava vindo do bartender. - Marcos! Ao trabalho! - E o garoto dava um sorriso travesso. - Com licença, senhor. - E o garçom voltava ao seu trabalho usual.

Os marinheiros voltavam a conversar sobre besteiras e não soltavam mais nenhuma informação que era certa ou importante, desta forma, Tsao sentia que tinha perdido o interesse naqueles homens e todos já estavam bêbados o suficiente para que não falassem A com B. Indo ao balcão e sendo atendido pelo bartender, o homem cobrava o valor antecipado pela noite no quarto e pela comida paga, desta forma, eram retirado trinta e cinco mil berries do bolso de Tsao que era encaminhado para o quarto de número 205, dez metros longe do banheiro.

O quarto era bem simples assim como o garçom tinha dito, tinha espaço para uma cadeira e a cama com a janela coberta por uma cortina acima da cabeceira. O cubículo era um bom espaço para dormir já que estava localizado em uma parte que o barulho do bar abaixo não incomodava tanto os ouvidos, mas bom, era uma estalagem perto do porto, o que o homem poderia querer?



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Re: Terra em Transe Sab 28 Ago 2021 - 13:50


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O garçom parecia ser prestativo e verdadeiro. Se dispôs a pegar minha comida, e o cheiro delicioso daquela carne era de lamber os beiços. Mesmo que seja a mais barata, ainda assim, não era como se eu comesse bem todos os dias... Explicava como funcionavam os quartos enquanto me deliciava com a boa carne e a cerveja de cortesia, ótimas para encher a barriga e aumentar o ânimo. Já havia um período longo de vida, mas o dinheiro guardado que possuí já deve ser o suficiente. Se antes focava em minha sobrevivência, agora, preciso de recursos não para sobreviver, mas para fazer viver. Ele tirava minhas dúvidas, e até uma fofoca era contada. Mas Roxanne ser uma simples mulher? Com aquela atenção do Tenente? Existe algo de errado... não confio totalmente em suas palavras, mas por enquanto serve. Além disso, meu primeiro alvo já estava na mira, e parece que há confirmação dupla... tripla se o cartaz estiver de pé e se ele estiver mesmo na ilha. O Tenente e o garçom confirmaram quase em uníssono, e o sabor da carne pareceu muito melhor. Kane, o Temido, talvez fosse um bom primeiro passo... se é que fosse possível encontrar ele. Logo, o garçom Marcos era chamado de volta ao trabalho, enquanto me deixava ali para desfrutar da refeição.

De fato, a carne estava muito saborosa e a caneca de cerveja encorpava ainda mais a comida. Minha amargura é muito grande, mas não posso deixar de apreciar uma bela refeição, por mais simples que ela possa parecer. A língua agraciava muito aquele momento, considerando que por muito tempo ela viveu com pratos da lata de lixo e o que dava pra roubar por aí. A cerveja harmonizava tudo, e se antes estava sentindo fome e fraqueza, agora meu corpo entrava no embalo enérgico de uma barriga cheia. Depois de tanto tempo com fome... No fim das contas, aquele tipo de padrão de vida era caro para minha sobrevivência, contudo, se estava disposto a conseguir recursos, esses recursos ainda assim podem ser realocados para o bem estar. Paguei a conta com o prato limpo e a caneca seca, com satisfação. Os porcos não falavam mais do que conseguiam, bêbados demais até mesmo pra pensar em trabalho... é só isso que marinheiros fazem. Fingem que trabalham, aparentam uma suposta disciplina, e depois enchem o cu de droga quando ninguém está olhando, pra depois se sentirem os salvadores da pátria. Porcos nojentos.

