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É com muito prazer que lhes damos os comprimentos ao nosso RPG. All Blue se trata de um RPG narrativo com o ambiente principal centrado em One Piece, obra de Eiichiro Oda.
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I - Juros Simples

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Kenshin
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Kenshin
Desenvolvedor
I - Juros Simples Seg 10 Maio 2021 - 22:00
I - Juros Simples

Aqui ocorrerá a aventura dos(as) Civil Bjarke Hallet Flamesguard e Luc De Marc Thibaut Lavoie. A qual não possui narrador definido.


I - Juros Simples Tenor

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I - Juros Simples J09J2lK

"Ah, mas eu não quero ter dois caminhos ou ah, mas eu não quero ter caminho nenhum. Ué, você já pode porra, a única coisa que te impede de fazer isso é ser zé metinha e querer ficar comparando o tamanho do pau com o coleguinha pra compensar o ego frustrado." - Luquinhas, 2022
Lyosha
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Lyosha
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Re: I - Juros Simples Seg 10 Maio 2021 - 23:12






1%

Parecia que haviam quebrado uma garrafa em sua cabeça, na verdade, as memórias da noite passada não estavam muito claras, então esse cenário era possível, embora não fosse provável. Seus sentidos estavam turvos e sua cabeça latejava, de forma que esperaria alguns instantes para que seu corpo fosse capaz de voltar ao normal. Não abriria os olhos até que seu tato fosse recuperado por completo, fingindo para si mesmo que ainda estava dormindo e torcendo para sentir o "conforto" de sua cama e não a dureza e textura áspera de um chão de terra ou concreto.

Se estivesse na segurança de seu lar, agradeceria silenciosamente, caso contrário, procuraria orientar-se e chegar em sua casa de modo mais breve possível. Em tempos áureos, sua casa era um lugar aconchegante e confortável, mas, nos últimos anos, especialmente após o falecimento de sua mãe, o local havia se tornado uma completa bagunça, refletindo a precariedade e desorganização de sua vida financeira.

Estando mais desperto e, consequentemente, com um raciocínio mais apurado, sentiria um frio correr a sua espinha. O jovem gostava de apreciar os prazeres que a vida era capaz de lhe proporcionar, inclusive a noite passada era uma prova disso, mas ele sabia que tinha de manter as suas responsabilidades e não gostava de decepcionar aqueles que lhe deram a mão quando precisou. - Eu pagaria para não ter que trabalhar hoje. - Comentaria em voz alta, antes de abrir uma cortina para olhar o sol e tentar deduzir o horário atual.

Apesar de sua preocupação em estar atrasado, se de fato estivesse, não se desesperaria. Faziam anos que Bjarke trabalhava naquela funerária e era possível contar nos dedos de uma mão as vezes em que ele havia se atrasado, além disso, Dante e Fleur eram o mais próximo que ele tinha de uma família e conheciam bem o seu caráter. Sem perder mais tempo, realizaria sua rotina matinal de forma célere e sistemática, buscando recuperar parte do tempo que poderia ter perdido se tivesse de fato dormido demais.

Iria até a cozinha e abriria a dispensa, procurando por qualquer coisa que pudesse comer, um pão velho e duro já serviria, levando em conta que seu paladar sofria com os efeitos da perda de seu olfato. Um pequeno desjejum e um copo d'água eram o suficiente para que ele pudesse dar início ao seu dia, pão e água para seu corpo e um maço de cigarros para a sua mente, isso era tudo o que precisava para se manter nos trilhos.

Tomaria alguns instantes para ficar consciente da situação horrenda em que se encontrava, sua aparência provavelmente estava em um estado deplorável, ou ao menos era isso que seu senso rígido de beleza o faria pensar, além disso, sua casa precária e desorganizada podia ser considerada o próprio retrato da decadência. Depois de refletir um pouco, iria até o banheiro, já havia perdido mais tempo do que podia se dar ao luxo provavelmente.

Faria questão de tomar um bom banho, esfregando bem sua pele e lavando seu cabelo, precisava ter certeza que chegaria na funerária em condições dignas, que não delatassem o que havia feito na noite anterior. Enquanto tomava banho, também escovaria os seus dentes para economizar tempo. Assim que estivesse limpo e, esperava, cheiroso, começaria a se arrumar. Vasculharia suas roupas limpas, procurando por um par de meias sociais escuras, uma calça social preta e uma camisa social branca simples. Trajaria o que havia pego e procuraria por seus sapatos sociais e um cinto que combinasse com o que havia vestido, por fim, procuraria seus brincos, colocando ambos em suas orelhas. Enxugaria seu cabelo mais uma vez, tendo certeza de que ele estava em um bom estado para prender, em sequência, procuraria por um elástico para fazer um coque na parte de trás de sua cabeça. Estando pronto, olharia-se em um espelho. - Até que não tô tão mal assim. - Comentaria por alto, com um pouco de confiança, para, em sequência, procurar um par de óculos escuros, apenas por precaução.

Quando finalmente estivesse pronto para sair, correria por sua casa com os olhos, torcendo para encontrar, em meio a bugança, um maço de cigarros e um isqueiro. Se tivesse sucesso em sua busca, guardaria os itens no bolso e comentaria. - Deus é bom e justo. - Caso contrário, simplesmente sairia de casa às pressas, em direção à funerária. Enquanto caminhava pelas ruas de Sirarossa, pensava na dívida colossal que havia acumulado. Considerando o tempo que havia contraído a dívida, chegava a conclusão de que era sortudo por ainda estar vivo, mas extremamente incompetente por ser capaz de pagar apenas 1% do que devia.

Como se uma chave girasse em sua cabeça, parecia que, agora, sabia o que deveria fazer para melhorar a sua situação. Mudaria seu rumo e iria em direção a um de seus lugares favoritos, a biblioteca pública da cidade. Se quisesse quitar sua dívida, precisava ser um trabalhador mais valioso e, para isso, precisava aprimorar seus conhecimentos, esse era o seu raciocínio naquele momento. Sem perder muito tempo, chegando no local, procuraria por livros que versassem sobre carpintaria e escultura, afinal, eram conhecimentos similares aos que já dominava. Se tivesse dificuldade de encontrar os livros que desejava, pediria ajuda a algum funcionário e, após isso, alugaria os mesmos, prestando atenção na data de devolução, afinal, não tinha desejo de contrair uma nova dívida.

Correria em direção a funerária, parando no caminho apenas para comprar um maço de cigarros se não tivesse encontrado algum em sua casa. Chegando ao seu local de trabalho, entraria no estabelecimento sem hesitar, provavelmente arfando. - Perdão pelo atraso. - Comentaria casualmente, antes de ver qualquer um. Esperava encontrar Dante ou Fleur no estabelecimento, como em todos os outros dias. Se alguém pedisse uma explicação de seu atraso, simplesmente daria um sorriso torto e inclinaria a cabeça. - Eu só tive uma noite ruim, você deve entender. - Assim que a comoção de sua chegada passasse, perguntaria para Dante ou Fleur, se algum dos dois estivesse no local. - O que eu tenho de fazer hoje? - Se a sorte lhe sorrisse e a taxa de mortalidade da ilha continuasse normal, era provável que ele não precisasse fazer nenhum caixão no dia em questão, tendo assim um horário vago. Se estivesse livre ou tivesse que executar um trabalho fácil e simples, aproveitaria a situação para ler o livro que tratava de esculturas, se tivesse conseguido alugá-lo na biblioteca. Se, em qualquer momento, se encontrasse sozinho com Fleur, sorriria para a mulher e perguntaria. - Você tem fogo? - Se a resposta fosse positiva, colocaria um cigarro na boca e esperaria que ela acendesse.



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Última edição por Admin em Qui 13 Maio 2021 - 20:53, editado 1 vez(es)

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Shinra Kishitani
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Re: I - Juros Simples Ter 11 Maio 2021 - 2:11






1° Delírio

Os dias me pareciam sempre os mesmos, os ritos cotidianos se agonizavam na medida que ciclicamente se repetiam a cada nascer do sol. Meus últimos cinco anos tinham sido assim, praticamente calibrado a uma rotina massante dentro de um hospital para loucos. Mas eu tenho quase certeza que não sou louco, ou ao menos é isso que o Doutor Müller diz, e as vozes parecem concordar com ele. Entretanto, Vishnu vive me dizendo pra que eu aceite a situação, seja o que for, não entendo de que situação ele tanto resmunga. Afinal, eu tenho problemas maiores com os quais lidar: Não pude ir no enterro dos meus pais, e meu irmão parece erroneamente ter herdado todos os bens; Além disso, esse mal-entendido me deixou em maus bocados com um grupo um tanto suspeito de senhores que pagaram meu tratamento. Por fim, hoje seria o dia da minha alta, e tais questões hão de ser resolvidas com certa urgência.