Subi ao quarto, e provavelmente era o melhor "quarto" que havia pisado desde que entrei nas ruas. Os quartos dos senhoris do qual servi eram até mesmo piores do que esse, com tamanho humilde, uma cama que parecia confortável, cortinas e uma cadeira. Antes viver de maneira efêmera nesse lugar, do que servir qualquer escravista nojento novamente. Mas era agradável. Não era tão barulhento por ser o segundo andar, mas ainda era um bom lugar. O disfarce perfeito. O barulho do bar, a movimentação no porto e o desconhecimento das pessoas eram uma ótima cobertura, poderia esconder bem os meus passos... O estômago pesava um pouco, então resolvi deitar na cama e olhar para o teto, tecendo meus próximos passos, por alguns instantes. Minha mente estava embalando, quase como se estivesse com sono... a carne e a cerveja sustentavam, mas pesavam um pouco. Fechei brevemente os olhos, antes de minha mente gritar: "Tsao! Sua mãe! Atrás da sua mãe!" Levantei de súbito, "a voz de meu pai em um inferno de chamas ainda estava fresca em minha mente, enquanto as imagens se teciam novamente. Piratas invadiam a ilha com bombas de fogo e um ímpeto de fúria, enquanto a guarda tentava defender. Corria de um lado pro outro, até que tropecei e..." a cabeça doía como se rachasse, num momento de guarda baixa, meus pensamentos já me infernizavam, e meu inferno pessoal se fazia presente. A dor era tão grande, que nem mesmo o sabor da carne e o conforto da cama podiam acalentar minha desgraça. A cabeça parou de doer com meu esforço, mas as marcas ainda ficavam ali, o canto latejando enquanto segurava para não chorar. O inferno está logo aqui... não posso perder tempo descansando.

O amargor retornou para minha boca novamente, e simplesmente resolvi conviver com isso. Como sempre. Pegaria a máscara de madeira que guardava comigo, dentro das roubas, e um diabo azul com a boca escancarada olhava de volta pra mim, enquanto analisava seus olhos vazios. Esse é meu dever, esse é meu destino, e se vivo no inferno, que eu faça o trabalho do capeta. Observando a máscara, ela possuía uma estranha atração oculta, como se chamasse por meu nome. De toda forma, não é simplesmente colocar e fazer o que bem entendo. Primeiramente, era necessário uma boa faca, afiada e de qualidade, suficiente para retirar a cabeça de minhas presas. Em segundo lugar, minhas vestes vermelhas e simples não são apropriadas. Preciso de um traje escuro, colado ao corpo, com alguns bolsos e suporte pra armas... será fácil esconder, correr, lutar, e não me reconhecerão, enquanto estiver utilizando-o. Contudo, não dispunha de suficiente dinheiro para tal. Não havia dinheiro para comprar uma boa faca, nem mesmo um traje que me agradasse. E como faço pra ganhar dinheiro? A resposta aparecia quase que imediatamente nas reflexões.

Roubando, é claro. — Diria para mim mesmo.

Guardaria então a máscara comigo, enquanto respirava fundo em concentração. Ao sair do quarto, fechar as cortinas e trancar a porta. Ao descer, procuraria pelo cartaz de Kane, o Terrível, o primeiro alvo na jornada em Las Camp. Ainda assim, o que este primeiro momento ainda me reserva? Daria uma boa olhada em Kane, para memorizar seu rosto, e logo em seguida retiraria o cartaz do local. Essa missão já é minha, e irei cumpri-la. Agora, preciso ir a um local bem movimentado, com abundância de pessoas, de preferência os que tem mais dinheiro. Bater carteira era minha especialidade. Sem mais delongas, sairia daquele porto, e começaria a caminhar por Las Camp, rumo aos meus objetivos.

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Re: Terra em Transe Sab 28 Ago 2021 - 23:00
A Jornada de Tsao

Dentro de inumeros pensamentos, sempre há os que ficam mais firme em nossa cabeça, tanto os bons quanto os ruins ou até mesmo aqueles que são inúteis. Para Tsao, os pensamentos que envolviam a sua mente tornavam-se um pesadelo durante o seu sono que fazia com que o homem acordasse mais suado do que o usual e bastante desconfortável tendo que se refugiar para a máscara de madeira da qual guarda consigo para tentar colocar os seus pensamentos em dia.

O lado bom destes sonhos malévolos e pensamentos que pertubavam a sua cabeça era que conseguia colocar por onde deveria seguir e o que deveria fazer e da mesma forma que entrou naquele quarto e encontrou as cortinas fechadas, mantinha-as assim e trancava a porta, entregando a chave no dono da taverna, o mesmo bartender que o atendera na noite passada.

Do lado de fora do ambiente, conseguia ver o céu um pouco mais nublado com uma aparência mais cinzenta e diferente da noite passada, o dia agora havia menos pessoas nas ruas de Las Camp. No mural a sua frente, um enorme diabo vermelho estava com o cartaz, parecia ser uma espécie de mink caprino sem pelos, algo que dependendo da origem ou história de Tsao conseguisse reconhecer. – Kane, O temido

Ao sair da área do porto e explorar mais o centro da cidade, ele conseguia chegar a um mercado em meio as ruas que era possível avistar um número maior de pessoas que se trombavam e degladiavam pelos preços dos feirantes. Ele também conseguia ver alguns arruaceiros em becos escuros tentando procurar por uma chance como ele, pela sua história como gatuno, não era difícil reconhecê-los.

Naquele local, Tsao tinha todas as ferramentas para tentar executar o seu plano da forma preferida já que as ruas eram estreitas e o número elevado de pessoas facilitaria o seu furto, os becos aguardavam logo ao lado e talvez tinha uma maior chance de sair, porém, os arruaceiros também não estavam desatentos, poderia ter algum tipo de encrenca se tentasse passar por cima deles. A partir dali, ficava totalmente a deriva do homem com a máscara de Oni junto a ele para executar as suas ações.


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Re: Terra em Transe Qui 2 Set 2021 - 23:33


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Dormi mais rápido do que esperava e acordei de uma vez, suando frio com meus pesadelos. Já era outro dia... devia estar muito cansado, ou minha mente desligou com objetivo de me fazer deixar de existir, por algumas várias horas. Que seja. Estando totalmente recuperado, sem fome, e tranquilo, já poderia me jogar em Las Camp. Ao sair do quarto, trancar e chegar ao lado de fora, o grisalho das nuvens no céu faziam a melancolia pairar no porto da grande cidade. As formas difusão e cheias das nuvens preenchiam todo o espaço azul do céu, e parecia que uma tristeza iria reinar, por algum tempo... ao menos era assim que me sentia. A beleza da melancolia só é entendida por aqueles que viveram uma desgraça. Respirei o ar carregado, que me enchia os pulmões e me inclinava à perdição pelas minhas próprias mãos. Peguei o cartaz de Kane, o Temido, e a imagem temerosa de um diabo vermelho parecia assustar qualquer um que se aproximasse, mesmo que fosse uma foto. Era um daqueles seres estranhos... minks? Lembro-me vagamente de ver alguns escravos peludos com os senhoris dos quais servi, mas nunca me aproximei muito deles. Kane parecia ser algum tipo de bode, ou talvez seria o próprio diabo. Será mesmo? Se alguém haveria de ser o diabo, eu mesmo seria. Vou tomar o posto dessa farsa, tomar pra mim, e ir pro inferno na primeira classe na barca de Caronte.

Caminhando por um tempo, era possível notar como a cidade era grande. As pessoas passavam pelas ruas apressadas e sempre fazendo algo. O titubear de seus passos parecia uma sinfonia caótica, mais pesarosa que a do porto, e agora era misturada com berros, conversas e tudo o que se pode imaginar de uma multidão. Não pareciam muito interessadas em mim. De toda forma, ninguém estaria muito interessado em um rato de rua apodrecido. Que seja. A arquitetura da cidade parecia ser constituída de pedras e concreto cinzento, tão mais do que o céu grisalho que pairava sobre as cabeças. O cenário perfeito para um ladrão começar a fazer sua fama. Contudo, se começasse a agir da mesma maneira que estava habituado, não conseguiria mais do que alguns trocados demorados pra fazer o que desejo. E, até lá, quem sabe não conseguem pegar Kane? Apesar de crer ser improvável, nesse momento, qualquer oportunidade melhor seria bem vinda.

Ao chegar no que parecia ser o centro da cidade, o local estava abarrotado de pessoas. As multidões se preenchiam nas ruas, batiam-se e caminhavam. A sinfonia dos passos era tão mais caótica quanto no porto, e a quantidade de vozes era muito maior que em outras ruas. O local perfeito para bater carteiras. Embora realmente fosse, talvez não seria uma boa ideia, um mendigo ladrão ficar correndo por uma cidade desconhecida, enquanto alguém poderia prestar queixas e a guarda começar a me caçar. Pior ainda se fossem os porcos do governo. Não que haja muita importância, contudo, creio que seja melhor ter um controle maior, e um plano melhor. Caminhando pelo centro, observando as pessoas desatentas, muitas vezes era óbvio o processo de bater uma carteira, seria somente necessário um encontrão, e logo em seguida a mão leve deslizando no bolso... coisa simples. Mas não acho que aquele fosse o caso. Arruaceiros e afins estavam na encolha, observando as ruas, talvez pensando o mesmo que eu estivesse imaginando. A única diferença é que provavelmente tenho mais experiência e uma mente mais perspicaz... Mas quem iria impedir de conversar com gente da minha laia?