Me levantaria de onde quer que tivesse dormido, ou desmaiado na noite anterior, e iniciaria minha já ensaiada rotina matinal. Primeiro buscaria meus itens de higiene pessoal, objetos esses que talvez fossem as coisas mais próximas que o hospital havia me permitido manter como pertences privados. Meu objetivo seria no mínimo escovar os dentes e lavar o rosto, já que eu deveria estar minimamente apresentável no dia em que finalmente me livraria dos grilhões. “Talvez você sinta falta das sessões de arte-terapia daqui, mas suponho que voltar a forjar seja uma prioridade maior do que brincar com pincéis." comentava Brahma conforme os outros dois pareciam também acordar. “Do que adianta pintar? O Luc é um merda nisso de qualquer jeito. O mais importante é que vamos poder voltar a caçar, afinal ter o joelho do Theodore como alvo fez até valer a pena esses últimos cinco anos.” complementava Shiva, apenas para ser em seguida cortada por Vishnu. “Calma, calma, antes de tudo isso precisamos resolver nosso pequeno mal entendido com os senhores que gentilmente pagaram nossas contas.” a voz mais calma nos lembrou. De fato Vishnu tinha razão quanto à urgência desse assunto inesperado. Algo me dizia que as coisas não se resolveriam tão fácil, mas no momento eu preferiria esperar pelo melhor.

Caso conseguisse realizar minha higiene básica, procuraria por um local apropriado para tomar banho, mas desistiria caso os banheiros estivessem lotados ou demasiadamente sujos. Em seguida, retornaria para meu quarto e procuraria meu estoque escondido de cigarros e os esconderia nas minhas vestimentas se possível. Normalmente eu escondia os cigarros e os fósforos por detrás da cama, esconderijo este suficientemente eficaz, já que tanto enfermeiros quanto outros internos raramente faziam buscas nos quartos. Mas só deus sabe o que algum dos internos mais instáveis faria com fósforos, no pior dos casos o Hospital sairia no jornal como vítima de incêndio criminoso. Enfim, seguiria procurando meus cigarros e meus fósforos até encontrar, apenas desistindo na ocasião de ser interrompido ou convocado por algum membro da equipe hospitalar. Nesse caso, faria sinal para esperarem um instante e então resolveria o assunto em questão, mas tendo sempre em mente que deveria voltar para buscar meu maço. De qualquer forma, a repreensão de uma das vozes sempre estava presente: "Céus, Luc. Você tem que parar com isso, isso ainda vai te matar”, reclamava Vishnu, apenas para levar um corte. “Tem formas piores de morrer, então fica na sua” eu replicaria em pensamento.

Tendo ou não meus cigarros em mãos, aguardaria em meu quarto até a primeira ronda de enfermeiras, de quem esperava notícias sobre a alta. Os meus supostos benfeitores disseram que me buscariam hoje no hospital, então eu não me apressaria em sair do local, tampouco da cidade, e fazia isso ao prezar por ter minha garganta no lugar. Se minha alta fosse informada, eu buscaria pedir um pedaço de papel e caneta para requisitar minhas roupas civis, apenas gesticulando caso os materiais de escrita não estivessem disponíveis. De tal forma, me conduziria à entrada do hospital apenas se estivesse sob a posse tanto de meus cigarros e fósforos, quanto de roupas decentes.



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Última edição por Shinra Kishitani em Qui 13 Maio 2021 - 22:06, editado 1 vez(es)

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Samira
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Re: I - Juros Simples Qui 13 Maio 2021 - 19:21







Ato I.



"Dez... Vinte...", os dedos tateavam as células no interior da carteira de couro batido, folheando-as como alguém que vira as páginas de um livro. Os olhos se mantinham vidrados naquela contagem, parando por um instante para umedecer a ponta do polegar antes de continuar a contagem. A textura das cédulas era algo incrível e prazeroso de se sentir, o cheiro então? Erguia a carteira às narinas, deixando aquele incrível aroma de papel novo me invadir as narinas. "Duzentos... Duzentos e dez...", a voz interior que contava as células em minha cabeça não parava, excitada conforme via que tinha uma enorme quantidade ali, maior que o que já teve qualquer momento anterior em minha vida.

- Duzentos e cinquenta. - Dizia, em alto e bom tom, fechando a carteira e passando as costas da mão destra pela testa, secando um suor inexistente. A noite anterior tinha tido uma conclusão completamente diferente das anteriores. Apesar de ter feito o que sempre estive fazendo nas noites de todos os últimos meses, dessa vez o lucro que obtive numa simples mesa de poker fora bem maior que o esperado. - Devo estar ficando boa nisso... Não é pra menos. - Um sorriso confiante surgia dos meus lábios, e então me erguia da cama dura que quase achatava a minha bunda toda vez que eu me sentava nela.

Deixando a carteira de lado, me apressei para ir ao banheiro enquanto me despia de cada uma das peças de roupa do pijama, de cima para baixo. A mão quente tocava a torneira do chuveiro, e a girava para o lado. Após uma boa vislumbrada de meu próprio reflexo no espelho do pequeno banheiro, seguia para baixo do fluxo de água, deixando-o tocar toda a superfície de meu corpo, enxaguando-o. Assim, espalhava algum sabonete por minha pele e deixava minhas madeixas castanhas de molho numa massa branca de shampoo enquanto tratava de cuidar das outras áreas da minha higiene, como a bucal.
Depois de lavar com cuidado todo o meu corpo e me livrar dos resíduos daqueles produtos de higiene, secava-me com uma de minhas toalhas e utilizava uma outra para enrolar em torno de minha cabeça, abafando o cabelo com o intuito de secá-lo naturalmente. Não demoraria muito para me arrumar, cobrindo o meu corpo nu com as minhas vestimentas tradicionais. Recolheria a carteira com o dinheiro, guardando-a comigo novamente e então, após me certificar de que todas as luzes da residência estavam apagadas, sairia do local.

"A meta da dívida com o Salvatore ainda parece tão longe... Será que algum dia eu consigo pagar isso?", perguntava a mim mesma, tentando entender como uma quantidade tão alta de dinheiro que era a que eu possuía no momento sequer era relevante frente à dívida que ainda possuía com o velhote Nava.

Nas ruas, tentaria ser rápida e não me distrair com tanta coisa besta. Amava e odiava viver em um centro urbano, principalmente pela quantidade de pessoas todos os dias, e que eu esperava não ter que cruzar novamente dessa vez. Dirigiria-me ao Mozzafiato, onde já tinha encontrado com o pessoal Salvatore algumas vezes antes, e assim o faria novamente, afinal, o meu bolso não se encheria sozinho. - Bom dia. - Diria ao primeiro funcionário do local que acabasse encontrando, e então adentraria o estabelecimento e buscaria uma mesa em que pudesse sentar sozinha, puxando uma das cadeiras e o fazendo. Daria uma breve bisbilhotada pelo cardápio, se possível.

- O dono está? - Perguntaria a algum garçom, caso fosse atendida. - Estou pensando ainda. - Completaria, caso fosse questionada a respeito do meu pedido.





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Re: I - Juros Simples Sex 14 Maio 2021 - 9:54


1 - Juros Simples


- Bjarke -

Hallet lentamente era acordado com a luz do sol que aos poucos subia no horizonte, junto de um vento forte que bagunçava seus cabelos. Como comumente acordava em um chão duro, diferente do esperado de sua cama, por sorte, havia dormido um passo antes da porta de sua casa.

Levantava sentido seu quadril e suas costas meio rígidas, mas aos poucos o corpo esquentava e as dores passavam, o sol havia nascido a pouco e tentando identificar a hora, ele acreditava ser perto de 07:30. Adentrando em sua casa, era recebido com toda mordomia e gentileza da bagunça e sujeira que o local estava.

Sua dispensa estava praticamente vazia, contendo apenas algumas bolachas, com elas em mão e um copo d’agua, ele fazia sua primeira refeição do dia, nada que fosse o deixar cheio, mas ajudava parcialmente em sua fome. Sujo e com as roupas toda bagunçada, Bjarke tomava um gelado banho, o aquecimento havia sido cortado cerca de uma semana atrás.

Com um rápido, porém bem cuidado banho, ele finalizava sua higiene pessoal e se vestia, nem aparentava ter tido uma longa e cansativa noite, tirando as pequenas olheiras que continham abaixo de seus olhos, nada que o toque final com um óculos escuro não o salvasse. Com pressa, andava pela casa, pegando um cigarro jogado ao chão e achando um fosforo perto do fogão.