Dirigir-me-ia em direção a um dos vários becos, de preferência o que possuía menos pessoas. Não iria colocar a máscara. Na verdade, a máscara era um alter ego, a construção de um ser que não deveria ser eu mesmo, e ela só deve trabalhar durante a noite. Recuso-me a tornar as coisas mais complexas, nesse momento, preciso agir como eu mesmo, e não como o diabo. Aproximaria desses becos, com a cara fechada e os ouvidos atentos. As mãos recuadas. Assim que me aproximasse do mais próximo de um dos becos, um provável olheiro, fixaria meus olhos nos seus, para deixar a cicatriz bem clara e a ferocidade no amarelo de minhas órbitas de visão.

E aí, como que ta o movimento? — Perguntaria, conversa de rato. O movimento que me refiro era o movimento do submundo do local. — Tô precisando de um trampo. Pau pra toda obra. Dá pra achar?

Direto e reto, sem muita enrolação. Certamente, com meus cabelos ranhosos, minha cicatriz horrenda, e minhas roupas de baixa qualidade, não iria passar por imagem de um disfarçado da guarda da ilha ou mesmo da Marinha. A ideia era simples: usar os arruaceiros e participar de alguma aventura lucrativa com eles, pegar os lucros, sumir e conseguir o que for possível. Não é uma boa ideia assaltar uma loja de armas sem uma arma, e é ainda mais difícil roubar um traje preto e longo de uma loja qualquer. Aguardaria uma resposta, e caso ele não quisesse papo, começaria a insistir.

Que isso, cara, tô aqui na moral pra dar uma força e ganhar um troco a mais. Não nasci ontem não, já sou cachorro velho nesse ramo. — Continuaria a conversa, agora com um tom mais incisivo, colocando moral no diálogo — Ta achando que eu sou tira? Não tomo banho já tem um tempo, doido, nem comer direito to comendo. Desenrola essa aí pra mim!

No caso de continuar negativo, não adentraria o beco, e tentaria outro da mesma maneira. Se havia possibilidade de um pequeno esquema de ladroagem, os becos poderiam estar interligados... mas o que é um olheiro? Além de um pau mandado, eles não devem ter contato tão próximo assim. Não com o pouco que recebem, e nem com a velocidade de ir de um beco pro outro. Em caso negativo, sim, iria me dirigir a outro beco, e tentar a mesma estratégia. Afinal, quem não chora, não mama, não é assim que dizem?

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Re: Terra em Transe Sab 4 Set 2021 - 12:56
A Jornada de Tsao

As visões de Tsao e observações em relação a cidade estavam corretas, para ele, roubar aquelas pessoas provavelmente seria algo bem mais fácil para quem já estava acostumado e ao seu aproximar de um dos olheiros, este mesmo lhe observava com certa atenção e um leve tremular no olho, mostrando uma certa reação de nervosismo perceptível para qualquer um. – Tá mais leve que pena no mar. – Comentava o homem, em termos mais sorrateiros, significa que não tinha presença da marinha naquela região, o que facilitava por toda ação.

O homem parecia não desconfiar dele, talvez sequer fosse problema para ele se qualquer um passasse por ali, porém, ele ainda sim negava qualquer envolvimento com uma ação ilegal. – Ih, meu fi. Sou empresário não. Segue teu rumo aí! No sul tá tendo uma construção, devem estar precisando de alguma mão extra lá. – E era dali que as coisas começavam a desenrolar de forma mais negativa.

Tsao falava de forma mais incisiva que atraia alguns olhares de pessoas desatentas e que não entendiam a atenção, era o momento em que o olheiro puxava o homem de cicatriz para mais dentro do beco e longe das visões alheias, desta forma, poderiam conversas de forma mais discreta e sem chamar atenção. –Na moral, maluco, é o seguinte. Tâmo precisando de uns manos para roubar a casa de um velho cego, ele tem uma grana. Nos encontre daqui 15 minutos na Loja de Roupa no quarteirão a leste daqui. É a única da região. – E o homem apontava para o fim do beco. – Segue teu rumo.

O gatuno poderia ter duas escolhas a serem feitas a partir daquele momento que mudariam as suas próximas ações, poderia se contentar em participar de um roubo planejado a um velho cego ou poderia continuar no mercado e tentar roubar pessoa por pessoa para tentar encontrar algo que fosse do seu agrado e talvez ter sorte em encontrar alguém burro o suficiente para carregar muito dinheiro com ele de forma insegura por aquelas bandas.