Andando pelas ruas, podia ver varias pessoas andando pelas ruas, uma em questão chamava-a rapidamente sua atenção, com uma tatuagem aparente em seu rosto, junto de seus cabelos ruivos, tal mulher se diferenciava da multidão de pessoas, a passagem dela pelo campo de visão de Bjarke era rápido e logo, tal mulher sumia entre o vasto mar de pessoas.

Seguindo seu caminho, ele parava no meio de sua caminhada à funerária, havia algo a fazer antes, não muito longe, podia ver seu local favorito, a biblioteca, adentrando no local, o balconista já o conhecia e acenava para Flamesguard. Sua busca era rápida, afinal já sabia o que queria, pegava os dois livros e logo reservava com o homem de antes, que dava o prazo de um dia para a devolução do material.

Aumentando sua velocidade, ele chegava até seu trabalho, ao entrar, era recepcionado por Dante, que o esperava na porta do local: — Mais um dia atrasado garoto? – o olhava com um rosto sério, que após alguns segundos, abria um leve sorriso, — Uma noite ruim? Como assim? Fleur deixou uma carta sobre a mesa avisando que ia te visitar... Por sinal onde está ela?! – o Sorriso de antes sumia novamente.

-Luc de Marc -

Ainda deitado, podia ver pela janela, uma borboleta sair de seu casulo e aos poucos, entrar em voo, seguindo o rumo do sol, que nascia aos poucos... o vento parecia forte e trazia dificuldades para a borboleta que ia pegando o jeito daquilo.

Levantando-se e indo ao banheiro, ele podia se olhar no espelho, sua condição não era das melhores, cabelos bagunçados, rosto levemente inchado pelo seu despertar.

Após seus cuidados básicos, foi até a área onde havia os chuveiros, lá podia ver outros pacientes, alguns acompanhados de cuidadores e guardas, já outros, parados sobre a água, com o olhar fixo para a parede.

Seu banho era como mais um dos muitos que teve ali, vestido e brevemente seco, voltava ao seu quarto, procurava por seus cigarros, juntamente do fosforo, porém não encontrava nada, quando um guarda parada na porta, — Procurando por isso Lavoie? – ele sorria enquanto tirando do bolso, mostrava o maço junto dos fósforos – Por ser seu ultimo dia, fingirei que não achei isso. – Jogava os pertences ao homem, virava-se de costas e saia.

Seus dias poderiam ser silenciosos, mas sua mente estava sempre a mil, guardando suas coisas, uma enfermeira se aproximava, a que costumava cuidar de Luc, — Hoje é o grande dia hein... todos aqui comentam sobre sua saída, bom, boa sorte no mundo lá fora, as coisas podem ser diferentes do que antes eram! – ela sorria e finalizava, — Volto para te buscar quando eles chegarem....

A mulher entregava um pequeno papel junto de um giz preto para o homem, ela sabia do fator dele ser mudo e esperando uma resposta, costumava levar tais matérias, — Ah claro suas roupas! – levantando e pegando em seu carrinho, ela entregava suas antigas roupas, — Aqui estão!

Ela se retirava e então o homem podia botar suas roupas de cinco anos atrás, algum tempo se passava e já vestido com suas roupas de civil e não mais com o vestuário do hospital, a mulher voltava, fazendo o procedimento de segurança, ele era algemado e podia andar pelos corredores, acompanhado dela e de um guarda.

Sendo levado até a fora e passando a primeira grade, tinha as algemas retiradas, a grade se fechava e uma a sua frente se abria, era o ultimo portão a se passar, agora já estava sozinho, separados pela grade, a moça falava, — Boa sorte! Seja forte! – Sorria para Lavoie. Olhando a frente, Ele poderia ver dois homens, vestidos com ternos pretos e óculos escuros, esperando encostados em um carro, dentro do carro, havia uma mulher de cabelos azuis, de longe era difícil de se notar, porém seus braços pareciam estar amarrados.

- Catherine -

Um começo de manhã cotidiano para Catherine, a dor em suas costas era comum, porém o dinheiro adquirido era acima do normal, a sorte estaria ao seu lado? Tomava seus passos inicias como em todos dias, seu banho era como os de sempre, apesar do fato de seu shampoo ter acabado após essa lavagem, vestindo suas roupas e ficando pronta.

As luzes já não eram mais necessárias com o nascer do sol, que adentrava pela pequena janela presente em seu banheiro, desligando assim tudo e saindo de seu local.

Sua divida com Salvatore por pouco parecia tão perto quando se pensado no dinheiro que ganhou, porém ao se recordar da real imensidão que ainda devia voltava seus pés ao chão.

Durante sua caminhada, se deparava com um homem diferente, num rápido relance, podia ver um alto homem, usando óculos escuros logo cedo, o que podia dizer muito sobre sua noite anterior..., rapidamente ele sumia entre as pessoas.

Seguindo seu caminho, chegava até o Mazzafiato, local que normalmente se encontrava com o pessoal que trabalhava com seu chefe, adentrando e sentando, ela solicitava pelo dono, logo o atendente ia até os fundos.

Quando sentado na mesa ao lado, um capanga de Salvatore, abaixava seu jornal e olhando para a garota dizia, — Infelizmente Salvatore está ocupado hoje pela manhã, enfim, me passe o dinheiro... – ele jogava uma sacola sobre a mesa de Petit.

— Por sinal, ele tem um trabalho para você... – tomando um gole no café, voltava a falar, — Preciso que você cobre uma funerária que nos deve um certo valor, eles ficam aqui... – entregava um papel com o endereço e com o valor a ser cobrado, 200 mil berries era o preço a se cobrar - Normalmente eles pagam sem trazer problemas, fale com Dante, o dono, ele deve saber que hoje é o dia do pagamento... bom, se não souber, venha nos avisar... - Ele finalizava seu café, levantava e sai do local.

O garçom voltava e dizia, — Deseja comer algo senhorita ? - com o bloco de notas em mão, ele esperava pela resposta de Catherine


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Re: I - Juros Simples Sex 14 Maio 2021 - 12:36






2° Delírio

A rotineira manhã não fugia do esperado a princípio, rituais como a higiene pessoal já haviam quase sido sacramentados e forjados em cada um de nós como parte essencial de nossa existência. Talvez isso fosse pelo melhor, como nos casos de paciente mais fragilizados ou extremamente desviantes do que chamamos de normalidade. Mas afinal, quem também seria eu para dizer alguma coisa? Estou aqui como qualquer outro, e começo a perceber que o quão diferente eu acredite ser não importe muito, do mesmo jeito que o caminho traçado pela borboleta não importava muito diante do vento forte, e sim a simples ação de seguir em frente. “Anota isso, anota isso. Essa linha de raciocínio dá uma poesia boa” Brahma se animava, apenas para ser ignorado enquanto eu seguia meus rituais matinais.

Encontrar o guarda após meu retorno à cela talvez tenha sido o maior alívio que tive em anos, e por mais controverso que isso possa parecer, aquele flagrante me deixou mais alegre do que assustado ou irritado. Por um lado, qualquer evento que quebrasse a normalidade já me parecia lucro, e ultimamente eu vinha colecionando esses momentos. E por outra perspectiva, aquilo me mostrou que eu havia me tornado parte presente da comunidade estabelecida no local, fosse nos bons e nos maus aspectos. Fazer parte de algo sempre me foi um direito negado desde o nascimento, e ali encontrei pela segunda vez alguma certa paz de espírito, mesmo que apenas percebesse isso em um momento de partida. Mas também haviam caminhos outros a serem traçados no “mundo dos vivos”, e questões hereditárias a serem resolvidas, logo o adeus deveria ser o mais breve possível. “Para de ser uma puta emocional, a liberdade tá aí na cara. Abraça ela e o resto que se foda” dizia Shiva com animosidade, sendo surpreendida no instante seguinte. “Por mais estranho que isso possa soar, concordo com ela. Larga um pouco essa síndrome de Estocolmo" argumentou Vishnu, que praticamente nunca concordava com nenhuma das duas outras vozes. “Tá...Ver vocês concordando me deu vontade de me internar de novo, inclusive creio que vá chover depois de um acontecimento atípico assim” eu disse ao dar fim à conversa.