De toda forma, a escolha consistia em si. Se optasse por seguir para a loja de roupas encontraria um local de fácil acesso com uma grande placa escrita: “Showsquare”. Era uma loja com vitrines e manequins parecendo bastante requintada com um número baixo de clientes em seus interiores. Do lado de fora era uma rua comum com alguns bancos e alguns postes de luz não muito diferentes do que chegou a ver desde que encontrou em Las Camp, porém o local em que se encontrava tinha uma quantidade bem menor de pessoas passeando o que facilitaria qualquer grupo.

Em quinze minutos, quase que exatos, dois homens chegariam com vestimentas um tanto mais estranhas, Tsao facilmente os reconheceria como trombadinhas já que alguns tinham furos em suas vestes e sequer pareciam ter dinheiro o suficiente para comprar qualquer coisa dentro daquela loja. O olheiro do qual viu, ainda não haveria chego até esse momento.


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Re: Terra em Transe Dom 5 Set 2021 - 0:55


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O olheiro não queria me informar de cara o que estava requisitando. Achava que, na minha atual aparência, seria fácil conseguir emprego em qualquer lugar. Tolo insolente. Provavelmente tinha especialização nas ruas, mas ainda assim, não parecia ser dos mais inteligentes. Depois de apertar um pouco, puxaram pra surdina e então já revelaram o plano. Parecia ser algo bom, mas ainda assim, havia algumas questões ali. Em 15 minutos, nos encontraríamos perto da tal loja... que seja. Mas era preciso algum desenvolvimento estratégico antes de mais nada. Vai roubar uma loja que é a única da cidade, sem um plano concreto? Só se fosse uma piada, e de muito mal gosto. De certa forma, aceitei o dever, segui meu rumo e acabei parando na loja, seguindo as exatas coordenadas. Showsquare parece ser mais um comércio qualquer, daqueles que senhoras endinheiradas que não tem nada pra fazer da vida decidem gastar seu dinheiro, que provavelmente foi tirado explorando alguma pessoa. Fosse o que fosse, a loja parecia até bem arrumada, e se o olheiro estivesse falando a verdade, parece ser do tipo que tinha o caixa cheio. Mas não posso confiar totalmente nesses fanfarrões. Sem chance nenhuma. Não sei nem o nome deles, e eles não sabem o meu.

No fim das contas, era quase que certeza que eu teria que encabeçar aquele projeto pra sair com a mão maior. Era um assalto em grupo? Sim. Eles estavam preparados? Não pareciam. Os trombadinhas chegaram, e eles estavam com vestes tão defasadas quanto as minhas. Será que tinham alguma arma? De qualquer maneira, faria sinal de cabeça para que esperássemos o olheiro, que não estava presente, em direção ao beco mais próximo que pudéssemos encontrar. Não vão esparrar essa merda, né? Será que eles são burros? Chegando no beco, já trataria de falar mais baixo.

Cadê o olheiro? Ainda ta pra chegar? — Perguntaria aos capangas, diretamente — Sou Tsao, caso queiram saber. Seguinte, a gente não pode dar mole. Precisa de um plano, e um bem bolado... Vocês tem alguma arma, ou algo que possa se passar por arma? To zerado.

Era uma conversa sincera, mas minha mente já arquitetava o plano. Primeiro, vou colocar moral em cima desses caras, e usar da minha base estratégica para que sigam minhas instruções, e esse assalto dê certo. Vai ser interessante se tivermos uma distração, e haver o mínimo de barulho possível. Depois, durante a partilha, será mais fácil pegar uma parcela maior do dinheiro. Se for o caso, só precisarei do necessário pra conseguir uma faca e meu traje... mas o traje posso tentar pegar agora, nessa loja. Na melhor das hipóteses, na calada da noite, elimino esses fanfarrões e pego todo o dinheiro restante pra mim. Será mesmo? Não posso deixar pistas, os que me conheceram e participaram de atos impuros comigo, irão para o inferno antes de mim.

Seguinte, não quero botar moral não, mas vai ser melhor a gente fazer na calada. Vou entrar primeiro como um cliente qualquer, ficar no balcão e manjar o dono da loja, ou quem tiver no caixa. Depois vocês entram, comecem uma confusão, e enquanto isso eu aproveito e pego a grana do caixa na surdina. — Eram instruções diretas, até mesmo um macaco poderia entender — Depois disso, a gente se encontra naquele beco. Desviem o caminho pra não encontrarem vocês. Acham uma boa ideia?