Com o coração já controlado, e mais sóbrio dessa afetividade em clima de despedida, tentei me controlar melhor na presença da enfermeira. As palavras de incentivo dela me atravessaram com menos impacto do que as anteriores, embora ela explicitasse certa amistosidade muito mais do que o guarda que havia me visitado anteriormente. Vestir minhas roupas e ser escoltado fez com que eu me sentisse como um prisioneiro, e a retirada de algemas serviu simbolicamente como um marco da tão esperada liberdade, suposta liberdade que agora se via minada por assuntos familiares e monetários. “Talvez nós apenas pulamos de uma prisão para outra, esse é o nosso jeito de viver”, eu refletiria após ouvir a despedida da enfermeira. Acenaria para ela em despedida, em seguida olhando em frente e encarando minhas responsabilidades.

Ver dois homens de terno e um carro apenas podia significar duas coisas: “Você tá fudido” ou “Você deu a sorte grande”. Infelizmente eu e Vishnu concordávamos que o primeiro caso era mais possível. Em instante as desilusões de ser um mal entendido se esvaíram, afinal ninguém mandaria dois homens e um carro para buscar um pobre louco qualquer. Nesse momento as vozes na minha cabeça se desesperaram, por um lado podia ouvir Shiva gritando pra que eu fugisse naquele instante, pelo outro Brahma choramingando que o Hospital era mais seguro do que esse mundo injusto e cruel. A voz de Vishnu foi a que mais me ajudou, me instruindo a manter a calma e adentrar no carro. “C’est la Vie. Se você fugir, na melhor das hipóteses vai tomar uma surra. O melhor é seguir e obedecer, depois pensamos em algo” disse Vishnu tentando me acalmar. Decidi então seguir suas instruções, acompanhado as duas figuras intimidadoras.

Me aproximaria do carro, olhando os dois homens sem encará-los nos olhos, e em seguida tiraria o maço de cigarros do bolso, oferecendo um cigarro para cada um. “Isso, dá cigarro pros caras que futuramente vão quebrar sua cara. Jogada genial” Shiva me provocava. De qualquer forma, se algum deles aceitasse, eu usaria um fósforo e tentaria acender seu cigarro usando a chama do fósforo. Independente dos seus interesses em meus cigarros, eu entraria em seguida no carro, observando então a moça de cabelos azuis. Ofereceria também um cigarro à ela, mesmo que suas mãos estivessem atadas, também acendendo o fumo para a moça caso aceitasse. Após as devidas cortesias, acenderia um cigarro para mim mesmo, e começaria a tragá-lo, tentando jogar as cinzas pela janela ou em um cinzeiro. Permaneceria então em silêncio até chegar no meu destino, quer dizer, não que eu tivesse outra opção senão permanecer em silêncio. E mesmo após sair do carro, me deixaria conduzir pelos homens de preto, tendo a esperança que me levassem ao chefe deles ou algo do tipo. Antes de qualquer tipo de negociação ou conversa, utilizaria linguagem de sinais para perguntar “Alguém aqui fala a Língua de Sinais?”. Se ninguém respondesse, eu apenas apontaria para minha garganta e faria que “não” com os dedos, consequentemente gesticulando o ato de escrever com uma das mãos. Normalmente isso era o bastante para que entendessem que eu era mudo e que podia me comunicar a partir da escrita.



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Re: I - Juros Simples Sex 14 Maio 2021 - 16:05






O diabo mora nos detalhes

Vaguear pelas ruas de Sirarossa era sempre uma experiência interessante, embora nem sempre fosse agradável. Não importa qual direção os ponteiros do relógio apontem, as ruas da cidade provavelmente estarão lotadas, de forma que, ao abrir caminho entre os transeuntes naquela manhã, Bjarke podia se sentir como uma formiga em uma colônia de concreto. Esse caos urbano lhe agradava, apreciava a oportunidade de ver centenas de rostos diferentes ao colocar o pé para fora de casa, já que assim não se sentia sozinho. Alguns rostos eram belos, outros horrendos, outros... Exóticos? No fim, o certo era que toda vez podia apostar que alguém se destacaria em meio ao mar de gente e causaria uma impressão forte o suficiente para assegurar um lugar em suas memórias, um garoto inocente correndo atrás de um balão, uma bela moça que torcia para que lhe visitasse em seus sonhos ou, nesse caso, uma figura caricata com uma tatuagem em seu rosto.

Estaria com largo sorriso no rosto antes de adentrar na funerária, afinal, parecia que a sorte havia lhe sorrido no dia em questão. A vida não passava de um conjunto de pequenos detalhes, e os pequenos detalhes dessa manhã haviam sido bastante generosos, havia acordado perto de casa, achado um cigarro solto e um fósforo, haviam bolachas na dispensa, conseguiu alugar os livros que desejava, em suma, tudo parecia ocorrer de forma mais que perfeita antes de chegar na funerária.

Adentrava em seu local de trabalho com naturalidade, afinal, tratava-se praticamente de sua segunda casa. Ao ver Dante, esboçava um singelo sorriso, tinha um grande apreço pelo homem, que era provavelmente o mais próximo que já teve de um pai. Sua repreensão inicial não o assustava, afinal, conhecia Dante bem demais para cair nessa brincadeira, a menção a Fleur, entretanto, o assustava bastante e fazia um frio correr por sua espinha. A relação de Bjarke com Fleur era um elefante na sala, o jovem não fazia ideia se Dante sabia o quão próximo eles eram, ou melhor, haviam sido e também nunca fez questão de deixar isso claro, além disso, o fato de Fleur não ter aparecido ainda e as suas memórias da noite anterior estarem um tanto quanto turvas não ajudavam a tranquilizar a situação. Apesar do cenário desfavorável, respiraria fundo e, rapidamente, usaria os artifícios que tinha para tentar contornar esse problema.

Removeria os óculos escuros de sua face por um momento, mostrando seu rosto a Dante e tentando simular um semblante de cansaço, o que não deveria ser uma tarefa tão difícil assim considerando o estado em que se encontrava ao acordar. - Sim, foi uma noite horrível na verdade, tinha um casal de gatos no telhado da casa e eles não paravam de miar, não consegui pregar os olhos por um instante. - Sem hesitar, começaria a vasculhar sua bolsa, enquanto continuava falando com Dante. - Ela realmente passou lá em casa ontem a noite para me dar um presente... - Achando o livro que versava sobre esculturas, mostraria ele para o homem. - Isso aqui! - Afirmaria alegremente, com um sorriso no rosto. - Ela falou que viu por aí e se lembrou de mim, as vezes eu fico espantado em como ela consegue ser tão atenciosa e generosa. - Apesar da grande mentira que havia elaborado para encobrir a si mesmo e Fleur, a última parte da declaração era verdadeira e talvez isso fosse perceptível no carinho que exibia em sua voz.

Determinado a encerrar a conversa rapidamente, Bjarke colocaria um sorriso sereno no rosto, tentando demonstrar que tudo estava bem. - Eu não faço ideia de onde ela está agora, mas ela deve passar por essa porta a qualquer momento. Eu posso assumir o lugar dela e ficar no balcão até ela chegar, não precisa se preocupar com isso. - Sem esperar uma respostas de seu patrão, Bjarke caminharia para a parte de trás do balcão, colocando o óculos mais uma vez em seu rosto e começando a leitura do livro que já levava em mãos. Caso notasse que o homem continuava preocupado, faria questão de tranquilizá-lo. - Ela vai chegar em breve, tenho certeza, até lá eu posso cuidar de tudo, não precisa fazer essa cara. - Apesar de seu aparente otimismo, se preocupava bastante com o paradeiro de Fleur e, enquanto lia, se esforçaria para lembrar da noite anterior, afinal, genuinamente não fazia ideia do que tinha acontecido, sua única lembrança concreta era despertar sozinho na manhã em questão, o que provava ao menos que Fleur não havia dormido com ele.

Apesar de angustiado, não tinha nada que pudesse fazer além de esperar e tentar se lembrar de algo, enquanto isso, continuaria lendo o livro e ficaria em prontidão para receber qualquer cliente. Se alguma figura estranha adentrasse na funerária, recepcionaria quem quer que fosse com um grande sorriso no rosto e todo carisma que era capaz de empregar. - Seja muito bem-vindo, em que posso ajudá-lo? - Escutaria o cliente com atenção e faria o que estivesse ao seu alcance para ajudar. Caso visse Fleur passar pela porta, respiraria aliviado e diria, com um claro tom de deboche. - Bom dia, flor do dia! - Observaria bem a reação da mulher, para perceber se ele havia feito algo de errado ou não. Assim que visse uma oportunidade de ficar a sós com Fleur, se não tivesse conseguido se lembrar de nada, perguntaria com sinceridade. - Você passou lá em casa ontem mesmo? Eu confesso que a minha memória não é das melhores. - Esperava que ela não ficasse ofendida com a pergunta, mas, de toda forma, continuaria, agora com um sorriso no rosto. - Ainda bem que você está bem, nós ficamos preocupados, mas, já que está aqui, pode me lembrar o que aconteceu? - Se Fleur não desse nenhum sinal de vida, ficaria extremamente preocupado, mas não havia nada que pudesse fazer para lidar com essa situação se não se lembrasse de nada.    