Na verdade, não me importava muito se para eles era ou não uma boa ideia. O mais importante naquele momento era que eu saísse por cima, fosse com todo o dinheiro em mãos, fosse com eles presos. Ainda haviam chances diversas, de várias outras situações acontecerem. A guarda da cidade pode simplesmente resolver aparecer ali, mesmo que nenhuma pessoa escape do local. Alguém pode resolver começar uma briga, e todos na loja se revoltarem. Pode não haver nenhum dinheiro, e na verdade, eu esteja sendo enganado. Contudo, são cálculos irrisórios. Normalmente, quem pensa demais sobre eles, acaba perdendo o tempo, e não consegue fazer mais nada.

Aguardaria pelo olheiro chegar, para dar as instruções a ele, novamente. Continuaria convicto em minhas ideias, o que era o ideal, e então começaria a me preparar. Uma possível discussão era provável, contudo, não podemos esperar muito tempo. Quanto mais tempo, maior é o vão de falhas que podem se formar, e, talvez, seja mais interessante seguir com outros planos. Mas que ironia do destino haveria de atrapalhar, hoje?

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Re: Terra em Transe Ter 7 Set 2021 - 2:27
A Jornada de Tsao

- E quem é tu, rapá? – O primeiro homem exclamava com um tom um pouco elevado perto do beco em que se encontravam. – Tá querendo morrer, caralho? Vou te mostrar minha arma sim. – Tsao tinha se aproximado de uma forma que aqueles homens consideravam rude, como se soubesse sobre tudo sendo que jamais o tinham visto em sua vida. Era então que novato começava a falar sobre o plano em roubar a loja e causarem uma confusão e também por onde deveriam ir para dividirem o dinheiro.

Era nesse momento em que o olheiro visto antes chegava e os homens não entendiam por que Tsao estava bolando aquele plano sendo que o original era roubar a casa de um velho cego que provavelmente teria bastante dinheiro. Nesse momento, o olheiro anterior tomava a palavra. – Você realmente não é alguém que está nessa ilha há muito tempo, né? Age como se fosse o sabichão, mas pouco conhece as pessoas e já as quer roubar. – Parecia uma bronca e era uma bronca. – Essa loja pertence a um dos chefões. Seu plano funcionaria já que ela não tem muita segurança, porém não estaria vivo amanhã e estaríamos todos a sete palmos abaixo do mar.

O homem esclarecia um pouco mais em relação a aquela loja. – É o seguinte, a casa fica há quinze minutos daqui. Apenas viemos até essa loja para que pudéssemos conversar sem ninguém ficar sabendo. – Comentava o olheiro. – Me chamo Jack, Tsao. Este local é perfeito pois não há tanto movimento, não há olheiros e a marinha evita vir por aqui. – Começava a explicar o motivo deles terem vindo até ali.

- A casa tem dois andares e ele mora sozinho, também acho que há um porão. A ideia é tentarmos sermos furtivos para não acordá-lo. Mas, mesmo se acordá-lo, o homem não deve ser problema para nós quatro. – Comentava. – Então, vamos? – Se Tsao aceitasse por seguir, não demoraria mais do que o tempo estipulado para se encontrarem em uma casa de dois andares feita de madeira e pintada de branco, as paredes eram velhas e o telhado tinha alguns buracos, ao lado, tinha uma cerca de madeira em seu quintal que não era muito alta. A rua não tinha o movimento de nenhuma alma viva, a casa mais parecia ser um terreno mal assombrado do que um homem que vivia por ali.


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Re: Terra em Transe Qua 8 Set 2021 - 1:02


Trombadinha


Provavelmente sou o animal mais burro da história. Não, na verdade, não é provavelmente. Eu sou o animal mais burro da história. Simplesmente pelo fato de que deixei passar informação crucial, e usei minha inteligência pra nada. Literalmente, nada. Se a ideia era roubar uma casa, então por que desgraças eu estaria pensando em assaltar uma loja cheia de pessoas? Enfim, aceitei minha burrice. No fim das contas, me dou melhor fugindo pelas ruas mesmo. Mas não interessa. Socializar num foi meu forte. Os maltrapilhos davam ameaças acerca de minha abordagem, mas não era como se eu me importasse, de fato. No fim das contas, se eu morresse ali mesmo, talvez fosse mais um indicativo de que não era digno de minha própria viagem. Seja o que for, não vou deixar esses fanfarrões falarem comigo do jeito que eles quiserem. Afinal de contas, o que era a confiança de alguém que havia acabado de conhecer? Iriam me esfaquear pelas costas assim que fosse possível.

Qualé, ta achando que eu sou otário? Me chamaram pra essa porra, to querendo fazer essa porra, e vocês, tem algum plano? A informação chegou confusa, e eu que bolo as ideia, por que os moleque não quer trocar a ideia comigo? — Iria me defender, tentando colocar pressão na situação para ser mais respeitado — Me fala aí então o que eu faço, que eu faço, porra!

Certo, talvez ter perguntado sobre armamentos não era a melhor forma de interação social. Vivi tanto tempo nas sombras, me cuidando sozinho e resolvendo meus próprios conflitos, que havia esquecido o código de conduta dos que estavam na mesma situação que eu. Fosse o que fosse, não iria acontecer de novo, mas o que posso dizer, perdão de iniciante não é? E se não me perdoassem, eu mesmo faria o dever de pegar o dinheiro sozinho. O olheiro, Jack, explicava a situação aos poucos, como se fosse uma aula. De certa forma, não estava errado em receber bronca. Vivi em muitos lugares, mas em ruas de um só lugar, no final, sou só um forasteiro que não sabe de nada. E é melhor se eu me acostumar. A atmosfera melancólica do céu, e a construção rígida da cidade, pareciam agora criar uma espécie de tensão. Os ouvidos estavam atentos, mas até agora, o plano não era nada demais. Entrar na maciota, evitar alarde, pegar e vazar. E talvez tivesse um porão? O plano era mais pobre que as roupas que vestíamos. Muito simples, com muitos furos.

Não to pra encabeçar isso daqui, mas o plano ta muito simples... A ideia é boa, e pode não ter guardas e olheiros, mas e se houver mais alguém na casa? — Diria, cruzando os braços e soprando o ar pelos lábios moles, num claro sinal de insatisfação — É mais inteligente entrar um só, checar o local primeiro, e depois chamar pra invadir. Tudo na moca, três em um buraco só não vai dar certo. E tu sabe exatamente onde fica o dinheiro? Se não, precisar achar, e pra achar, a gente procura, mas precisa de um vigia por dentro. Se o velho acordar, a gente apaga ele e sai vazado, antes que dê merda.

Não que fosse um problema, mas se fosse o caso, matar um velho rico que provavelmente lucrou em cima de desonestidade seria o menor dos meus problemas. E se fosse honesto? Se tiver algum rico honesto nessa vida, eu corto minha língua fora. Ou é herdeiro, ou é um canalha, ou os dois. Preferi não continuar expondo meus pensamentos rudes, e tentaria notar suas reações sobre meu plano pra continuar. Se não fossem receptivos, somente me calaria.

Eu posso ser o primeiro a entrar, pra não duvidarem de mim. Vou primeiro, rodeio olhando as janelas pra ver se tem alguém nos cômodos, e depois entro. — Diria no caso de recepção ao meu plano — Só não tenho nenhum equipo. Fechadura ou cadeado, um pedaço de ferro pequeno ou uma faca servem.

De toda forma, aceitando ou não o plano, seguiria com eles até o local indicado. Se realmente for ser o infiltrador primário, então é bom que me deêm alguma coisa, por que abrir na surdina sem uma ferramenta, só se for um pé na porta... E, aliás, estava disposto a continuar o plano, se fosse o caso de conseguir bastante dinheiro, mas alguma coisa podia cheirar mal. Haviam chances desses fanfarrões na verdade serem uns filhos da puta que querem me usar de bode expiatório pra me deixar pra trás se der merda, ou me fazerem entrar só pra chamar a polícia depois. Muitas memórias... e a cabeça começava a doer novamente. "As imagens de silhuetas de homens num beco eram visíveis, eles espancavam meu corpo caído no chão por um pedaço de pão, até começar a turvar com a dor." Seguraria forte a mão na cabeça, disfarçando para que os trombadinhas não notassem, e tentaria ao máximo suprimir aquelas memórias. Desgraça...

Ao chegar no local, uma casa de dois andares, em madeira rústica, parecia se unir ao restante da cidade, e a atmosfera de suspense aumentava gradativamente. Usaria meus ouvidos para notar se alguma alma viva realmente não estivesse ali, mas provavelmente não teria. A casa não parecia abandonada, mas também não parecia ser um lugar habitável. Tem pantera nesse mato, será que vou ficar pra descobrir? Contudo, parecia ser uma boa oportunidade. A rua era vazia, observaria os trombadinhas pra tentar ver se estavam nervosos ou muito interessados em mim... talvez escondessem alguma coisa.