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Última edição por Admin em Seg 17 Maio 2021 - 2:17, editado 1 vez(es)

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Samira
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Re: I - Juros Simples Sex 14 Maio 2021 - 21:58







Ato II.



Sem dizer mais nada, o atendente me deixava sozinha, seguindo até os fundos do restaurante. - Hm? - Levava a mão destra até o rosto, assoprando com a boca aberta contra a palma, numa tentativa de verificar se tinha algo de errado com o meu hálito apesar de eu ter tomado banho há pouco tempo. "Que seja...", cruzando as pernas, puxaria um menu próximo para que pudesse verificar o que eles poderiam ter para o meu desjejum.

- Infelizmente Salvatore está ocupado hoje pela manhã... - A voz surgia de uma mesa ao lado, onde um homem abaixava o seu jornal para falar. - Enfim, me passe o dinheiro... - Ele finalizava, indo diretamente ao ponto e jogando uma sacola sobre a minha mesa. Aquela abordagem não era algo inédito, sem dúvidas, e nem sequer era algo assustador, mas a forma como me tratavam era algo a me tirar do sério. - Veja bem...! - Até começava a esbravejar o meu xingamento, mas acabava parando no exato momento em que o homem falava a palavra "dinheiro".

- Por sinal, ele tem um trabalho para você... - Bem, pode ser que ele não tenha dito exatamente a palavra "dinheiro", mas é como tinha soado para mim, e ficava ainda mais feliz ao ouvir a parte do "dinheiro fácil" logo em seguida. - Preciso que você cobre uma funerária que nos deve um certo valor, eles ficam aqui... - Um sorriso rapidamente se abriu de meus lábios enquanto puxaria o papel com as informações para um dos meus bolsos.

- Fufufu... Uma funerária, é? - Diria, recolhendo a minha carteira e a abrindo meio inclinada para mim, de forma a evitar que o homem a visse. Retiraria dali uma quantia de 150.000 e a depositaria no interior da sacola que havia sido entregue por ele, fechando minha carteira e, em seguida, a sacola. - Vai ser fácil... Toma aqui. - Diria, entregando-o a sacola com o dinheiro. - É tudo o que eu tenho. - Não conseguiria evitar de soltar um breve sorriso ao dizer aquilo, sem dúvidas imaginando estar por cima naquela relação de cobrança, mas, no fundo, era dolorido ter que entregar boa parte do lucro da última noite de apostas.

Ao ser questionada pelo garçom, que logo retornava, já estaria me colocando de pé. - Estou sem fome, obrigada. - Lançaria um sorriso de canto para o agiota ao colocar-me de pé e desfilar em direção à porta, de maneira provocante.
- Vamos ver onde fica esse lugar... - Pegaria o papel informativo, verificando o endereço e logo de cara tentando identificar se era algum canto próximo. - Droga, que filho da puta. - Diria, caso percebesse que era em algum canto longe demais para apenas dez minutos de caminhada. "Deve ter me mandado ir lá porque tá com preguiça de andar, agiota corno."

De qualquer maneira, tomaria a minha caminhada pelas ruas da ilha de forma calma, tentando não me esforçar muito para manter a aparência digna e o cheiro de banho recém-tomado até que tivesse que realizar qualquer interação social. Não teria pressa e faria quaisquer voltas fossem necessárias para evitar os possíveis rios que pudessem passar pela cidade no caminho até a funerária, buscando cruzar pontes e apreciar de belas vistas.

- Com licença. - Diria após empurrar a porta de entrada do estabelecimento e adentrar o local. Daria uma breve olhada em volta, sem qualquer discrição, tentando avaliar a classe financeira daquele lugar em apenas alguns olhares. É claro que eu não era ninguém muito capaz de julgar riquezas, mas com certeza sabia se algo era bonito ou não. Assim o faria também ao olhar os móveis, funcionários e seus possíveis uniformes, caso existissem. - Quero falar com o Dante. - Diria, procurando algum lugar próximo para me sentar, possivelmente algum sofá? Que tipo de funerária não teria um sofá para que os aflitos possam chorar suas perdas com comodidade? - Diga a ele que ele possui pendências com Salvatore. - Concluiria para algum funcionário próximo, sentando-me, se possível, e cruzando as pernas de maneira elegante. - Dia do pagamento. - Diria, ao invés da frase anterior, caso o próprio Dante estivesse no local.





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Re: I - Juros Simples Sab 15 Maio 2021 - 18:43


1 - Juros Simples


- Bjarke -

Era pego de surpresa com as falas de Dante, porém, Bjarke conseguia brevemente acalmar o homem com sua explicação, — Mmmmmh, certo, ela pode ter ido para a casa mãe dela talvez, certo... fique no balcão então, vou ir comprar alguns matérias que estão fazendo, cuide de tudo...

Dante pegava seu chapéu e um sobretudo que estava apoiado sobre a cadeira do balcão, saia pela porta, ficava Hallet e a responsabilidade de cuidar de tudo enquanto Fleur e Dante estavam fora.

O tempo passava, nada de sua garota aparecer, o livro era lentamente consumido, como um cigarro, que aos poucos ia se esgotando, Bjarke ao balcão, se recorda de uma coisa, de fato Fleur foi o ver, porém ela parecia em suas lembranças nervosa e com uma certa pressa.

Quando o sino presente na porta sinalizava a chegada de um possível cliente, era uma mulher, que ele já havia visto antes pelas ruas de Sirarossa.

- Catherine -

Catherine era pega de surpresa pelo agiota, ainda assim, pagava-o certa parte da sua dívida, ainda que mentindo sobre aquilo ser tudo que ela teria, ao levantar e esperando ver o capanga de Salvatore, assim como ele, alguns clientes haviam sumido, já o garçom parecia mais calmo naquele momento.

O local era perto e andando pelas ruas, podia apreciar parcialmente a beleza daquela ilha, muitas pessoas andavam pelas ruas naquele momento, andando entre as construções, ela chegava na funerária, com uma faixada pouco chamativa, mas bem arrumada e limpa.

Adentrando se deparava com um homem que antes havia visto, um ficando de frente para o outro. Assim como quando olhou o lado de fora, vendo como era o interior, podia notar que o lugar era bem arrumado, não exatamente demonstrava a posse de um bom dinheiro, mas não haviam coisas quebradas, manchadas, ou velhas por lá.

-Luc de Marc -

Havia ganhando na mega sena da vida? Ou aquilo que via a sua frente seria uma nova prisão de Luc? Ele e muito menos seus pensamentos sabiam ao certo a resposta correta, porém, a vida e suas incertezas são a grande magia de estar vivo e não apenas sobrevivendo.

Se aproximava de cabeça baixa, quando o homem da esquerda botava a mão dentro de seu sobretudo, puxava então um caderno de couro, junto de uma caneta, entregando para Marc, enquanto isso o homem a direita dava uma leve risada enquanto botava a mão sobre o ombro de Luc, — Seja bem vindo ao mundo novamente! – puxava um cigarro do maço do jovem e acendia com seu isqueiro.

— Vamos entrando... – O homem que antes o entregou o caderno abria a porta de trás do carro, — Contamos o resto durante o percurso....

Todos em seus lugares no carro, a garota movia seu rosto ao lado em negação, ela parecia nervosa, o carro partia, deixando o hospital a cada instante mais longe, ficando no fim, um pequeno ponto branco, o homem do cigarro que agora estava dirigindo enquanto fumava dizia, — Pode me chamar de 13, esse ao meu lado é o 15, a garota ao seu lado é nossa acompanhante....

O 15 continuava a conversa, — Em breve você conhecerá Kenway, quem lhe deu a ‘liberdade?’ chame como quiser, por hora, tenho um trabalho para você, prove sua lealdade, - tirando de seu sobretudo, ele entregava uma foto da garota ao lado dele - É bem simples, te deixaremos a frente de um local, uma funerária, eles têm um dinheiro, que bom, precisamos que você consiga, use essa foto como ferramenta, essa garota... digamos que é importante para o dono do local.

— Diga... não, perdão... escreva que precisa do dinheiro de Salvatore, simples, não é? Tome, isso pode te ajudar também. – Entregava um canivete a Luc.