De toda maneira, se fosse o caso de eu ser o primeiro infiltrador, aproximaria da casa, o corpo agachado muito próximo a parede, e deixaria os ouvidos apurados para ouvir qualquer barulho dentro dela. Se houvesse uma cobertura, como uma lata de lixo ou outro objeto, ficaria o mais próximo possível, até que meus ouvissem revelassem se havia alguém — ou não — no primeiro andar da casa. Dirigir-me-ia para a porta dos fundos, e com algum objeto que haveriam de me dar posteriormente (se realmente me dessem), rapidamente faria o processo de arrombamento, e então entraria em passos de gato, considerando que estivesse vazio. No pior dos casos, pego algo de valor e dou no pé, e eles que se fodam. Contudo, se meu trabalho não fosse ser o primeiro infiltrador, então aguardaria para o seguimento dos planos daqueles figurantes em minha vida, na esperança que fosse tão bem bolado quanto o que eu havia pensado. No fim das contas, somos todos cabeças, mas algumas são mais burras que outras.

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Re: Terra em Transe Qui 9 Set 2021 - 14:26
A Jornada de Tsao

- Aí maluco, vai tomar no seu cú! Caralho! Ninguém pediu pra tu vir não! – Era clao que aquela situação apenas pioraria conforme eles fossem conversando e este era o momento perfeito para que o olheiro de antes pudesse amenizar as coisas e mesmo sendo um plano simples, aquilo incomodava Tsao como se já sentisse que a facada em suas costas viria em algum momento e ainda desconfiava que o velho cego era apenas um senhor que tinha perdido a sua visão e ficado fraco.

O futuro caçador começava a falar do seu plano de furto e como que poderiam corrigir algumas falhas do plano e também perguntava se eles sabiam onde estaria o dinheiro do velho. – Na moral, J, esse cara está nos tirando. – Dizia um dos maltrapilho que estava em frente a loja. – Cara, apagar e sair vazado antes que dê merda? Não saio de lá sem a grana não, caralho. – Dizia o segundo maltrapilho.

Ambos que agora que as coisas poderiam ter dado uma acalmada melhor, tinham suas aparências um pouco mais detalhadas, o primeiro a esquerda, o que começou falando, tinha cabelo preto bagunçado e com uma barba a fazer, seus olhos eram castanhos e era cheio de acne espalhada por todo o seu rosto. O segundo, era loiro com olhos verdes porém tinha beiços machucados, orelhas profundas e um corte em sua sombrancelha, além de gordura embaixo de seu queixo e pelo seu corpo.

J, o olheiro, se pronunciava mais uma vez. – Fiquem quietos, Tsao está certo. Porém, não sairemos sem a grana. Não sabemos onde ele a esconde, mas não deve ser difícil encontrar. Ele é um velho solitário, mas nunca se sabe. – Comentava, aprovando o plano. Ele retirava de seu bolso um canivete um tanto enferrujado. – É a única coisa que eu tenho. – A ferramenta tinha claros indícios de que não funcionaria em um combate e em uma forçada acima do normal quebraria-se em dois, mas uma ferramenta bem usada poderia ser vital.

Era o momento que eles seguiam em direção ao objetivo do quarteto e após alguns minutos lá estavam ele. Os maltrapilhos aparentavam estarem um pouco nervosos e olhavam para os lados, quem ia junto com Tsao era J, o olheiro, talvez por ter mais confiança nele ou apenas ser o lider daquele bandinho. Ao rodear a casa, não ouvia nenhum barulho mais alto do que uma vitrola no segundo andar. Tomando um tanto de distancia, ele conseguia ver uma certa silhueta deitada na cama coberta por lençois, possivelmente, o velho estava dormindo naquele horário.

Ao tentar entrar pela porta dos fundos, ele via um problema, o canivete que foi lhe entregue não era muito pequeno e não cabia na fechadura, embora o processo de arrombamento fosse simples e não precisasse de muitas ferramentas, ele sequer as tinhas, o que dificultava as coisas. Porém, ele conseguia encontrar uma nova maneira de entrar, que, com um pouco de técnica, se resolveira. Esta maneira de entrar se resumia em uma janela meio aberto com um trinco no banheiro. Devido a ser um homem esguio, ele sentia ser capaz de passar por ela. – Você consegue? Se conseguir, abra a porta e nós entramos juntos. – Sussurrava J.


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