Finalizando dessa vez, 13 falava, — A garota ficará conosco, pelo menos por enquanto, falando nisso, chegamos! Boa sorte em seu primeiro trabalho. – Mal teve tempo de olhar a paisagem, muitas informações eram entregues a Marc após essa conversa.

A garota com as mãos amarradas tentava segurar o homem, como se pedisse por ajuda, o copiloto olhava para trás e logo ela o soltava, — Não nos decepcione De Marc. – Sorrindo ele se esticava e abria a porta para o jovem, que logo saia, a porta se fechava e o carro saia rapidamente.

Parado de frente com a funerária, podia ver pelo vidro da janela outras duas pessoas lá dentro, uma melhor dos cabelos ruivos e um alto homem de cabelos pretos, o céu aos poucos se fechava, trovejando e lentamente algumas gotas se batiam com o corpo de Luc.


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Re: I - Juros Simples Sab 15 Maio 2021 - 21:46






3° Delírio

Não tomar uma surra bem na frente do hospital foi um bom começo, bom o suficiente para ser suspeito. Mas sinceramente, eu não me importava com delírios paranóicos desde que minha cara não terminasse no asfalto ou no fundo de uma cova. O Caderno de Couro e a Caneta me pareceram mais cortesias estranhamente bondosas, o que incentivava Brahma a se retrair de sua posição apavorada e a cantar certa vantagem. “Viu, Shiva? Eu disse, ganhamos na sorte grande. Parece que temos um par de seguranças e um carro para nos escoltar de volta à nossa confortável vida de luxo. Certeza que Theodore nem lembra mais do tiro no joelho, provável que vá nos receber de braços abertos” monologou a voz enquanto se perdia em tanta alegria. “Ainda acho que não existe almoço de graça. Esses dois engravatados podem nos enviar pra cova antes de você conseguir dizer ‘Theodore’. Inclusive, mantenha esse maldito nome longe de mim” respondia Shiva, quase paranóica de que existia algo de errado.

Enquanto as duas vozes discutiam, eu me preocupava com a garota de cabelos azuis. Ela parecia bem nervosa, e dentro daquela situação ela parecia ser a peça que não se encaixava. Minha vontade era de perguntar se ela estava bem, mas o desenvolver da conversa foi deixando claro que seu lugar ali era de submissão desconsentida. “Luc, eu sei que isso não cheira bem, mas não vamos colocar a carroça antes dos cavalos” Vishnu me lembrou, quase como se percebesse que eu estava propenso a fazer alguma besteira. De qualquer forma, tudo que eu podia fazer no momento era me dissociar da imagem da garota, tentando me focar no resto da situação, e principalmente nos dois homens que vieram me buscar.

Seus nomes não eram as coisas mais informativas do mundo. Na realidade, aqueles numerais me passavam certa impressão de despessoalização deles, quase como se fossem descartáveis ou irrelevantes dentro de um cenário maior. Essa era uma sensação que me era familiar, já que a experiência de viver naquele hospital foi praticamente similar, a uniformização e padronização não era tão diferente. Seja como fosse as analogias que minha mente fizesse, eu sabia que as figuras não me apresentavam um risco imediato, e isso já era o suficiente para mim. Fora isso, o resto das informações que me deram pareciam bem diretas: Eles pareciam trabalhar para um tal de Kenway; Por alguma razão, eles esperavam alguma prova de lealdade por minha parte; E precisavam que eu agisse como um cobrador ou algo do tipo. Olhe bem, trabalhar por uma dívida não me parecia um problema, mas a situação parecia peculiarmente estranha, e além de confuso eu não sabia muito bem como me sentir ou o que fazer. “Será que o mundo virou um lugar tão estranho de repente?" era tudo que conseguia pensar até chegar no meu destino.

O canivete e a foto da garota deram um tom macabro ao que eu talvez estivesse sendo passivamente obrigado a fazer. “Sério cara? Canivete… Foto de refém… Tá faltando só um sobretudo e uma carteirinha da Associação de Molestadores Anônimos. Mas sério mesmo, entra lá e faz isso o mais rápido possível” Shiva me aconselhava com um tom cômico, já Brahma parecia dançar entre apoiar os homens engravatados e evitar problemas. “Luc, esquece o que essa doida disse. Você deve ter dinheiro em algum lugar ainda, mesmo que em uma daquelas contas não tão oficiais da sua família, você paga os engravatados e diz que pegou o dinheiro da funerária. Você não precisa fazer isso desse jeito, não mesmo.” Brahma quase me implorava. No momento eu me via de frente a essas duas opções, e conforme o carro partia eu devia escolher um caminho. Fosse por não querer me envolver em mais problemas do que já tinha, ou por duvidar da boa vontade dos meus falecidos pais ou de Theodore, eu decidi que faria o que pediram.

Pisar em uma rua depois de cinco anos foi de fato uma sensação intensa. Nem boa, nem ruim, mas intensa. O silêncio e o espaço fechado do hospital tinham me feito esquecer de quanto tudo era tão barulhento, detalhado, cheio e vivo. Era bom respirar o ar da liberdade em meus pulmões, ouvir os sons da cidade e ver o mundo dos vivos novamente. De qualquer forma, guardaria a foto e o canivete em meus bolsos, e daria um último trago no cigarro antes de jogá-lo no chão e apagá-lo. “Lá vamos nós” pensaria, analisando bem o que pudesse ver pela janela, aguardando alguns segundos caso conseguisse ouvir alguma conversa mesmo do lado de fora, e então entrando no local.

O canivete me era meio inútil, já que eu me cortava até mesmo tentando descascar uma maçã, então usá-lo em uma possível luta era impensável. Na realidade, qualquer cenário que resultasse em uma briga seria minha ruína, já que conflitos braçais nunca foram o meu forte. Tendo isso em mente, analisaria bem o local ao entrar, e me dirigiria a qualquer coisa que lembrasse um balcão ou mesa de atendimento, tendo esperança que algum atendente estivesse presente. Primeiro ofereceria um cigarro a cada pessoa presente, tática que parecia ter funcionado com os homens de mais cedo. “Olha… Eu até tiraria sarro com a sua cara de novo por oferecer cigarros, mas o tempo me provou idiota” confessou Shiva, o que despertou um surto de gargalhadas de Brahma. Depois dos devidos cigarros oferecidos, perguntaria em linguagem de sinais “Alguém fala linguagem de sinais?”. Caso ninguém falasse, depositaria o caderno e a caneta em uma superfície próxima de mim, mas na possibilidade de que alguém falasse linguagem de sinais, enunciaria minhas frases seguintes em gestos e sinais. Com caderno e caneta depositados, começaria a escrever: “Sou mudo, então espero que não cause problemas me comunicando assim”. Após terminar de escrever a sentença, a apresentaria para todas as pessoas presentes na sala. Então prosseguiria escrevendo: “O dono desse lugar tem pendências com Salvatore, vim coletar a taxa. Espero que não seja um problema”. Apresentando a sentença novamente para todos presentes. Caso me perguntassem quem sou, escreveria: “Apenas alguém fazendo seu trabalho”.

Tentaria evitar problemas ao máximo, coletando o dinheiro na ocasião dele me ser oferecido e saindo o mais rapidamente possível do local. Os homens não tinham me falado nada sobre quantias ou algo do tipo, e não me daria ao trabalho de inferir sobre valores nem nada do tipo. Caso alguém tentasse me agredir ou me agarrar, tentaria me esquivar sem muita esperança, apenas tentando ter certeza de que pudesse pegar meu caderno e escrever “Não matem o mensageiro, não sei de nada”.



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Re: I - Juros Simples Seg 17 Maio 2021 - 3:10






Duas faces e múltiplas conseqüências

Dante parecia ter comprado a história que criou de improviso, o que era o suficiente para tranquilizá-lo e fazer com que o rapaz seguisse seu dia sem nenhuma preocupação até o sumiço de Fleur dar indícios de se tratar de algo mais relevante, todos tinham alguns dias em que desejavam sumir e ele era a prova viva disso. Enquanto folheava as páginas do livro que o entretia na ausência de qualquer cliente, fragmentos da noite anterior começavam a emergir em suas memórias. As imagens da noite anterior eram turvas, sem nenhum nexo ou clareza, mas a feição que Fleur havia demonstrado em suas memórias era o suficiente para fazer com que uma angústia cruel invadisse o seu corpo. Perecia-lhe que um demônio havia envolto seu coração em uma corrente cravada de espinhos e, a cada tique do relógio em que Fleur não passava sorridente pela porta, essa corrente imaginária parecia apertar ainda mais.

Ao ver a porta do estabelecimento se mover, sentiu de súbito uma esperança crescer em seu peito e não pôde evitar de esboçar um sorriso, que deixou de ser sincero no momento em que percebeu que se tratava da mulher que havia chamado sua atenção pela manhã e não quem realmente esperava, mas, de toda forma, havia recebido a estranha com toda a cortesia que poderia oferecer. Quando o nome de Dante fosse mencionado, não hesitaria em responder. - Esse sou eu. - Confirmaria com animação. - Bem, pelo menos pelas próximas horas. - Sussurraria por fim, tentando fazer com que a recém chegada não percebesse seu comentário, Dante disse que ele deveria cuidar de tudo e isso era o que pretendia fazer.

Hallet era um homem que se importava até demais com as aparências e a moça em questão era um tanto quanto intrigante nesse sentido, era inegavelmente bela, mas a tatuagem que cobria parte de seu rosto contrastava com a delicadeza de sua aparência, de forma que ele ainda não tinha uma opinião formada sobre ela e não fixar o olhar sobre o rosto da visitante por longos instantes parecia uma tarefa árdua, que tentava realizar para não parecer mal-educado. A declaração feita logo após sua entrada o deixava atônito. - Dia do pagamento? - Perguntaria, com curiosidade genuína, sabia que a estranha em questão não era uma prestadora de nenhum serviço regular, além disso, ela não trazia consigo nenhum item para efetuar uma entrega. O mais estranho de tudo isso era o fato de que Dante jamais se esqueceria de avisar sobre algo assim, mesmo que estivesse preocupado com Fleur. - Eu acredito que você tenha se enganado, não lembro de termos comprado nenhum produto ou serviço com você, tem certeza que veio ao endereço certo? - Tentaria ser o mais educado possível, para não gerar nenhuma situação desconfortável.

O dia em questão já estava estranho o suficiente, mas se tornava ainda mais bizarro quando a porta da funerária abria novamente, revelando, desta vez, um homem que não hesitou em oferecer um cigarro, o que era um ótimo sinal obviamente. Sem questionar, Bjarke pegaria o presente com a mão esquerda e, em seguida, perguntaria com naturalidade. - Tem fogo? - Levaria o cigarro até a boca, esperando que o estranho acendesse, mas, se não fosse o caso, gastaria seu único fósforo para iniciar a combustão. O recém-chegado tinha passado uma ótima imagem inicial, mas agora aparentava ter uma certa fixação em contorcer suas mãos de forma estranha. Parecia-lhe natural ignorar a cobrança alegada pela mulher instantes atrás e se entreter com esse novo acontecimento.  

Tudo fazia sentido quando ele pegava um caderno e começava a escrever. Balançaria a cabeça em negativa quando indagado sobre a linguagem de sinais. Quando lesse a mensagem seguinte, colocaria uma das mãos livres no ombro do homem, tranquilizando-o com um sorriso no rosto. - Não é problema nenhum senhor, como posso ajudá-lo? - A próxima mensagem, entretanto, faria todo o seu carisma sumir, mudando totalmente o seu semblante, não para um de raiva ou fúria, mas para o de um homem que havia acabado de vislumbrar um futuro que não lhe agradava nem um pouco. Fleur não havia aparecido até o momento, o que era bastante estranho, mas até esse ponto não existia nenhum indicativo de algo maior, entretanto, duas figuras estranhas aparecendo com cobranças endereçadas a Dante e a filha de um homem supostamente endividado desaparecida... Bem, não precisava ser um gênio para ligar os pontos.

Levaria ambas as mãos ao rosto lentamente, esfregando o mesmo como se quisesse se livrar de algo, respiraria fundo e, por fim, não conseguiria evitar uma forma de extravasar sua frustração. - Puta que pariu... - Desabafaria, de forma lenta e arrastada, para tentar se recompor logo em seguida. Não tinha tempo a perder se quisesse resolver tudo aquilo antes que seu patrão aparecesse, então decidia eliminar todas as suas dúvidas e encarar a situação de frente. - Quanto, supostamente, e por favor observem que eu disse supostamente, eu devo a cada um de vocês? - Esperaria ser informado do montante e, em sequência, faria a pergunta que realmente lhe interessava. - Mudando um pouco de assunto, algum de vocês, por um acaso, viu uma mulher jovem, de cabelo azul e mais ou menos dessa altura? - Indicaria a altura aproximada de Fleur com uma de suas mãos. Esperava, do fundo do coração, que ambos não fizessem ideia de quem se trava e sua linha de raciocínio estivesse completamente equivocada.



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Samira
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Re: I - Juros Simples Ter 18 Maio 2021 - 0:29







Ato III.



À essa altura já havia ficado claro para mim que trabalhar para o mesmo agiota que me cobrava uma dívida não podia ser fácil. Na verdade, nenhum trabalho justo é capaz de devolver uma renda boa e fácil, e por isso é chamado de trabalho "justo"; Justo e chato.
Ainda tinha, no entanto, a clara dúvida a respeito da "justiça" que envolve o trabalho com um agiota pique mafioso, com chapéuzinho, paletó e tudo o que tem direito. Mas de qualquer forma, não cabia a mim trazer esses questionamentos tão cedo em minha busca; Tenho a porra de um trabalho de merda para entregar, e tinha um pé no saco bonitinho achando que tinha o direito de brincar com a minha cara.

- Eu acredito que você tenha se enganado, não lembro de termos comprado nenhum produto ou serviço com você, tem certeza que veio ao endereço certo? - Minhas sobrancelhas se estreitariam, arqueando-se enquanto que minha boca se abria em um sorriso forçado. O dedo indicador subiria junto da mão destra, apontando na direção do rosto do tal Dante e dando uma cutucada em seu maxilar. - Olha aqui, seu...! - O homem parecia ser bem mais alto que eu, então acabaria sendo inevitável que eu me colocasse na ponta dos pés para pressionar o dedo contra seu rosto. "Que filho da puta, não acredito que vai se fazer de desentendido!"

E era nesse momento que, consumida por uma irritabilidade momentânea, distraía-me com o barulinho irritante do sino que se agitava quando a porta abria. "Típico. Alguém pra atrapalhar meu serviço." Abaixando-me novamente à minha altura normal e pisando ao chão com a sola inteira dos pés, viraria-me para o novo visitante da loja, apontando então o dedo indicador em sua direção, esbravejando: - ESTAMOS FECHADOS! - A voz já se colocaria a sair antes mesmo de ver que tipo de cliente era aquele novo que tinha acabado de entrar, mas acabava sendo a única coisa que eu tinha pensado ser possível de se dizer naquele momento de desespero momentâneo, afinal, eu nunca tinha cobrado uma dívida antes, e imaginava que uma postura agressiva certamente cairia melhor.

No entanto, o que me chamava atenção e me desconcertava completamente de minha própria personagem durona era o gesto das mãos do novo cliente, que puxava uma carteira de cigarros e inclinava em nossa direção, oferecendo-os silenciosamente. - E-eu não fumo. - Concluiria, fechando o bico ao perceber a postura do terceiro indivíduo, que começava a mexer suas mãos como um mímico. "Só tem perturbado nessa cidade." Ficaria algum tempo tentando compreender o que aqueles dois estariam falando entre si, até finalmente perceber que eles estavam se comunicando pelos gestos que faziam das mãos. - Isso é linguagem de sinal. - Atestaria o óbvio.

- Quanto, supostamente, e por favor observem que eu disse supostamente, eu devo a cada um de vocês?

- Finalmente admitiu, que saco. - Puxaria do meu bolso o papelzinho com as informações a respeito do endereço da funerária junto da quantia que Dante devia fazer de pagamento a Salvatore, dando uma olhada rápida antes de entregar nas mãos do homem, dando alguns passos a frente e passando ao seu lado, fazendo questão de encostar meu corpo no dele ao fazê-lo. Buscaria sentar em algum balcão ou mesa de recepção que pudesse estar em algum canto depois dele, alavancando-me para cima com o esforço de ambos os braços, acomodando o corpo e olhando para Dante. - Duzentão. - Diria, finalmente chegando no assunto que eu queria.

- Quê? Não? - Responderia a pergunta de Dante. - Não muda de assunto, viu?





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Re: I - Juros Simples Qua 19 Maio 2021 - 13:05


1 - Juros Simples


- Bjarke / Catherine / Luc -

Os ventos não traziam com si o que mais Bjarke queria, diferente do esperado, outra mulher entrava pela porta da frente, suas memorias voltavam aos poucos e outra coisa que ele se lembrava ela ter chegado em sua casa de certa forma assustada, Fleur chegou a ficar lá por algumas horas e então sumiu, mas afinal, porque Hallet acordou do lado de fora?

Diferentemente para Catherine, que por sorte se deu de cara com ‘Dante’, porém ele não sabia sobre o pagamento? Aquilo a irritava, como alguém esqueceria as dívidas com os Salvatore? Para completar mais um novo cliente aparecia, esse com um jeito silencioso quebrava o jeito raivoso da ruiva.

Passando pela Porta, Marc podia analisar o ambiente, logo ao centro um lustre rustico, com algumas lâmpadas faltando, uma escada que levava a um segundo andar, assim como outra que levava a um subsolo, a sua frente, um balcão, atrás dele, havia um alto homem sentando, enquanto do outro lado, uma mulher baixa de cabelos ruivos, segundos antes eles pareciam ter tido alguns problemas.

Bellarosa não era uma amante dos cigarros, logo negando, diferente do atendente, que sequer pensava, aceitava o cigarro e logo começava a fuma-lo. Para má sorte de Luc, ninguém parecia saber linguagem de sinais, porém com seu caderno ele conseguia explicar tudo ao alto homem.

Flamesguard tinha as informações necessárias para lembrar de mais uma informação, Fleur quando foi em sua casa, havia comentado sobre uma divida que seu pai tinha e o medo dela com o que poderiam fazer, o quebra cabeça começava a formar imagem em sua mente, seria realmente isso que ele imaginava?

Ao externo, uma fina chuva começava, com alguns trovões de fundo, o clima ficava tenso e por momentos silencioso, Petit informava sobre o valor e então sentava sobre um banquinho alto, presente em frente ao balcão, diferente de Lavoie que se mantinha em silencio, podia ouvir as falas de ambo, mas qual seria o valor a se cobrar? Os homens que o buscaram não revelaram isso, teria que criar um valor em sua mente?


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Re: I - Juros Simples Qui 20 Maio 2021 - 5:31






Com ela não há uma terceira hipótese

Para um dia que havia começado tranquilo e pacato, as coisas haviam mudado de rumo em uma velocidade desnorteante, parecia-lhe que havia gastado toda a sorte antes de adentrar na funerária e desde então tudo que ocorreu foi uma grande série de infortúnios. Podia reclamar de sua maré de azar, mas jamais poderia dizer que estava entediado, a mulher era uma figura interessante, agressiva e provocante, o homem mudo tinha um temperamento que era aparentemente razoável e havia lhe dado um cigarro, imaginava que poderiam ser figuras agradáveis se não trouxessem consigo algo tão desagradável como uma dívida.

A quantia revelada pela mulher era, de certa forma, reconfortante, era quase tudo que tinha conseguido juntar nos últimos tempos, mas pelo menos tratava-se de uma quantidade de recursos que era capaz de comprometer. Em contrapartida, as lembranças de Fleur se tornavam cada vez mais claras, fato que aumentava o seu sofrimento e embasava ainda mais as suas suspeitas, além disso, a negação da mulher parecia sincera, de forma que restava trabalhar com a hipótese do mudo deter alguma informação sobre o paradeiro de Fleur.

O nome Salvatore não lhe era estranho, na verdade, não era estranho para nenhum habitante de Sirarossa. Sabia que tinha dívidas com a figura em questão, mas não fazia ideia que Dante se encontrava na mesma situação, na verdade, estranhava bastante o fato de duas cobranças de dívida aparecerem em um momento tão oportuno. Era uma situação extremamente desagradável e perigosa, mas abraçá-la também era o único meio de seguir em frente e resolver toda essa confusão.    

Sem pressa, acabaria de tragar o seu cigarro e, quando tivesse acabado, se dirigiria até a saída do local, se encostando na porta e encarando tanto o mudo quanto a mulher. Sem uma palavra, abriria sua carteira e separaria os duzentos mil berries, segurando eles firmemente na mão direita e mostrando o dinheiro para ambos. - Dinheiro não é um problema. - Diria, de forma tranquila e pausada, prestando atenção em ambos. - O problema é que, e nesse ponto insisto que concordem comigo, duas cobranças de dívidas em um mesmo dia não é algo comum, ainda mais quando alguém com quem você se importa simplesmente desaparece do mapa. - Olharia para a mulher e apontaria rapidamente para a direção do mudo com a cabeça. - Ele diz que representa o Salvatore, e você? - Esperaria a resposta antes de continuar seu raciocínio.

Independente da resposta, guardaria em seu bolso o dinheiro, sem entregá-lo para nenhum dos dois. - Como eu já disse, não tenho nenhum problema em pagar, mas só é justo e razoável que eu faça isso quando a mulher sobre a qual eu perguntei estiver segura. - Abriria a porta da funerária, indicando a saída para ambos os visitantes. - Eu acredito que tenha ocorrido algum desentendimento em todo esse processo, então, se fosse possível, gostaria de conversar com os superiores de vocês para resolver tudo isso. - Apesar de falar com aparente calma e segurança, poucas vezes esteve tão nervoso, afinal, sua única oportunidade de obter pistas sobre o paradeiro de Fleur e tentar resolver toda essa situação dependia da boa vontade de dois capangas exóticos, mas estava disposto a arriscar tudo, incluindo sua própria segurança, para cumprir a promessa que havia feito a Dante.

Se algum dos dois convidasse Bjarke a seguí-los para ter o encontro que desejava, iria sem hesitar, caso contrário, permaneceria na funerária para traçar seus próximos passos.



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Última edição por Admin em Sex 21 Maio 2021 - 1:01, editado 1 vez(es)

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Samira
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Re: I - Juros Simples Qui 20 Maio 2021 - 23:03







Ato IV.



- Dinheiro não é um problema. - Dante dizia após retirar o dinheiro de sua carteira e contar em minha frente, mostrando que ele realmente tinha posse do suficiente para pagar a dívida; talvez já estivesse preparado para fazê-lo? - Alguém sumiu? - Perguntaria um tanto quanto confusa, enquanto que os olhos ainda se mantinham fixos na grana que permanecia nas mãos do homem. É claro que a pergunta que ele fazia era algo que de fato fazia sentido, mas que entrava numa particularidade do devedor que eu não tinha completa certeza se estava disposta a entrar, apenas queria o meu dinheiro.

- Ele diz que representa o Salvatore, e você? - Seu dedo indicador apontava para o outro cara estranho na sala, que permanecia em silêncio apesar de aparentemente já ter se comunicado através de suas escritas com Dante. Por um momento olharia intrigada para a figura, voltando minha atenção então a Dante. - Eu represento o Salvatore. Um capanga dele que me deu esse serviço lá no Mozzafiato. - Concluiria, certamente confusa por ter um outro cara cobrando em nome de Salvatore e até mesmo considerando a possibilidade de um de nós ter caído em algum tipo de golpe.

"Impossível, eu fui contatada no restaurante do Salvatore... Esse doido aí que deve ter caído no golpe.", soltaria uma breve risada abafada pela mão à boca. - Certo, que seja. - Por fim, finalizaria minha estadia ali ao perceber que Dante não queria realmente realizar o pagamento de sua dívida, por mais que eu tivesse lhe indicado o valor correto a pagar, e ele ainda parecia ter algum tipo de dúvida sobre. - Me disseram que você era um bom pagador, parece que se enganaram. - Deslizaria para fora do tampo do banco em que estava, empurrando-me para a frente e posicionando-me de pé, dando uns rápidos tapinhas nas vestes e olhando para o recepcionista, e depois para o outro cobrador. - Já que está abrindo a porta de forma tão convidativa... Eu vou. Mas aguarde processo. - Diria sorrindo, encaminhando-me em direção a porta, deslizando a mão esquerda para baixo e tentando dar um tapinha na bunda de Dante, com uma piscadela. - E sobre seu problema aí com essa mulher, boa sorte, viu? Tenho nada a ver. Muito menos o meu chefe.

Por fim, sairia pela porta, dando um rápido tchauzinho por sobre os ombros, despedindo-me mesmo que de costas dos dois que ficassem no estabelecimento. Manteria um caminhar lento e elegante, mas assim que saísse do campo de visão dos dois, apressaria o passo em direção ao Mozzafiato, tentando realizar o mesmo caminho de volta ao restaurante, entrando e sentando em algum local afastado e vazio dentre as mesas do estabelecimento. Ficaria em silêncio por lá até que fosse contatada.
Caso ainda estivesse chovendo quando fosse para a rua, olharia em volta por algum canto que pudesse utilizar como cobertura para que me protegesse da chuva pelo caminho até o meu destino, se possível tentando evitar a chuva como desse.





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• Dante
• Um mudo





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